ÓbidosPA

55.271 habitantes · IBGE 1505106

IA

Resumo socioambiental

Óbidos apresenta um quadro de saneamento básico crítico, muito abaixo dos padrões nacionais. A cobertura de água atingiu apenas 35,3% em 2022, resultado inferior à mediana nacional (76,5%) e à própria média estadual do Pará (55,0%), posicionando o município no percentil 9 do país. O indicador de perda de água, embora ainda elevado, mostra melhora expressiva: caiu de 49,4% (2021) para 34,0% (2022), uma redução de 39,2% que aproxima o município da mediana nacional (29,9%), mas essa queda acentuada em um único ano, combinada à baixa cobertura, sugere possível mudança metodológica ou operacional que merece verificação local antes de ser comemorada como ganho consolidado.

O cenário de esgotamento sanitário é ainda mais preocupante. Apenas 40,3% dos domicílios têm coleta de esgoto (2022), com queda de 9,6% desde 2010, enquanto o destino inadequado de dejetos atinge 51,3% dos domicílios — mais que o triplo da mediana nacional (14,9%) e do próprio estado (23,2%), colocando Óbidos no percentil 93, entre os piores do país. Essa deficiência estrutural de saneamento tem reflexo direto nas emissões: o setor de resíduos registrou 28.523 tCO₂e em 2024, mais que o dobro do valor de 2010 (variação de +107,6%) e muito acima da mediana nacional (6.191 tCO₂e), evidenciando que o crescimento populacional não foi acompanhado por investimento em tratamento adequado.

Em contrapartida, o balanço geral de gases de efeito estufa do município permanece fortemente negativo (sumidouro de carbono), com -3.322.948 tCO₂e em 2024, refletindo o papel da cobertura florestal amazônica na compensação de emissões — posição atípica frente à mediana nacional positiva (138.513 tCO₂e). Contudo, essa capacidade de sequestro caiu significativamente frente ao início da série (-4.192.542 tCO₂e em 2010), indicando pressão sobre a floresta ao longo do tempo. As emissões de energia recuaram 60,6% desde 2010, atingindo 31.955 tCO₂e em 2024, mas a matriz renovável local está estagnada: potência solar (540 kW) e biomassa (652 kW) permanecem inalteradas desde 2020 e 2010, respectivamente, sem nenhuma expansão de capacidade instalada.

Em síntese, Óbidos combina uma infraestrutura de saneamento entre as mais deficitárias do Brasil — com forte impacto sobre saúde pública e emissões de resíduos — com um patrimônio florestal ainda relevante como sumidouro de carbono, porém em trajetória de enfraquecimento. A prioridade para gestores deve ser a ampliação urgente da cobertura de água e esgoto, dado o descompasso severo frente aos parâmetros estaduais e nacionais, associada à contenção da perda de água e ao monitoramento da tendência de queda na capacidade de sequestro florestal.

Gerado em 09/07/2026

Saneamento

Governança do saneamento

Infraestrutura de saneamento

Cobertura de água

SNIS/SINISA

33.4%

2024

8
15.8% no período

Perda de água

SNIS/SINISA

68.4%

2024

6
47.4% no período

Resíduos

Domicílios com coleta

IBGE Censodomiciliar

40.3%

2022

8
9.6% no período

Destino inadequado (domicílios)

IBGE Censodomiciliar

51.3%

2022

7
7.7% no período

Energia

Matriz energética

SIGA · 2024

1 MW

SolarBiomassa

Potência solar

ANEEL (SIGA)

540 kW

2024

38
0.0% no período

Fontes limpas (% matriz)

ANEEL (SIGA)

100.0%

2024

0.0% no período

Usinas solares (legado)

ANEEL (SIGA)

540 kW

2024

38
0.0% no período

Clima

Emissões de GEE

SEEG

-3.322.948 tCO₂e

2024

100
20.7% no período

Emissões de resíduos

SEEG

28.523 tCO₂e

2024

12
107.6% no período

Emissões de energia

SEEG

31.955 tCO₂e

2024

39
60.6% no período

Registros de cheia

ANA

5

2016

2
0.0% no período

Seca observada (ANA/SUM)

ANA

0

2016

50

Fontes: SNIS/SINISA, SEEG, ANEEL, IBAMA, PNCP e IBGE. Resumo gerado por IA a partir dos dados do Atlas — confira sempre na fonte oficial. Resumo atualizado em 09/07/2026.