A realização da COP 30 em Belém marcou um divisor de águas para a capital paraense e para o Brasil. Ao sediar o maior evento climático do planeta, a cidade passou a ocupar o centro das atenções internacionais, tornando-se símbolo da urgência ambiental, da justiça climática e da necessidade de soluções estruturais para territórios historicamente vulneráveis. Entre os principais legados deixados pela conferência, os avanços no saneamento básico se destacam como um dos mais concretos e duradouros, resultado direto da intensificação das obras executadas pela Aegea na região.
A COP 30 não foi apenas um evento diplomático, mas um catalisador de políticas públicas, investimentos e ações emergenciais voltadas à infraestrutura urbana. Em uma cidade marcada por desigualdades no acesso à água potável e ao esgotamento sanitário, o saneamento assumiu papel estratégico no discurso e na prática climática. A relação entre água, saúde pública e mudanças climáticas tornou-se inescapável, sobretudo após a pandemia, que escancarou a importância do acesso à água limpa como condição básica de proteção à vida.
Ao reunir líderes mundiais, especialistas e organizações internacionais, a COP 30 recolocou o saneamento básico como tema central da agenda ambiental global, especialmente em territórios amazônicos. Belém passou a simbolizar os desafios enfrentados por cidades cercadas por rios, mas ainda marcadas pela ausência de infraestrutura adequada. Nesse contexto, o saneamento foi reconhecido como instrumento essencial de justiça climática, uma vez que os impactos das mudanças do clima recaem de forma mais severa sobre as populações que vivem sem acesso a serviços básicos.
As obras de saneamento ganharam celeridade e visibilidade, alinhando-se às expectativas internacionais de preparação de Belém para um evento da magnitude da COP 30. Mais do que responder a uma demanda pontual, as intervenções de Águas do Pará passaram a ser compreendidas como investimentos estruturantes, com impacto direto sobre os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba, que em parceria com o Governo do Estado, por meio da Cosanpa, receberam investimentos de R$ 220 milhões, voltados para limpeza de poços, reservatórios, serviço preventivo de melhoria na Estação de Tratamento de Água (ETA) Bolonha – principal sistema de abastecimento de Belém e Ananindeua –, além de uma série de outras ações com foco na melhoria contínua e na garantia de mais segurança e qualidade no fornecimento de água potável dos três municípios.
Esses avanços consolidaram um legado que vai além do evento, promovendo ganhos permanentes em saúde pública, dignidade e qualidade de vida.
Além disso, mais de 1,2 milhão de pessoas em 34 municípios do Pará, distribuídos pelas regiões Metropolitana de Belém, Marajó, Nordeste e Sudeste do estado devem receber, ao longo do primeiro ano de operação, R$ 257 milhões em investimentos, direcionados a ações voltadas à melhoria contínua da qualidade e da regularidade do abastecimento de água, incluindo limpeza e manutenção de poços, modernização das estações de tratamento e reformas nos sistemas elétrico e mecânico. Esse conjunto de medidas contribui para a redução das vulnerabilidades socioambientais, o fortalecimento da resiliência urbana e a proteção dos ecossistemas hídricos da região.

Foi nesse cenário que a Aegea intensificou sua atuação em Belém e nos municípios do entorno, promovendo um dos maiores ciclos de investimentos em saneamento da história recente da região. As obras tiveram início em áreas simbólicas e socialmente vulneráveis, como a Vila da Barca, marcada por palafitas, moradias precárias e altos índices de doenças relacionadas à falta de saneamento. A escolha de começar por esses territórios representou uma decisão técnica e socialmente responsável, construída em diálogo com o poder público e as comunidades locais.
O avanço das intervenções levou água potável a milhares de famílias na Vila da Barca, gerando uma resposta imediata e positiva da população. Paralelamente, os sistemas de esgotamento sanitário passaram a ser implantados. Além disso, os investimentos da Aegea em Barcarena, na Região Metropolitana de Belém, permitiram a universalização dos serviços de saneamento neste ano, quase uma década antes do prazo estabelecido pelo novo Marco Legal do Saneamento. Esses avanços consolidaram um legado que vai além do evento, promovendo ganhos permanentes em saúde pública, dignidade e qualidade de vida.
O principal legado da COP 30 em Belém não se resume à visibilidade internacional, mas à materialização de investimentos capazes de transformar a cidade de forma estrutural. A ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário reduz drasticamente a incidência de doenças de veiculação hídrica, diminui a pressão sobre o sistema de saúde e fortalece a capacidade da cidade de enfrentar eventos climáticos extremos, como enchentes e períodos de estiagem.
Do ponto de vista ambiental, a retirada do esgoto dos rios, canais e áreas alagadas contribui para a recuperação dos ecossistemas urbanos e ribeirinhos, promovendo a melhoria gradual da qualidade da água. Esse processo abre caminho para a requalificação de espaços degradados, criando possibilidades de uso social, turístico e ambiental, além de reforçar o compromisso com a preservação da biodiversidade amazônica.
Executar obras de saneamento na Amazônia exige soluções inovadoras, eficiência operacional e profundo conhecimento do território. A Aegea tem adotado tecnologias adaptadas às condições locais, como redes aéreas de água e esgotos que funcionam bem no caso das palafitas, por exemplo, onde não há como enterrar os tubos, dado o ciclo diário das águas dos igarapés. Já em situações emergenciais, muitas vezes a empresa necessita atuar com estações compactas de tratamento, sistemas modulares transportados em contêineres e soluções alternativas de energia ou outras capazes de atender a eventos extremos.

A complexidade logística, o acesso limitado e as condições climáticas adversas demandam constante recalibração dos projetos e das rotas de trabalho. Nesse processo, a companhia tem investido em pesquisa, testado tecnologias utilizadas em outras partes do mundo e ajustado soluções com base na experiência de campo, sempre com foco na qualidade, na segurança e no cumprimento de prazos.
Outro aspecto central deixado pela COP 30 e pelas obras de saneamento é o fortalecimento do diálogo com as comunidades. Segundo o Edison Carlos, presidente do Instituto Aegea, "a atuação da Aegea tem sido pautada pela escuta ativa, com reuniões permanentes com lideranças locais, canais diretos de comunicação e respeito aos valores e à dinâmica social dos territórios atendidos. A contratação de trabalhadores da própria região e a geração de renda local reforçam o sentimento de pertencimento e confiança no processo".
Esse modelo de governança participativa foi fundamental para garantir transparência e credibilidade em um contexto de grande visibilidade internacional, contribuindo para que as intervenções fossem compreendidas não como obras pontuais, mas como parte de um projeto coletivo de transformação urbana.
No cenário pós-COP 30, o saneamento básico consolida-se como um dos principais motores de desenvolvimento de Belém. Seus impactos se refletem na saúde da população, na valorização urbana, na atração de investimentos e na criação de novas oportunidades econômicas, especialmente ligadas ao turismo sustentável e à recuperação ambiental.
Ao transformar a relação da cidade com seus rios e canais, o saneamento contribui para ressignificar espaços antes associados à degradação, incorporando-os ao cotidiano como áreas de convivência, identidade e orgulho coletivo. Assim, o legado da COP 30 em Belém se materializa não apenas em compromissos globais, mas em obras concretas, capazes de promover justiça climática, inclusão social e qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.

