INFRAESTRUTURA

Ceará vê falta de capacidade do SIN prejudicar projetos de energia limpa

Ceará vê falta de capacidade do SIN prejudicar projetos de energia limpa

A situação já compromete a viabilidade de empreendimentos previstos para o Complexo do Pecém, que envolvem investimentos na ordem de bilhões.

O Ceará tem enfrentado o problema da falta de capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) para conectar novos projetos como o de hidrogênio verde - à rede elétrica. A situação já compromete a viabilidade de empreendimentos previstos para o Complexo do Pecém, que envolvem investimentos na ordem de bilhões. As negativas recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a pedidos de acesso de ao menos três projetos ligados ao hub de hidrogênio verde preocupam o setor quanto à expansão da geração renovável.

Empresas com atuação em obras de infraestrutura pesada e energética, como o Grupo Cordeiro, têm acompanhado com atenção o tema e defendem uma resposta mais ágil por parte do poder público e dos órgãos reguladores. “Estamos falando de um novo ciclo econômico e energético, que pode reposicionar o Brasil no cenário global. Mas sem rede para escoar essa energia, o risco é de que esses projetos fiquem apenas no papel. Precisamos pensar na infraestrutura com a mesma prioridade que damos à geração”, afirma Aldelfredo Mendes - Diretor Comercial do Grupo Cordeiro. Especialistas apontam que o gargalo está principalmente na defasagem dos sistemas de transmissão, que não acompanham o ritmo dos investimentos em novas fontes renováveis. A preocupação se acentua em estados como o Ceará, onde a vocação para energia eólica, solar e hidrogênio verde é clara, mas enfrenta barreiras técnicas e burocráticas para se conectar ao SIN.

“Temos hoje um setor que avançou de forma significativa na construção de um marco legal para o hidrogênio de baixa emissão de carbono, com previsões de incentivos importantes a partir de 2028. No entanto, esses esforços não caminham sozinhos. Precisamos garantir que a infraestrutura de transmissão acompanhe esse desenvolvimento. As negativas recentes do ONS não só comprometem a viabilidade técnica e econômica dos empreendimentos, mas também ameaçam o protagonismo do Brasil e do Ceará na transição energética global. Não podemos perder tempo, o mundo não vai esperar que resolvamos nossos entraves internos para se mover em direção à descarbonização”, afirma a CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado. O setor de infraestrutura aponta ainda a necessidade de maior previsibilidade e articulação entre os entes federais, para que obras de linhas de transmissão e subestações ocorram em sincronia com os cronogramas de geração. Segundo o Grupo Cordeiro, o problema já afeta não só o cronograma de entrega dos projetos, mas também a confiança dos investidores.

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