COP17

Sistema FIEPA apresenta dois projetos desenvolvidos na Amazônia

Sistema FIEPA apresenta dois projetos desenvolvidos na Amazônia

Painel na Armênia, em 27 de outubro, mostra o Açaíbot, que colhe açaí sem subir na palmeira, e a Embarcação Copaíba, de telessaúde para ribeirinhos

O Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA) apresentará experiências desenvolvidas na Amazônia na COP17 - 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17 da Biodiversidade), na Armênia. Representantes da Federação e do Serviço Social da Indústria (SESI Pará) participarão de um painel no dia 27 de outubro, na programação oficial do evento, para apresentar soluções que respondem a desafios socioambientais da região, com foco na saúde das populações ribeirinhas e na segurança dos trabalhadores. 

A participação será conduzida por Deryck Martins, coordenador de Projetos Estratégicos de Sustentabilidade e Mudança do Clima da FIEPA, e Jacilaine de Souza, gerente executiva de Saúde e Segurança do SESI Pará. A mediação será de Geórgia Franco, analista de Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O painel terá como destaques o Açaíbot, equipamento de colheita mecanizada do açaí, e o SESI Saúde Conectada – Embarcação Copaíba, voltado à ampliação do acesso aos serviços de saúde em comunidades ribeirinhas e entre trabalhadores das cadeias produtivas regionais. “Levar essas iniciativas à COP17 é mostrar os conhecimentos produzidos na Amazônia, assim como as tecnologias e soluções capazes de responder a desafios globais a partir das realidades locais. A indústria tem um papel estratégico nesse processo, conectando inovação, conservação ambiental e desenvolvimento econômico para gerar resultados concretos para a região e sua população”, diz Deryck Martins.

Desenvolvido e patenteado pela empresa paraense KAATECH Food Machines, o Açaíbot é um equipamento de colheita mecanizada que permite retirar os frutos sem derrubar a palmeira e sem exigir que o trabalhador suba em alturas que podem chegar a 20 metros. A operação é feita por controle remoto e reduz a exposição a acidentes, contribui para desestimular o corte ilegal de palmeiras para extração do palmito e amplia o acesso à atividade, inclusive para mulheres e pessoas mais velhas, por exigir esforço físico mínimo. A tecnologia também apresenta potencial para fortalecer a geração de renda e a conservação da floresta. A projeção é de aumento de 300% a 500% na renda por área de mata, considerando o maior valor agregado do fruto e a possibilidade de produção perene.

Já o SESI Saúde Conectada – Embarcação Copaíba integra telessaúde, conectividade via satélite e logística fluvial para ampliar o acesso à Atenção Primária à Saúde (APS). A iniciativa é realizada pelo Conselho Nacional do SESI, SESI Nacional, FIEPA e SESI Pará e oferece consultas médicas remotas, assistência de enfermagem, ações preventivas e apoio diagnóstico a populações ribeirinhas e trabalhadores das cadeias produtivas da Amazônia. Com duas cabines de telessaúde, a embarcação articula atendimentos e ações de prevenção em parceria com prefeituras, associações comunitárias, colônias de pescadores, indústrias e instituições como a Marinha do Brasil e o Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados acumulados incluem 691 atendimentos de saúde, 7.027 procedimentos preventivos e a cobertura de 55 comunidades e localidades fluviais. “A Embarcação Copaíba mostra que é possível aproximar a saúde de quem mais precisa, respeitando as particularidades geográficas e sociais da Amazônia. Apresentar essa experiência em um espaço internacional como a COP17 é dar visibilidade a uma solução que coloca as pessoas no centro do desenvolvimento sustentável e reforça a importância de levar inovação e cuidado a comunidades historicamente distantes dos serviços de saúde”, explica Jacilaine de Souza.

A presença do Sistema FIEPA na conferência reforça a contribuição da indústria paraense na construção de soluções alinhadas aos desafios da Amazônia e amplia o diálogo com representantes e instituições internacionais. A participação também permite acompanhar os resultados das negociações, como as metas globais de conservação da biodiversidade e a repartição de benefícios decorrentes do uso dos recursos genéticos, contribuindo para atualizar o setor industrial paraense sobre compromissos internacionais, tendências e oportunidades que podem impactar a atividade produtiva e o desenvolvimento sustentável do estado.