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SANEAMENTO

General Water espera ter 8 concessões até 2024

General Water espera ter  8 concessões até 2024

A intenção da companhia é crescer esse patamar da participação pública para 30% nos próximos dois anos.

A evolução do mercado de saneamento no Brasil é notória quando se analisa o setor pelos grandes leilões que estão sendo feitos de companhias estaduais de água e esgoto. A depender do Governo Federal, a questão ideológica do saneamento não existe mais. Está muito claro que há necessidade de investimentos e a possibilidade das companhias privadas e públicas de saneamento (estaduais e municipais) coexistirem. Mas ainda há muito a avançar para cumprir as metas de universalização do marco regulatório até 2033, especialmente no aspecto do esgotamento sanitário. Esse é o principal gargalo a ser vencido.

A boa notícia é que o saneamento está decolando no país – “ainda como um albatroz, meio desajeitado, mas com grande chance de chegar a uma boa altitude”. É o que avalia Fernando de Barros Pereira, CEO da General Water, empresa que nos próximos dois anos espera atender de cinco a oito concessões na área, em municípios de até 100 mil habitantes. Para tanto, a GW já conta com boa estrutura acionária e sólida posição financeira, além de capacidade técnica – “o rating de 10 mil a 100 mil habitantes é muito próximo do que já trabalhamos no mercado privado. Vamos buscar essas oportunidades, mas crescendo sem risco”, sinaliza o Executivo.

A General Water, que começou atendendo o mercado corporativo de grandes consumidores de água, como indústrias, escritórios, shopping centers, universidades e aeroportos, sempre entendeu esse nicho como “concessão particular”, onde a estrutura financeira e de investimentos se mostra parecida com a concessão pública. Ao chegar no site do cliente, todos os investimentos são realizados pela GW, inclusive a escavação de poços e o tratamento da água, além do tratamento de efluentes, visando a utilização dessa água para reuso, na maioria dos casos. A remuneração é baseada no m³ de água ou esgoto tratado e os contratos são de longo prazo, geralmente 10 anos e na maior parte das vezes renováveis. Nada muito diferente do que acontece com os contratos firmados pelas concessões privadas de saneamento.

Assim foi a atuação da companhia de 2001 a 2009, “período de aplicação de muito capital intensivo e aporte recebido dos novos sócios da empresa”. De lá para cá, a GW manteve um crescimento interessante de dois dígitos por ano – “10,12, 15, 20%, dependendo das condições de mercado”, é o que conta Pereira.

A entrada efetiva na área de saneamento ocorreu em 2009, quando a companhia ganhou uma concorrência para um contrato de concessão parcial de água em Porto Feliz (SP), na verdade uma SPE, onde a GW responde por 40% da água tratada do município – ou 115 mil m³/mês, proveniente de poços profundos do Aquífero Tubarão (de até 600m de profundidade). De acordo com Pereira, o contrato, que tem a validade de 20 anos, vem se mostrando bem-sucedido.

O fato é que, logo após a entrada na cidade de Porto Feliz, a GW chegou a prospectar a entrada em novos municípios, muito em função do marco regulatório do setor e da nova lei das concessões. Mas ainda assim o cenário do segmento de saneamento era muito árido e a GW vivia naquele momento um ótimo grau de maturação do negócio de reuso do tratamento de efluentes nos clientes atendidos.

Visando expandir sua atuação, a GW começou a busca por um novo sócio, que além de capital trouxesse sinergia e valor para o negócio e, no final de 2016, início de 2017, foi efetivada a entrada de um fundo de investimentos global, com sede na Europa, chamado LGT. Com isso, as tecnologias de tratamento usadas pela GW se tornaram mais avançadas, com muito emprego de membranas de ultrafiltração, por exemplo.

Esse fôlego permitiu à companhia traçar um novo plano de expansão, amparado em três pilares: a expansão geográfica para além do estado de São Paulo – “nos próximos meses devemos ter uma operação na região Sul”, adianta Pereira; projetos complexos, a exemplo do assinado com o aeroporto de Guarulhos, que tem vazão de água similar ao município de Porto Feliz e inclui tratamento de esgoto e o gerenciamento de todas as redes; e expansão nas concessões públicas de saneamento. Este é o que a GW vem buscando concretizar atualmente, muito em função do novo marco do saneamento, que trouxe maior segurança jurídica ao ambiente de negócios.

Sendo assim, em 2017 / 2018 a General Water retomou os trabalhos focados para a área de saneamento, sempre com muita parcimônia – “ganhamos algumas PMIs, mesmo sabendo que em muitos casos um edital não vira uma concessão e começamos a participar de concorrências em municípios de 10 mil a 100 mil habitantes. E é isso que buscamos hoje”, diz Pereira, com a certeza de que muitos municípios já procuram uma solução junto às pequenas e médias companhias privadas de saneamento – “e nós somos uma delas”.

Se o projeto tiver sinergia operacional e viabilidade financeira, a GW coloca sua proposta – “o mercado de saneamento no Brasil é muito grande e entendemos ser possível crescer nessa área”, avalia Pereira. Hoje, 96% da receita da companhia vem do mercado privado e 4% do mercado público (especificamente a concessão parcial de Porto Feliz). A intenção da companhia é crescer esse patamar da participação pública para 30% nos próximos dois anos, com crescimento gradual, o que significaria a entrada de 5 a 8 concessões – plenas ou parciais – nesse horizonte. (Mara Fornari)

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Artigo por Márcio Martin * Atualmente, cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso algum à água tratada, e mais de 100 milhões vivem sem coleta de esgoto – de acordo com dados do Instituto Trata Brasil. A situação é obviamente preocupante, mas a aprovação do Novo Marco Legal de Saneamento, de 2020, trouxe novas oportunidades tanto para as pessoas que dependem de saneamento básico quanto para companhias dispostas a inovar e utilizar suas ferramentas digitais para mudar esse panorama. A meta é ousada: até 2033, mais de 90% da população precisa ser atendida com esses serviços que são fundamentais para a qualidade de vida das pessoas. Não se trata de um desafio simples, mas a tendência é que ele atraia a atenção do mercado para a realização de novos projetos onde as tecnologias e ferramentas digitais serão essenciais para elevar a eficiência dos sistemas de água e esgoto. Só em 2021, o segmento de saneamento básico recebeu investimentos na ordem de R$ 35 bilhões, o que representa 10 vezes o valor destinado ao setor em 2020, segundo o Governo federal. Isso prova que a iniciativa privada está atenta à demanda e pronta para atuar em projetos. Projetos para todo o território nacional Dados da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) apontam que 23 licitações devem ser realizadas no país até o fim de 2023, sendo que 12 delas ocorrerão para cidades com população igual ou inferior a 50 mil habitantes. No total, os investimentos voltados para municípios pequenos podem somar R$ 22 bilhões em projetos realizados por meio das Parcerias Público-Privadas (PPPs). Embora alto, ainda há mais oportunidades para o desenvolvimento de projetos, pois, para atingir as metas do marco regulatório até 2033, seria necessária uma média de R$ 63 bilhões de aportes por ano para chegar à projeção de R$ 700 bilhões para garantir as melhorias. Muita inovação e tecnologia O crescimento projetado da demanda de água para os próximos anos em todo o mundo está acelerando a tendência de inovações e tecnologias voltadas ao saneamento. Além de sistemas mais sustentáveis, o uso de dados e a implementação de ferramentas inteligentes no setor passam a ser fundamentais. Entre as vantagens, estão: Melhor gestão de perdas no sistema de saneamento; Melhora do fluxo de distribuição de água; Facilidade no monitoramento para adoção de ações preditivas; Aumento da capacidade de identificação de ações clandestinas; Respostas mais rápidas a crises com informações em tempo real. O levantamento Barômetro da Infraestrutura Brasileira , que é feito semestralmente pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), em parceria com a consultoria EY, destaca justamente que as empresas têm investido em tecnologia e inovação no saneamento para tornar o atendimento à população mais eficiente e eficaz ao obter mais dados, antecipar problemas e automatizar sistemas. Um exemplo citado é o acompanhamento online de todo o ciclo de processos de tratamento e abastecimento a partir da combinação de dispositivos IoT (Internet das Coisas) com análise de dados baseada em inteligência artificial para gerar informações e possibilitar o monitoramento dos sistemas de água e esgoto à distância. O estudo ainda aponta que a grande necessidade de modernizar os sistemas de água e esgoto e as aberturas para a realização de projetos na área com a nova legislação aprovada em 2020 são o grande fator pelo qual o saneamento desponta como o setor foco para a realização de projetos nos próximos anos. Considerando esse cenário, é possível dizer que o uso de tecnologias no saneamento será fundamental para conseguirmos conter a escassez desse bem tão essencial em nosso planeta. E as empresas estão prontas para desenvolver projetos cada vez mais inovadores e necessários à sociedade. * Márcio Martin é Vice-Presidente Comercial, Soluções e Marketing para América Latina da green4T.

26 de setembro, 2022
Como contornar a precariedade no Brasil
SANEAMENTO
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Artigo por Pedro Vieira * Chega a ser redundante bater nesta tecla, afinal o Saneamento Básico é um grande problema no Brasil e há anos se discutem formas de levar água de qualidade e serviços de esgoto para toda a população. Não que isso não seja desafiador. Afinal, estamos falando de um país com dimensões continentais e com mais de 210 milhões de habitantes, contudo é preciso investir ainda mais nas possibilidades de solução deste problema, uma vez que estamos falando de um setor que está intimamente ligado à saúde pública. De acordo com dados da 14ª edição do Ranking do Saneamento, publicado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, e divulgado no primeiro trimestre deste ano, quase 35 milhões de pessoas no Brasil vivem sem água tratada e cerca de 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto. Trata-se de uma grande parcela da população brasileira em situação de vulnerabilidade e exposta a doenças que poderiam ser evitadas, sem contar com o impacto no setor de saúde. Estima-se que a expansão dos serviços de saneamento básico poderiam reduzir em até R$ 1,45 bilhão os custos anuais com saúde. Como uma das mais promissoras iniciativas para a resolução do problema há o Novo Marco Legal do Saneamento, sancionado na Lei 14.026 de 2020. Em vigor há pouco mais de dois anos, a iniciativa alavancou de forma exponencial os investimentos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), cerca de R$ 72,2 bilhões foram aplicados no setor. É um progresso significativo, embora ainda tenhamos que percorrer um grande caminho, visto o histórico de precariedade. Por ora, somente 50% do volume de esgoto do país recebe tratamento, sendo que se olharmos para municípios da região Norte e alguns do Nordeste, a precariedade é ainda maior. Quando tratamos deste assunto, é necessário olhar para o grande quadro. O saneamento básico no Brasil impacta no âmbito social e ambiental, além de ser importante para fomentar o setor econômico. O novo Marco do Saneamento ajudou a elevar os investimentos e com isso a indústria pôde crescer e proporcionar, minimamente, qualidade no tratamento de água a mais cidadãos. A meta imposta pelo Governo Federal é que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e à coleta de esgoto até o ano de 2033. Como podemos perceber, o prazo é curto e para haver chances de que esse propósito de fato seja alcançado precisamos unir forças. Ao meu ver, entre as nossas alternativas estão as Parcerias Público Privada (PPPs), que unem as iniciativas públicas (Estado e Prefeituras), junto à indústria e empresas particulares. Como nicho de mercado, existe concorrência para atender as demandas, e para os órgãos públicos, a concorrência é interessante, visto que pode ser o caminho mais eficiente para levar ao consumidor final o tratamento necessário pelo melhor custo benefício. O novo marco legal também obriga abertura de novas licitações a prestadores de serviço públicos e privados, sendo que as empresas estatais e as privadas concorrem igualmente por licitações públicas nas mesmas condições. Somente através de investimentos é que podemos contornar essa questão. Com o Novo Marco Legal do Saneamento, as possibilidades se ampliaram e mostraram que estamos no caminho certo. Empresas públicas, privadas e o Governo devem unir forças para levar o que é de direito para os brasileiros, e atrelado a isso fomentar não só o crescimento, mas também o surgimento de novos negócios. * Pedro Vieira é Diretor da Projesan Water & Co.

20 de setembro, 2022
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Saneamento Básico: gestão de processos para concessionárias

Por Marco Lima * O Brasil enfrenta uma escassez no serviço de esgoto sanitário, fornecimento de água potável, gerenciamento de resíduos sólidos e drenagem das águas pluviais. A infraestrutura precária aumenta o custo Brasil e impede o crescimento da produtividade da economia. Índices do Sistema de Informação de Saneamento (SNIS 2017) mostram que o abastecimento de água na região Sudeste é de 91,25%, e é a região que mais atende a população com água potável. Comparando com outras regiões mais precárias que é o Norte, atende 57,49%, pouco mais da metade da população. A distribuição de água canalizada atende 83,5% do total de brasileiros e 93% da população urbana. No entanto, apenas 46% da população urbana tem acesso a serviços de coleta e tratamento de esgoto, enquanto 12% usam sistemas individuais, 18% têm o esgoto coletado sem tratamento e 24% não têm serviço de esgoto sanitário. O novo marco regulatório do saneamento básico (Projeto de Lei n.º 4.162/2019), que foi aprovado pelo Senado recentemente, acende uma luz para a melhora nos serviços. A lei objetiva a universalização do saneamento, com a ampliação da coleta de esgoto para 90% da população e o fornecimento de água potável para 99% da população até o fim de 2033, favorecendo também a participação da empresa privada na prestação do serviço, que hoje é majoritariamente realizado por empresas públicas estaduais. Nesta perspectiva, o controle dos serviços públicos pelas empresas privadas torna-se essencial para a sociedade. Este cenário sinaliza oportunidades para empresas concessionárias que pretendem dar início às operações ou as já consolidadas no mercado adotarem soluções de gestão com capacidade para aperfeiçoarem a qualidade na prestação de serviços de infraestrutura, como aeroportos, portos, rodovias, energia, água e gás. Na prática, isso quer dizer que as empresas vão precisar de soluções que atendam todas as regularizações das diversas exigências legais de uma concessão privada. Dentro desse panorama, para que todos esses serviços de infraestrutura do sistema público funcionem corretamente e facilitar os processos burocráticos, existem serviços e soluções em tecnologia da informação que oferecem uma plataforma de automatização de todas as fases de planejamento e implementação de soluções para empresas concessionárias, considerando obrigações municipais, estaduais e federais, com garantia de atualizações evolutivas e legais. Os benefícios são empresas com gerenciamento de cobrança e receita automatizadas e centralizadas, interação em tempo real com os consumidores/clientes, transparência e cobrança correta dos serviços, diminuição de erros de processos, além de evitar fraudes. Por meio de big data, os dados são estruturados e cruzados de várias fontes e georreferenciados, melhorando a análise e planejamento, promovendo melhora nas questões ambientais, sustentáveis, da saúde, segurança e políticas urbanas voltadas às necessidades da população. As mudanças no mercado aceleram o consumo de metodologias com ampla capacidade para coleta, análise e integração dos dados, definindo arquiteturas em vários sistemas legados e exigem equipes estruturadas, com capacidade para atender os clientes. Ter uma empresa que possa suportar todos os processos de uma concessão privada de infraestrutura ou de Utilities, bem como as mais diversas complexidades dos sistemas de Billing da indústria, oferece melhor qualidade aos serviços. * Marco Lima é Sócio-diretor da unidade Seidor Billing & Utilities

23 de outubro, 2020
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SANEAMENTO
Participação do setor privado deve chegar a 7%

Segundo levantamento da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), a aprovação do marco regulatório do saneamento pode ampliar a participação de empresas privadas no mercado dos atuais 5,2% para 6,9% já em 2020. O que pode contribuir para isso acontecer são as 12 licitações com editais já publicados. A expansão poderá ser ainda maior caso saiam do papel projetos de companhias como a Cedae, no Rio de Janeiro, e outras concessões estatais, por exemplo, no Amapá, Acre e Rio Grande do Sul. Estes editais ainda não foram lançados. A participação das companhias privadas no setor tem se mantido estável, na casa dos 6%, desde 2015, pelo menos. A queda para os atuais 5,2% aconteceu devido a uma mudança metodológica que excluiu do indicador os municípios que recebiam apenas assistência técnica das empresas privadas. O diretor-executivo da Abcon, Percy Soares Neto, diz que o crescimento no número de projetos já é um debate do novo marco do saneamento. Em 2019, foram firmados 23 contratos com grupos privados, montante que supera a soma de acordos dos três anos anteriores – 2016 (9), 2017 (3) e 2018 (7). Entretanto, dos 23 projetos, 15 são de municípios com menos de dez mil habitantes e nenhum envolve uma cidade com mais de 100 mil habitantes. A expectativa com o novo marco do saneamento é que sejam lançados novos projetos e em cidades de maior porte. Um dos avanços do novo marco para as companhas privadas é a formação de blocos regionais que possibilitarão concessões de maior escala, além da expectativa de que municípios atendidos de forma irregular por estatais abram concorrências. Atualmente, cidades atendidas por companhias estatais estão com contratos vencidos ou apresentam alguma irregularidade. No caso do abastecimento de água a informalidade é de 26%, enquanto que no esgotamento sanitário alcança 57%.

10 de agosto, 2020
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AEGEA
Mais um ano de resultados positivos

Dando sequência a uma série de resultados financeiros positivos e melhorias operacionais, a AEGEA - que hoje é o maior grupo privado no setor de saneamento do Brasil, com 36,7% do market share - se prepara para enfrentar o maior desafio de sua curta história. Iniciando suas atividades em 2011, com seis pequenas concessões e 1,6 milhão de pessoas atendidas, a empresa espera finalizar a aquisição da concessionária que cuida da água e do esgoto de Manaus no primeiro semestre de 2018. Com isso, a empresa passará a atender 50 municípios e 8,9 milhões de pessoas, um crescimento expressivo, especialmente no setor de infraestrutura. Segundo o Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores, Flávio Crivellari, a receita líquida do grupo cresceu 35,4% em 2017, para R$ 1.343 milhões, enquanto o lucro líquido aumentou 40,7%, alcançando R$ 145 milhões. Do ponto de vista operacional, os índices também são notáveis: as economias ativas alcançaram 2,168 milhões (+45%) enquanto o volume faturado foi para 285 milhões de m3 (+27%). O índice de inadimplência (mais de 180 dias) é de 4%. O índice de perdas na distribuição de água nas concessões mais antigas é de 19,6% (Águas de Guariroba) e 24,7% (Prolagos). Com esse histórico de desempenho, a companhia sente-se confiante para enfrentar o desafio de Manaus. Com uma população de mais de 2 milhões de habitantes, a capital tem um desempenho sofrível até para padrões brasileiros: menos de 20% da população tem cobertura de esgoto. As perdas na distribuição de água chegam a 75%, enquanto os índices de inadimplência alcançam 23%. "Manaus é um sonho antigo nosso", reconhece o CEO Hamilton Amadeo, "e acho que, depois de três tentativas, estamos em condições de realizá-lo". Além de Manaus, a AEGEA se prepara para enfrentar mais um desafio de porte: assumir o contrato de tratamento de esgoto de Guarulhos, uma cidade da Região Metropolitana de São Paulo, com 1,3 milhão de habitantes. O índice de tratamento de esgoto na cidade é de 4,3%. O material não tratado é despejado, em sua maioria, no rio Tietê, o que contribui para transformar o rio em um dos maiores esgotos a céu aberto do mundo. As negociações já estão avançadas e envolvem estado e município. Novo presidente do Conselho Por indicação da Equipav, grupo controlador da AEGEA, Santiago Crespo foi eleito presidente do Conselho do Conselho de Administração da empresa. Ele ocupava o cargo de Diretor de Mercado da AEGEA.

27 de abril, 2018
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SANEAMENTO
A estratégia da Enfil para o setor

Há dois anos a Enfil, empresa com mais de 20 anos de mercado, especializada em soluções tecnológicas ambientais para ar, água (indústria e cidades) e solo, elegeu o setor de saneamento (tratamento de água e efluentes) como uma de suas prioridades, juntamente com os segmentos de gestão de resíduos e de áreas contaminadas. Franco Castellani Tarabini Jr., sócio-diretor da empresa, conta que a decisão se deu depois da empresa passar por um momento muito difícil em 2015 por conta de dois contratos que acabaram drenando significativamente seu caixa (no caso, os projetos de montagem realizados para as empresas OSX e o Complexo de Suape, da Petrobras, que não foram pagos). “Naquele momento optamos por não mais fazer montagem de obras civis para terceiros, apenas dando continuidade às obras de tratamento de água e efluentes, de tratamento de ar, com tecnologia própria, tudo para diminuir o risco. Resolvemos focar no ‘nosso negócio’. Vimos que não havia espaço para oferecermos o pacote inteiro”, relata Tarabini. Em 2014, a Enfil teve seu melhor ano de vendas, com faturamento de R$ 485 milhões, o que a ajudou a superar a crise. Em 2015, as vendas somaram apenas R$ 110 milhões, um quarto do faturamento do exercício anterior, isso sem perder muitos negócios – “foi um ano dramático”, conta o empresário. Em 2016, a conta deve fechar em R$ 180 milhões. Ainda assim, apesar de toda a situação vivida em 2015, a Enfil não deixou de entregar as obras, chegando inclusive a assumir impostos no lugar de seus clientes. Mas, com os últimos “soluços”, o lema da empresa que era o cronograma físico-financeiro, hoje é financeiro-físico. Dos R$ 180 milhões informados em 2016, R$ 120 milhões vieram do setor de saneamento, R$ 40 milhões da gestão de resíduos, R$ 20 milhões de papel e celulose e mais alguma coisa de petróleo e gás. Para 2017, a previsão da Enfil não foge muito desse valor, mas vai depender do mercado. As apostas continuam em saneamento (em valor), no setor de siderurgia (bons projetos) e na gestão de resíduos e papel e celulose. Cerca de R$ 250 milhões vão passar pelo caixa da empresa (faturados), acredita Tarabini. “Mas nossa principal aposta é o setor de saneamento, onde montamos uma equipe forte. Em nossa avaliação, é um mercado infinito, o que é bom e ruim. E pegamos o jeito de fazer – ao invés de ficar embaixo de grandes construtoras, vamos competir. Essa é a nossa estratégia”, indica Tarabini. Seguindo a nova diretriz, a Enfil entregou recentemente a expansão do tratamento de esgotos da Sanepar, uma ETE com capacidade para 2 m³/s. Nesse contrato, a empresa foi responsável pela construção, montagem e entrega de equipamentos – ou seja, o pacote completo. Outro projeto em curso é a ETE de Capivari, da Sanasa, em Campinas (SP), que deverá estar pronta até o fim de 2017 – com essa estação, a cidade deve atingir a marca de 100% de efluentes tratados. Na parte de água, a Enfil está construindo a Estação de Tratamento de Água de Pelotas, projeto que envolve as etapas de captação, condução, a própria estação e distribuição até um reservatório localizado em frente à Santa Casa de Pelotas. Um pouco atrasada, a obra deverá estar concluída até o fim de 2017 e um dos problemas que acabou influenciando no prazo de execução do projeto foram os diversos sítios arqueológicos encontrados da região. Para a Companhia de Saneamento do Distrito Federal a Enfil está fazendo a parte de condução da água potável para reservação e, em breve, deverá assinar o contrato para executar o tratamento de água da ETA Paranoá, com capacidade para 2,1 m³/s. “Com isso temos conseguido garantir nossa presença e competitividade no mercado”, salienta Tarabini, destacando ainda as parcerias firmadas com empresas como Augusto Veloso e Ônix, ambas com grande experiência no setor, como forma de reduzir riscos e levar para o segmento público a forte capacidade de gerenciamento conquistada pela Enfil na esfera industrial. No momento, a Enfil não pensa em atuar no setor através de PPP (Parceria Público-Privada) – “estamos descapitalizados”, explica o empresário, ressaltando a possibilidade de atuarem como “epecistas”, numa parcela minoritária para poder operar a planta. A modalidade BOT também não está no horizonte da empresa, “a não ser associado com um grupo que queira uma empresa de tecnologia como de fato somos e com capacidade de fazer crescer”, sinaliza o sócio-diretor da empresa. Mas como para toda regra há uma exceção, a Enfil considera participar de PPPs de projetos específicos, “que apresentem tecnologia diferenciada”, como a geração de energia a partir do lodo – “estamos considerando essa proposta, mas ainda falta fechar a equação”, diz Tarabini, ressaltando que existem muitas empresas interessadas nessa concorrência da Sabesp, mas que poucas dominam de fato a tecnologia. No início deste ano a Enfil implementou em sua estrutura um Conselho Administrativo com o objetivo de trazer uma nova visão sobre a gestão de empreendimentos. Além de excluir as obras civis de montagem que não são ambientais, a empresa optou por atuar mais fortemente em saneamento e na gestão de resíduos. O próximo passo será a operação e manutenção de Estações de Tratamento de Água e Efluentes, o que não significa entrar no Capex. Tarabini reforça que muitas prefeituras pequenas (até 50 mil habitantes) não conseguem o máximo rendimento de suas instalações por falta de conhecimento técnico. “Estamos nos estruturando para atuar nessa área, diretamente ou através de parceiros”, já considerando o pacote de medidas que o Governo Federal está estudando para a manutenção e operação “terceirizada” dessas estações. “Um levantamento feito em todas as plantas mostra o gasto de cada estação. É uma otimização que pode ser feita inclusive na área industrial. Muitas ETAs e ETEs são operadas sem qualquer critério. Quando se conhece a tecnologia e tem-se expertise no processo de tratamento, é possível tirar leite de pedra”, esclarece o executivo, informando ainda que para melhor aproveitar essas oportunidades, a Enfil está firmando um consórcio com uma empresa que, até o fim do ano, já deverá estar atendendo três municípios. Mercado industrial Desde a sua fundação, em 1994, a Enfil atua na área da indústria de base – com foco especialmente nos setores de mineração, metalurgia, siderurgia, papel e celulose, óleo e gás e energia, segmentos cuja demanda está concentrada nas áreas de tratamento de ar, água e resíduos. Embora o setor siderúrgico esteja atualmente numa situação deficitária, Tarabini relata que a Enfil tem atuado em alguns projetos, com volumes que variam entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, e que continua apostando nesse mercado. Em energia, há uma termoelétrica no Sergipe que necessita de tratamento de água e outra em Pernambuco, que também necessita de um sistema de despoeiramento. Em papel e celulose, existem dois projetos no mercado, prestes a serem aprovados. “São áreas onde temos condição de fazer negócios”, sinaliza Tarabini. Quanto à gestão de resíduos, Tarabini lembra que há quatro anos, quando a Enfil começou a atual na área, o foco da empresa era o mercado imobiliário – “toda vez que se vende um terreno industrial, na transferência o vendedor ou o comprador tem que fazer a remediação da área. Isso nos trouxe um volume de negócios bem interessante”. Na sequência, outros segmentos viraram clientes desse setor: o siderúrgico, óleo e gás e refinarias. Atualmente, depois do acidente da Samarco, o setor de mineração é outro cliente potencial. Já a parte de waste-to-energy está difícil de emplacar, pois faltam garantias por parte do poder público. De acordo com Tarabini, o BNDES sinalizou com a criação de uma linha especifica, mas o problema não está somente no financiamento. Alguns fatores que tem impedido esse avanço é o baixo custo dos aterros no Brasil quando comparados à média mundial. E uma planta de waste-to-energy só se torna viável economicamente em cidades acima de 500 mil habitantes. É uma tecnologia cara que só é adotada quando não há outra escolha de disposição final. Mas, sem dúvida, é uma importante alternativa dentro de um leque de soluções conjuntas para tratar de forma ambientalmente os resíduos urbanos.

10 de fevereiro, 2017