Clam e empresa britânica vão investigar biodiversidade por DNA

Clam Sustentabilidade e NatureMetrics unem forças para expandir o uso de DNA ambiental no monitoramento da biodiversidade em projetos de mineração e infraestrutura.
A Clam Sustentabilidade e a britânica NatureMetrics, referência mundial em monitoramento ambiental via DNA ambiental e em soluções de inteligência da natureza, firmaram parceria para ampliar o uso do método em projetos ligados à mineração, infraestrutura, energia, cavernas, recursos hídricos e processos de licenciamento ambiental, combinando a capacidade técnica e operacional da Clam no Brasil com a experiência internacional da NatureMetrics em eDNA, análise de dados, indicadores de biodiversidade e ferramentas digitais de monitoramento ambiental.
A tecnologia já é utilizada no Brasil há alguns anos, inclusive em projetos acadêmicos, ambientais e empresariais, e sua aplicação vem crescendo de forma acelerada. O novo movimento está na ampliação de escala, na padronização das análises e na integração dos dados de biodiversidade a plataformas, indicadores e modelos capazes de apoiar decisões ambientais mais robustas. “O DNA ambiental representa uma nova lógica no monitoramento da biodiversidade. Você coleta uma pequena amostra de água, solo, ar ou sedimento e consegue identificar, por meio do material genético disperso naquele ambiente, quais espécies passaram ou vivem ali”, afirma José Cláudio Nogueira Vieira, diretor da Clam Sustentabilidade.
O material será coletado de organismos vivos que deixam continuamente vestígios genéticos no ambiente, como células, secreções, fragmentos orgânicos e outros resíduos biológicos. O que foi coletado será analisado em laboratório por meio de técnicas de sequenciamento genético, permitindo detectar espécies sem necessidade de captura, observação direta ou grandes expedições em campo. “Além de ampliar a capacidade de monitoramento ambiental, o método pode reduzir significativamente a interferência humana em ecossistemas frágeis, especialmente quando aplicado de forma complementar aos métodos tradicionais de campo”, afirma Vieira. “Hoje, para estudar determinados ambientes, você mobiliza especialistas em fauna, flora, morcegos, qualidade da água, qualidade do ar e outros componentes ambientais. Em alguns casos, o próprio estudo ambiental pode gerar interferência naquele ecossistema. O DNA ambiental reduz muito essa necessidade de intervenção e amplia a capacidade de gerar dados de forma mais rápida, padronizada e auditável”, diz.
O executivo cita como exemplo o monitoramento de cavernas, considerado um dos ambientes mais sensíveis para estudos ambientais. “Em cavernas, a entrada constante de equipes pode deteriorar o ambiente. Você pisa em organismos, interfere na biodiversidade e pode danificar estruturas muito frágeis. Com o DNA ambiental, uma coleta bem planejada pode gerar um retrato amplo daquele ecossistema, reduzindo a necessidade de grandes campanhas de campo e aumentando a segurança das equipes”, afirma. Além do avanço das agendas ESG, empresas de mineração, infraestrutura e energia tem enfrentado pressão crescente de investidores, órgãos reguladores e mercados internacionais por métricas mais precisas relacionadas à biodiversidade, aos impactos ambientais e à recuperação de ecossistemas. Desta forma, o eDNA passa a ser visto não apenas como uma técnica laboratorial, mas como uma ferramenta de inteligência ambiental capaz de apoiar diagnósticos, monitoramentos, comparações temporais e indicadores sobre a condição ecológica dos ambientes. “Se você monitora periodicamente determinado ambiente e observa aumento da diversidade, presença de espécies indicadoras ou maior equilíbrio na composição das comunidades biológicas, isso pode apontar uma tendência positiva. Se ocorre o contrário, você acende um alerta. O diferencial está em transformar dados genéticos em informação ambiental útil para a tomada de decisão”, explica Vieira.
A parceria também representa um movimento estratégico de inovação e internacionalização tecnológica. Segundo o diretor da Clam, a operação brasileira passa a funcionar como braço operacional da NatureMetrics no país, reduzindo custos locais de execução e ampliando a viabilidade da tecnologia no mercado nacional. “A mão de obra internacional e os custos de operação podem tornar alguns projetos inviáveis no Brasil. A parceria permite tropicalizar essa operação, integrar conhecimento local e ampliar o acesso a soluções avançadas de monitoramento da biodiversidade”, afirma.












