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Consórcio Águas do Paraná vence com proposta única leilão de R$ 2 bilhões da Sanepar

Consórcio Águas do Paraná vence com proposta única leilão de R$ 2 bilhões da Sanepar
Martelo batido na B3, em São Paulo, no leilão da primeira etapa do Sainp

Grupo formado pelo fundo Blueocean, PB Construções e TGA ofereceu aluguel mensal de R$ 9,03 milhões, 3% abaixo do teto, para construir em até 30 meses o sistema que levará mais 1.200 litros de água por segundo a Apucarana, Arapongas e Rolândia.

O Consórcio Águas do Paraná venceu nesta quarta-feira (28), na B3, o leilão da primeira etapa do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (Sainp), da Sanepar. Formado pelo Blueocean Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia e pelas construtoras PB Construções e TGA Construção e Segurança Viária, o grupo foi o único a apresentar proposta. Ofereceu valor mensal de locação de R$ 9.031.100,05, deságio de 3% sobre o teto de R$ 9,31 milhões previsto no edital.

A disputa segue o modelo de locação de ativos: o consórcio faz o projeto executivo, constrói as unidades e as aluga para a Sanepar, que fica com a operação do sistema. O contrato tem duração de 20 anos e seis meses, divididos em até 30 meses de obras e 216 meses de aluguel. Com o lance vencedor, os pagamentos somam cerca de R$ 1,95 bilhão, contra R$ 2,01 bilhões estimados pela companhia, e ao fim do contrato os ativos passam para a Sanepar sem custo adicional. A Sanepar fala em investimento de até R$ 2 bilhões no projeto; o custo das obras, informado no edital como referência, é de R$ 679,2 milhões. O edital internacional foi publicado em julho.

O que será construído

A primeira etapa acrescenta 1.200 litros por segundo de água tratada ao abastecimento de Apucarana, Arapongas e Rolândia: 800 L/s virão do Rio Taquara e 400 L/s do Ribeirão Apertados. Estão previstas duas novas captações, cinco estações elevatórias, uma nova estação de tratamento no Sistema Taquara e a ampliação do reservatório Papa-Piri, em Arapongas, com mais 4 milhões de litros. Segundo a diretora de Investimentos da Sanepar, Leura Conte de Oliveira, serão 89 km de tubulações.

A integração permite que as cidades socorram umas às outras. “Quando houver escassez hídrica em um município, o outro poderá suprir”, afirmou o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley Lipski. Para ele, “o SAINP será a obra com maior volume de investimentos num único contrato na história recente da Sanepar”. Lipski lembrou que o modelo de locação já deu certo no litoral do estado, e Leura Conte de Oliveira disse que ele dará “a agilidade necessária na implantação dessas obras fundamentais”.

Numa etapa seguinte, o sistema deve incorporar Cambé e Londrina, com captação no Rio Tibagi e produção de 5,5 mil litros por segundo, para atender 1,4 milhão de consumidores.

Próximos passos

O resultado ainda não é definitivo. A Sanepar vai analisar os documentos de habilitação do consórcio, e cabe recurso. Confirmada a vitória, o grupo deve criar uma sociedade de propósito específico com sede em Londrina para assinar o contrato. A partir daí, as partes têm até 180 dias para cumprir as condições exigidas antes de o prazo das obras começar a contar.

Para participar, os interessados precisavam apresentar garantia de R$ 20,1 milhões, comprovar captação de pelo menos R$ 250 milhões em projetos de infraestrutura e ter construído estações de tratamento com capacidade a partir de 600 L/s. A proposta única repete o pouco apetite visto em leilões recentes do setor: em setembro, a concessão de 40 municípios de Rondônia não recebeu propostas, e em junho quatro dos cinco blocos de uma PPP de esgoto do Ceará ficaram sem interessados.

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