SANEAMENTO

Aegea e BNDES vão levar serviços a quase 400 escolas do Marajó

Aegea e BNDES vão levar serviços a quase 400 escolas do Marajó

Pelo Instituto Aegea, a empresa aportará R$ 20 milhões nos próximos anos para viabilizar a execução das obras e ações previstas.

A Aegea, por meio do Instituto Aegea, assinou um Protocolo de Intenções com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para apoio ao projeto “Saneamento nas Escolas”, voltado à implantação de soluções de saneamento em unidades de ensino da mesorregião do Marajó, no Pará. A assinatura teve a presença do presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos, e de Tereza Campello, diretora Socioambiental do Banco.

Pelo Instituto Aegea, a empresa aportará R$ 20 milhões nos próximos anos para viabilizar a execução das obras e ações previstas. O aporte deve ajudar a impactar positivamente aproximadamente 320 das 400 escolas contempladas pela iniciativa. Idealizado pelo BNDES e executado em parceria com a Habitat para a Humanidade Brasil, o projeto integra o Fundo Socioambiental do Banco e contempla ações em 16 municípios do Marajó. Com a parceria, mais de 15 mil alunos da região do Marajó serão impactados com aumento da qualidade de ensino decorrente das melhorias na infraestrutura escolar, e cerca de 16.200 mil pessoas da comunidade escolar serão beneficiadas diretamente pelas ações.

“Levar saneamento básico a escolas municipais do Marajó é promover uma condição básica para o processo de ensino e aprendizagem, com qualidade e equidade, reduzindo a evasão escolar. Essa é uma iniciativa fundamental para o processo educacional como um todo, mas não só isso. Esse apoio contribui diretamente para a melhoria das condições de vida de alunos, professores e profissionais das escolas públicas, ao proporcionar ambientes mais seguros, saudáveis e dignos”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “A ausência de saneamento básico nas escolas gera impactos diretos no desenvolvimento social: crianças doentes não aprendem, não acompanham a turma e acabam abandonando a escola, gerando impactos ao longo de toda a vida, para elas e para suas famílias. O acesso a água de qualidade e ao esgotamento sanitário é fundamental para garantir condições dignas à saúde da comunidade escolar, garantindo que o aprendizado aconteça e reduzindo a evasão escolar, infelizmente ainda comum em unidades que não dispõem dessa infraestrutura”, afirma Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea.

Para a Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, a iniciativa mostra como o Banco pode mobilizar recursos e parcerias para melhorar a vida das comunidades. “Estamos chegando às pequenas escolas rurais da Ilha do Marajó com recursos para garantir algo básico: água e saneamento. Quando asseguramos essas condições, começamos a transformar a vida das crianças e de todo o território ao redor. Com essa parceria, praticamente vamos universalizar o acesso à água nas escolas com até 50 alunos na ilha, um passo importante para reduzir desigualdades históricas”.

Em levantamento realizado pela Habitat para a Humanidade Brasil, quase 94% das escolas de pequeno porte da região não têm acesso ao abastecimento público de água e quase 60% não têm tratamento de esgoto, além de 37,9% não possuírem banheiro ou estrutura adequada, utilizando latrinas. As escolas estão situadas em comunidades rurais de difícil acesso e, em muitos casos representam o único equipamento público disponível, funcionando como referência para a população local. O projeto contempla a implantação de sistemas completos de abastecimento de água nas escolas, incluindo captação, tratamento, armazenamento e distribuição, com soluções técnicas dimensionadas para a realidade local. O sistema prevê etapas como filtragem, sedimentação e cloração, garantindo água adequada para consumo humano e uso geral, com foco no cuidado à saúde de todos que estudam e trabalham nas escolas.

Para o esgotamento sanitário, serão adotadas soluções como fossa-filtro, jardins filtrantes e outras tecnologias que permitem o tratamento do esgoto sem lançamento de dejetos no solo ou em corpos hídricos. O projeto também inclui a construção de módulos sanitários, a adequação de banheiros existentes e a implantação de soluções para gestão de resíduos sólidos, com fornecimento de equipamentos e orientação às escolas para destinação adequada dos resíduos. Estão previstas 812 oficinas de educação contextualizada destinadas a estudantes, comunidades escolares, gestores e técnicos da educação nos municípios atendidos.

O projeto tem a parceria do BNDES e da Habitat para a Humanidade Brasil e a participação do Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), da Cáritas Brasileira Regional Norte II, da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu) e da Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (Fase). Ao firmar este protocolo, Instituto Aegea e BNDES reafirmam seus compromissos com iniciativas essenciais em territórios que enfrentam desafios socioambientais propondo soluções adequadas às realidades locais. As instituições também atuam em parceria no programa Floresta Viva, que prevê reflorestamentos em áreas do Pantanal e na Mata Atlântica, no Rio de Janeiro. Na Aegea, o projeto “Saneamento nas Escolas” integra o programa “Escola Saneada”, que contempla ações de melhorias em infraestrutura de escolas em diversos estados país.

Artigos Relacionados

Escassez hídrica exige nova governança e ação integrada, apontam especialistas
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Escassez hídrica exige nova governança e ação integrada, apontam especialistas

Debate promovido, em São Paulo, reúne especialistas do setor para discutir desafios da gestão da água, impactos das mudanças climáticas e caminhos para garantir segurança hídrica no Brasil

1 de abril, 2026
O paradoxo da água no Brasil
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
O paradoxo da água no Brasil

Falhas na infraestrutura e na gestão comprometem saúde pública, produtividade e o uso eficiente dos recursos hídricos no país

1 de abril, 2026
Governança e Saneamento no Vale do Ribeira
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Governança e Saneamento no Vale do Ribeira

A gestão dos recursos hídricos no Brasil fundamenta-se em um modelo descentralizado e participativo, tendo nos Comitês de Bacias Hidrográficas sua expressão máxima de governança. Na UGRHI 11 o CBH-RB concilia a preservação da Mata Atlântica com desenvolvimento socioeconômico.

1 de abril, 2026
O futuro do saneamento passa pela inovação e ele já está em curso
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
O futuro do saneamento passa pela inovação e ele já está em curso

Entre desafios estruturais e avanços tecnológicos, o Brasil acelera a modernização do setor com foco em eficiência, universalização e qualidade de vida.

1 de abril, 2026
Ranking do Saneamento 2026 mostra contraste entre eficiência e atraso no país
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Ranking do Saneamento 2026 mostra contraste entre eficiência e atraso no país

Estudo aponta avanços em municípios mais estruturados e reforça a urgência de ampliar investimentos para universalização até 2033

1 de abril, 2026
Risco climático no Brasil: por que desastres vão além do clima
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Risco climático no Brasil: por que desastres vão além do clima

A interação entre eventos extremos, ocupação urbana e desigualdade social amplia impactos e desafia políticas públicas

1 de abril, 2026
ESG no Saneamento: tendência ou obrigação?
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
ESG no Saneamento: tendência ou obrigação?

1 de abril, 2026
Universalização do saneamento e impactos sociais: segurança jurídica, investimento e transformação estrutural
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Universalização do saneamento e impactos sociais: segurança jurídica, investimento e transformação estrutural

1 de abril, 2026