RussasCE
74.582 habitantes · IBGE 2311801
Resumo socioambiental
Russas apresenta quadro socioambiental heterogêneo, com avanços pontuais no saneamento básico mas fragilidades estruturais em esgotamento sanitário e trajetória preocupante nas emissões de gases de efeito estufa. A cobertura de água atingiu 67,4% em 2022, com salto expressivo em relação a 2021, mas ainda fica abaixo da mediana nacional (76,5%) e da média cearense (69,9%), posicionando o município no percentil 39. A situação é mais crítica no esgotamento sanitário: a coleta de esgoto estagnou em 26,1% (2021) e o tratamento recuou para 23,3% (2022), queda de 41,9% frente ao pico histórico de 2009. Ambos os indicadores ficam muito aquém da mediana nacional (87,8% e 37,7%, respectivamente), refletindo infraestrutura limitada — o município conta com apenas 1 ETE, mesmo número da mediana nacional, mas muito distante das 260 unidades médias do Ceará. A perda de água na distribuição, de 37,6%, é outro ponto de atenção, superando a mediana nacional (29,9%) e indicando ineficiência operacional que compromete os ganhos de cobertura.
Do lado da gestão de resíduos domiciliares, houve melhora relevante: o destino inadequado de resíduos caiu de 27,7% (2010) para 8,7% (2022), ficando abaixo da mediana nacional (14,9%), e a coleta domiciliar avançou para 84,6%, superando tanto a mediana do país (76,9%) quanto a média estadual (77,1%). Esse progresso na coleta, contudo, contrasta com o aumento expressivo das emissões de resíduos, que subiram 81,2% desde 2010 e atingiram 56.144 tCO₂e em 2024 — quase dez vezes a mediana nacional, colocando o município no percentil 94. Esse descompasso sugere que a ampliação da coleta não foi acompanhada de destinação final ambientalmente adequada, provavelmente mantendo disposição em lixões ou aterros sem controle de gases.
As emissões totais de GEE somaram 324.183 tCO₂e em 2024, com queda de 8,2% desde 2010, mas ainda 2,3 vezes acima da mediana nacional, situando Russas no percentil 72. As emissões de energia cresceram 69,9% no período, alcançando 171.988 tCO₂e, resultado que parece incompatível com a capacidade solar instalada, estagnada em 165 MW desde 2010 sem qualquer expansão — um sinal de que o potencial de energia renovável não vem sendo aproveitado para mitigar o perfil emissor do setor energético local.
Por fim, os registros hidrológicos de 2016 mostram maior exposição à seca (15 registros, percentil 95) do que a cheias (1 registro, percentil 76), reforçando a vulnerabilidade climática da região e a importância de vincular investimentos em abastecimento de água e redução de perdas à resiliência frente a eventos extremos. Em síntese, Russas evoluiu na coleta de resíduos e no abastecimento de água, mas necessita de investimentos prioritários em tratamento de esgoto, controle de perdas hídricas e destinação final de resíduos para reverter a trajetória de emissões e aproximar seus indicadores dos patamares nacionais.
Gerado em 09/07/2026
Saneamento
Governança do saneamento
Infraestrutura de saneamento
Cobertura de água
SNIS/SINISA
70.8%
2024
Coleta de esgoto
SNIS/SINISA
19.2%
2024
Tratamento de esgoto
SNIS/SINISA
21.2%
2024
ETEs no município
ANA Atlas Esgotos
1
2020
Perda de água
SNIS/SINISA
41.9%
2024
Resíduos
Domicílios com coleta
IBGE Censodomiciliar
84.6%
2022
Destino inadequado (domicílios)
IBGE Censodomiciliar
8.7%
2022
Energia
Matriz energética
SIGA · 2024
165 MW
Potência solar
ANEEL (SIGA)
165 MW
2024
Fontes limpas (% matriz)
ANEEL (SIGA)
100.0%
2024
Usinas solares (legado)
ANEEL (SIGA)
165 MW
2024
Clima
Emissões de GEE
SEEG
324.183 tCO₂e
2024
Emissões de resíduos
SEEG
56.144 tCO₂e
2024
Emissões de energia
SEEG
171.988 tCO₂e
2024
Registros de cheia
ANA
1
2016
Seca observada (ANA/SUM)
ANA
15
2016
Fontes: SNIS/SINISA, SEEG, ANEEL, IBAMA, PNCP e IBGE. Resumo gerado por IA a partir dos dados do Atlas — confira sempre na fonte oficial. Resumo atualizado em 09/07/2026.
