TrairiCE
61.516 habitantes · IBGE 2313500
Resumo socioambiental
Trairi apresenta quadro sanitário crítico, com indicadores muito abaixo dos parâmetros nacionais. A cobertura de água atingiu 28,5% em 2022 — bem inferior à mediana nacional de 76,5% e à média cearense de 69,9%, posicionando o município no percentil 6 do país. A coleta de esgoto é ainda mais precária, com 7,5% em 2021 (percentil 5 nacional), e o tratamento de esgoto caiu para 12,4% em 2022, revertendo patamares superiores a 29% registrados em 2008-2009. O município conta com apenas 1 ETE em operação (2020), consistente com a baixa cobertura de tratamento. Some-se a isso uma perda de água elevada, de 38,0% em 2022, acima da mediana nacional (29,9%), o que indica ineficiência operacional simultânea à baixa cobertura — um duplo desafio de acesso e gestão da infraestrutura hídrica.
No saneamento domiciliar, houve avanço relativo: a coleta de resíduos em domicílios subiu de 38,4% (2010) para 66,8% (2022), embora ainda abaixo da mediana nacional (76,9%) e da média estadual (77,1%). O destino inadequado de resíduos caiu de 61,6% para 28,0% no mesmo período, uma melhora expressiva, mas que ainda deixa o município no percentil 71 (pior que a maioria do país), acima da mediana nacional de 14,9%. Essa persistência de destinação inadequada ajuda a explicar o crescimento das emissões de resíduos, que quase dobraram entre 2010 e 2024 (+97,8%), atingindo 32.008 tCO₂e — no percentil 89 nacional, sinalizando pressão ambiental crescente associada à gestão de resíduos sólidos.
No campo energético e climático, as emissões totais de GEE somaram 358.231 tCO₂e em 2024, com alta de 17,5% desde 2010, situando o município no percentil 74 nacional. O destaque negativo é o setor de energia, cujas emissões cresceram 460,5% no período, chegando a 111.813 tCO₂e (percentil 83) — um salto que contrasta com o expressivo parque de geração renovável instalado localmente: 768 MW em potência eólica (percentil 95) e 101 MW em potência solar (percentil 90). Essa aparente contradição sugere que a capacidade renovável instalada não está sendo suficiente para conter o aumento das emissões do setor energético, possivelmente pelo uso intensivo de outras fontes concomitantes.
Em síntese, Trairi combina infraestrutura de saneamento básico deficitária, com cobertura de água e esgoto entre as piores do país, e trajetória ambiental de aumento de emissões, tanto em resíduos quanto em energia. Os dados de seca (17 registros em 2016, percentil 97 no estado) reforçam a vulnerabilidade hídrica do município, tornando urgente a integração entre investimentos em saneamento — sobretudo tratamento de esgoto e redução de perdas de água — e o aproveitamento do potencial renovável já instalado, de modo a reverter simultaneamente os déficits sociais e a trajetória de emissões.
Gerado em 09/07/2026
Saneamento
Infraestrutura de saneamento
Cobertura de água
SNIS/SINISA
51.0%
2024
Coleta de esgoto
SNIS/SINISA
4.3%
2024
Tratamento de esgoto
SNIS/SINISA
14.0%
2024
ETEs no município
ANA Atlas Esgotos
1
2020
Perda de água
SNIS/SINISA
43.1%
2024
Resíduos
Domicílios com coleta
IBGE Censodomiciliar
66.8%
2022
Destino inadequado (domicílios)
IBGE Censodomiciliar
28.0%
2022
Energia
Matriz energética
SIGA · 2024
869 MW
Potência solar
ANEEL (SIGA)
101 MW
2024
Potência eólica
ANEEL (SIGA)
768 MW
2024
Fontes limpas (% matriz)
ANEEL (SIGA)
100.0%
2024
Usinas solares (legado)
ANEEL (SIGA)
101 MW
2024
Clima
Emissões de GEE
SEEG
358.231 tCO₂e
2024
Emissões de resíduos
SEEG
32.008 tCO₂e
2024
Emissões de energia
SEEG
111.813 tCO₂e
2024
Registros de cheia
ANA
0
2016
Seca observada (ANA/SUM)
ANA
17
2016
Fontes: SNIS/SINISA, SEEG, ANEEL, IBAMA, PNCP e IBGE. Resumo gerado por IA a partir dos dados do Atlas — confira sempre na fonte oficial. Resumo atualizado em 09/07/2026.
