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CERRADO

Cerrado pode armazenar 1.200 toneladas de carbono por hectare
Segundo maior bioma da América do Sul, o Cerrado é a savana mais biodiversa do mundo e conhecido como “berço de águas” por contribuir com dois terços do abastecimento de grandes bacias hidrográficas, especialmente das regiões Sul e Sudeste do país.
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RCF conclui mais uma rodada de investimentos e garante R$ 60 milhões para o bioma
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Com início em até 80 mil hectares e potencial de expansão para 100 mil, esta é uma das maiores iniciativas do tipo no setor, que conecta sustentabilidade, ciência, inovação e parcerias estratégicas.

A área de 15 mil hectares de Cerrado em alto nível de conservação no Norte de Minas Gerais é batizada de REDD Sertão Veredas, projeto com a assessoria de carbono do Itaú Unibanco, responsável pela comercialização, e da Reservas Votorantim e EQAO.

Primeira decisão favorável em ações contra infratores ambientais do novo grupo estratégico da AGU reforça a proteção da biodiversidade e estabelece multa para descumprimento

O fundo catalítico ofereceu linhas de crédito a 122 fazendas aptas a participar do programa segundo critérios ambientais, e que se comprometeram à conservar 43.345 hectares de vegetação nativa

A iniciativa terá duração de 30 anos A Nestlé anunciou projeto de reflorestamento no Brasil com o objetivo de plantar e garantir a manutenção de seis milhões de árvores e contribuir com a restauração de quatro mil hectares em áreas de Cerrado e Mata Atlântica no estado de Minas Gerais. A iniciativa terá duração de 30 anos e integra o Programa Global de Reflorestamento da companhia, que vai plantar e cultivar 200 milhões de árvores nativas até 2030, em diversos biomas associados à produção de ingredientes que a empresa consome em todo o mundo. O programa é uma das iniciativas da companhia para contribuir com a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e se tornar Net Zero em 2050. “A urgência climática é uma realidade que nos leva a olhar todas as atividades de forma sistêmica, com a ambição não apenas de sustentar, mas de regenerar os sistemas alimentares”, afirma Barbara Sapunar, Diretora Executiva de Business Transformation na Nestlé Brasil. “Estamos expandindo as práticas de agricultura regenerativa em nossas principais cadeias produtivas para proteger e ajudar a restaurar os sistemas alimentares. A expectativa é que o cultivo de árvores em áreas onde adquirimos nossos principais ingredientes contribua com a fertilidade do solo e um ecossistema mais saudável”. A fase de plantio será realizada até 2027 com mudas de mais de 100 espécies nativas no entorno de nascentes, córregos e rios que fazem parte das bacias hidrográficas dos rios Doce e São Francisco. A área de abrangência é planejada para ir de Belo Horizonte, a Montes Claros, no norte do estado. Após o plantio, as áreas serão monitoradas até que as florestas se consolidem. “Queremos contribuir com a recuperação da biodiversidade desses territórios, e também com a qualidade de vida das pessoas, por meio da criação de oportunidades de emprego e renda”, complementa Barbara Sapunar. O projeto de reflorestamento é um dos pilares da agenda de sustentabilidade da Nestlé Brasil, que pretende também, até 2025, adquirir 30% das principais matérias-primas (leite, café e cacau) de propriedades que aplicam práticas de agricultura regenerativa, além de reduzir em 50% as emissões de CO2 na atmosfera até 2030 e se tornar uma empresa Net Zero em 2050. Em 2025, a Nestlé planeja atingir 100% de compras de cacau sustentável, por meio do Nestlé Cocoa Plan, programa de sustentabilidade que reúne mais de 6.500 produtores, enquanto na a cadeia do leite, o programa de sustentabilidade Nature por Ninho trabalha em parceria com cerca de 1.200 produtores, difundindo e monitorando práticas de cuidados com o solo, a água e o bem-estar animal. Na cadeia do café, o Cultivado com Respeito, criado há mais de 10 anos, é o maior programa de sustentabilidade da cafeicultura no mundo. São 1.500 fazendas certificadas, com 100% de rastreabilidade da matéria-prima adquirida pela Nestlé. Com financiamento integral da Nestlé, a iniciativa será gerenciada pela NatureCo, empresa australiana, líder em soluções baseadas na natureza, que trabalha em parceria com uma rede global de ONGs ambientais. Neste projeto, a parceira local é o Instituto Espinhaço, ONG ambiental, localizada em Minas Gerais, com foco em reflorestamento para recuperação de bacias hidrográficas. “A NatureCo tem orgulho de trabalhar com a Nestlé e o Instituto Espinhaço no desenvolvimento e na implementação de um projeto de reflorestamento como este, que tem a ambição de ajudar a criar um futuro mais otimista para o planeta e, consequentemente, para as pessoas”, afirma Mark Graeme, gerente geral de Operações da NatureCo.

Reserva é a primeira na nova categoria de Unidade de Conservação no Estado, tornando-se também a primeira do bioma Cerrado no Brasil

No mesmo período, a Amazônia apresentou redução de 40,5%

Um estudo de longo prazo sobre o processo acelerado de destruição do Cerrado e a falta de manejo adequado das áreas remanescentes do bioma denominado ‘Dinâmica de comunidades arbóreas no cerradão (2002-2016): um caso de mudança de bioma’ investigou as mudanças registradas ao longo de 14 anos em 256 parcelas, totalizando uma área amostral de 10,24 hectares, em um cerradão localizado no interior de uma Unidade de Conservação do Estado de São Paulo: a Estação Ecológica de Assis. Concebido e supervisionado pela professora do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas Giselda Durigan, o estudo faz parte do projeto de doutorado do primeiro autor, Francisco Ferreira de Miranda Santos. E, entre outros colaboradores, teve a participação de Ricardo Ribeiro Rodrigues, orientador de Miranda Santos. O local estudado pelo grupo está protegido do fogo há pelo menos 60 anos e não se beneficiou, portanto, da realização de queimadas regulares criteriosas (com zoneamento da área total e cronograma de queima em datas apropriadas, em sistema de rodízio), que hoje se reconhece ser uma técnica de manejo da maior importância para a preservação do Cerrado. “Estudos de dinâmica de florestas são, por natureza, demorados. As mudanças são lentas e é preciso esperar, pacientemente, que a floresta nos conte sua própria história. O desafio é compreender como os extremos de calor e frio, excesso ou falta de chuvas, vendavais, ou a simples competição entre as próprias árvores, disputando recursos como luz, água e nutrientes, vão direcionando as mudanças no tempo. Além da paciência, esses estudos exigem também disciplina e trabalho árduo para coletar dados em diferentes ocasiões. E, depois, inspiração e embasamento teórico para formular hipóteses e interpretar o que os dados mostram”, comenta Giselda. A equipe do estudo disse que o tamanho da área estudada (mais de 10 hectares) e o número de árvores identificadas e medidas (mais de 20 mil) foram um grande desafio. “A cada ocasião de medição, uma equipe de quatro pessoas trabalhavam cerca de um ano para medir novamente todas as árvores, substituir a numeração perdida, identificar e marcar novos indivíduos, encarando chuva, espinhos, carrapatos, bernes, buracos de tatus etc. Depois, fazendo disso o objeto de seu doutorado em ecologia na Unicamp, Miranda Santos passou meses na frente do computador, organizando o gigantesco banco de dados, detectando inconsistências, atualizando a nomenclatura das espécies, pareando as medições feitas em diferentes ocasiões para saber a história de cada árvore”, conta a pesquisadora. A pesquisadora e Miranda corrigiram um erro histórico na malha de coordenadas das 256 parcelas, que se arrastava desde o início e dificultava ainda mais o trabalho. “Só tinha uma solução: entrar na mata, procurar as árvores numeradas dentro de algumas parcelas, mapear sua posição real e comparar com a posição delas no mapa. Foi assim que descobrimos que o erro era muito fácil de corrigir: bastava girar a malha de coordenadas 90 graus para a esquerda e tudo voltava ao seu devido lugar”. Como resultado, os pesquisadores descobriram que, em 14 anos, mais da metade das árvores que existiam no levantamento inicial já haviam morrido. E outras 10 mil, aproximadamente, haviam nascido e crescido até atingir cinco centímetros de diâmetro. Embora 14 anos possam parecer um intervalo longo na escala da vida humana, eles constituem um intervalo muito curto para uma reconfiguração vegetal tão grande. Em outras palavras, uma vez desencadeada, a degeneração do Cerrado em cerradão, pode ser bastante rápida. Segundo Giselda, o estudo mostrou que não é só a estrutura que muda. Mas também a composição das espécies. Enquanto as espécies típicas de floresta e as chamadas generalistas, que toleram a sombra, continuam chegando e proliferando, as espécies típicas de Cerrado vão desaparecendo, torturadas pela escuridão. “As raras árvores de Cerrado que ainda estão em pé não deixam descendentes, porque não germinam ou não crescem à sombra. Lá se vão os pequizeiros, as mangabeiras, as curriolas, o barbatimão, as paineirinhas, entre muitas outras árvores icônicas”, conta. O estudo mostra que essas modificações não contribuem para a conservação do Cerrado e que o ambiente sombreado do cerradão é um ambiente hostil para espécies típicas da savana brasileira. “Ainda que a riqueza de espécies tenha aumentado em quase 10%, a perda de árvores de Cerrado é dramática e irreversível. É preocupante esse acúmulo contínuo de biomassa em uma região de solos arenosos e profundos, que não são capazes de reter a umidade”, afirma Giselda. A pesquisadora continua comentando que o cerradão é mais vulnerável ao colapso em episódios de seca prolongada do que os Cerrados abertos. “Desnecessário lembrar que estamos, cada vez mais, em um contexto de crise climática global, no qual eventos extremos tendem a ocorrer com frequência crescente. Quanto mais biomassa arbórea, maior é a interceptação da chuva pelas copas e maior é o consumo de água pelas árvores. Se entra menos água e o consumo aumenta, menor será a duração do estoque de água armazenada. Ou seja, se uma seca de cinco meses não afeta as árvores em um Cerrado aberto, a mesma seca pode ocasionar mortandade elevada no cerradão”. “Se as mudanças climáticas na região caminhassem para aumento e melhor distribuição das chuvas, essa nova floresta seria compatível com as condições ambientais locais. Porém, as alterações que já estão sendo sentidas na região trazem temperaturas nunca vistas, obrigando as árvores a consumir ainda mais água, com as chuvas escasseando, de modo que a probabilidade de colapso vai se tornando cada vez maior. Se morrem muitas árvores, o carbono que elas fixaram volta para a atmosfera. Além disso, muita madeira morta faz aumentar a probabilidade de incêndios catastróficos. Diferentemente do Cerrado típico, o cerradão não é uma vegetação adaptada ao fogo. Se queimado em condições extremas, passa a funcionar como uma floresta degradada”, pondera a pesquisadora. Para Rodrigues, o estudo apresenta a dinâmica de uma parcela permanente de mais de 10 hectares contínuos do cerradão paulista, com dados surpreendentes da velocidade, intensidade e direção das mudanças na composição de espécies arbóreas ao longo de um período temporal. “Trata-se de uma grande contribuição para sustentar boas políticas públicas de conservação e restauração da biodiversidade, em um contexto desafiador de mudança climática”. Além disso, a pesquisa consolida cientificamente uma hipótese já cogitada pelos pesquisadores, mas que ainda não havia sido totalmente testada nessa escala: que a atitude simplista de apenas proteger a biodiversidade, isolando os fragmentos naturais ou restaurados de qualquer perturbação antrópica, mas ignorando o contexto histórico e cultural de manejo sustentável de ecossistemas naturais, pode não ser a melhor solução, inclusive para a biodiversidade. O estudo recebeu apoio da FAPESP por meio do Projeto Temático “Diversidade, dinâmica e conservação de árvores em florestas do Estado de São Paulo: estudos em parcelas permanentes”, coordenado por Rodrigues. O artigo Tree community dynamics in the cerradão (2002-2016): A case of biome pode ser acessado em https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378112724000082?via%3Dihub .

Os recursos irão beneficiar cerca de duas mil famílias de comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas do bioma

Cerrado perdeu mais de quatro mil quilômetros quadrados de áreas naturais nos sete meses iniciais de 2022.

objetivo é contribuir com o desenvolvimento rural sustentável no Cerrado, e, desta forma, aumentar a eficiência do uso da terra.

A pesquisa identificou na região seis cavernas e oito cavidades superficiais chamadas de dolinas, em Niquelândia (GO).

O projeto prevê ações que podem beneficiar os mais de 47 milhões de hectares do bioma Cerrado.

Indiara coletou amostras de mais de 900 árvores, distribuídas em 154 espécies.

