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RECICLAGEM

Da cana ao jeans: inovação sustentável transforma o varejo de moda

Da cana ao jeans: inovação sustentável transforma o varejo de moda

Parcerias industriais viabilizam peças com menor pegada de carbono e ampliam o uso de materiais renováveis e reciclados.

A Riachuelo amplia sua atuação em inovação sustentável com uma nova etapa de sua linha de jeans voltada à circularidade na indústria têxtil. O destaque é o desenvolvimento do primeiro denim brasileiro produzido com viscose que incorpora 20% de resíduos de algodão reciclados — oriundos do pré e pós-consumo — aliado a elastano de base renovável, derivado da cana-de-açúcar. A coleção, composta por cinco modelos, soma mais de 10 mil peças. O avanço é relevante para um setor que, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), posiciona o Brasil como quarto maior produtor de denim do mundo.

O desenvolvimento é resultado de uma colaboração entre a varejista, o Grupo Lenzing, a Hyosung (fabricante de elastano) e a Canatiba Textil. A iniciativa busca substituir matérias-primas virgens e insumos fósseis por alternativas recicladas e de origem biológica, contribuindo para a redução da pegada de carbono na cadeia produtiva da moda. Nesse contexto, a inovação não se limita ao produto final, mas se estende à articulação entre diferentes elos industriais — da produção de fibras celulósicas ao acabamento do tecido.

No componente celulósico, as fibras de viscose desenvolvidas pelo Grupo Lenzing são produzidas a partir de madeira de origem certificada e incorporam resíduos têxteis de algodão por meio de reciclagem química, reintegrando materiais que seriam descartados. A solução amplia a rastreabilidade e reduz o impacto ambiental da viscose convencional. Dados da Fundação Ellen MacArthur dimensionam o problema: estima-se que o mundo gere cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano, das quais o Brasil contribui com aproximadamente 4 milhões de toneladas — e menos de 1% dessas fibras são efetivamente recicladas em novos materiais têxteis (upcycling).

Já o elastano de base biológica, produzido pela Hyosung com alta proporção de matéria-prima renovável da cana-de-açúcar, permite reduzir em até 55% as emissões de carbono e em 50% o consumo hídrico em comparação ao elastano convencional derivado de petróleo. Complementando o ciclo, a Canatiba Textil incorpora práticas industriais de maior eficiência, como uso de biomassa energética e reaproveitamento de água, consolidando uma cadeia produtiva que busca alinhar desempenho técnico e responsabilidade ambiental — um movimento que se conecta aos princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e reflete a transformação gradual da indústria têxtil em direção a padrões mais sustentáveis.

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Microfibra de PP de copos descartáveis

A Braskem desenvolveu uma microfibra de polipropileno (PP) a partir de copos descartáveis para aplicação no setor têxtil. A petroquímica confirmou a viabilidade técnico-econômica do processo de produção renovável por meio de parcerias, como Profil, empresa responsável pela produção dos fios e cliente da Braskem, e EcoSimple. Além dessas parcerias, a Braskem assinou com a grife PatBO para utilizar fios e tecidos à base de microfibra de polipropileno com material reciclado na criação de peças de moda beachwear que estarão expostas na edição nº 48 da São Paulo Fashion Week. “As parcerias têm sido fundamentais para que possamos evoluir o desenvolvimento de soluções que possam fortalecer a Economia Circular na cadeia de valor em que atuamos. O polipropileno, que já é uma alternativa com custo mais acessível e viável para atender à demanda crescente da indústria têxtil, pode oferecer vantagens ainda maiores para o setor se for produzido a partir de material reciclado”, explica André Giglio, especialista de Desenvolvimento de Mercado Polipropileno da Braskem. Os estudos na área de Reciclagem da Braskem permitiram o desenvolvimento de uma solução que mantém as mesmas características de um tecido produzido a partir de polipropileno virgem, como leveza, resistência ao desdobramento e à formação de pillings (bolinhas), maior durabilidade, secagem rápida, dispersão da transpiração, facilidade de limpeza e tingimento ecológico (a tintura é feita no processo de fiação a seco, gerando economia de água). “A sustentabilidade é uma questão muito presente em nossos processos e temos avançado cada vez mais no desenvolvimento de soluções que possam minimizar impactos ambientais na cadeia de valor de forma geral. A ampliação do nosso portfólio de produtos sustentáveis é consequência dos nossos compromissos com a Economia Circular, que incluem investimentos em tecnologia e inovação e trabalho conjunto com nossos parceiros, clientes, fornecedores e a sociedade”, afirma Ana Laura Sivieri, Diretora de Marketing & Comunicação da Braskem. Os tecidos fabricados com as microfibras de polipropileno com material reciclado também são recicláveis e, se descartados adequadamente, poderão ser transformados em novas malhas ou outros produtos.

24 de outubro, 2019
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Pesquisa estuda como eliminar resíduos têxteis

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16 de dezembro, 2016