Brasil deixa de arrecadar R$ 12 bilhões ao ano por uso de água de rios

Sistema de cobrança por uso de recursos hídricos falha em alcançar grandes usuários, gerando prejuízos bilionários ao país
Uma crise silenciosa tem afetado a gestão hídrica no Brasil: o país perde anualmente cerca de R$ 12 bilhões ao não cobrar adequadamente pelo uso da água de rios e outros corpos d’água federais, recurso amplamente utilizado por grandes indústrias e pelo agronegócio. Mesmo com a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/1997), que visa regular o uso racional e sustentável da água, a cobrança permanece desigual e restrita a algumas bacias hidrográficas, resultando em um sistema de arrecadação subaproveitado.
Especialistas alertam que a situação tende a piorar com o avanço das mudanças climáticas, que já estão alterando os padrões de chuvas e a disponibilidade de água no país. O desmatamento e a degradação ambiental também contribuem para o esgotamento dos recursos hídricos, acirrando disputas pelo uso da água entre setores industriais e comunidades locais.
A cobrança pelo uso da água é considerada um instrumento fundamental para incentivar o uso consciente e garantir a preservação desse recurso natural essencial. Contudo, a gestão inadequada e a falta de monitoramento eficaz nas concessões de outorgas revelam a necessidade urgente de reformulação das políticas e dos critérios de cobrança. Isso inclui revisar prazos extensivos das concessões, implementar mecanismos de controle mais rígidos e assegurar que os valores cobrados reflitam o real valor econômico e ambiental da água.
"O processo de cobrança de outorga pelo uso da água não deve ser apenas financeiro, mas também voltado para a segurança hídrica", afirma Christianne Dias Ferreira, diretora-executiva da Abcon Sindicon.
A inação do governo e a resistência de grandes setores econômicos em pagar pela água comprometem não apenas a arrecadação, mas também a segurança hídrica de milhões de brasileiros, exacerbando desigualdades e ameaçando o desenvolvimento sustentável do país.








