Como ler o Atlas: fontes e métodos

O Atlas reúne dados públicos sobre água, esgoto, lixo, rios, represas e energia no Brasil. Esta página diz, camada por camada, de onde vem cada dado, de quando ele é e o que não dá para concluir a partir dele. Quando o número é calculado pelo próprio Atlas, a conta está explicada aqui.

Números conferidos em .

Camadas do mapa

Cada camada do menu do mapa aparece aqui com os mesmos quatro pontos: o que é, de onde vem, de quando é e o que não dá para concluir.

Abastecimento

Captação de água

O que é

Pontos onde a água é retirada de um rio, de uma represa ou de um poço para abastecer uma cidade. São 18.252 pontos: 14.189 de água subterrânea (poços) e 4.063 de rios e represas.

De onde vem
  • ANA — Atlas Águas, cadastro de captações (snirh.gov.br)
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Levantamento de 2021.

É um levantamento feito uma vez, não uma série: não há atualização anual. A cópia do Atlas é de julho de 2026.

O que não dá para concluir
  • Mostra onde havia captação em 2021. Captação aberta ou desativada depois disso não aparece.
  • Não dá para saber quanta água é retirada hoje, nem se a captação está funcionando.
  • Em 551 captações que atendem mais de um município, o município gravado no ponto pode não ser aquele onde a captação fica.
  • A localização vem da fonte. Pontos a mais de 50 km do município declarado, ou fora do Brasil, foram corrigidos quando o erro era evidente; os demais foram retirados do mapa.

Abastecimento

Tratamento de água

O que é

Estações que tratam a água antes de ela seguir para as casas (ETA, estação de tratamento de água). São 11.822 estações.

De onde vem
  • ANA — Atlas Águas, cadastro de estações de tratamento (snirh.gov.br)
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Levantamento de 2021.

É um levantamento feito uma vez, não uma série: não há atualização anual. A cópia do Atlas é de julho de 2026.

O que não dá para concluir
  • Mostra as estações que existiam em 2021. Estação inaugurada depois não aparece.
  • Não informa a qualidade da água que sai da estação nem quanto ela trata hoje.
  • A ligação entre cada estação e as captações que a alimentam foi montada pelo Atlas, pelo nome e pela distância. Não é informação declarada pela ANA e pode ter erro.

Abastecimento

Adutoras

O que é

Tubulações e canais que levam a água do rio ou da represa até a cidade. O mapa mostra só as que o cadastro dá como em operação: 251 de 400.

De onde vem
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Levantamento de 2021.

É um levantamento feito uma vez, não uma série: não há atualização anual. A cópia do Atlas é de julho de 2026.

O que não dá para concluir
  • A situação (em operação, em obras, em projeto) é a de 2021. Adutora que ficou pronta depois pode não aparecer.
  • Adutoras em obras, em projeto, em estudo ou em licitação ficam fora do mapa público.
  • O cadastro tem 400 adutoras no país inteiro. Não é a rede de canos que distribui água dentro das cidades.
  • O traçado foi simplificado. Serve para ver por onde a adutora passa, não para localizar a tubulação no terreno.

Esgoto

Tratamento de esgoto

O que é

Estações que tratam o esgoto antes de devolvê-lo ao rio ou ao mar (ETE, estação de tratamento de esgoto). São 3.667 estações.

De onde vem
  • ANA — Atlas Esgotos, cadastro de estações de tratamento (snirh.gov.br)
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Revisão de 2020 do cadastro.

É um levantamento feito uma vez, não uma série: não há atualização anual. A cópia do Atlas é de julho de 2026.

O que não dá para concluir
  • Estação inaugurada depois de 2020 não aparece.
  • A situação de cada estação (em operação, com problemas, não localizada) é a do cadastro, não a de hoje.
  • Existir uma estação não diz quanto do esgoto da cidade é tratado.
  • A fonte traz zero de remoção de nitrogênio e de fósforo em quase todas as estações. Esse zero quer dizer "não calculado": o Atlas não o mostra como se fosse resultado.

Resíduos

Aterros e lixões

O que é

Locais para onde vai o lixo recolhido nas cidades. São 3.470 unidades: 1.633 lixões, 830 aterros de inertes (que recebem entulho), 706 aterros sanitários e 301 aterros controlados.

De onde vem
  • Ministério das Cidades — SINISA, módulo de resíduos sólidos, planilha de destinação final (gov.br)
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

SINISA 2025, com dados de 2024.

O SINISA sai uma vez por ano. A troca de edição no Atlas é feita à mão, depois de conferida.

O que não dá para concluir
  • Tudo é declarado pelo município ou por quem presta o serviço, inclusive a localização. O ponto pode estar no lugar errado.
  • Lixão que o município não declarou não aparece. Não ter ponto no mapa não quer dizer que não há lixão.
  • Unidade declarada sem localização válida fica fora do mapa.
  • Capacidade e quantidade recebida vêm sem unidade de medida na planilha. O Atlas mostra só o número declarado.
  • Não inclui as empresas de destinação de resíduos cadastradas no IBAMA.

Água

Rios

O que é

O traçado dos rios do país, dividido em trechos. Ao clicar num rio, dá para ver o rio inteiro ou toda a área que escoa para aquele ponto (a bacia acima dele).

De onde vem
  • ANA — Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO), edição de 2017 (snirh.gov.br)
  • OpenStreetMap — nomes de rios, usados só onde a base da ANA não traz nome (openstreetmap.org)
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Base de 2017.

Não tem atualização periódica. O traçado dos rios muda devagar.

O que não dá para concluir
  • É o desenho da rede de rios, não uma medição. Não mostra se o rio tem água, se está cheio ou se está seco.
  • A cor do rio no mapa público não diz nada sobre a qualidade da água.
  • Rios pequenos só aparecem ao aproximar o mapa.
  • O OpenStreetMap é um mapa feito por voluntários. Os nomes que vêm dele podem ter erro.

Água

Represas e lagos

O que é

A área das represas e dos lagos e, para 679 represas, quanta água está guardada: o volume em relação à capacidade (por exemplo, 62% cheia) e a comparação com o que é normal para a época do ano.

De onde vem
  • ONS — Dados Hidráulicos por Reservatório, base diária — represas das hidrelétricas do sistema elétrico nacional (170 represas) (dados.ons.org.br)
  • ANA — Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) — Nordeste e Semiárido, Distrito Federal, Cantareira e Região Metropolitana de Belo Horizonte (509 represas) (ana.gov.br)
  • ANA — massas d’água, edição de 2017 — o contorno das represas e dos lagos (snirh.gov.br)
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Cada represa mostra a data da sua última medição. O contorno das represas e dos lagos é de 2017.

ONS e ANA publicam medições todos os dias. O Atlas busca as novas medições numa rotina diária.

O que não dá para concluir
  • Medição com mais de 90 dias aparece como "sem leitura recente": o Atlas não usa leitura antiga como se fosse de hoje. Em 1º de outubro de 2026, 68 das 679 represas estavam assim.
  • O percentual é do volume útil, a parte da água que pode ser usada. Por isso ele pode passar de 100% (a água está acima do nível máximo normal e a represa verte) ou ficar abaixo de 0% (o nível está abaixo do mínimo de operação).
  • Volume alto não garante abastecimento, e volume baixo não quer dizer racionamento. Depende de quanto se retira e de quando volta a chover. É para isso que existe o índice de risco, explicado a seguir.
  • Só têm volume as represas acompanhadas pelo ONS ou pelo SAR. As outras represas e os lagos aparecem só com o contorno.
  • O contorno é fixo: não encolhe nem cresce com o nível da água. Só entram represas e lagos com pelo menos meio quilômetro quadrado.

Água · cálculo do Atlas

Risco de desabastecimento das represas

O que é

Um índice calculado pelo próprio Atlas. Ele responde a uma pergunta: a água desta represa pode chegar ao nível crítico nos próximos dois anos, antes de a represa se recuperar? Existe só para as represas de abastecimento acompanhadas pela ANA.

De onde vem
  • ANA — Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR), série diária de volume de cada represa (ana.gov.br)
  • ANA — Atlas Águas (2021), população atendida por captação — para estimar quantas pessoas dependem de cada represa (snirh.gov.br)
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Calculado com a última medição de cada represa e com todo o histórico dela. As séries mais longas começam em 1980; em metade das represas, a medição começa em 2010 ou depois.

Recalculado sempre que o Atlas busca as medições, na rotina diária.

Como é calculado
  1. Partimos do volume de hoje.
  2. Para cada ano do histórico da própria represa, vemos quanto o volume subiu ou desceu, dia a dia, nos 24 meses seguintes à mesma data do calendário.
  3. Aplicamos cada uma dessas variações ao volume de hoje. Cada ano vira um cenário: "e se os próximos dois anos forem como aqueles?". O cenário já carrega a chuva, a evaporação e a retirada de água daquele período.
  4. Contamos em quantos cenários a água chega ao nível crítico em 3, 6, 12 e 24 meses.

Três cuidados nessa conta:

  • Represas ligadas entre si são avaliadas juntas. Hoje isso vale para o Sistema Cantareira: as quatro represas são somadas, porque a menor sobe e desce pela transferência de água entre elas, não pela chuva.
  • Falhas de até 120 dias na medição são preenchidas com uma linha reta entre a leitura anterior e a seguinte. O volume de uma represa muda devagar.
  • A queda de volume na estação seca é normal. Por isso o ritmo de queda só pesa quando o volume já está abaixo do que é comum para a época.
O que é o nível crítico
  • O nível crítico é o menor volume que a represa já registrou.
  • Ele tem dois limites: nunca fica abaixo de 5% nem acima de 40% da capacidade.
  • O piso de 5% vale para as represas que já quase secaram. Sem ele, o nível crítico delas ficaria perto de zero.
  • O teto de 40% existe para as represas que nunca passaram por seca. Sem ele, uma represa que nunca desceu de 77% seria considerada crítica a 76%.
As classes
  • Normal. Menos de 1 em cada 5 cenários chega ao nível crítico em dois anos, e a queda atual não preocupa.
  • Atenção. Pelo menos 1 em cada 5 cenários chega ao nível crítico em dois anos. Ou o volume está abaixo do normal para a época e, no ritmo de queda dos últimos 60 dias, chegaria ao nível crítico em menos de um ano.
  • Alerta. Pelo menos metade dos cenários chega ao nível crítico em dois anos, ou pelo menos um terço chega em seis meses.
  • Crítico. A represa já está no nível crítico, ou pelo menos metade dos cenários chega a ele em três meses.
  • Sem leitura recente ou sem índice. A última medição tem mais de 90 dias, ou a represa tem menos de cinco anos de histórico para montar os cenários. As represas de hidrelétrica também aparecem assim.
O teste contra crises reais

Para saber se o índice avisa a tempo, calculamos mês a mês como ele teria saído no passado, usando só as medições anteriores a cada data. Depois comparamos com quatro crises conhecidas. A tabela mostra quando o índice entrou em alerta e não saiu mais até a crise.

Antecedência do alerta do índice de risco em quatro crises de abastecimento
CrisePrimeiro alertaAntecedência
Campina Grande (PB)Epitácio Pessoa (Boqueirão)início do racionamento, em dezembro de 2014março de 20149 meses
Distrito FederalDescobertodecreto de seca e racionamento, em janeiro de 2017outubro de 20164 meses
Distrito FederalSanta Mariadecreto de seca e racionamento, em janeiro de 2017novembro de 20163 meses
Fortaleza (CE)Castanhão, Orós e Banabuiú, somadasdecreto de seca, em janeiro de 2017abril de 201521 meses
São Paulo (SP)Sistema Cantareira (quatro represas)início do uso do volume morto, em maio de 2014fevereiro de 20143 meses
  • São só quatro crises, em cinco represas ou conjuntos de represas. É pouco para dizer com que frequência o índice acerta.
  • O índice também ficou em alerta em meses sem crise registrada. Na represa de Boqueirão foram 108 meses de alerta fora do período da crise de 2014; 57 deles caíram em anos com decreto de seca em Campina Grande, e 51 não.
  • Volume morto é a água que fica abaixo do nível das saídas normais da represa.
  • Um teste automático confere que o cálculo de uma data não usa nenhuma medição posterior a ela.
Quantas pessoas dependem da represa
  • O número de pessoas que dependem de cada represa é uma estimativa. Ele vem do Atlas Águas, da ANA: somamos a população atendida pelas captações que ficam dentro da represa ou a até 500 metros da margem.
  • Em algumas represas — Descoberto e Santa Maria, no Distrito Federal, e as quatro do Cantareira, por exemplo — a ligação foi conferida à mão, porque a água segue por canal ou túnel até uma captação distante.
  • Quando o mesmo sistema recebe água de várias represas, as mesmas pessoas aparecem em cada uma delas. Os números não podem ser somados.
  • Em 29 de setembro de 2026, 230 das 509 represas da ANA tinham essa estimativa. Os dados de população são de 2021.
O que não dá para concluir
  • Não é previsão do tempo. O índice não usa previsão de chuva: usa só o que já aconteceu com a própria represa.
  • Um ano mais seco que todos os do histórico fica fora dos cenários. Se o clima mudar, o passado deixa de ser bom guia.
  • Em represa com poucos anos de medição há poucos cenários, e a leitura é menos segura.
  • Mudanças recentes — nova adutora, transferência de água de outra bacia, aumento da retirada — não estão no histórico.
  • Alerta quer dizer risco alto, não anúncio de racionamento. O índice olha uma represa (ou um conjunto interligado) por vez, e uma cidade pode ter outras fontes de água.
  • Represas de hidrelétrica, as do ONS, não têm índice. Ele foi feito e testado só para represas de abastecimento.
  • Sem medição há mais de 90 dias, ou com menos de cinco anos de histórico, a represa fica sem índice.

Energia

Usinas

O que é

Usinas solares, eólicas e hidrelétricas em operação. São 19.415: 16.938 solares, 1.342 hidrelétricas e 1.135 eólicas. O tamanho do símbolo indica o porte: pequena (menos de 1 MW), média (de 1 a 30 MW) ou grande (30 MW ou mais). MW, o megawatt, é a unidade de potência das usinas.

De onde vem
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

Cópia do cadastro feita em julho de 2026.

No Atlas a atualização é feita à mão, sem data fixa. Usinas novas só entram na cópia seguinte.

O que não dá para concluir
  • Usina que entrou em operação depois de julho de 2026 não aparece.
  • Só entram usinas em operação e com localização válida no cadastro.
  • Não inclui os painéis solares em telhados de casas e empresas, que ficam em outro cadastro da ANEEL.
  • Usinas térmicas e a biomassa não estão no mapa.
  • O porte vem da potência registrada pela ANEEL, que é a capacidade da usina. Não é a energia que ela gerou de fato.

Território

Limites municipais

O que é

O contorno de cada município do país.

De onde vem
  • IBGE — malha municipal, em versão simplificada
De quando é e de quanto em quanto tempo atualiza

A malha que o serviço de malhas do IBGE entrega, na versão de menor detalhe. O Atlas não fixa o ano da malha.

Os limites dos municípios mudam raramente.

O que não dá para concluir
  • O contorno é simplificado para o mapa ficar leve. Não serve para medir área nem para decidir a que município pertence um terreno perto da divisa.

Indicadores por município

São os números que pintam o mapa, município por município: quanto maior ou menor o valor, mais forte a cor. O menu público tem 21 indicadores. Um indicador só entra no menu público do mapa se, no ano mais recente, pelo menos cerca de 60% dos municípios têm dado, e se esse ano é 2019 ou depois. O Censo 2022 conta.

SNIS e SINISA

De onde vem
  • Ministério das Cidades — SNIS, série histórica (dados até 2022) (app4.cidades.gov.br)
  • Ministério das Cidades — SINISA (dados de 2023 em diante) (gov.br)

Declarado todo ano pelas empresas, autarquias e prefeituras que prestam o serviço. Ninguém confere os formulários um a um.

Indicadores de SNIS e SINISA no menu público do mapa
IndicadorAno mais recenteMunicípios com dado
Cobertura de água202492%
Água perdida na distribuição202492%
Água na área urbanaO SINISA não publica este índice por município.202195%
Ligações de água com hidrômetro202297%
Consumo de água por pessoa202297%
Quem cuida do serviço de águaO cadastro é corrigido pelo acompanhamento que o Atlas faz de concessões e privatizações.202284%
Tipo de empresa ou órgão que presta o serviço202284%
Prestador local ou regional202284%

Censo 2022

De onde vem
  • IBGE — Censo Demográfico 2022, tabelas 6803, 6805 e 6892 do SIDRA

Contagem de domicílios feita pelo IBGE. Diz como cada casa resolve a água, o esgoto e o lixo.

Indicadores de Censo 2022 no menu público do mapa
IndicadorAno mais recenteMunicípios com dado
Casas sem rede de esgoto2022100%
Casas com fossa séptica2022100%
Casas com fossa rudimentar2022100%
Casas com esgoto inadequado2022100%
Casas sem rede de água2022100%
Casas com coleta de lixo na portaTambém há o Censo 2010. Não conta quem leva o lixo a uma caçamba do serviço de limpeza.2022100%
Casas que queimam, enterram ou jogam o lixoTambém há o Censo 2010.2022100%

SEEG

De onde vem
  • SEEG — emissões de gases de efeito estufa por município (seeg.eco.br)

Estimativa calculada, não medição. O total pode ser negativo onde a vegetação retira da atmosfera mais do que o município emite.

Indicadores de SEEG no menu público do mapa
IndicadorAno mais recenteMunicípios com dado
Emissões de gases de efeito estufa2024100%
Emissões do setor de resíduos2024100%
Emissões do setor de energia2024100%

ANA

De onde vem
  • ANA — Atlas Águas 2021, Índice de Segurança Hídrica Urbano
  • ANA — Monitor de Secas do Brasil (monitordesecas.ana.gov.br)

Classificações oficiais da ANA, mostradas como a agência publica. O valor é o da sede do município.

Indicadores de ANA no menu público do mapa
IndicadorAno mais recenteMunicípios com dado
Segurança hídrica das cidadesRetrato de 2021, sem atualização desde então.2021100%
Seca agora (Monitor de Secas)A ANA publica um mapa por mês. Em 1º de outubro de 2026, o mais recente era o de agosto. O Atlas confere numa rotina semanal se saiu mapa novo.2026100%

Leitura do Atlas

De onde vem
  • Atlas — a partir da ANA (segurança hídrica de 2021, Monitor de Secas, vazão de rios e nível de represas) e do ONS

Classe calculada pelo Atlas. Parte da classe oficial de segurança hídrica de 2021, piora quando o Monitor de Secas aponta seca grave ou mais forte, e sobe ou desce um degrau conforme a vazão dos rios e o nível das represas de agora. Não é classificação oficial.

Indicadores de Leitura do Atlas no menu público do mapa
IndicadorAno mais recenteMunicípios com dado
Resiliência hídrica (leitura do Atlas)Recalculada numa rotina semanal.2026100%
O que não dá para concluir
  • SNIS e SINISA são declarados por quem presta o serviço. Há erros de preenchimento, e o Atlas não tem como corrigi-los.
  • Nas fichas dos municípios, valores improváveis são sinalizados. Perda de água de 0% ou de 90% para cima, por exemplo, aparece com o aviso de possível erro de preenchimento. O número continua na ficha.
  • Zeros incompatíveis saem da série. Se o prestador declara cobertura de água de 0% e, no mesmo ano, declara perda na rede, o zero é tratado como falta de informação, e a ficha mostra o último ano informado. Valores negativos onde não cabem também saem.
  • Em 2023 o SINISA substituiu o SNIS, com outros formulários e outra base de população. A série não é contínua. O Atlas não calcula variação entre um ano do SNIS e um ano do SINISA.
  • O Censo conta domicílios. O SNIS e o SINISA contam a população que o prestador diz atender. Os dois números não são comparáveis.
  • Município em cinza não tem dado naquele ano. Cinza não quer dizer zero.
  • O ano mais recente não é o mesmo para todos os indicadores. Confira o ano na legenda antes de comparar dois mapas.

O que ficou de fora e por quê

O Atlas tem estes dados guardados, mas não os mostra ao visitante. Preferimos não mostrar a mostrar um dado fraco, que o leitor tomaria por certo.

Qualidade da água dos rios

Há duas bases, e nenhuma serve para pintar os rios do país.

A primeira é uma estimativa da ANA, de 2013, feita por município. Ela não é medição: calcula quanto esgoto os rios de cada município conseguem diluir, e dá o mesmo resultado para todos os rios do município.

A segunda são as medições de verdade, feitas em estações da ANA e dos estados. Elas cobrem 2,5% dos trechos de rio do país (2.184 de 87.118). Valor anual de 2023 ou de 2024 só existe em Minas Gerais e em São Paulo. Nos outros estados, o valor anual mais recente é de 2021 ou de antes, ou o que existe é uma média de vários anos.

Pintar um rio com a estimativa de 2013 faria o leitor achar que a água foi medida. E pintar só os trechos medidos deixaria mais de 97% dos rios em cinza, que o leitor poderia ler como rio limpo.

Seca e cheia dos rios pela vazão

Esta camada compara a última medição de vazão (a quantidade de água que passa pelo rio) com o histórico do mesmo mês, nas estações da ANA.

Ela só classifica o trecho de rio que tem estação com leitura dos últimos 21 dias e com histórico suficiente: pelo menos uns três anos de medição naquele mês.

Poucas estações cumprem as duas condições. Na coleta de 29 de setembro de 2026, que ficou incompleta, 283 estações tinham vazão medida nos 21 dias anteriores, e nenhum trecho de rio saiu classificado.

Lançamentos de efluente

Efluente é a água usada que uma empresa ou um órgão despeja num rio, num lago ou no mar. O Atlas tem 82.166 pontos de duas fontes: autorizações da ANA (outorgas) e declarações feitas ao IBAMA.

A maioria desses pontos, 48.326, está no centro do município, e não no local real do lançamento. Todos esses vêm do IBAMA, cuja declaração, na maior parte das vezes, não traz a localização.

Além disso, a autorização da ANA diz o que pode ser lançado, não o que é lançado de fato.

Um mapa assim levaria o leitor a procurar um despejo onde ele não existe.

Indicadores com muitos municípios sem dado

Coleta de esgoto e tratamento de esgoto, do SNIS e do SINISA, ficam fora do menu do mapa. Em 2024, só 49% e 44% dos municípios tinham esses dados: só responde quem tem sistema de esgoto.

Os indicadores de potência das usinas por município, da ANEEL, também ficam fora: só têm valor os municípios onde há usina.

Esses números continuam nas fichas dos municípios que têm o dado.

Critério de publicação

Antes de uma camada ir para o mapa público, ela precisa passar por quatro perguntas.

  1. A fonte é primária e pode ser citada?O dado tem de vir do órgão que o produz, com nome da base e endereço, para qualquer pessoa conferir.
  2. O dado é recente, ou trata de algo que muda devagar?Nível de represa precisa ser de agora. Traçado de rio e limite de município podem ser de anos atrás. Dado antigo sobre algo que muda rápido fica de fora.
  3. Cobre o país inteiro, ou a lacuna tem explicação?Uma camada pode cobrir só parte do país se o leitor souber por quê. O volume das represas, por exemplo, só existe onde o ONS ou a ANA medem.
  4. O leitor pode tirar uma conclusão errada?Se a forma de mostrar leva a entender mais do que o dado diz — uma estimativa que parece medição, um ponto que parece endereço —, a camada não entra.

Quem são as fontes

ANA
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
ANEEL
Agência Nacional de Energia Elétrica
IBAMA
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ONS
Operador Nacional do Sistema Elétrico
SEEG
Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa
SINISA
Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, do Ministério das Cidades
SNIS
Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, substituído pelo SINISA a partir dos dados de 2023

Como citar

Cite o Atlas e a fonte original. O Atlas organiza e mostra; o dado é do órgão que o produziu. Ponha sempre a data em que você consultou, porque parte dos números muda todo dia.

Formato

SANEAMENTO AMBIENTAL. Atlas Ambiental do Brasil: [nome da camada ou da página]. Disponível em: [endereço da página]. Acesso em: [dia] [mês] [ano].

Exemplo

SANEAMENTO AMBIENTAL. Atlas Ambiental do Brasil: risco de desabastecimento das represas. Disponível em: https://saneamentoambiental.com.br/atlas/metodologia#risco. Acesso em: 1 out. 2026.

O índice de risco de desabastecimento e a resiliência hídrica são cálculos do Atlas sobre medições da ANA (e, no caso da resiliência, também do ONS). Ao usá-los, diga que o cálculo é do Atlas e de quem são as medições.

Achou um erro?

Escreva para a redação pela página de contato. Diga qual é a camada, qual é o lugar e, se puder, mande o endereço da fonte que mostra o dado certo.

O Atlas não inventa dado. Quando a fonte traz um valor claramente errado, ele sai do mapa ou aparece com aviso. Quando o conserto é seguro — uma localização com os números trocados, por exemplo —, o Atlas corrige.

Voltar ao mapa