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ENERGIA

CEO’s preocupados com riscos ambientais

CEO’s preocupados com riscos ambientais

CEOs de energia estão adotando mudanças, priorizando riscos e cada vez mais confiantes nas perspectivas de crescimento do setor.

A mais recente edição do relatório ‘CEO Outlook Pulse Survey’, produzido pela KPMG, indica que 43% dos executivos do setor de energia consideram os riscos ambientais e de mudanças climáticas a maior ameaça nos próximos três anos ao crescimento do setor. Em relação ao impacto da pandemia da COVID-19, nada menos que 90% dos entrevistados estão focados em garantir os ganhos de sustentabilidade que as empresas obtiveram durante a crise.

A pesquisa revela que os CEOs de energia estão adotando mudanças, priorizando riscos e cada vez mais confiantes nas perspectivas de crescimento do setor. Cerca de 60% dos executivos planejam implementar práticas ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG) mais rigorosas, ampliando o foco no componente social. "Os resultados revelam a importância da implantação dos fatores de ESG, da transição energética e da viabilização de todas as atividades com capacidades digitais. Embora os compromissos com a meta de zero emissões de carbono tenham se acelerado, o setor reconhece a necessidade de explorar muitas tecnologias e inovações para cumprir as propostas", analisa o sócio-líder de Energia e Recursos Naturais da KPMG no Brasil, Anderson Dutra.

Os executivos do setor de energia estão mais confiantes no futuro de sua empresa, no setor e na economia global nos próximos três anos do que estavam há apenas seis meses. Esta confiança é atribuída ao momento positivo do lançamento das vacinas contra a COVID-19 e às previsões positivas para a recuperação do petróleo e da demanda de energia. O relatório apontou ainda que, após conduzir os negócios durante um ano dominado pela pandemia, mudanças nos preços das commodities e eventos climáticos severos, os CEOs de energia estão abraçando a mudança. Enquanto 37% dos entrevistados apostam em um retorno à normalidade já no final deste ano, outros 43% afirmaram que seus negócios e operações mudaram para sempre como resultado da pandemia. Embora as preocupações permaneçam em torno do desempenho futuro da economia global, a maioria dos entrevistados (93%) se diz otimista sobre as perspectivas de crescimento imediato.

19,57% dos líderes estão preocupados que nem todos os funcionários terão acesso a uma vacina. "Apesar dos riscos, o setor de energia precisou se adaptar rapidamente para garantir a segurança dos funcionários e das operações e, assim, manter o fornecimento seguro e eficiente de energia", resume o sócio-líder de Energia e Recursos Naturais da KPMG na América do Sul, Manuel Fernandes.

A pesquisa CEO Outlook Pulse Survey entrevistou aproximadamente 500 executivos das empresas de energia mais influentes do mundo, de 11 países (Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos), entre 29 de janeiro e 4 de março de 2021. Todos representam organizações com receita anual superior a US$ 500 milhões e 35% das empresas pesquisadas têm uma receita anual superior a US$ 10 bilhões. O documento completo está disponível no link: https://home.kpmg/br/pt/home/insights/2021/05/prioridades-setor-energia-pandemia.html.

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Artigo por Dominic Barbato Por Dominic Barbato * Os setores de energia e sustentabilidade passaram por mudanças mais rápidas entre 2010 e 2020 do que nos 50 anos anteriores. Na nova década, essa transformação global não mostra sinais de desaceleração – apesar da crise da Covid-19. As empresas estão se movendo mais rapidamente e de diferentes formas inovadoras para lidar com as próprias emissões de carbono e as de toda a sua cadeia de valor. Para muitos, 2020 foi um ponto de inflexão para a ação climática e 2030 será o próximo grande marco, fazendo com que muitos se perguntem: que progresso, interrupções e oportunidades as empresas podem esperar futuramente? O surgimento de uma economia de identidade Atualmente, o modelo de economia de experiência está sendo substituído pela economia da identidade. Isso porque as novas gerações de consumidores e funcionários valorizam cada vez mais as marcas nas quais se sentem representados. Os indivíduos desejam interagir com organizações que compartilham seu ethos e optam pelas marcas não apenas com base nos bens e serviços que esta produz, mas também no seu legado. A sustentabilidade é um dos principais, senão o mais importante, fator de influência. Além disso, as iniciativas que tiverem esse conceito intrínseco poderão observar mais rapidamente a aceleração da lucratividade, terão uma melhor direção estratégica e contarão com uma gestão financeira e de riscos mais assertiva, garantindo a continuidade do negócio. Podemos pegar como exemplo disso empresas líderes em todo o mundo que atraem talentos por conta de seus compromissos com o meio ambiente, práticas de comércio justo, uso de tecidos reaproveitados, embalagens compostáveis ou outros atributos semelhantes. Algumas até articulam como os preços mais altos de certos bens contribuem para a comunidade local, o uso mais sustentável da terra e até mesmo a rastreabilidade dos insumos. Possivelmente, nos próximos dez anos, as empresas precisarão investir ainda mais em ações decisivas que atendam às demandas de sustentabilidade de seus acionistas, clientes, conselhos, executivos, funcionários, entre outros, para aproveitar as oportunidades apresentadas e estar em consonância com as mudanças do mundo. Reimaginando a rede de energia para um futuro sustentável A sustentabilidade também poderá ser observada na utilização energética. A Bloomberg New Energy Finance acredita que a energia eólica e a solar fornecerão 50% da eletricidade mundial até 2050. E, quando o armazenamento da bateria se tornar mais econômico, podem atingir 80% de penetração em alguns mercados. Fato é que o gerenciamento de energia convencional com combustível fóssil está sendo desafiado pela rede de geração renovável e recursos de energia distribuída (DERs). Na maioria dos mercados globais, esta última já está começando a rivalizar e a ultrapassar até mesmo as fontes mais baratas. Embora a maioria das opções de armazenamento de energia em grande escala ainda não seja comercialmente viável, não podemos presumir que esse cenário irá se manter até 2030. Ao mitigar os problemas de intermitência e carga de base que as fontes de energia renováveis enfrentam, as barreiras que impedem uma maior adoção de recursos eólicos e solares desaparecerão. Dessa forma, as microrredes vão conectar uma combinação de tecnologias limpas, ajudar as organizações a operar de forma autônoma em relação à rede tradicional e integrar fontes renováveis em uma escala ainda maior. Um dos grandes valores das tecnologias de microrrede é que elas permitem que as organizações operem independentemente da rede elétrica – uma estratégia preparada para, no futuro, gerenciar interrupções no fornecimento de energia causadas por eventos climáticos extremos ou, como estamos vivenciando, pandemias. Recursos autônomos vão impulsionar o crescimento do ecossistema de energia renovável A forma como se gerencia e se monitora a energia também está mudando, junto com o seu fluxo. A proliferação de energias renováveis e outros DERs começaram a testar muitas das suposições de longa data que sustentam os sistemas de energia de hoje e estão impulsionando a inovação, à medida que os produtores e consumidores buscam monetizar a flexibilidade de seus DERs usando fluxos de energia bidirecionais. No futuro, inúmeros DERs de todos os tamanhos e variedades criarão novas oportunidades de mercado para que os produtores e consumidores otimizem seus recursos de energia. Hoje já temos um exemplo disso. Enquanto o carro elétrico está parado em uma garagem, ele pode atuar como um DER – baixando energia quando há um excedente da rede ou carregando eletricidade sobressalente de volta para a rede quando há uma escassez – e, no processo, reduzir potencialmente os custos de carregamento. Além disso, graças aos microchips de baixo custo habilitados para comunicação e incorporados em tudo, desde eletrodomésticos até veículos elétricos e lâmpadas inteligentes, a capacidade de criar uma resposta em qualquer número de ativos altamente distribuídos existe hoje. Esse nível de interconexão pode parecer futurístico, mas é o centro da revolução da Internet das Coisas (IoT), que está impulsionando a inovação em praticamente todos os setores globais. Por isso, nesses tempos de incerteza, olhar para o futuro da energia e da sustentabilidade inspira esperança e o propósito de fazer melhor. Esse sentimento pode revolucionar a maneira como os negócios funcionam hoje e estimular a adoção de práticas que beneficiem não só os resultados financeiros, mas também o meio ambiente. * Dominic Barbato é diretor de Estratégia da Schneider Electric, serviços de energia e sustentabilidade

31 de agosto, 2021
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Por Leandro Bertoni * Sabemos que as empresas do setor de energia elétrica já vêm implementando diversas estratégias com foco na redução da emissão de gás carbônico (CO2). Porém, é fundamental que essas empresas também dediquem seus esforços para serem sustentáveis do ponto de vista ambiental, gerando uma eletricidade “limpa” que ajude a evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5º C. Prevê-se que a procura mundial de eletricidade aumente em 60% até 2040. Por outro lado, a boa notícia é que durante o mesmo período se espera que a porcentagem de eletricidade solar e eólica no mundo triplique. Essa possível mudança nas fontes de abastecimento representa um novo nível de desafios e oportunidades para a oferta e procura da energia. Por isso, um futuro sustentável e baseado em energias renováveis exigirá o apoio e a inovação de todos os agentes do setor. Do lado da procura, a complexidade vem da interação com os mercados energéticos, uma vez que os “novos clientes” não são apenas consumidores de energia (como acontecia antigamente). Tornaram-se gestores, tanto em termos de consumo como da própria produção da energia. Do lado da oferta, a complexidade é maior, pois envolve operação, planejamento, investimento e estratégia para o consumo de energia. E, tanto para procura quanto para oferta, existem soluções de medição graças à tecnologia digital, as quais são suficientemente flexíveis para suportar os desafios atuais e permitir a preparação para o futuro. Mesmo assim, é importante destacar que a digitalização deve ser acompanhada de outras iniciativas para que as empresas de energia atinjam os objetivos de sustentabilidade e permaneçam competitivas. Alguns exemplos dessas iniciativas: Integrar mais energias renováveis em todos os níveis da rede para substituir os combustíveis fósseis. Utilizar equipamentos modernos, como um quadro de média tensão sem gás de efeito estufa hexafluoreto de enxofre (SF6) que utiliza apenas ar e vácuo. Focar no aumento da eficiência não só da rede mas também da força de trabalho, reduzindo a sua movimentação por meio de maior utilização de dados e troca das frotas atuais por veículos elétricos. Aumentar a utilização de energias renováveis descentralizadas é, portanto, essencial para as empresas de eletricidade terem a sustentabilidade em todos os aspectos do seu negócio e, consequentemente, ajudarem no alcance dos objetivos climáticos. Como benefício desse novo “comportamento sustentável”, haverá mais confiabilidade e disponibilidade no sistema energético utilizado em todo o planeta. * Leandro Bertoni é Vice-presidente da unidade de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul.

17 de julho, 2021
O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia
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O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia

Por Marco Dutra * Conhecido pela abundância dos recursos hídricos, o Brasil tem vivido períodos de escassez. O país enfrenta uma situação crítica com o menor nível de chuvas dos últimos 91 anos, com reflexos na retomada da economia e em outros setores importantes, a exemplo do elétrico e da agricultura. As transformações no meio ambiente, impulsionadas pelo avanço da globalização, têm causado inúmeras mudanças climáticas, ocasionando em baixas precipitações pluviométricas, aumento das estiagens e secas, assim como os desastres provocados pela natureza. No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado dia 5 de junho, somos convocados a reduzir o nosso consumo para mitigar a possibilidade de racionamento. O que nos faz lembrar da finitude dos recursos naturais - motivo que por si só reforça o uso mais racional da água e da energia. Só a mudança de hábitos dos brasileiros pode mudar esse cenário, inclusive na decisão de compra do consumidor, por meio da escolha de produtos eficientes que geram redução de consumo e despesas. É evidente e primordial que os setores da economia incrementem investimentos na área socioambiental e de governança (ESG). De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o setor agrícola consome 70% de água, a indústria 22% e o uso residencial 8%. Segundo o boletim anual de mercado da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), divulgado neste ano, 32% de toda a energia do País é consumida por grandes indústrias, comércios e empresas ligadas em média e alta tensão, que precisam urgentemente mudar sua matriz de energia por fontes renováveis, bem como buscar soluções em máquinas e equipamentos mais econômicos. As instituições, juntamente com a população, precisam se empenhar para evitar desperdícios. A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê que, em 2030, a sociedade precisará de 40% a mais de água e 50% a mais de energia. A responsabilidade por um mundo mais sustentável, em prol das gerações futuras, é dever de todos. Menos gastos dos recursos hídricos podem produzir mais riqueza na economia. É o que afirma um estudo elaborado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA). Na contramão do mundo, o país desperdiça 39,3% de água potável, devido a perdas no sistema de distribuição, conforme o levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2019). Já a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2017 do IBGE revela também que o consumo pelo brasileiro supera a média mundial em 30 litros. Assumir a agenda da sustentabilidade é se comprometer com a economia e com o planeta. Seja a diferença! * Marco Dutra é Diretor da Kärcher no Brasil

10 de junho, 2021
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A retomada da economia brasileira e o cenário energético

Por Valdo Marques * São inegáveis os diversos impactos suportados por empresas, dos mais diversos setores no Brasil, em razão da pandemia de Covid-19 nos últimos 12 meses. Não obstante as centenas de milhares de mortes causadas pelo vírus, o País também se viu mergulhado em uma crise sem precedentes, resultando em desafios que transcendem, neste momento, a esfera da Saúde. Nesse sentido, cerca de um ano após os registros dos primeiros casos de Coronavírus no Brasil, é preciso assegurar condições para o crescimento dos setores que contribuirão para a retomada econômica aguardada por todos. A partir do desenvolvimento e da aplicação em massa das vacinas, o que se espera é que o país inicie novamente sua caminhada, em um cenário que ainda exigirá muita organização e resiliência. O setor elétrico é fundamental para que esta retomada ocorra de maneira pujante, sustentável e segura. É preciso fomentar os segmentos que serão essenciais, não somente no esforço de “fazer a roda da economia girar” novamente, mas também para mantê-la em funcionamento adequadamente. Atualmente, o gasto com energia elétrica no Brasil representa entre 7% e 8% dos custos de uma empresa. Por isso, a demanda é cada vez maior de companhias dos mais diversos portes, por soluções inteligentes para promover um melhor aproveitamento energético em suas atividades, reduzindo ou otimizando essa despesa que representa uma parcela tão importante de seus orçamentos. É necessário também entender, e levar em consideração, o impacto direto da pandemia no próprio setor de energia. Relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE) apontou para uma previsão de queda de 6% na demanda global de energia em 2020. O resultado representa um decréscimo sete vezes maior do que o registrado logo após a crise financeira global de 2008. Ainda que o isolamento das pessoas em suas casas possa ter ampliado de forma tímida o consumo de energia, a balança ainda se revela negativa quando levado em consideração o tempo inativo de empresas por todo o País. Há um esforço neste momento, através da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), para que o mercado de energia possa se recuperar de forma vivaz em 2021. No último mês de dezembro, por exemplo, houve a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que a Câmara pudesse atuar no âmbito da judicialização do risco hidrológico. Trata-se de uma medida que poderá liberar aproximadamente R$ 9 bilhões nos primeiros três meses deste ano, devolvendo liquidez ao setor e proporcionando um ambiente propicio a novos investimentos e geração de empregos. Empresas e consumidores anseiam cada vez mais por soluções que lhes tragam eficiência, segurança e, principalmente, despesas menores. O setor está atento a estas demandas, alinhado também às proposições relativas ao fortalecimento da chamada “energia verde”, por todo o país. É premente às empresas no Brasil, diante de um cenário de profundos gargalos em infraestrutura estatal, que busquem soluções seguras, que permitam sua recuperação e a retomada do crescimento. Nesse sentido, a utilização de grupos geradores de energia garante uma solução eficaz e imediata às turbulências geradas pela falta de investimento público na infraestrutura nacional como um todo. A recuperação da economia brasileira em 2021 caminha lado a lado com o fortalecimento e fomento de diversos setores. Players e entidades que representam o setor elétrico estão cientes de suas responsabilidades diante deste cenário, confiantes de que suas capacidades e lideranças mantiveram-se resistentes frente às adversidades enfrentadas no último ano. * Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac, empresa que oferece soluções em Grupos Geradores comercial, empresarial e industrial

15 de março, 2021
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RENOVÁVEIS
Para BP, setor deve crescer 6,6% ao ano até 2035

A edição 2016 do relatório Energy Outlook, publicado anualmente pela BP, que traz o panorama do setor energético até 2035, aponta para um discreto avanço das energias renováveis em relação aos combustíveis fósseis, cenário que, na avaliação de especialistas, distorce o real potencial das renováveis. A BP prevê que a demanda por energia crescerá 34% entre 2014 e 2035 - 1,4% ao ano. No ano passado, a projeção era de 37%. A revisão para baixo deve-se a uma maior eficiência energética. A previsão para as energias renováveis é de um crescimento de 6,6% ao ano. A projeção de demanda de energia renovável em 2035 foi revista para acima de 14% em comparação com os números do ano passado. Mas os números da BP indicam que apenas 34% do crescimento no consumo de energia entre 2014 e 2035 serão atendidos por energias renováveis ​​- eólica, solar, biocombustíveis, hídrica, 6,5% em nuclear. Segundo o relatório da BP, os combustíveis fósseis irão fornecer 79% das necessidades de energia do mundo em 2035. Ainda assim, trata-se de uma queda em relação à previsão de 81% em 2015 e de 86% em 2013. As energias de baixo carbono - energias renováveis ​​e nuclear - fornecerão 21% da energia mundial em 2035, segundo os novos números da BP. Para efeito de comparação, o cenário de aumento global da temperatura de 2 graus da IEA estima que fontes de baixo carbono serão responsáveis ​​por um terço do abastecimento de energia em 2035. A demanda por carvão em 2035 foi revista para baixo 6% em relação à previsão do ano passado, devido a um abrandamento do crescimento econômico da China e "políticas ambientais e climáticas que encorajam uma mudança mais rápida para combustíveis de baixo carbono". A demanda por gás, de acordo com o relatório, vai crescer 1,8% ao ano até 2035, uma revisão ligeiramente para baixo em relação ao 1,9% ao ano na perspectiva do ano passado. Já a produção de gás de xisto deve crescer fortemente (5,6% ao ano), diz a BP. O petróleo cresce de forma constante (0,9% ao ano), embora a tendência de redução da sua participação continue.

17 de fevereiro, 2016
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COP 21
Mudanças climáticas e impactos na economia

Por Ricardo Zibas* Nas últimas décadas, os avisos da natureza começaram a apontar uma maior necessidade da sociedade em dar atenção a questões relacionadas às mudanças climáticas no planeta. Com este pano de fundo, as Nações Unidas organizam uma reunião anual com as principais autoridades governamentais de diversos países para discutir sobre como devemos lidar com as mudanças climáticas, que apresentam consequências aparentemente cada vez mais drásticas, tais como secas prolongadas, tempestades, derretimento dos polos e aumento do nível dos oceanos. A próxima Conference of the Parties (COP), em sua 21ª edição, marcada para acontecer entre 30 de novembro até o dia 11 de dezembro deste ano, em Paris, será uma das mais importantes já realizadas. As chances de sucesso agora são mais altas, já que todos os países signatários da ‘Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima’ (United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC) antecipadamente concordaram em assinar um tratado vinculante até 2015, para reduzir suas emissões de gases causadores de efeito estufa. O que favorece essa convicção positiva são os novos posicionamentos do mercado quanto ao tema. Uma delas foi a modificação nos cenários políticos dos dois maiores emissores de gases de efeito estufa no mundo, Estados Unidos e China, os quais flexibilizaram as negociações e no ano passado anunciaram que irão cortar suas emissões de gases até 2025 e 2030, respectivamente. Além disso, houve uma drástica redução nos custos das tecnologias capazes de diminuir tais emissões ao meio ambiente, isso em razão do aumento de projetos de energia renováveis disponíveis e pela maior facilidade em financiar a aquisição desses recursos – como é o caso dos títulos verdes (green bonds) e do financiamento coletivo (crowdfunding). A grande questão, aqui, é de que maneira os novos comprometimentos, com os quais as nações estão dispondo-se no decorrer dos próximos anos, afetarão as empresas e a economia. Há previsão de que as atividades intensivas na emissão de carbono (como, por exemplo, as que geram energia a partir da queima de derivados de petróleo) se tornarão mais caras e as organizações terão de lidar com regulamentações mais rigorosas, preços de carbono menos acessíveis e metas de corte de emissões de gases mais rígidas. Contudo, os efeitos da mudança do clima obrigarão as empresas a estabelecerem um plano de resiliência para lidar e adaptar as atividades em detrimento dos impactos, como escassez de água, clima extremo, migrações populacionais e instabilidade social. Na contramão disso, no entanto, vantagens surgirão, como, obviamente, a de tornar-se uma empresa de emissões reduzidas de poluentes; e oportunidades também estarão em vista, criadas pelo crescimento da economia sustentável embasada em energias renováveis. Apesar de rigorosas consequências que já afetam o meio ambiente, medidas urgentes são necessárias para lidar agora com essa questão, e os governos em todo o mundo, com o auxílio das empresas e da sociedade civil, precisarão trabalhar para dissociar as emissões de gases de efeito estufa do crescimento econômico e direcionar o mundo para uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, o caminho para uma atividade perene e sustentável é que as organizações e seus administradores apliquem tempo e experiência para o aprimoramento no desenvolvimento ambiental e social das empresas; isso inclui tornar permanente a mensuração e a redução das emissões de carbono, bem como a preparação e divulgação de informações transparentes e confiáveis sobre tais emissões, apresentando à sociedade e ao mercado a contribuição da empresa na minimização dos efeitos das mudanças climáticas. * Ricardo Zibas é sócio-diretor responsável pela prática de sustentabilidade da KPMG no Brasil e América Latina.

9 de novembro, 2015