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QUEIMADAS

Agropalma adota tecnologia para monitorar focos de incêndio em suas áreas

Agropalma adota tecnologia para monitorar focos de incêndio em suas áreas

A Amazônia foi o principal bioma afetado, concentrando 58% das queimadas, impulsionadas por um regime de chuvas abaixo da média histórica.

Segundo dados do Monitor do Fogo do início de 2025 divulgados pelo MapBiomas, o Brasil teve 30,9 milhões de hectares queimados em 2024 – área superior ao tamanho do Uruguai. A Amazônia foi o principal bioma afetado, concentrando 58% das queimadas, impulsionadas por um regime de chuvas abaixo da média histórica. No recorte estadual, o Pará foi o mais atingido pela devastação. Mesmo com o fim da temporada do fenômeno El Niño, a imprevisibilidade do clima, as secas e os riscos de queimadas continuam sendo um desafio. Diante desse contexto, a Agropalma, empresa brasileira reconhecida mundialmente como referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma, tem investido na mitigação de focos de incêndio, que envolve desde estratégias preventivas até ações pontuais para evitar grandes devastações, sobretudo em sua reserva florestal, que corresponde a 64 mil hectares. “Manter o compromisso com a sustentabilidade é uma das prioridades da Agropalma, e isso inclui contribuir com a Amazônia de pé. Por isso, identificar de forma rápida um incêndio, esteja ele dentro dos nossos limites ou não, e combatê-lo é uma parte importante dos nossos esforços”, defende Caio Rodrigues, engenheiro ambiental da Agropalma.

A empresa adotou na área de Agricultura de Precisão o uso da SMAC - plataforma integradora desenvolvida pela Climatempo. A ferramenta oferece, em tempo real, informações de previsibilidade climática de curto e longo prazos e alerta sobre eventos que impactam o equilíbrio ambiental, como as queimadas. “Diferentemente de outras plataformas públicas, que são mais abrangentes e se concentram em todo o estado do Pará ou até mesmo em toda a região Amazônica, como faz o INPE, a SMAC direciona e fornece informações específicas sobre queimadas nas nossas áreas agrícolas e de reserva”, explica Anderlon Andrade, coordenador Técnico em Agricultura de Precisão da Agropalma.

Atualmente, a Agropalma tem oito pontos de monitoramento dentro de sua propriedade, além de outros oito pontos extras instalados em municípios paraenses de Acará, Baião, Cametá, Igarapé Mirim, Mocajuba, Moju, Tailândia e Tomé Açu, totalizando 16 pontos. Cada um cobre um raio de até 10 quilômetros e pode ser visualizado na interface da SMAC, na qual as informações sobre cada área são atualizadas em tempo real conforme os satélites do Climatempo detectam alterações.

No caso do monitoramento de queimadas, cada vez que um novo foco é reconhecido surge um ícone de fogo no ponto em que a irregularidade foi identificada. Simultaneamente, alertas são enviados para o time de Agricultura de Precisão, que informa, mobiliza e direciona equipes de Segurança Patrimonial e Segurança do Trabalho, que contam com brigadistas treinados e capacitados segundo as diretrizes do Corpo de Bombeiros para o controle do fogo. O suporte aos times de segurança é completo, uma vez que dispõe de um sistema de monitoramento por câmeras e diversos maquinários, como sete caminhões-pipa, uma pá carregadeira, um trator de esteira e bombas costais, entre outros aparatos úteis para incêndios de pequenas até grandes proporções.

A SMAC torna-se ainda mais crucial entre os meses de julho e novembro, com a chegada do Verão Amazônico, quando as temperaturas se elevam, há menos chuvas e o clima mais seco favorece o surgimento de queimadas. Em paralelo a esse monitoramento, há o acompanhamento contínuo dos dados meteorológicos fornecidos pela plataforma, que são foco constante dos analistas. “O agronegócio não olha apenas as informações momentâneas, mas, sim, o longo prazo”, afirma Eliana Gatti, executiva de Vendas na Climatempo INFRA, que ressalta que a personalização é essencial nesse setor. “Ao planejar uma ação na lavoura, o agricultor precisa saber a umidade específica, qual será a temperatura, se vai chover e como essas variáveis irão se comportar, porque tudo impacta a safra”. Segundo Andrade, que acompanhou a implementação da SMAC na companhia, o alcance à previsibilidade climática transformou a maneira como os estudos de produção são realizados e ajudou a orientar ações estratégicas. “A produção do óleo está diretamente relacionada ao clima. Antes da implementação desse projeto, as informações eram imprecisas, baseadas somente em dados do passado utilizados para tentar prever o comportamento futuro do clima”, conta. “A SMAC nos fornece informações a respeito do futuro com base na análise do passado, mas com foco nos dados meteorológicos fornecidos por satélites”, acrescenta Andrade.

Os benefícios da plataforma são diversos e abrangem desde o aspecto ambiental até o financeiro. Com uma boa previsibilidade, o planejamento se torna mais assertivo e os agricultores conseguem, por exemplo, programar a manutenção das plantações sem arriscar desperdícios. Ao saberem com que tipos de eventos climáticos as plantações foram expostas, torna-se mais preciso o planejamento da colheita. No caso da preservação da floresta original, esse planejamento é importante para, com base nas experiências e dados relacionados ao passado, aperfeiçoar o plano de ação para tornar a mitigação dos incêndios cada vez mais eficiente.

Atenta às diversas vantagens trazidas pela SMAC sobre o clima e possíveis eventos, como as queimadas, a Agropalma tem se dedicado a criar meios de compartilhar esses dados com comunidades do entorno e agricultores parceiros que integram o Programa de Agricultura Familiar e Integrada da companhia. O programa conta hoje com 374 agricultores familiares e 63 produtores integrados. O objetivo é que esses pequenos produtores tenham o apoio da empresa no acesso a essas informações para que possam planejar seu cultivo e manejo com mais precisão — muito além da previsão do tempo diária que eles consultam atualmente — e proteger suas áreas das queimadas. Em períodos como o Verão Amazônico, cartilhas e avisos sobre os perigos das queimadas são compartilhados com esses coletivos, recomendando, por exemplo, que esses residentes evitem o uso da técnica de queima da vegetação, culturalmente utilizada para preparar o ambiente para o próximo período de cultivo, mas que já demonstrou ser ineficaz e até mesmo uma ameaça, podendo se tornar, inclusive, o pontapé de um incêndio de grandes proporções.

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MEIO AMBIENTE
17,5% do território brasileiro já queimou

Cerca de 1,5 milhão de km² ou 17,5% do território brasileiro queimou pelo menos uma vez nos últimos 20 anos, sendo o índice mais alto constatado no Nordeste. 68% da região estava coberta por vegetação nativa, quando enquanto 32% era usada para agropecuária, incluindo atividades como limpeza de pasto, roçado e terrenos recém-desmatados. Em média, uma área de 177 mil km2 queima todo ano, ou 2,1% do país. Os números são da iniciativa recém-lançada MapBiomas Fogo, que engloba as informações sobre a área queimada a cada ano no país, de 2000 a 2019, com localização, frequência e o tipo de cobertura e uso da terra associado, como floresta, savana, agricultura ou pasto, entre outros. Os dados fazem parte da 5ª coleção anual de mapas de cobertura e uso do solo do Brasil do projeto MapBiomas, disponível em http://plataforma.mapbiomas.org . Mais de 330 mil km² das florestas existentes hoje no Brasil pegaram fogo nos últimos 20 anos e, dessas, 195 mil km2 (59%) queimaram duas vezes ou mais. "O incêndio em florestas tropicais não é natural. Ele é causado principalmente pela ação humana alimentada por um ambiente mais seco, que faz o fogo escapar de um pasto ou de uma área desmatada, por exemplo, e entrar na mata", explica a diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar, coordenadora do grupo que fez o trabalho. "A frequência alta em algumas regiões reforça o papel do homem nesse processo de degradação." Na Amazônia, o MapBiomas constatou 28,7% da área total queimada no período, num ambiente onde o fogo deveria ser raro – metade dos 427 mil km2 afetados queimou mais de uma vez num mesmo lugar. Sem o homem, o fogo neste bioma ocorre a cada 500 a mil anos. Já o Cerrado foi o bioma mais atingido em perda de área no período: 41% de sua extensão foi afetada pelo fogo pelo menos uma vez, e 76% do que queimou ali era vegetação nativa. "O Cerrado, diferentemente da Amazônia, é um bioma que evoluiu com o fogo. Ainda assim, as transformações na paisagem podem ter impacto na incidência das queimadas", explica Alencar. Quando se observam os aspectos fundiários, 59% da área queimada ao longo dos últimos 20 anos estava dentro de áreas privadas, 18% em áreas protegidas e 6% em assentamentos. Foram queimados mais de 203 mil km2 em 2019, o que corresponde a 2,4% do território, sendo que 72% aconteceu em vegetação nativa e 28% em locais de uso agropecuário. As queimadas foram também 55% maiores que as do último ano, quando foram registradas 130,5 mil km2 de área queimada. O Pantanal apresentou um aumento de 996% de área queimada em 2019 em comparação com 2018. Na Amazônia, a área queimada cresceu 65%. No Cerrado, a expansão da área atingida pelo fogo foi de 40%. "O mapeamento é fundamental para entender ao regime de fogo no Brasil, que leva à degradação das vegetações nativas e tem impacto na saúde das pessoas, nas mudanças climáticas, na biodiversidade e na economia", afirma o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo. Ferramenta A plataforma do MapBiomas Fogo vai disponibilizar os dados de fogo a cada ano, desde 2000 a 2019, indicando a cobertura de uso do solo afetada, além de disponibilizar informações das áreas acumuladas e frequência de cicatrizes para cada um dos biomas, estados, municípios, bacias hidrográficas e áreas protegidas do Brasil. Todos os dados, mapas, método e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa: mapbiomas.org.

7 de dezembro, 2020
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MEIO AMBIENTE
Conexão Mata Atlântica combate queimadas

O Projeto Conexão Mata Atlântica realiza ações de combate às queimadas, principalmente, no outono e no inverno (meses mais secos). As atividades educativas de prevenção são realizadas durante o ano todo e incorporadas à extensão rural como forma de combater a prática de queimar o solo para viabilizar plantios ou renovar pastagens, o que pode se tornar um problema. Utilizado como técnica agropastoril, o fogo é uma ferramenta excelente para manejo do solo, porém, quando sai do controle e se transforma em incêndio, é capaz de provocar graves prejuízos ambientais. No estado do Rio de Janeiro, o fogo atingiu 1.650 hectares localizados nas 39 Unidades de Conservação em 2019. Os dados são da Gerência de GuardaParques (GGPAR) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A coordenação do Projeto Conexão Mata Atlântica na região promoveu campanha de prevenção e combate às queimadas. Na cidade de São Luiz do Paraitinga (SP), o projeto realizou a ‘Operação Corta-Fogo’, com a participação de diferentes níveis de governo, empresas parceiras e comunidades. O objetivo é prevenir, controlar e monitorar incêndios no estado de São Paulo. São Luiz do Paraitinga é o principal parceiro da Unidade de Conservação do Núcleo Santa Virgínia, do Parque Estadual Serra do Mar (PESM), nas ações imediatas de combate aos focos de incêndio no território e, também, a área que mais sofre risco de queimadas com a chegada do inverno - a maioria, associadas à ocupação humana e ao uso desordenado do solo. Marcelo Massaharu Araki, coordenador estadual do projeto Conexão Mata Atlântica em Minas Gerais, conta que o Programa de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Previncêndio) é responsável pelas ações de prevenção, controle e combate aos incêndios florestais na região. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) oferece materiais de educação ambiental, os quais os técnicos do Projeto Conexão Mata Atlântica aproveitam para utilizar nas visitas às propriedades rurais, ocasião em que fornecem assessoria de extensão rural em produção e conservação do meio ambiente, esclarece. Em regiões próximas à área de abrangência do Projeto Conexão Mata Atlântica, incêndios de grandes proporções ocuparam os noticiários e causaram grande preocupação quanto à manutenção da biodiversidade local. No Estado de São Paulo, em 2017, uma área de aproximadamente 586 hectares de propriedades no entorno da Estação Ecológica de Bananal foi reduzida a cinzas. Em 2019, foi a vez do estado do Rio de Janeiro: em uma área próxima à abrangência do Projeto, o Parque Estadual Serra da Concórdia, no município de Valença, dois grandes incêndios destruíram cerca de 40 hectares de floresta nativa.

23 de outubro, 2020
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AMAZÔNIA
Fogo em área desmatada cresce 9% em 2019

Segundo dados que fazem parte de uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o fogo em áreas recém-desmatadas na Amazônia passou de 15% nos anos 2016 e 2017 para 25%, em 2018, e alcançou os 34% no último ano. O fogo em terrenos após a derrubada da floresta é o último estágio do desmatamento, seguido da conversão da terra em pasto ou plantação. Os focos de calor capturados por satélites somaram 87 mil em 2019 na Amazônia. O fogo para manejo agropecuário respondeu por 36% dos focos de calor de 2019. Os incêndios florestais, quando o fogo entra em uma área de vegetação nativa, responderam por 30%. "Somando os incêndios florestais e o fogo de desmatamento, podemos ver claramente o risco que as florestas sofrem atualmente. Não é fogo de capim que cria aquelas nuvens de fumaça que intoxicam a Amazônia e viajam até Sudeste, é árvore queimando, derrubada ou em pé", diz a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, principal autora do estudo. Os pontos de fogo de desmatamento foram uniformes em 2019, principalmente entre assentamentos (26% dos focos de calor desse tipo), imóveis rurais (25%) e florestas não-destinadas (23%) – essa última um sinal de grilagem, a ocupação ilegal de terras públicas, já detectada em análises de distribuição fundiária do desmatamento na Amazônia. "Uma moratória pode ajudar a controlar o fogo e evitar que a fumaça ameace a saúde da população na região, o que é recomendado em tempo de COVID-19. Mas é um remédio para tratar o sintoma, não a causa principal. Enquanto o desmatamento não for contido, o problema vai persistir", diz Ane. A nota do IPAM também analisa o primeiro semestre de 2020. O número absoluto de focos de calor é mais baixo do que o do primeiro semestre do ano passado, mas eles mascaram o problema real. O pico de fogo de Roraima, que normalmente acontece entre janeiro e março, foi incomum em 2019 e desviou os números para cima. Já em 2020, os estados com mais desmatamento (Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia) tiveram aumento de queimada no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2019 - e o pico de fogo nessas localidades acontece entre julho e outubro. Com exceção de Roraima, o IPAM diz que é necessário agir para evitar uma temporada como a de 2019. "Os estados têm um papel relevante ao fiscalizar o cumprimento da moratória do fogo decretada pelo governo federal", diz Ane. "Abandonar a prática da queimada e trocar por tecnologia agrícola, investir no bom uso das áreas já abertas, combater a ilegalidade, proteger as florestas. Nada disso é ciência avançada. É preciso querer fazer”.

10 de agosto, 2020
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AMAZÔNIA
IPAM se posiciona sobre moratória do fogo

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) divulgou nota sobre a moratória do fogo na Amazônia, que proíbe queimadas na própria Amazônia e no pantanal pelos próximos 120 dias. De acordo com a entidade, o decreto 10.424/20 visa reduzir o impacto do fogo durante o período de estiagem de chuvas nesses dois biomas. No último ano, o Governo publicou decreto semelhante após o fogo atingir índices bastante elevados na Amazônia em comparação com anos anteriores e a fumaça chegar a outras regiões do Brasil. Concomitante a ações de comando e controle, a ação ajudou a controlar os focos de calor nos meses seguintes, revertendo à tendência de crescimento esperada para os meses de setembro e outubro. Em 2020 o Governo editou o decreto antes de chegar o momento mais crítico. O IPAM diz que a medida é especialmente importante ao lembrar que quanto mais fumaça no ar, maiores os casos de problemas respiratórios para a população nessas regiões, que podem se sobrepor à crise de saúde pública já existente devido à pandemia de COVID-19. Na nota, o IPAM diz ainda esperar que decretos como os de 2019 e 2020 não sejam mais necessários e o fogo seja parte do passado. Para isto, o instituto diz que é preciso investir em tecnologias sustentáveis que substituam o fogo como prática agropecuária. Popularizar essas tecnologias permite resultado mais eficiente no controle de pragas e manejo de pastagens, e mantém o solo saudável por mais tempo; Fortalecer os governos estaduais para fiscalizarem o uso correto do fogo em seus territórios e para o monitoramento das licenças concedidas permite acompanhar as atividades legalmente realizadas e evita que as autorizações sejam usadas erroneamente para queimar (ou desmatar) outras áreas. Outro ponto é o fim do desmatamento, já que o fogo extingue resquícios da vegetação desmatada e seca, e as cinzas são usadas para alimentar esse solo, que no caso da Amazônia é pobre em nutrientes, para dar espaço às pastagens. Por fim, o instituto lembra que a floresta amazônica, ao contrário das florestas da Austrália e da Califórnia, não pega fogo naturalmente, e nem evoluiu para isso. Com o agravamento das mudanças climáticas, a vegetação fica mais suscetível a qualquer fagulha virar incêndio florestal – além da queima ainda produzir mais gases do efeito estufa, que por sua vez levam a mais mudanças climáticas, num ciclo perverso.

20 de julho, 2020
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AMAZÔNIA
Queimadas em junho são as maiores desde 2007

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o mês de junho de 2020 teve 2.248 focos de queimadas na Amazônia, um crescimento de 18,5% sobre o mesmo mês de 2019 e o maior resultado desde 2007. Na ocasião foram registrados 3.517 focos de queimadas no bioma. O número é ainda 36% superior à média dos 10 anos anteriores (2010 a 2019, com 1.651 focos). Dos 2.248 focos de queimadas detectados na Amazônia entre 1 e 30 de junho de 2020, 58% ocorreram no Mato Grosso (1.303). “Os primeiros números de junho pedem atenção, uma vez que a temporada mais seca ainda está apenas no começo”, afirma Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. "Além disso, o contexto é preocupante: altos índices de desmatamento, desrespeito aos direitos indígenas e a calamidade de saúde pública com a pandemia de coronavírus”. Entre 1o de janeiro e 18 de junho de 2020 houve alerta de desmatamento para 2.645 km2 na Amazônia Legal, o maior índice registrado para o período desde 2015. O corte raso na floresta amazônica atingiu 610km2 de área em alertas de desmatamento nos primeiros 18 dias de junho. A preocupação é que o desmatamento em 2020 possa superar os 10.129 km2 medidos em 2019, na maior taxa desde 2008 e mais do que o dobro da taxa medida em 2012. Entre agosto de 2019 e maio de 2020, segundo o Deter, do Inpe, o desmatamento foi de 6.504 km2, 78% a mais em comparação ao período anterior (agosto de 2018 a maio de 2019), quando foram desmatados 3.654 km2. Esse período de dez meses exclui os meses de junho e julho, quando o desmatamento é historicamente mais alto. “Os Estados com maior desmatamento acumulado entre 1 e 18 de junho (Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia) também foram aqueles nos quais o número de focos de queimadas do primeiro semestre de 2020 superou 2019”, afirma Mariana Napolitano, gerente do WWF-Brasil. Alguns fiscais do Ibama classificaram até o momento como “atabalhoada, inexperiente e mal intencionada” a atuação das Forças Armadas na operação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para conter o desmatamento e queimadas na Amazônia. A operação, iniciada em maio, vai até o final de julho. Outra preocupação é o atraso na contratação de brigadistas para apagar os incêndios. Eles têm como função prevenir as chamas com ações realizadas antes do período de seca - e para isso o Ibama costuma iniciar a contratação das equipes a partir de abril. Em 2020, no entanto, o edital de contratação das brigadas do PrevFogo, do Ibama, só saiu no dia 16 de junho e, no dia seguinte, uma nova portaria anulou o processo, invalidado por um erro. O edital que contratará 843 profissionais para as equipes do PrevFogo foi publicado apenas no dia 23 de junho. As queimadas afetam a qualidade e, em 2020 em especial, podem agravar os riscos de saúde das populações que vivem na Amazônia e que já estão sob a pandemia da COVID-19. Segundo um estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), uma das consequências é o aumento do número de crianças hospitalizadas - o número dobrou entre maio e junho de 2019, atingindo 2.500 internações a mais por mês, em 100 municípios da Amazônia Legal. O estudo aponta ainda que os poluentes podem viajar grandes distâncias e afetar cidades que estejam longe dos locais de origem do fogo. As cidades da Amazônia já enfrentaram o primeiro pico da pandemia. A região Norte tem as maiores taxas de mortalidade (48,6) e contaminação (1234,7) do novo coronavírus por 100 mil habitantes no País. O WWF-Brasil tem dado suporte aos guardiões da floresta locais, para que eles tenham condições materiais e treinamento para monitorar as principais ameaças, como desmatamento e invasões, questões que levam ao aumento das queimadas. Com o apoio, desde agosto de 2019, o WWF-Brasil vem reforçando suas ações para combater queimadas e fortalecer a vigilância territorial na Amazônia. Os projetos já atingiram 55,8 milhões de hectares ou 13,8% da Amazônia brasileira - uma área maior que a soma dos territórios da Espanha e da Suíça. Além disso, a ONG firmou parcerias com 26 organizações da sociedade civil e nove órgãos de governos, como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre e a Polícia Ambiental do Acre, para realizar esse trabalho. Os benefícios chegaram a 77 terras indígenas e unidades de conservação e a mais de 117 mil pessoas. Já foram doados 5,3 mil equipamentos e realizados 45 treinamentos, oficinas e assembleias com mais de 2,8 mil participantes. No contexto específico de COVID-19, trinta mil pessoas - indígenas e agroextrativistas da Amazônia e do Cerrado - receberam alimentos, produtos de higiene e equipamentos.

6 de julho, 2020