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POLUIÇÃO MARINHA

Brasil tem 600 grandes portas para resíduos plásticos

Brasil tem 600 grandes portas para resíduos plásticos

O levantamento foi apresentado no segundo encontro do Tratado Internacional pelo Fim da Poluição por Plásticos

Segundo estudo realizado pelo Blue Keepers, iniciativa do Pacto Global da ONU no Brasil, o Brasil possui em seu litoral quase 600 grandes portas de entrada para a poluição por resíduos plásticos no oceano. O levantamento foi apresentado para representantes de países do mundo todo no segundo encontro do Tratado Internacional pelo Fim da Poluição por Plásticos, liderado pela ONU Meio Ambiente, na semana de 29 de maio a 2 de junho, em Paris.

Cerca de 2,3 milhões de toneladas do material, ou 67% de todo o plástico que pode chegar aos mares brasileiros por ano, podem vir de bacias hidrográficas de alto risco. Dessas, as mais críticas são as desembocaduras dos rios Amazonas (cerca de 160 mil tons/ano), São Francisco (230 mil tons/ano) e a Baía de Guanabara (216 mil tons/ano). A do Rio da Prata, que chega ao mar entre a Argentina e Uruguai, mas que carrega material plástico brasileiro, pode contribuir com mais de 1 milhão de toneladas por ano. “Estamos na Década do Oceano e o chamado para ações para sua proteção nunca foi tão claro e consistente”, diz Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil. “Se 80% da poluição marinha vem de fontes terrestres, é aqui que atuaremos guiando o setor empresarial para ativar soluções de prevenção, em que seus negócios e modos de operação criem impacto positivo”.

A Bkue Keppers lançou também o seu Webmapa, ferramenta on-line pública, que mapeia e mostra os pontos críticos potenciais de escape de resíduos plásticos por todo o Brasil, sua probabilidade de trânsito nas bacias hidrográficas, e o risco de chegar ao oceano. Ele estará disponível no site do Pacto Global a partir do dia 8 de junho, quando se comemora o Dia Mundial do Oceano. “Os rios desempenham um papel fundamental na contribuição e na mitigação da poluição plástica no oceano, uma vez que cruzam áreas intensamente urbanizadas e invariavelmente param no mar. E essa é uma questão que afeta também outros países, já que a bacia do Prata, que desemboca na Argentina e Uruguai, pode receber mais de 1 milhão de toneladas de plástico por ano, oriundos do Brasil, que por sua vez pode sofrer na bacia do Amazonas com a poluição gerada em outros cinco países” exemplifica Gabriela Otero, coordenadora do Blue Keepers.
Os números são apresentados durante a segunda reunião do Tratado pelo Fim da Poluição por Plástico, que tem como meta firmar um acordo internacional até 2024, que refletirá diversas alternativas para abordar o ciclo de vida completo dos plásticos, o design de produtos e materiais reutilizáveis e recicláveis e a necessidade de maior colaboração internacional para facilitar o acesso à tecnologia, capacitação e cooperação científica e técnica.´

Realizada pelo Pacto Global e Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, a pesquisa utilizou dados que percorrem toda a cadeia de interesse da prevenção à poluição: do consumo à reciclagem dos materiais, passando por categorias socioeconômicas e elementos geográficos como declividade e pluviosidade que favorecem o encaminhamento de resíduos plásticos para o oceano. O primeiro estudo feito pelo Blue Keepers, divulgado em 2022, apontou que cada brasileiro pode ser responsável por contribuir com 16kg de resíduos plásticos na poluição marinha por ano. São 3,44 milhões de toneladas de resíduos plásticos propensas ao escape para o ambiente no Brasil, ou 1/3 do plástico produzido em todo o País está sujeito a chegar ao oceano todos os anos. “O oceano é fundamental para toda a dinâmica global, da regulação do clima, passando pela segurança alimentar e pelas transações econômicas. Não à toa, sua poluição preocupa o mundo todo e assume posição de destaque em um processo dessa magnitude, de construção de um Tratado Internacional de combate à poluição por plásticos. E o webmapa do Blue Keepers busca dar acessibilidade e transparência desse tipo de dados para políticas públicas nacionais e potenciais acordos regionais para prevenção e circularidade de materiais”, finaliza Gabriela.

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