ECOSSISTEMAS

Ciência estuda mangues na Amazônia

Ciência estuda mangues na Amazônia

O objetivo é preservar cerca de 8 mil km² de vegetação nativa na zona costeira do Pará, Maranhão e Amapá

Uma parceria entre Instituto Peabiru e a Associação Sarambuí, junto com o Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), com patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolveu, no Pará, o projeto Mangues da Amazônia.

O objetivo é preservar cerca de oito mil km² de vegetação nativa na zona costeira do Pará, Maranhão e Amapá, onde os manguezais da Amazônia representam a maior faixa contínua desse ecossistema em todo o mundo.

No Pará, o projeto conseguiu começar a recuperar florestas de mangue em locais já degradados, com a t da ciência, pelas ações do projeto Mangues da Amazônia. “Na Amazônia, os manguezais, berço da biodiversidade marinha e fonte de renda à pesca e extrativismo, estão em bom nível de conservação comparativamente aos do Nordeste e Sudeste”, afirma o pesquisador Marcus Fernandes, coordenador do LAMA. No entanto, há riscos como a retirada de madeira sem critérios ambientais, além da captura predatória de caranguejo e pressões do desmatamento e queimadas em terra firme do entorno.

O projeto prevê recuperação de 12 hectares de manguezais já impactados, incluindo oferta de assistência técnica e engajamento social, beneficiando diretamente em torno de 1,6 mil pessoas, entre os seis mil comunitários mobilizados em três reservas extrativistas dos municípios de Augusto Corrêa, Bragança e Tracuateua, no Pará. Em dois anos, o Mangues da Amazônia pretende plantar 60 mil mudas das três espécies de árvores de mangue dominantes na região, com construção de viveiro e monitoramento.

Paralelamente, serão desenvolvidas pesquisas científicas em diferentes campos, com destaque para os estudos destinados a preencher lacunas no conhecimento sobre o papel dos manguezais nas mudanças climáticas. “Queremos entender como o reflorestamento de áreas degradadas influencia o balanço de carbono”, revela Fernandes, ao lembrar que, em geral, os manguezais da Amazônia retêm grande quantidade de matéria orgânica no solo e biomassa das árvores, de porte bem mais alto em comparação às demais regiões do País.

Os manguezais fornecem serviços ecossistêmicos essenciais à humanidade: além da regulação climática e da diversidade biológica, são espaços de lazer e fontes de conhecimento tradicional. “Nosso objetivo foi primeiro mapear esses serviços com participação das comunidades, para depois propor estratégias de conservação baseadas no conhecimento tradicional”, disse a pesquisadora Indira Eyzaguirre, coordenadora de estudos científicos transversais aos temas apoiados pelo projeto Mangues da Amazônia. O LAMA prevê análises destinadas a propor novas regras de uso sustentável dos manguezais, tanto para o plano de manejo do mangue branco – espécie de árvore cortada para fazer currais de pesca e outros fins – como para a captura do caranguejo-uçá, explorado em níveis possivelmente acima dos limites de suporte para venda em diversas regiões do País.

Ao reunir mais de 30 pesquisadores, com a produção de teses de mestrado e doutorado, o LAMA/UFPA desenvolverá estudos de apoio do projeto Mangues da Amazônia também em temas sociais e culturais, a exemplo da transmissão dos saberes da pesca do caranguejo-uçá entre gerações nas comunidades tradicionais do Nordeste paraense. Outra pesquisa analisará os mecanismos legais para a concessão do seguro defeso a esses pescadores, além de estudos para mapeamento das expressões artístico-culturais associadas aos manguezais.

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