Guajará-MirimRO
43.553 habitantes · IBGE 1100106
Resumo socioambiental
Guajará-Mirim apresenta quadro crítico de saneamento básico, com indicadores muito abaixo dos parâmetros nacionais. A cobertura de água atingiu 50,7% em 2022, valor inferior à mediana nacional (76,5%) e à média estadual (56,9%), posicionando o município no percentil 20 do país — ou seja, entre os piores do Brasil. Mais grave ainda é a perda de água na distribuição, que chegou a 72,4% em 2022 (percentil 97, indicando estar entre os piores índices nacionais), bem acima da mediana do país (29,9%) e mesmo da UF (56,2%). Essa combinação de baixa cobertura com alta perda revela ineficiência estrutural na gestão hídrica, com desperdício expressivo de um recurso já escasso para a população.
A situação do esgotamento sanitário é ainda mais preocupante. A coleta de esgoto está em apenas 9,4% (2021), muito distante da mediana nacional de 87,8% e mesmo abaixo da já baixa média estadual (12,8%), colocando o município no percentil 6 — entre os piores do país. O tratamento de esgoto, embora tenha avançado para 20,3% em 2022, mostra trajetória instável, com pico de 50,3% em 2021 seguido de forte queda. O descompasso entre baixa coleta e tratamento parcial sugere que grande parte dos efluentes ainda é lançada sem tratamento adequado, o que se reflete no indicador de destino inadequado de resíduos domiciliares, que subiu para 21,9% em 2022 (percentil 63, pior que a mediana nacional de 14,9%).
No campo climático, as emissões totais de GEE do município saltaram de valores negativos (sumidouro de carbono) para 450.686 tCO₂e em 2024, uma reversão expressiva que sinaliza perda da capacidade de sequestro florestal, provavelmente associada a desmatamento ou degradação da cobertura vegetal — tendência coerente com a posição do município no percentil 78 nacional. As emissões de resíduos, que guardam relação direta com a precariedade do saneamento, cresceram 18,2% no último ano, atingindo 10.918 tCO₂e, quase o dobro da mediana nacional (5.787 tCO₂e). As emissões de energia também aumentaram 62,1%, para 58.058 tCO₂e, acima da mediana nacional (18.929 tCO₂e), embora a matriz térmica fóssil instalada permaneça estável em 544 kW desde 2010, muito abaixo da média estadual (478 MW).
Em síntese, Guajará-Mirim enfrenta um cenário de vulnerabilidade socioambiental multifatorial: infraestrutura de saneamento deficitária, perdas hídricas elevadas e aumento expressivo das emissões de GEE, incluindo a reversão do papel de sumidouro florestal. O índice de segurança hídrica projetado para 2035 (3,0) já indica posição abaixo da mediana nacional (4,0), reforçando a necessidade de investimentos urgentes em coleta e tratamento de esgoto, redução de perdas na rede de água e monitoramento da cobertura vegetal, de modo a reverter as tendências negativas observadas na série histórica.
Infraestrutura de saneamento
Matriz energética
Composição por fonte (SIGA) · 2024. Hidráulica é renovável, mas não significa baixo impacto ambiental.
544 kW total
Cobertura de água
SNIS/SINISA
50.7%
2022
Coleta de esgoto
SNIS/SINISA
9.4%
2021
Tratamento de esgoto
SNIS/SINISA
20.3%
2022
ETEs no município
ANA Atlas Esgotos
2
2020
Perda de água
SNIS/SINISA
72.4%
2022
Domicílios com coleta
IBGE Censodomiciliar
77.6%
2022
Destino inadequado (domicílios)
IBGE Censodomiciliar
21.9%
2022
Emissões de GEE
SEEG
450.686 tCO₂e
2024
Emissões de resíduos
SEEG
10.918 tCO₂e
2024
Emissões de energia
SEEG
58.058 tCO₂e
2024
Registros de cheia
ANA
1
2016
Seca observada (ANA/SUM)
ANA
0
2016
Segurança hídrica
ANA
3.000
2035
Fontes: SNIS/SINISA, SEEG, ANEEL, IBAMA, PNCP e IBGE. Resumo gerado por IA a partir dos dados do Atlas — confira sempre na fonte oficial. Resumo atualizado em 09/07/2026.
