Presidente FigueiredoAM
33.004 habitantes · IBGE 1303536
Resumo socioambiental
Presidente Figueiredo/AM apresenta déficits estruturais no saneamento básico que se mantêm mesmo após duas décadas de dados. A cobertura de água atingiu 55,4% em 2022, com alta de +34,9% frente à série histórica, mas ainda muito abaixo da mediana nacional (76,5%) e da média estadual (82,0%), posicionando o município no percentil 25 do país. A coleta de esgoto, embora tenha crescido +123,7% desde 2007, chegou a apenas 27,4% em 2021 — próxima da mediana do Amazonas (25,3%), porém muito distante da mediana nacional (87,8%). O dado mais crítico é o tratamento de esgoto: 0,0% em todos os anos da série (2008–2022), enquanto a mediana nacional é 37,7%. Essa ausência total de tratamento, associada a apenas 1 ETE registrada no município (2020), explica em parte a persistência de 26,7% dos domicílios com destino inadequado de resíduos (2022), taxa superior à mediana nacional (14,9%) e à estadual (19,2%), embora em queda frente aos 33,0% de 2010.
No eixo climático, o município figura como um ativo relevante de sumidouro de carbono, com emissões líquidas de -4.753.966 tCO₂e em 2024 (percentil 0 nacional, ou seja, entre os mais negativos do país), refletindo o papel da cobertura florestal amazônica local. Contudo, as emissões por energia cresceram +92,3% na década, atingindo 268.008 tCO₂e em 2024 — muito acima da mediana nacional (18.929 tCO₂e) e no percentil 92 do país —, impulsionadas pela presença da usina hidrelétrica de Balbina, cuja potência hidráulica instalada (275 MW) coloca o município no percentil 91 nacional e equivale à totalidade da capacidade hidráulica do Amazonas. As emissões de resíduos, embora estáveis (+1,1% no período, 16.365 tCO₂e em 2024), estão bem acima da mediana nacional (5.787 tCO₂e), reforçando a lacuna entre geração de resíduos/esgoto e capacidade de tratamento.
Em recursos hídricos, o índice de segurança hídrica de 3,000 (projeção 2035) fica abaixo da mediana nacional (4,000), mas é ligeiramente superior à média estadual (3,113), situando o município próximo ao percentil 50. A perda de água no sistema de abastecimento, de 14,2% em 2022, é inferior à mediana nacional (29,9%) e estadual (48,1%), sugerindo eficiência operacional relativa, apesar da oscilação acentuada da série (de 0% em 2020-2021 para 14,2% em 2022).
Em síntese, Presidente Figueiredo combina um patrimônio ambiental expressivo — evidenciado pelo balanço de carbono fortemente negativo — com uma infraestrutura de saneamento ainda incipiente, especialmente na ausência total de tratamento de esgoto. A convergência entre baixa cobertura de esgoto, alto percentual de destino inadequado de resíduos e crescimento das emissões energéticas indica a necessidade prioritária de investimentos em estações de tratamento e em eficiência energética, de modo a preservar o diferencial ambiental do município sem comprometer a qualidade de vida da população.
Infraestrutura de saneamento
Matriz energética
Composição por fonte (SIGA) · 2024. Hidráulica é renovável, mas não significa baixo impacto ambiental.
280 MW total
Cobertura de água
SNIS/SINISA
55.4%
2022
Coleta de esgoto
SNIS/SINISA
27.4%
2021
Tratamento de esgoto
SNIS/SINISA
0.0%
2022
ETEs no município
ANA Atlas Esgotos
1
2020
Perda de água
SNIS/SINISA
14.2%
2022
Domicílios com coleta
IBGE Censodomiciliar
66.0%
2022
Destino inadequado (domicílios)
IBGE Censodomiciliar
26.7%
2022
Emissões de GEE
SEEG
-4.753.966 tCO₂e
2024
Emissões de resíduos
SEEG
16.365 tCO₂e
2024
Emissões de energia
SEEG
268.008 tCO₂e
2024
Registros de cheia
ANA
0
2016
Seca observada (ANA/SUM)
ANA
1
2016
Segurança hídrica
ANA
3.000
2035
Fontes: SNIS/SINISA, SEEG, ANEEL, IBAMA, PNCP e IBGE. Resumo gerado por IA a partir dos dados do Atlas — confira sempre na fonte oficial. Resumo atualizado em 09/07/2026.
