SANEAMENTO

Concessão de serviços no Pará prevê investimentos de R$ 18,8 bilhões

Concessão de serviços no Pará prevê investimentos de R$ 18,8 bilhões

O modelo de concessão prevê que deverão ser investidos cerca de R$ 18,8 bilhões para que sejam atingidas as metas de universalização dos serviços até 2039. A previsão é que o leilão seja realizado no dia 11 de abril de 2025, na B3, em São Paulo.

O governo do Pará publicou, no dia 27 de dezembro, o edital de concorrência pública internacional para a concessão dos serviços de saneamento em 126 dos 144 municípios paraenses, seguindo estrutura sugerida pelo BNDES). O modelo de concessão prevê que deverão ser investidos cerca de R$ 18,8 bilhões para que sejam atingidas as metas de universalização dos serviços até 2039.

Conforme o governo, a licitação será julgada pelo critério de maior valor de outorga fixa, a fim de que “seja selecionada a proposta mais vantajosa para a concessão dos serviços de água e esgoto e dos serviços complementares nos municípios, divididos em quatro blocos (A, B, C e D)”. Os 18 municípios paraenses que já são atendidos por concessões privadas, foram deixados de fora da concorrência. A previsão é que o leilão seja realizado no dia 11 de abril de 2025, na B3, em São Paulo.

O edital informa que os valores mínimos de outorga fixa são de aproximadamente R$ 1,042 bilhão para o bloco A, R$ 19 milhões para o bloco B, R$ 400 milhões para o C e R$ 34 milhões para o bloco D. Já os valores estimados dos contratos, referentes aos investimentos a serem executados ao longo dos 40 anos de concessão (concentrados nos primeiros 14 anos), são de cerca de R$ 6,2 bilhões, R$ 4,6 bilhões, R$ 3,6 bilhões e R$ 4,4 bilhões, respectivamente.

Também está previsto o pagamento de outorga variável no Bloco A até 2039, “cujos valores serão parcialmente utilizados para pagamento das tarifas e o custeio das ligações intradomiciliares dos usuários mais vulneráveis, cujo critério de elegibilidade será definido pelo Estado do Pará, de todos os Blocos da concessão”.

Para se permitir o acesso aos serviços pela parcela mais carente da população, o edital prevê que 30% dos usuários serão elegíveis a tarifa social, que garante um desconto de 50% na tarifa residencial para consumo de até 15 m3/mês.

Uma das premissas da modelagem, conforme o BNDES, é a universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas áreas urbanas de 126 dos 144 municípios do Pará. Atualmente, o fornecimento de água está distante da universalização e os serviços de esgoto são pratiacamente inexistentes. Em Belém, por exemplo, a cobertura da rede de coleta e tratamento de esgoto não passa de 15%.

A meta para 2033 é alcançar 99% de atendimento com abastecimento de água nos quatro blocos e 90% com esgotamento sanitário no bloco A, que inclui municípios da Região Metropolitana de Belém, como Ananindeua, Marituba e a própria capital, além de reduzir o índice de perdas de água de 51,6% para 25%. Já a universalização do esgotamento sanitário nos blocos B, C e D, com 90% de atendimento, deverá ser atingida até 2039.

“O governo Lula trabalha para enfrentar o desafio gigantesco que é universalizar o saneamento básico no País e o BNDES está presente nesse esforço. Estamos fazendo a nossa parte para entregar ao povo os serviços de fornecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto. Esses investimentos reduzem, por exemplo, os gastos com saúde”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O edital está disponível no Portal Nacional de Compras Públicas (PNCP) e no Portal Eletrônico de Compras do Governo do Estado do Pará (Compraspará)

Artigos Relacionados

Escassez hídrica exige nova governança e ação integrada, apontam especialistas
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Escassez hídrica exige nova governança e ação integrada, apontam especialistas

Debate promovido, em São Paulo, reúne especialistas do setor para discutir desafios da gestão da água, impactos das mudanças climáticas e caminhos para garantir segurança hídrica no Brasil

1 de abril, 2026
O paradoxo da água no Brasil
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
O paradoxo da água no Brasil

Falhas na infraestrutura e na gestão comprometem saúde pública, produtividade e o uso eficiente dos recursos hídricos no país

1 de abril, 2026
Governança e Saneamento no Vale do Ribeira
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Governança e Saneamento no Vale do Ribeira

A gestão dos recursos hídricos no Brasil fundamenta-se em um modelo descentralizado e participativo, tendo nos Comitês de Bacias Hidrográficas sua expressão máxima de governança. Na UGRHI 11 o CBH-RB concilia a preservação da Mata Atlântica com desenvolvimento socioeconômico.

1 de abril, 2026
O futuro do saneamento passa pela inovação e ele já está em curso
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
O futuro do saneamento passa pela inovação e ele já está em curso

Entre desafios estruturais e avanços tecnológicos, o Brasil acelera a modernização do setor com foco em eficiência, universalização e qualidade de vida.

1 de abril, 2026
Ranking do Saneamento 2026 mostra contraste entre eficiência e atraso no país
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Ranking do Saneamento 2026 mostra contraste entre eficiência e atraso no país

Estudo aponta avanços em municípios mais estruturados e reforça a urgência de ampliar investimentos para universalização até 2033

1 de abril, 2026
Risco climático no Brasil: por que desastres vão além do clima
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Risco climático no Brasil: por que desastres vão além do clima

A interação entre eventos extremos, ocupação urbana e desigualdade social amplia impactos e desafia políticas públicas

1 de abril, 2026
ESG no Saneamento: tendência ou obrigação?
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
ESG no Saneamento: tendência ou obrigação?

1 de abril, 2026
Universalização do saneamento e impactos sociais: segurança jurídica, investimento e transformação estrutural
Revista ed. 204
Ed. 204
SANEAMENTO
Universalização do saneamento e impactos sociais: segurança jurídica, investimento e transformação estrutural

1 de abril, 2026