O Brasil vive um momento singular de afirmação científica. Ao mesmo tempo em que pesquisadores nacionais conquistam espaço em missões de relevância global, como a Missão Científica Criosfera-1, na Antártica, escolas públicas brasileiras se destacam na promoção da cultura científica desde o ensino fundamental e médio – evidenciando que educação e ciência caminham juntas na transformação de realidades.
No epicentro dessa narrativa está Gabriel Estevam Domingos, engenheiro ambiental, pesquisador e inovador tecnológico que construiu uma trajetória de destaque na ciência brasileira. Reconhecido internacionalmente, Gabriel acumula mais de 25 registros de propriedade intelectual (INPI) e mais de 50 prêmios internacionais por soluções tecnológicas voltadas à inovação socioambiental. Esse conjunto de conquistas o projetou no cenário científico global e o levou a integrar a equipe da Missão Criosfera-1, uma das mais importantes frentes da pesquisa climática brasileira na Antártica.
A Missão Científica Criosfera-1 representa um marco na participação brasileira em pesquisas polares. Instalado no interior do continente antártico, o módulo opera de forma autônoma, coletando e transmitindo dados ambientais essenciais para a compreensão das mudanças climáticas que impactam o planeta – e que repercutem diretamente no Brasil.
A edição de 2025/2026 da missão, da qual Gabriel fez parte, é a primeira missão científica brasileira carbono neutro na Antártica, planejada para quantificar, compensar e neutralizar todas as emissões de gases de efeito estufa associadas à expedição, em conformidade com normas técnicas auditadas. Sensores meteorológicos, equipamentos para análise de gases atmosféricos e instrumentos de medição de aerossóis fornecem dados contínuos que subsidiam pesquisas estratégicas para a comunidade científica e para a formulação de políticas públicas ambientais.
Ao refletir sobre sua trajetória, Gabriel destaca que os prêmios científicos vão muito além do reconhecimento individual. Para ele, essas conquistas funcionam como pontes entre a pesquisa e a sociedade, ampliando a visibilidade de tecnologias brasileiras e aproximando cientistas de investidores, instituições e centros internacionais de inovação.
Ele relembra o apoio decisivo de educadores como o professor Ozires Silva, reitor da Universidade São Judas Tadeu (USJT), que incentivou a aplicação prática do conhecimento científico em projetos reais, aproximando a academia do setor produtivo. Segundo Gabriel, prêmios de relevância passam por rigorosas etapas de avaliação e entrevistas, o que gera visibilidade orgânica positiva para a ciência nacional e fortalece a reputação das tecnologias desenvolvidas no País.
Inspirado por essa trajetória, Gabriel também contribuiu para a criação de iniciativas voltadas à estruturação de laboratórios em escolas públicas e ao incentivo para que estudantes desenvolvam e publiquem pesquisas, fortalecendo a conexão entre educação, mercado e impacto social. Para ele, a ciência também é vetor de geração de emprego, renda e desenvolvimento sustentável.
Gabriel observa, ainda, que o Brasil possui fundações de amparo à pesquisa com recursos significativos, mas que a taxa de conversão de estudos em soluções aplicadas ainda é limitada. Ele defende, portanto, a criação de mais hubs de inovação, ambientes de startups e programas de acompanhamento capazes de transformar conhecimento científico em impacto concreto para a sociedade.

Ciência em condições extremas
A participação de Gabriel na Criosfera-1 envolveu desafios logísticos expressivos. Missões polares exigem deslocamentos por aviões e navios, tradicionalmente associados a altas emissões de carbono – um paradoxo para pesquisas ambientais. Por isso, a neutralização das emissões foi tratada como prioridade. Em parceria com a ABNT, foram elaborados inventários completos de emissões, auditados segundo padrões técnicos reconhecidos.
A equipe da missão – formada por Gabriel, o físico Prof. Heitor Evangelista da Silva e o técnico eletrônico sênior Heber Reis Passos – realizou a manutenção do módulo científico instalado desde 2012, assegurando seu funcionamento autônomo em condições extremas. Entre as iniciativas, destaca-se um experimento inédito: uma microestufa adaptada a temperaturas de até -50°C, capaz de cultivar micro verdes e produzir alimento fresco em um ambiente considerado um verdadeiro "deserto de gelo". A proposta reduz a dependência de alimentos industrializados em futuras expedições e demonstra o potencial da biotecnologia brasileira em cenários extremos.
Os dados gerados pelo Criosfera-1 têm sido relevantes, inclusive para estudos climáticos relacionados a eventos extremos no Brasil, como as enchentes no Rio Grande do Sul, reforçando a conexão entre pesquisa polar e realidade nacional. A missão contou ainda com parcerias logísticas internacionais, incluindo apoio do exército chileno e de bases estrangeiras na Antártica.
Para Gabriel, pesquisas como as desenvolvidas na Antártica têm impacto direto nas políticas públicas brasileiras. O continente antártico exerce influência decisiva na regulação climática global, afetando regimes de chuva, temperatura e produtividade agrícola – áreas estratégicas para o Brasil. Investir em ciência, portanto, significa fortalecer a capacidade do País de planejar seu futuro ambiental e econômico.
A neutralização das emissões da missão considerou os três escopos do GHG Protocol, abrangendo transporte, alimentação, resíduos e logística. Parte das emissões foi compensada por meio do plantio de mudas e da aquisição de créditos de carbono certificados.
Para garantir operação contínua ao longo do ano, o módulo Criosfera-1 utiliza sistemas híbridos de energia solar e eólica, mantendo balanço energético positivo mesmo sob condições extremas. Os resíduos gerados seguem rigorosamente o Protocolo de Madri, sendo integralmente removidos do continente e destinados de forma adequada no Chile, sem deixar vestígios ambientais.
Os dados coletados ao longo de mais de uma década alimentam redes científicas internacionais e bancos de dados abertos, contribuindo para estudos sobre camada de ozônio, aerossóis atmosféricos e mudanças climáticas globais.
Educação científica que nasce nas escolas
A ligação entre o protagonismo científico de Gabriel e a educação em base nacional se fortalece com iniciativas que promovem a pesquisa desde a educação básica. É nesse contexto que se destaca o Prêmio de Incentivo ao Empreendedorismo Científico (PIEC).
O PIEC estimula escolas brasileiras a desenvolver projetos científicos e tecnológicos voltados à solução de desafios locais e globais, valorizando o pensamento crítico, a inovação e a responsabilidade socioambiental. O prêmio contempla categorias como Instituição de Ensino Público do Ano e Pomar Científico, reconhecendo projetos com impacto educacional e social relevante.
Na mais recente edição, escolas públicas de diferentes regiões do país se destacaram:

Colégio Estadual Dom Juvencio de Britto – Canindé de São Francisco (SE)
Orientada pelos professores Lark Soany Santos e Alex Alves Cordeiro, a escola inscreveu sete projetos que dialogam com a cultura e os insumos regionais para solucionar problemas locais. Pelo desempenho consistente, foi reconhecida como Instituição de Ensino Público do Ano, demonstrando que ciência e realidade comunitária podem caminhar lado a lado.

Clube de Ciências do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre – Toledo (PR)
Com orientação da professora Dionéia Schauren, o clube apresentou dez projetos, dos quais sete chegaram à fase final e três alcançaram o TOP 10 na classificação geral do PIEC. A escola conquistou as categorias Pomar Científico e Instituição de Ensino Público do Ano, celebrando a excelência investigativa de seus estudantes.
Para Gabriel, em um país tão diverso e repleto de desafios socioambientais, fortalecer a educação científica não é apenas uma necessidade pedagógica – é um investimento estratégico no futuro sustentável do Brasil.
(Entrevista concedida a Luana Oliveira e Eugenio Singer)

