HIDROGÊNIO VERDE

Ceará abrigará o primeiro HUB

Ceará abrigará o primeiro HUB

O Estado quer se tornar player global na produção, armazenamento, distribuição e exportação do hidrogênio verde.

O primeiro HUB de hidrogênio verde (H2V) no Brasil será implementado no Ceará. O Estado quer se tornar player global na produção, armazenamento, distribuição e exportação do hidrogênio verde, que é considerado um elemento chave para a descarbonização do sistema energético mundial, segundo anúncio realizado durante o BW Talks HUB de Hidrogênio Verde, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), no dia 2 de junho.

Para dar sequência a essa iniciativa, já foi instituído um Comitê Gestor multidisciplinar, formado por representantes do Governo do Estado do Ceará; Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC; Universidade Federal do Ceará – UFC e Complexo Industrial e Portuário do Pecém – CIPP.

De acordo com Roseane Oliveira de Medeiros, secretária executiva da Indústria da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado do Ceará (SEDET), o estado está buscando criar políticas públicas para que os empreendedores enxerguem o Ceará como o local ideal para os investimentos nessa área, garantindo segurança jurídica. Assim, o HUB contribuirá para o desenvolvimento social, econômico, tecnológico e do meio ambiente do estado.

Um dos projetos do HUB do Hidrogênio Verde tem a meta ambiciosa de produzir 900 mil toneladas de H2V por ano, em uma área de 200 ha e com capacidade de eletrólise de 5GW, mas há espaço para vários outros projetos e para a instalação de plantas de toda a cadeia de valor do hidrogênio verde. As reuniões com empresas globais e locais já se iniciaram. O Complexo do Pecém é um ponto estratégico não apenas para exportar o H2V, mas também para produção, armazenamento e distribuição, uma vez que no local já se encontra um grande número de indústrias que podem consumir o hidrogênio verde.

Duna Gondim Uribe, diretora executiva Comercial na CIPP, explicou que o porto possui como vantagens competitivas sua infraestrutura e os benefícios fiscais (por conta da Zona de Processamento de Exportação) e vai funcionar como mobilizador de toda a cadeia de valor, recebendo, por exemplo, componentes para plantas de energia eólica offshore, além de propiciar a instalação de painéis solares, plantas de eletrólise, armazenamento de H2, planta de dessalinização e linhas de transmissão de energia, a fim de que o H2V possa ser consumido não apenas pelas indústrias, mas também usado nos diversos serviços logísticos e na mobilidade urbana.

No caso da exportação, o Porto de Roterdã tem uma participação no capital do Pecém, além de ser parceiro neste projeto. Duna afirmou que ideia é que o Porto de Pecém se torne a porta de saída para o H2V produzido no Brasil e o Porto de Roterdã seja a porta de entrada na Europa. “Teremos um corredor logístico, conectando os dois portos, e a chegada do H2V brasileiro aos países europeus”.

Na avaliação de Jurandir Picanço, consultor da FIEC e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará – CSRenováveis/CE, outro ponto fundamental para o sucesso do hidrogênio verde no Ceará é o seu potencial na área de energias renováveis. Ele lembrou que o Ceará foi o primeiro a implantar plantas eólicas e solares no país, além de ter médias melhores em relação a outros países tanto no fator de capacidade eólico como de radiação solar.

Para contribuir com a implementação do HUB, as pesquisas tecnológicas serão fundamentais, por isso, o envolvimento da UFC. Fernando Ribeiro de Melo Nunes, diretor presidente do Parque Tecnológico da UFC, comentou sobre o lançamento de um edital para a vinda de professores visitantes, que irão apoiar a montagem de um centro tecnológico de pesquisa em hidrogênio verde.

Monica Saraiva Panik, curadora do núcleo temático “Transformação Energética – Hidrogênio” da BW Expo Summit Digital e diretora de relações institucionais da Associação Brasileira do Hidrogênio, afirmou que o HUB no Ceará tem potencial de ser um dos maiores players de hidrogênio verde no mundo, competindo com outros países, que também já iniciaram a implantação de seus HUBs, como o Japão, os Estados Unidos, Portugal e Holanda.

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