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RESÍDUOS

Compostagem ainda é quase nula no Brasil

Compostagem ainda é quase nula no Brasil

Segundo números do Brasil Composta Cultiva, iniciativa do Instituto Pólis, aproximadamente 45,6% dos resíduos coletados no Brasil são orgânicos compostáveis, como restos de alimentos e resíduos de jardim.

Comemorado em 30 de março, o Dia Internacional do Resíduo Zero foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a importância da gestão eficaz de resíduos e a transição para uma economia circular. Segundo números do Brasil Composta Cultiva, iniciativa do Instituto Pólis, aproximadamente 45,6% dos resíduos coletados no Brasil são orgânicos compostáveis, como restos de alimentos e resíduos de jardim. Entretanto, menos de 0,3% desses resíduos são efetivamente compostados. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA), apenas 2% dos resíduos sólidos urbanos coletados no Brasil foram encaminhados para reciclagem.

A plataforma on-line Brasil Composta Cultiva foi criada e é administrada pelo Pólis com o objetivo de promover o acesso a informações e dados atualizados sobre ações de gestão de resíduos orgânicos que ocorrem em 11 estados brasileiros e envolvem mais de seis mil pessoas. A iniciativa tem apoio do Global Methane Hub (GMH), Aliança Global para Alternativas de Incineradores (GAIA) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para identificar e fortalecer os projetos existentes de manejo e reciclagem de resíduos orgânicos no Brasil.

Por meio da plataforma, gestores e técnicos municipais, cooperativas de catadores de materiais recicláveis e profissionais do setor têm acesso a notícias, ferramentas, dados e estudos de caso bem-sucedidos no Brasil, além de poderem esclarecer dúvidas sobre a gestão de resíduos sólidos orgânicos, visando ao aumento da reciclagem e à redução das emissões de metano no setor de resíduos no Brasil. "A compostagem é uma solução que cresce significativamente no país, mesmo que ainda com limitado apoio e investimento comparado ao aterro sanitário, por exemplo. Apenas entre 2022 e 2023, o número de unidades de compostagem no país cresceu de 76 para 118 (aumento de 55%), indicando um grande interesse das cidades", afirma Victor Argentino, coordenador de projetos em resíduos sólidos no Instituto Pólis. “O potencial de geração de empregos também é um fator importante, gerando de 5 a 10 vezes mais empregos que o aterro sanitário por tonelada tratada, sendo também uma potencial fonte de renda para catadores e catadoras que hoje lideram a reciclagem no país", completa Victor.

Atualmente, o setor de resíduos é a terceira maior fonte de metano no mundo. No Brasil, de acordo com dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), esse setor é a segunda maior fonte e responde por 16% das emissões de metano, tanto por águas residuárias quanto pela disposição final de resíduos sólidos em aterros e lixões (10%). A destinação inadequada de resíduos para lixões ou aterros compromete a saúde pública, contamina o solo e contribui significativamente para as emissões de gases de efeito estufa. Além dos impactos ambientais, o desperdício também é econômico. Estima-se que o Brasil perde entre R$ 1 bilhão e R$ 8 bilhões anuais pelo enterramento de resíduos orgânicos no Brasil, de acordo com informações do documento preliminar do Plano Nacional de Redução e Reciclagem de Resíduos Orgânicos Urbanos (PLANARO), que está disponível para consulta pública.

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ARTIGO
Modelos eficazes para a gestão de resíduos sólidos

Por Urias Rodrigues (*) A humanidade produz anualmente mais de dois bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, dos quais 45% são mal administrados, agravando a emissão de gases de efeito estufa e os riscos relativos ao aquecimento global, bem como afetando a qualidade do ar e a saúde pública. Sem uma ação eficaz e urgente para equacionar o problema, o número crescerá para quase quatro bilhões de toneladas até 2050. Os resíduos advêm de várias fontes e se apresentam em formas, tamanhos e estruturas físico-químicas distintas. São plásticos, detritos da mineração, da indústria e da construção civil, eletrônicos, alimentos, produtos de consumo e suas embalagens e da área da saúde. Nem sempre sua gestão é adequada, havendo um desequilíbrio dentro dos próprios países e entre as nações, conforme seu grau de desenvolvimento, prejudicando as mais pobres. É preocupante constatar que o problema da má administração afeta cerca de quatro bilhões de pessoas, metade dos habitantes da Terra, devido à ausência ou precariedade dos serviços de coleta, tratamento e destinação final. Todos esses dados sobre o tema, divulgados pela Organização das Nações Unidas, na primeira celebração, ocorrida este ano, do Dia Internacional do Resíduo Zero, 30 de março, demonstram a premência das soluções. Nesse sentido, uma das frentes é a conscientização da sociedade sobre o consumo responsável, propósito principal da nova data oficial da ONU. Porém, mesmo que haja sucesso, em médio prazo, na mudança de hábitos de grande parte da população mundial, há um limite para que esse desejável avanço da responsabilidade ambiental dos cidadãos produza resultados. Afinal, todo mundo precisará continuar comendo, se vestindo, comprando produtos eletrônicos e de higiene e vários outros bens de consumo. Desde a Pré-História, não há vida sem a geração de resíduos sólidos. Assim, embora seja de extrema importância a redução dos volumes gerados pela civilização global, são essenciais modelos eficazes para sua gestão, de modo a mitigar seus impactos e retornar o máximo possível para a cadeia produtiva. É o que se verifica, por exemplo, na capital paulista, umas das maiores metrópoles do mundo, com mais de 12 milhões de habitantes, onde a coleta, tratamento e destinação dos resíduos sólidos e de saúde não apenas obedecem às leis como recebem investimentos para atender aos preceitos ecológicos. Somente a Loga (Logística Ambiental de São Paulo), concessionária responsável por esses serviços na Região Noroeste da cidade, recolhe 6 mil toneladas por dia, ou quase 2 milhões de toneladas por ano. Há, ainda, a coleta de 40 mil toneladas anuais de recicláveis, estimulando a economia circular e contribuindo para a renda de cooperativas de caráter social. Esses volumes são provenientes de 1,6 milhão de domicílios, hospitais e clínicas, abrangendo o descarte feito por sete milhões de pessoas. Todo material que ainda não é recuperado vai para aterros sanitários, estruturas de engenharia planejadas, operadas e monitoradas de acordo com normas e regulamentações ambientais rigorosas, que protegem o ar, evitam odores e a contaminação do solo e da água subterrânea. Equipamentos de drenagem do chorume captam e tratam o líquido resultante da decomposição. Há, ainda, sistemas de coleta de gases, como o metano, um subproduto da decomposição anaeróbica dos materiais orgânicos, que é utilizado como fonte de energia, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Se a humanidade precisa gerar resíduos para viver, também necessita reduzir sua produção e equacionar a sua gestão, como têm feito os paulistanos, para que a vida seja viável em longo prazo. São prementes soluções para tal paradoxo, questão crítica de um planeta com mais de oito bilhões de habitantes. Para isso, há modelos e sistemas eficazes. Trata-se de algo crucial para o meio ambiente urbano, a saúde pública, o cumprimento do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura da Terra em 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial, e a viabilização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). (*) Coordenador de destinação final da Central Mecanizada de Triagem da Loga (Logística Ambiental de São Paulo).

5 de agosto, 2023
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COMPOSTAGEM
Mineradoras processam resíduos de operações

Com duas minas de caulim no município de Ipixuna do Pará (PA), a mineradora Imerys utiliza o processo da PPSA, replicado para outra mina da empresa, a RCC, onde aproximadamente 60% de todo o resíduo orgânico gerado é aproveitado. “São muitas possibilidades, porque também podemos compostar cascas, grãos e sementes em geral, a borra e o filtro do café, o saquinho do chá, o hashi da comida japonesa”, conta o técnico Ambiental da Imerys, Mauro Cunha. Segundo a Abrelpe, cerca de 51% de todos os resíduos produzidos no Brasil são orgânicos, o que significa 36,5 milhões de toneladas por ano, sendo que apenas 1% é tratado de forma adequada. Na mina PPSA, a Imerys constata média mensal de aproximadamente duas toneladas de resíduos orgânicos geradas no restaurante, que são 100% reaproveitados na compostagem. “No ano passado, colocamos a máquina de compostagem em operação. Os custos com toda a destinação final para empresas que recolhiam os resíduos orgânicos para incineração praticamente foram zerados. Além do ganho econômico, temos o ganho ambiental, utilizando o material processado na compostagem como adubo nas áreas de recuperação”, afirma Rafael Ferreira, biólogo da Imerys. O processo de compostagem reaproveita a matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal, que por meio de um processo biológico de decomposição formam um composto orgânico que pode ser aplicado no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) para ajudar no enriquecimento da matéria orgânica. “Entre os principais benefícios da compostagem estão a destinação mais adequada dos resíduos orgânicos para natureza; a substituição do uso de adubos químicos por compostos orgânicos no meio ambiente e a redução da quantidade de resíduos a serem enviados para aterros sanitários”, conclui Mauro Cunha. Já a Mineração Rio do Norte (MRN), que opera a mineração de bauxita no distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná (PA) reaproveita em média cinco toneladas mensais de resíduos orgânicos através da compostagem, realizada desde 2002 pela Gerência de Administração de Infraestrutura da empresa, atendendo às legislações ambientais vigentes. “Ao realizar o reaproveitamento desse tipo de resíduos, o produto da compostagem, que é o adubo orgânico, é utilizado em jardinagem das residências da vila de Porto Trombetas”, comenta Carlisson Alves Romano, Engenheiro Sanitarista e Ambiental da MRN. A compostagem é realizada na Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (CTR) e visa reduzir a quantidade de resíduos descartados no aterro sanitário do distrito. Esta etapa faz parte do programa de coleta seletiva de resíduos sólidos, feita pelos moradores. “Para que o processo de compostagem dê certo, é necessário que a coleta seletiva de resíduos sólidos seja atendida. Os resíduos orgânicos coletados são direcionados para a CTR. Lá, acontece a mistura com resíduo vegetal (capim/grama) oriundos do serviço de roçagem das áreas verdes da vila residencial. O processo de mistura de orgânicos com vegetal ocorre numa área específica da CTR. O tempo de processo é de 90 a 110 dias”, relata Carlisson. Entre os benefícios da compostagem para a MRN está à redução de resíduos destinados para o aterro sanitário e, consequentemente, o aumento da vida útil do aterro, a doação do adubo orgânico para moradores da vila residencial, que o utilizam em jardinagem, e o valor ambiental desta boa prática.

16 de março, 2020