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PLÁSTICO

Abiquim quer ambiente marinho dentro do Acordo Global

Abiquim quer ambiente marinho dentro do Acordo Global

ABIQUIM reuniu associações do setor produtivo para compartilhar o posicionamento da entidade sobre o Acordo Global de Plásticos

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) reuniu, no dia 17 de abril, associações do setor produtivo para compartilhar o posicionamento da entidade sobre o Acordo Global de Plásticos, bem como abrir um espaço de discussão e ampla articulação no sentido de identificar os impactos do tratado em toda cadeia produtiva para implementar formas de combate à poluição dos plásticos. “Nossa proposição é continuar essa discussão para que possamos aprofundar e avançar, sobretudo, na leitura jurídica, técnica e econômica a partir da evolução do Acordo. Para que possamos identificar pontos de consenso em toda cadeia produtiva”, afirmou André Passos Cordeiro, presidente executivo da Abiquim.

Para Passos , há pontos de discussão no tratado – produtos químicos e polímeros preocupantes; produtos plásticos problemáticos e evitáveis; limites de produção; design de produto; reciclagem química; transparência; inclusão de catadores; financiamento - que não estão muito claros e que precisam ser olhados com atenção. O executivo disse ainda que existirão interesses diferentes na cadeia, inclusive na escolha de produtos - plásticos contra outros tipos de material, por exemplo -, mas que é importante o entendimento de que nem todos os produtos que são usados, seja em um ponto ou outro da cadeia - podem ser substituídos. “Nesse sentido temos que agir e nos organizar como uma indústria única, especialmente aqui no sul global, para entender qual será o real impacto desse tratado. Entre as associações, participaram da reunião, ABIAM, ABIFINA, ANIP, ABPol, ABIPLAST, ABICLOR, ABIA, ABINEE, CRQ, ABIT, CFQ, ABRAFATI, IBPVC, CNI e ABIPET; além de associadas da ABIQUIM e a Consultoria S2Partners.


A Abiquim está em Ottawa, no Canadá, até o dia 29 de abril, entre os membros participantes da quarta rodada de discussões em torno do acordo global para eliminação da poluição plástica, através do Fourth Session of the Intergovernmental Negotiating Committee on Plastic Pollution (INC-4). O Acordo está previsto para ser concluído no final de novembro, em Seoul, Japão, com a possibilidade de haver discussões intermediárias. A Abiquim é favorável ao acordo global com foco na poluição plástica, incluindo o ambiente marinho. Para a entidade, o acordo deve ser regular e disciplinar, e não proibir e banir a produção e produtos; e que as decisões envolvidas no desenho regulatório devam ser tomadas com base na ciência, a partir de estudos robustos. “O acordo deva ter como foco as medidas pós-consumo, principalmente voltadas ao adequado gerenciamento dos resíduos – causa principal da ‘poluição pelos plásticos’. Seja ao determinar padrões mínimos de gerenciamento a serem atendidos pelos países – que por sua vez enfrentam diferentes desafios e exigem soluções diferentes -, seja criando estímulos a uma economia circular”. A entidade da indústria química brasileira defende um acordo que colabora para evitar-se o descarte inadequado e privilegiar a recuperação e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos, favorecendo a melhoria ambiental nos países em desenvolvimento onde os efeitos da poluição é mais grave e profunda, e onde se faz necessária uma transição justa e inclusiva.

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Reforçando a premissa de que a indústria química éum dos setores que mais investe em inovação de seus processos e no desenvolvimento de novos produtos, avanços tecnológicos que refletem imediatamente em diversas cadeias produtivas que contribuem para a sustentabilidade e que a química éfundamental para outras indústrias como provedora de soluções sustentáveis, a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) e o programa Atuação Responsável realizaram, em São Paulo, dia 1ºde Abril, um encontro para tratar do tema “COP 21 – o Acordo de Paris”. A proposta era discutir o papel da indústria química e seus produtos na redução das emissões de gases de efeito estufa. Abrindo os trabalhos, Fernando Figueiredo, presidente da entidade, enfatizou que “a indústria química tem consciência do seu papel como promotora do desenvolvimento sustentável e por ser transversal, estápresente em todos os segmentos industriais. Os investimentos do setor em Pesquisa & Desenvolvimento têm contribuído para a criação de produtos com melhor desempenho ambiental”. Na sequência, Weber Porto, Coordenador do Comitêpara Desenvolvimento Sustentável da Abiquim, explicou alguns dos objetivos do novo departamento, como: “a identificação de oportunidades onde a química possa fazer parte de soluções; a busca por novas formas de interesse do setor; definição de prioridades e posicionamento da indústria química brasileira; e a realização de alinhamentos com outras instituições químicas mundiais”. Ao falar do tema sob o ponto de vista econômico –como motivador de crescimento e inovação, Porto citou um trabalho realizado pela consultoria Standard & Poor's com CEOs de importantes empresas mundiais que tem a sustentabilidade como foco, onde 67% afirmaram ter maior retorno sobre capital, 50% menos volatilidade dos lucros e 21% um crescimento mais forte dos dividendos. José Miguez, Secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, detalhou os resultados da COP 21 e a posição do governo brasileiro para as metas estabelecidas no Acordo de Paris. Para o especialista, um dos fatores de sucesso da Conferência das Partes foram as propostas apresentadas por 187 países antes do encontro, de um total de 196 partes –indicando quais seriam seus passos. No momento, aguarda-se o processo de ratificação das assinaturas ou a aprovação de cada congresso para manter a variação da temperatura média abaixo de 2 o C. A partir do que foi estabelecido em Paris a proposta érever a cada cinco anos as metas individuais, tornando mais ambiciosas as próximas etapas. O acordo também entendeu a necessidade de apoio aos países em desenvolvimento e reconheceu a proposta brasileira sobre diferenciação concêntrica, entre outros aspectos. “As soluções da química para a sustentabilidade”foi o tema da apresentação do presidente do Conselho Diretor da Abiquim, Carlos Fadigas – também presidente da Braskem, que iniciou sua participação definindo o conceito de desenvolvimento sustentável: “atende as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”. Conceito importante nos dias atuais, onde se consome mais do que o planeta écapaz de reciclar ou regenerar, podendo em algum momento exaurir os recursos naturais disponíveis. Atualmente, 16% da população mundial consome quase 80% dos recursos naturais, 2/3 da população não tem renda para acessar o mercado de consumo e 1 bilhão de pessoas sequer tem acesso àágua. Para Fadigas, do ponto de vista ambiental o Brasil tem “o dever de casa feito”, jácom notório esforço de redução das suas emissões e diminuição da taxa de desmatamento. Mas existem enormes desafios na parte social a serem vencidos –“éum dos países mais desiguais do mundo, com retrocesso nos últimos anos. Mais da metade da população não conta com serviços de tratamento de esgoto e os lixões ainda são realidade”, salientou Fadigas, acrescentando como oportunidade a geração de energia a partir dos gases existentes nos aterros de resíduos sólidos.

5 de abril, 2016