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OCEANOS

Picoplâncton é essencial na redução de emissões de GEEs

Picoplâncton é essencial na redução de emissões de GEEs

O trabalho tem como principal diferencial a análise de mais de 450 amostras de diferentes profundidades do oceano global

Formado pelos menores organismos do oceano - com tamanhos entre 0,2 e 3 micrômetros (para comparação, o diâmetro de um fio de cabelo é cerca de cem vezes maior) -, o picoplâncton fica imenso quando está distribuído em comunidades, por todo o oceano e representam mais da metade da biomassa do maior ecossistema do planeta. As comunidades de microrganismos, que incluem procariontes - como bactérias e arqueias - e eucariontes unicelulares, constituem uma diversidade genética responsável por serviços ecossistêmicos essenciais, como, por exemplo, a fixação de carbono e, assim, redução de gases de efeito estufa na atmosfera.

Entretanto, o oceano profundo ainda é pouco estudado e há uma lacuna de conhecimento relevante sobre processos ecológicos responsáveis pela conformação dessas comunidades de picoplâncton através das diferentes zonas de profundidade ao redor do mundo. Um estudo recém-publicado na revista científica Science Advances, coordenado por pesquisadores brasileiros, traz diversas novas informações sobre os mecanismos que estruturam essas comunidades que, além do papel no ciclo do carbono e outros elementos, como o nitrogênio, têm grande participação na base das cadeias alimentares. O trabalho tem como principal diferencial a análise de mais de 450 amostras de diferentes profundidades do oceano global, resultantes das expedições oceanográficas Malaspina, em 2010, e Hotmix, em 2014, com coletas nos oceanos Atlântico, Pacífico, Índico, e no Mar Mediterrâneo.

As amostras são de regiões superficiais e profundas, cobrindo as zonas epi- (0-200 metros), meso- (200-1.000 metros) e batipelágica (1.000-4.000 metros). "Apesar de menos estudado que o superficial, o oceano profundo - zonas meso e bati - apresenta o maior volume do oceano global, cerca de 90%, representando assim o maior ecossistema do Planeta. Isso demonstra a importância do estudo, pelas amostras coletadas nessas profundidades, menos estudadas", situa Pedro Junger, autor do trabalho. O trabalho integrou a tese de doutorado de Junger, realizada no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob orientação de Hugo Sarmento, ambos do Laboratório de Biodiversidades e Processos Microbianos (LMPB) da Universidade. Durante o doutorado, o pesquisador realizou estágio no Instituto de Ciências do Mar (ICM), na Espanha, onde foi co-orientado por Ramiro Lougares, que também integra o grupo de autores da publicação, dentre outros.

Dentre as descobertas mais relevantes está a influência dos mecanismos na estrutura das comunidades picoplantônicas e como variam com a profundidade do oceano. O trabalho também sugere que as comunidades que habitam o oceano profundo respondem de modo diferente às mudanças ambientais que aquelas vivendo nas águas mais superficiais. O estudo destaca também a importância de compreender a biogeografia do picoplâncton no contexto atual de mudanças climáticas globais, já que essas comunidades são consideradas indicadores da saúde ecológica do oceano e podem fornecer muitas informações sobre os impactos climáticos. De acordo com os autores, as respostas do picoplâncton à variabilidade ambiental podem informar políticas de conservação, atuando como indicadores iniciais de mudanças na saúde dos ecossistemas marinhos. "Ao compreender os mecanismos que estruturam essas comunidades, podemos prever melhor como esses organismos responderão às mudanças ambientais e seus potenciais impactos nos ecossistemas marinhos", explica Junger.

O artigo publicado em Science Advances pode ser acessado via https://bit.ly/3SGtIfn. Os pesquisadores brasileiros envolvidos tiveram financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, também, da União Europeia, por meio do projeto de pesquisa e extensão AtlanltECO.

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Projeto da EU vai explorar Atlântico

O Laboratório de Biodiversidade e Processos Microbianos (LMPB) do Departamento de Hidrobiologia (DHb) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) é uma das 36 organizações de 13 países diferentes que participam do projeto internacional AtlantECO ( www.atlanteco.eu ). O projeto irá estudar os efeitos das mudanças climáticas no microbioma do Oceano Atlântico. O projeto de pesquisa tem financiamento da União Europeia (programa H2020) para explorar o Oceano Atlântico de polo a polo. O projeto vai realizar o mapeamento de conhecimentos novos e dos já existentes sobre os organismos microscópicos que habitam os rios, as águas costeiras, o oceano aberto, os sedimentos marinhos e a atmosfera, além daqueles encontrados no lixo plástico. "O LMPB da UFSCar fará a coordenação das campanhas oceanográficas realizadas no Brasil, o sequenciamento de DNA e manutenção de banco de amostras do Atlântico Sul, e levantamento de dados já existentes para compilar a maior base de dados do Atlântico, assim como participar no tratamento bioinformático de todas essas informações", explica o professor do DHb e coordenador do Laboratório, Hugo Miguel Preto de Morais Sarmento. Inspirado por pesquisas médicas que combinam abordagens genéticas, de imagem e ambientais de próxima geração, o AtlantECO desenvolverá ferramentas de diagnóstico e métricas para avaliar e prever mudanças na saúde do Oceano Atlântico. O projeto irá vigorar entre 2020 e 2025 e determinará como as regiões marinhas e seus ecossistemas estão conectados ao longo e através do Oceano Atlântico, desenvolvendo modelos que levam em consideração processos dinâmicos, como grandes plumas de rios e circulação oceânica. Juntamente com cenários climáticos futuros, esses modelos ajudarão a prever a migração de espécies, a capacidade do oceano de capturar e armazenar dióxido de carbono atmosférico, o transporte de poluentes e riscos como plásticos e nutrientes e o equilíbrio entre a saúde do ecossistema e as atividades humanas. Esta pesquisa foi implementada através da Declaração de Belém, assinada em julho de 2017 pela União Europeia, Brasil e África do Sul, com o objetivo de preencher lacunas de conhecimento entre as regiões amplamente estudadas do Atlântico Norte e as ainda pouco estudadas do Atlântico Sul. Cinco estudos desenvolvidos entre as partes interessadas locais em torno da bacia do Atlântico demonstrarão o valor dos resultados do AtlantECO para a economia azul e a sociedade, abordando, por exemplo, a detecção precoce de ameaças prejudiciais em locais de aquicultura, o impacto da mineração na costa de Microbiomas da África Austral e a saúde dos ecossistemas costeiros, os impactos das mudanças climáticas nas cadeias de valor da pesca e a resposta dos microbiomas à perfuração offshore e extração de combustível fóssil na costa do Brasil. O trabalho de campo do AtlantECO será realizado a bordo de vários navios oceanográficos nacionais e veleiros projetados para expedições científicas. Maiores informações sobre o AtlantECO podem ser obtidas no site www.atlanteco.eu . Já , informações sobre o Laboratório de Biodiversidade e Processos Microbianos (LMPB) estão disponíveis em www.lmpb.ufscar.br .

1 de dezembro, 2020