Publicidade
ARTIGO

Consumo consciente: como dar o primeiro passo?

Consumo consciente: como dar o primeiro passo?

Por Viviane Mansi * "Pense globalmente, aja localmente". O mantra da sustentabilidade, cunhado na ECO-92, nunca fez tanto sentido para mim. Quando vejo os desafios mundiais junto ao meio ambiente, reflito sobre como a minha atuação pessoal - em diversos aspectos - pode impactar positivamente. Os famosos 3Rs da sustentabilidade - reduzir, reutilizar e reciclar - nasceram, justamente, com a assinatura da Agenda 21, um documento que reuniu quase 180 países em torno da busca por soluções para os problemas socioambientais mundiais. É surpreendente pensar na atualidade desses conceitos três décadas depois, especialmente porque ainda há muito a se fazer. A primeira vez que me percebi diante dessa reflexão foi quando assumi a presidência da Fundação Toyota do Brasil. Naquele momento, fiz um balanço da "parte que me cabe deste latifúndio", como diria Chico Buarque. Será que eu estava fazendo o suficiente? A resposta é simples, apesar de toda a complexidade em que está envolvida, e deve ser parecida com a da maioria de vocês: não, eu não estava fazendo o bastante. Boas escolhas precisam ser pensadas e, normalmente, agimos no automático. O fato é que se queremos mudar o mundo, precisamos rever nossos valores pessoais e sair do modo "mais fácil" para o modelo "mais consciente". Isso toma tempo e esforço, principalmente para se munir de conhecimento. Por isso, resolvi começar com pequenas ações, que vão desde reduzir o consumo desnecessário de itens até adotar o uso de uma composteira. Não importa, na verdade, como você decidiu - ou decidirá - começar sua trajetória nesse universo e o caminho que seguirá. A questão é que todos nós precisamos repensar nossos hábitos e mudar nosso jeito de consumir. O mercado tem ajudado oferecendo bons exemplos, produtos mais "verdes" e muita informação. Olhando para dentro de casa, na Toyota do Brasil, temos uma boa experiência na produção do Corolla. O projeto Formtap, que tem base na economia circular, reutiliza equipamentos individuais de proteção e uniformes dos colaboradores para a confecção do isolamento acústico dos veículos. São reaproveitados mais de 850 kg de materiais que seriam descartados todos os meses. Esse volume é capaz de abastecer cerca de 7 mil veículos Já dentro da Fundação Toyota do Brasil, temos o ReTornar como um ótimo exemplo de upcycling . Este conceito, que também nasceu nos anos 1990 com o ambientalista alemão Reine Pilz, propõe a transformação de materiais que seriam descartados em novos produtos, evitando o desperdício e dando um novo ciclo de vida para as matérias-primas. E apesar de termos reaproveitado mais de 6,5 toneladas de resíduos da indústria automobilística, economizando 100 milhões de litros de água - o que equivale a 40 piscinas olímpicas -, para mim, um dos pontos fortes do projeto é o aspecto humano. Mais de 1.300 pessoas foram impactadas direta ou indiretamente. Foram produzidos mais de 77 mil brindes, de mochilas a estojos, por mais de 70 costureiras de duas diferentes cooperativas no interior de São Paulo, que passaram por curso de formação e agora possuem renda proveniente desta atividade. Esta iniciativa mostra a importância de conectar de maneira efetiva e eficiente o social com o ambiental. Mas o sucesso do ReTornar não seria possível se empresas e pessoas não tivessem optado por comprar seus produtos, se não tivessem entendido o valor que reside no projeto e a amplitude de escolher por uma mochila que significa mais do que um utensílio. Por isso, reforço: as escolhas individuais têm o poder de grandes transformações. Apesar de ter me tornado mais consciente e, individualmente, estar contribuindo como eu posso com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 (Consumo e Produção Responsáveis), estabelecido pela ONU, sei que sempre há como melhorar. Mas se você não pode começar com grandes ações, aposte em pequenas mudanças. Os ambientalistas já adicionaram mais dois Rs naquela equação: repensar e recusar. Ou seja, vamos olhar para o ato de consumir com mais profundidade para fazermos escolhas mais certeiras, de maior impacto social e menor impacto ambiental. E, muitas vezes, isso quer dizer escolher bem um produto, de mais qualidade, para não precisar comprar substitutos, por exemplo. Esta é, definitivamente, a energia da renovação passando pelas nossas mãos. É o nosso compromisso com a ação dentro dos nossos pequenos e grandes universos. * Viviane Mansi é Presidente da Fundação Toyota do Brasil

Por Viviane Mansi *

"Pense globalmente, aja localmente". O mantra da sustentabilidade, cunhado na ECO-92, nunca fez tanto sentido para mim. Quando vejo os desafios mundiais junto ao meio ambiente, reflito sobre como a minha atuação pessoal - em diversos aspectos - pode impactar positivamente.

Os famosos 3Rs da sustentabilidade - reduzir, reutilizar e reciclar - nasceram, justamente, com a assinatura da Agenda 21, um documento que reuniu quase 180 países em torno da busca por soluções para os problemas socioambientais mundiais. É surpreendente pensar na atualidade desses conceitos três décadas depois, especialmente porque ainda há muito a se fazer.

A primeira vez que me percebi diante dessa reflexão foi quando assumi a presidência da Fundação Toyota do Brasil. Naquele momento, fiz um balanço da "parte que me cabe deste latifúndio", como diria Chico Buarque. Será que eu estava fazendo o suficiente? A resposta é simples, apesar de toda a complexidade em que está envolvida, e deve ser parecida com a da maioria de vocês: não, eu não estava fazendo o bastante.

Boas escolhas precisam ser pensadas e, normalmente, agimos no automático. O fato é que se queremos mudar o mundo, precisamos rever nossos valores pessoais e sair do modo "mais fácil" para o modelo "mais consciente". Isso toma tempo e esforço, principalmente para se munir de conhecimento. Por isso, resolvi começar com pequenas ações, que vão desde reduzir o consumo desnecessário de itens até adotar o uso de uma composteira.

Não importa, na verdade, como você decidiu - ou decidirá - começar sua trajetória nesse universo e o caminho que seguirá. A questão é que todos nós precisamos repensar nossos hábitos e mudar nosso jeito de consumir.

O mercado tem ajudado oferecendo bons exemplos, produtos mais "verdes" e muita informação. Olhando para dentro de casa, na Toyota do Brasil, temos uma boa experiência na produção do Corolla. O projeto Formtap, que tem base na economia circular, reutiliza equipamentos individuais de proteção e uniformes dos colaboradores para a confecção do isolamento acústico dos veículos. São reaproveitados mais de 850 kg de materiais que seriam descartados todos os meses. Esse volume é capaz de abastecer cerca de 7 mil veículos

Já dentro da Fundação Toyota do Brasil, temos o ReTornar como um ótimo exemplo de upcycling. Este conceito, que também nasceu nos anos 1990 com o ambientalista alemão Reine Pilz, propõe a transformação de materiais que seriam descartados em novos produtos, evitando o desperdício e dando um novo ciclo de vida para as matérias-primas.

E apesar de termos reaproveitado mais de 6,5 toneladas de resíduos da indústria automobilística, economizando 100 milhões de litros de água - o que equivale a 40 piscinas olímpicas -, para mim, um dos pontos fortes do projeto é o aspecto humano. Mais de 1.300 pessoas foram impactadas direta ou indiretamente. Foram produzidos mais de 77 mil brindes, de mochilas a estojos, por mais de 70 costureiras de duas diferentes cooperativas no interior de São Paulo, que passaram por curso de formação e agora possuem renda proveniente desta atividade. Esta iniciativa mostra a importância de conectar de maneira efetiva e eficiente o social com o ambiental.

Mas o sucesso do ReTornar não seria possível se empresas e pessoas não tivessem optado por comprar seus produtos, se não tivessem entendido o valor que reside no projeto e a amplitude de escolher por uma mochila que significa mais do que um utensílio. Por isso, reforço: as escolhas individuais têm o poder de grandes transformações.

Apesar de ter me tornado mais consciente e, individualmente, estar contribuindo como eu posso com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 (Consumo e Produção Responsáveis), estabelecido pela ONU, sei que sempre há como melhorar. Mas se você não pode começar com grandes ações, aposte em pequenas mudanças. Os ambientalistas já adicionaram mais dois Rs naquela equação: repensar e recusar. Ou seja, vamos olhar para o ato de consumir com mais profundidade para fazermos escolhas mais certeiras, de maior impacto social e menor impacto ambiental. E, muitas vezes, isso quer dizer escolher bem um produto, de mais qualidade, para não precisar comprar substitutos, por exemplo. Esta é, definitivamente, a energia da renovação passando pelas nossas mãos. É o nosso compromisso com a ação dentro dos nossos pequenos e grandes universos.


* Viviane Mansi é Presidente da Fundação Toyota do Brasil

Artigos Relacionados

Modelos eficazes para a gestão de resíduos sólidos
ARTIGO
Modelos eficazes para a gestão de resíduos sólidos

Por Urias Rodrigues (*) A humanidade produz anualmente mais de dois bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, dos quais 45% são mal administrados, agravando a emissão de gases de efeito estufa e os riscos relativos ao aquecimento global, bem como afetando a qualidade do ar e a saúde pública. Sem uma ação eficaz e urgente para equacionar o problema, o número crescerá para quase quatro bilhões de toneladas até 2050. Os resíduos advêm de várias fontes e se apresentam em formas, tamanhos e estruturas físico-químicas distintas. São plásticos, detritos da mineração, da indústria e da construção civil, eletrônicos, alimentos, produtos de consumo e suas embalagens e da área da saúde. Nem sempre sua gestão é adequada, havendo um desequilíbrio dentro dos próprios países e entre as nações, conforme seu grau de desenvolvimento, prejudicando as mais pobres. É preocupante constatar que o problema da má administração afeta cerca de quatro bilhões de pessoas, metade dos habitantes da Terra, devido à ausência ou precariedade dos serviços de coleta, tratamento e destinação final. Todos esses dados sobre o tema, divulgados pela Organização das Nações Unidas, na primeira celebração, ocorrida este ano, do Dia Internacional do Resíduo Zero, 30 de março, demonstram a premência das soluções. Nesse sentido, uma das frentes é a conscientização da sociedade sobre o consumo responsável, propósito principal da nova data oficial da ONU. Porém, mesmo que haja sucesso, em médio prazo, na mudança de hábitos de grande parte da população mundial, há um limite para que esse desejável avanço da responsabilidade ambiental dos cidadãos produza resultados. Afinal, todo mundo precisará continuar comendo, se vestindo, comprando produtos eletrônicos e de higiene e vários outros bens de consumo. Desde a Pré-História, não há vida sem a geração de resíduos sólidos. Assim, embora seja de extrema importância a redução dos volumes gerados pela civilização global, são essenciais modelos eficazes para sua gestão, de modo a mitigar seus impactos e retornar o máximo possível para a cadeia produtiva. É o que se verifica, por exemplo, na capital paulista, umas das maiores metrópoles do mundo, com mais de 12 milhões de habitantes, onde a coleta, tratamento e destinação dos resíduos sólidos e de saúde não apenas obedecem às leis como recebem investimentos para atender aos preceitos ecológicos. Somente a Loga (Logística Ambiental de São Paulo), concessionária responsável por esses serviços na Região Noroeste da cidade, recolhe 6 mil toneladas por dia, ou quase 2 milhões de toneladas por ano. Há, ainda, a coleta de 40 mil toneladas anuais de recicláveis, estimulando a economia circular e contribuindo para a renda de cooperativas de caráter social. Esses volumes são provenientes de 1,6 milhão de domicílios, hospitais e clínicas, abrangendo o descarte feito por sete milhões de pessoas. Todo material que ainda não é recuperado vai para aterros sanitários, estruturas de engenharia planejadas, operadas e monitoradas de acordo com normas e regulamentações ambientais rigorosas, que protegem o ar, evitam odores e a contaminação do solo e da água subterrânea. Equipamentos de drenagem do chorume captam e tratam o líquido resultante da decomposição. Há, ainda, sistemas de coleta de gases, como o metano, um subproduto da decomposição anaeróbica dos materiais orgânicos, que é utilizado como fonte de energia, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Se a humanidade precisa gerar resíduos para viver, também necessita reduzir sua produção e equacionar a sua gestão, como têm feito os paulistanos, para que a vida seja viável em longo prazo. São prementes soluções para tal paradoxo, questão crítica de um planeta com mais de oito bilhões de habitantes. Para isso, há modelos e sistemas eficazes. Trata-se de algo crucial para o meio ambiente urbano, a saúde pública, o cumprimento do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura da Terra em 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial, e a viabilização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). (*) Coordenador de destinação final da Central Mecanizada de Triagem da Loga (Logística Ambiental de São Paulo).

5 de agosto, 2023
Alerta para a conservação dos rios e proteção dos recursos hídricos
DIA MUNDIAL DA ÁGUA
Alerta para a conservação dos rios e proteção dos recursos hídricos

Artigo por Renata Ross Por Renata Ross * Dia 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água. Essa data foi estabelecida em 1993 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para selar um acordo com os países e chamar a atenção de governos, empresas, organizações não governamentais e todos os setores da sociedade, a fim de promover a conscientização pública sobre a importância da preservação e do desenvolvimento dos recursos hídricos e da implementação das recomendações propostas pela Agenda 21. Segundo dados da ONU, o Brasil é o país detentor da maior disponibilidade hídrica do planeta, com cerca de 12% do deflúvio médio mundial. Além disso, recentemente foi registrado um aumento de 109% no volume de água que pode ser convertida em energia nos reservatórios das hidrelétricas de todo o país, como revela os dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), divulgados no início do ano. Portanto, apesar das chuvas terem melhorado o nível dos reservatórios e dado um alento aos sistemas hídricos, a quantidade de lixo encontrada nos rios é grande e tem preocupado especialistas ambientais por colocar em risco a biodiversidade marinha. De acordo com o programa do Governo Federal chamado Rios + Limpos, em setembro do ano passado foi realizada uma ação, com 130 voluntários, onde foram retiradas toneladas de lixo ao longo da bacia do Pantanal. Além da poluição da água doce, a correnteza acaba levando o lixo diretamente para o mar, afetando também a vida marinha. Pesquisa realizada pela World Wide Fund for Nature ou Fundo Mundial para a Natureza (WWF), destacada pelo Atlas do Plástico, revela que o Brasil é responsável por despejar de 70 a 190 mil toneladas de resíduos plásticos nos oceanos todos os anos e, apesar de ter instituído a Política Nacional de Resíduos Sólidos em 2010, quase nenhum dos objetivos de reciclagem foi atingido dentro das metas estipuladas. Os dados apontam que nunca foi tão urgente a necessidade de repensarmos a ideia do lixo e diminuir a pegada ambiental que deixamos no meio ambiente. É mais do que necessário que a humanidade repense os padrões de consumo praticados atualmente, dando preferência a produtos e serviços de empresas que já tenham incorporado uma agenda sustentável em seu modelo de negócios, seja reduzindo o uso de recursos naturais, eliminando componentes tóxicos em sua produção, criando linhas de produtos recicláveis e reciclados ou mesmo trabalhando com embalagens retornáveis. Ninguém é tão pequeno que não possa fazer a diferença. É importante focar nas ações diárias, e muitas delas são simples, mas que no final do dia geram grande impacto. Problemáticas muito grandiosas costumam nos paralisar. Por outro lado, quando medidas que estão ao nosso alcance são apresentadas, as chances de adesão por grande parte da população são maiores e isso faz com que os efeitos em larga escala se tornem grandiosos. * Renata Ross é gestora de Marketing e Relacionamento na TerraCycle

22 de março, 2022
COP26 e a necessidade do consumo circular
ARTIGO
COP26 e a necessidade do consumo circular

Artigo por Juliana Schunck Por Juliana Schunck * A 26.ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU – COP26, que aconteceu em Glasgow, na Escócia, chegou em boa hora. Com o objetivo de não produzir nenhum novo acordo, esperamos que os resultados alcançados pelos cerca de 200 países signatários do Acordo de Paris sejam úteis para as novas metas de emissões, visto que estamos vivenciando um cenário radicalmente alterado por conta da pandemia de COVID-19. Importante dizer que os países, de maneira geral, buscam resultados econômicos em um mundo cada vez mais competitivo, mas só um acordo mundial, puxado pelos países do velho mundo será capaz de frear e reverter essa roda do consumo inconsciente. Diante de um desmatamento incontrolável e da falta de uma política séria e transparente, o Brasil vê despencar sua liderança como articulador em negociações climáticas e como um dos principais players nesse cenário, onde, inclusive, deveria dar as cartas e assumir a posição protagonista nessa linha de frente a favor da sustentabilidade. Para falar de sustentabilidade é necessário falar na redução de emissão de CO². Durante a ECO 92, mais de 150 países se comprometeram a retornar o nível de emissão global durante um período de 10 anos, de 1990 a 2000. No entanto, essa meta nunca foi alcançada e o mundo observa tacitamente os números crescerem em avanço vertiginoso. Mas não podemos nos esquecer e sim, dizer sem errar, que o comportamento humano é o grande responsável pelas mudanças climáticas. Se entendermos que desde a revolução industrial o mundo segue na direção desenfreada de produção e consumo, esse é o momento de repensarmos esse consumo exacerbado e linear e passarmos agir no sentido do consumo circular. Vejamos a reciclagem do vidro. Esse processo é um dos mais eficientes na indústria atual em se tratando de reaproveitamento de embalagens: com um quilo de vidro é possível produzir outro quilo de vidro reduzindo as emissões de CO² para a atmosfera, o que só reitera a importância de incentivar e reciclar esse material tão único. Se descartado em aterros sanitários, o vidro pode levar vários anos para se decompor na natureza e apenas com a maneira correta de descarte e destino é um dos principais aliados que o meio ambiente pode ter. Importantíssimo ressaltar, que a utilização do caco de vidro substituindo outros minerais virgens no processo de fabricação de um vidro novo, exige menor consumo energético para fusão das matérias primas e como consequência essa reação gera menor emissão de CO². Diferente de outros materiais, não apresenta perdas em seu processo de reciclagem. Como não destacarmos alguns problemas relacionados à gestão e descarte inadequado desse tipo de resíduo?. Há um significativo comprometimento de corpos d´água e mananciais resultando na degradação do solo; esgotamento de espaços adequados, como os aterros sanitários, e falta de espaço para dispor os resíduos adequadamente. Por tudo isso, é premente que cada um de nós repense nossas atitudes em relação ao meio ambiente como, por exemplo, o consumo de produtos de marcas que possuem um propósito genuíno em favor da sustentabilidade. No Brasil e no mundo, cada vez mais empresas atuam de maneira consciente, com preocupação socioambiental e procuram reduzir e equilibrar o impacto negativo na sociedade onde estão inseridas. * Juliana Schunck é Diretora da Massfix, empresa de reciclagem de vidros

16 de novembro, 2021
A Economia Circular em nosso cotidiano e sua importância no futuro
ARTIGO
A Economia Circular em nosso cotidiano e sua importância no futuro

Artigo por Sergio de Carvalho Mauricio Por Sergio de Carvalho Mauricio * As transformações do ser humano acontecem em níveis sociais, econômicos e culturais e elas chegam em momentos decisivos para que o homem alcance um novo patamar de sua história. Atualmente, os grandes debates e rodas de negócios, sejam nacionais ou internacionais, estão pautados sobre a sustentabilidade e as mudanças climáticas. Economia Circular é o nome do conceito que nós, especialistas, entusiastas e ativistas, trabalhamos para que as ações em sustentabilidade, conscientização e preservação ambiental entrem em equilíbrio com as questões econômicas e ganhem atenção especial no mundo corporativo. O conceito tem evoluído ao longo dos anos e o avanço da tecnologia tem contribuído para que soluções inovadoras sejam incorporadas à rotina dos cidadãos e das empresas. Hoje encontramos empresas, associações e profissionais capacitados oferecendo produtos e serviços em todos os elos da cadeia da Economia Circular. Os famosos 3R’s (Reduzir o consumo, Reutilizar e Reciclar) são fundamentais, mas não são suficientes. É preciso reinserir os materiais reciclados na cadeia produtiva, permitindo a redução do consumo de recursos naturais. Aí começa a prática da Economia Circular. Otimização de processos, novas tecnologias e principalmente a crescente conscientização do consumidor serão vitais para que o conceito saia do papel e contribua para o desenvolvimento de uma sociedade melhor. Um estudo da agência de pesquisa Union + Webster, divulgado em 2019 pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) aponta que 87% dos brasileiros compram os produtos e serviços de empresas que tenham como legado ser sustentável e que 70% dos entrevistados ainda falaram que “pagar um pouco mais por isso” não há problema nenhum. Portanto, o ambiente está propicio para as transformações. Antes a Economia Circular só era discutida como mais um conceito a ser introduzido no mundo. Hoje, quem não correr atrás de organizar ações, atender metas e comunicar seus resultados, pode perder espaço mercadológico e financeiro. A Economia Circular envolve várias ações, sendo a logística reversa uma das fundamentais nessa cadeia. Há algum tempo temos trabalhado para intensificar a logística reversa de equipamentos eletroeletrônicos e eletrodomésticos em fase final de vida útil, desenvolvendo a rede de recebimento desses produtos e levando conscientização aos cidadãos. Fazer a gestão, criar ações, produzir conteúdo de educação ambiental, fazer parcerias e ampliar redes de pontos de recebimento não é fácil, mas estamos conseguindo um passo de cada vez. Toda a cadeia tem trabalhado para fazer a sua parte, além também de incentivar o consumidor a realizar a sua contribuição, que é tão importante, levando o produto até o ponto de recebimento mais próximo. Há muitas formas de estimular o descarte de produtos em final de vida útil. Cito o exemplo de uma parceira que traz em seu modelo de negócio uma gamificação simples para reforçar a importância do consumidor levar o produto até o ponto de coleta cadastrado. A pessoa junta produtos pós-consumo, faz um cadastro no aplicativo da marca, leva até a estação de reciclagem da empresa e ganha pontos pelo tipo de produto entregue. Depois ela pode trocar por benefícios, produtos ou descontos. Isso gera curiosidade, interatividade e diversão. Assim começa a logística reversa e o meio ambiente agradece! Estamos sempre acompanhando os dados mercadológicos para reafirmar o nosso compromisso com o setor e com o meio ambiente. A própria CNI – Confederação Nacional da Indústria – relatou em sua pesquisa de 2019 que 76,5% das indústrias possuem alguma ação sobre economia circular, como práticas de otimização de processo (56,5%), uso de insumos circulares (37,1%) e recuperação de recursos (24,1%). O empresariado busca a eficiência para que haja ganho em escala e para que todo mundo ganhe. Uma outra pesquisa, também da CNI, mostra que o brasileiro separa produtos para reciclagem, e que cresceu de 47% em 2013 para 55% em 2019. Trabalhar com sustentabilidade também gera oportunidades de negócios, renda, novos postos de trabalho e mão de obra qualificada. O Brasil precisa disso. O país deu um passo importante, com a aprovação, em fevereiro de 2020, do Decreto Federal 10.240, que oficializa a política de Logística Reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos e define metas para os próximos cinco anos. A implantação desse processo está em ritmo acelerado e estamos convictos da contribuição para a sustentabilidade do país. O momento é de manter o foco e promover a consciência coletiva. Todos nós podemos e devemos colaborar, deixando um legado para as futuras gerações! * Sergio de Carvalho Mauricio é Presidente da ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodoméstico.

20 de setembro, 2021
ESG e as mudanças nas formas de consumo
ARTIGO
ESG e as mudanças nas formas de consumo

Artigo por Luiz Fernando Gerber Por Luiz Fernando Gerber * Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou em português, Meio Ambiente, Social e Governança). Na prática, o conceito de ESG visa pautar as ações de uma empresa considerando seus impactos em sustentabilidade. A questão ambiental envolve as boas práticas que a empresa adota para neutralizar emissões de CO2, preservar os recursos naturais envolvidos na cadeia produtiva, bem como a gestão de resíduos e efluentes. O social avalia as relações da organização com funcionários, comunidade e fornecedores. Por fim, a governança foca em ações de combate à corrupção e compliance. Estudos apontam que a sociedade também tem repensado suas atitudes em prol de um futuro sustentável. Uma pesquisa do IBM (Institute for Business Value) realizada com quase 15 mil pessoas em oito países, além do Brasil, aponta que os critérios ESG são uma forma de atrair candidatos para as empresas: 71% dos trabalhadores e pessoas buscando novas oportunidades afirmam que empresas ambientalmente sustentáveis são mais atraentes para se trabalhar. O estudo do IBM indica que 66% dos brasileiros estão dispostos a mudar seus hábitos de consumo para reduzir problemas ambientais. A agência de pesquisa norte-americana Union + Webster também sugere mudanças de comportamento. Para 87% dos consumidores brasileiros, é preferível comprar de empresas sustentáveis. Os dados mostram também que 24% da população brasileira é da geração Z (pessoas nascidas entre 1999 e 2019), representando o segundo maior mercado consumidor do Brasil, seguido dos millenials (nascidos entre 1981 e 1998). Essa transformação no comportamento de consumo acende um sinal amarelo para que as empresas adotem práticas sustentáveis se quiserem continuar atraentes para esse público. Impulsionada por essa geração mais engajada, a economia circular tem ganhado força. A OLX aponta que, entre os 39% dos brasileiros que já compraram produtos usados, 45% deles tiveram esse primeiro contato na pandemia. Em tempo de recessão, é preciso repensar os hábitos e apertar o cinto. O estudo ainda projeta que o mercado de “segunda mão” deva atingir US$ 64 bilhões nos próximos anos, ultrapassando o segmento de vendas tradicionais até 2024. A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais poluentes do planeta, conforme aponta a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela é responsável por algo entre 8% e 10% das emissões de gás carbônico, e é a segunda que mais consome água, gerando cerca de 20% de todo o esgoto e água despejados no ambiente. Com todos esses dados, fica evidente o importante movimento que está transformando as relações de consumo. Vale observar também que e-commerce, que já estava em alta, ganhou ainda mais força com o crescimento da migração para as compras via smartphones – uma pesquisa realizada pela Shopping Apps Report estima que 75% das vendas neste ano serão feitas nesta modalidade. Neste cenário, ganham força aplicativos que conectam pessoas que querem vender, comprar ou trocar produtos seminovos, além de colocar em contato prestadores de serviços que oferecem seus trabalhos em troca de produtos ou outros serviços. Cada vez mais as pessoas estão reconhecendo que seus hábitos de consumo têm grande impacto no meio ambiente, e que para alcançar um futuro sustentável, é fundamental consumir de forma consciente. * Luiz Fernando Gerber é CEO do Finpli, aplicativo que facilita a troca de produtos entre pessoas pela sua proximidade, usando um sistema de geolocalização.

2 de setembro, 2021
Conscientização é chave para sustentabilidade
CONDOMÍNIOS
Conscientização é chave para sustentabilidade

Por José Roberto Graiche Júnior * Incentivar a sustentabilidade em espaços de convivência como condomínios residenciais requer um trabalho de conscientização, além de um debate maduro e informativo. Por ser um assunto que levanta muitas objeções e também múltiplas sugestões, é necessário ter em mente que iniciativas nessa direção exigem esforços para mudar hábitos quando as novas medidas forem colocadas em prática, sendo fundamental articular propostas individuais e coletivas para alcançar soluções que de fato façam a diferença. Um condomínio sustentável está baseado em três frentes que estão diretamente ligadas ao funcionamento e à rotina dos condôminos: uso da água, energia elétrica e coleta seletiva. Gerir os impactos destes três pilares possibilita reduzir gastos, valorizar o empreendimento e melhorar a vida dos moradores, e conta principalmente com ações básicas e efetivas tanto por parte do síndico ou responsável pelo empreendimento, quanto da colaboração dos moradores. Discutir e estabelecer o uso consciente da água, além de ser uma das medidas mais importantes em termos de custos, impacta diretamente na sustentabilidade de um recurso tão essencial. Em relatório divulgado em 2019, a ONU projetou que três bilhões de pessoas sofrerão com escassez hídrica em 2025. Devemos lembrar que fenômenos naturais como estiagem e crises hídricas são adversidades enfrentadas na nossa realidade. Diante disso, uma das primeiras soluções pensadas para os condomínios é a reutilização de águas das chuvas. Os prédios mais novos já possuem sistemas para captação e reuso. Para os edifícios mais antigos, a adaptação dessas ferramentas é viável, com instalações de sistemas de reserva e purificação. Fazer essa adaptação gera um gasto inicial, mas a utilização da água para limpeza, rega de plantas e enchimento de piscinas certamente trarão economias futuras. Inclusive, a evaporação pode ser evitada em piscinas com o de uso de mantas térmicas modernas. Outra medida importante no condomínio é a leitura e monitoramento diário do relógio d’água. Se houver aumento além dos padrões ou um vazamento, poderá ser rapidamente identificado e resolvido, evitando o desperdício. Os condomínios também podem substituir as descargas das áreas comuns pelas novas válvulas que limitam o fluxo hídrico entre três e seis litros. Os moradores também podem adotar medidas responsáveis, como não tomar banhos mais longos do que o necessário, fechar a torneira ao escovar os dentes, se barbear ou na hora de lavar a louça, assim como ficar atentos a possíveis vazamentos. Propostas que sejam comuns a todos podem ser feitas ao síndico, em assembleia geral ou comunicado oficial. Ao lado do uso da água, uma ação sustentável que merece destaque é a redução de consumo da energia elétrica. Soluções sofisticadas como painéis solares e fotovoltaicos têm surgido como oferta para condomínios para a geração de energia e fornecimento de aquecimento para as unidades. O aquecimento a gás, por exemplo, tem muito mais impacto negativo para o meio ambiental. Entretanto, apesar de os painéis estarem mais viáveis economicamente, ainda são caros para alguns condomínios. Nesse caso, focar na iluminação é uma medida acessível e redutora de custos de energia elétrica. Campanhas internas e de manutenção preventiva são simples e têm retornos positivos e num curto prazo para moradores e condomínio. Também é recomendável que toda área comum tenha sensor de presença, para evitar desperdício. A troca das lâmpadas por opções de LED é viável e econômica, além da durabilidade e melhor iluminação. O terceiro pilar, mas não menos importante, é o descarte correto do lixo e a coleta seletiva. Para condomínios preocupados com o funcionamento da reciclagem, deve-se ficar atento aos locais de coleta seletiva ou entrar em contato com as prefeituras que dispõem desse serviço. Internamente, os síndicos podem instalar pontos de coleta de lixos eletrônicos e encaminhar às empresas que descartam corretamente, assim como medicamentos, capsulas de café e tampinhas plásticas, que são recolhidos e descartados por diferentes empresas. Incentivar iniciativas sustentáveis nos condomínios e entre os moradores, mesmo com pequenas premiações como uma cesta de café da manhã, mobilizam adultos e crianças e ajudam a trazer ideias diferentes para a administração do empreendimento, além de ser uma estratégia agradável. Neste período mais recente em que vivemos o isolamento social e um maior tempo de convivência entre as pessoas, certamente trouxe mais reflexão sobre o bem-estar e a saúde. Na vida em condomínio, é possível transformar pensamento em prática, levando em consideração ao mesmo tempo o meio ambiente e a melhor gestão de recursos. * José Roberto Graiche Júnior é Presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC)

13 de julho, 2021
Saneamento Ambiental Logo
PRÊMIO
Fundação Toyota ganha REI 2016

Braço social da Toyota, a Fundação Toyota do Brasil conquistou o prêmio REI 2016 – Reconhecimento à Excelência e Inovação – na categoria Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental pelo projeto Ambientação. O anúncio foi feito no dia 15 de junho pela revista Automotive Business, após avaliação de 22 profissionais, que julgaram a ação como a mais importante na área de responsabilidade socioambiental entre os projetos inscritos. Desenvolvido desde 2008 em Indaiatuba (SP), o projeto Ambientação foi implantado recentemente em Sorocaba (SP) e Guaíba (RS). Ele desenvolve estudantes e comunidades usando ferramentas de solução de problemas socioambientais, com base em práticas industriais, o Toyota Business Practices . A metodologia pode ser aplicada em qualquer área. Entre os benefícios estão menor custo e economia de recursos naturais (energia elétrica e água) nas cidades onde a montadora atua. A ação já envolveu mais de 415 mil pessoas entre alunos, professores e servidores públicos. No último ano, as 46 escolas municipais de Indaiatuba reduziram em 25% o consumo de água. Já em Sorocaba (SP), servidores da prefeitura da cidade economizaram mais de três milhões de litros de água, registrando uma redução de R$ 722 mil para os cofres públicos da cidade. O zoológico da cidade, Quinzinho de Barros, diminuiu seus gastos pela metade, aplicando a metodologia no viveiro de mudas. Em Guaíba (RS), 18 escolas participantes registraram uma economia de 15% na energia e 34% em água, além de implantar 100% do gerenciamento de resíduos em todas as unidades. Desde 2011 a Toyota já contratou sete jovens participantes do projeto Ambientação para o programa Menor Aprendiz. “Antes mesmo desse período de estiagem, a Fundação Toyota vem colaborando com ações efetivas focadas na preservação dos recursos naturais, que estão escassos, por meio da educação de crianças e jovens, que se tornam agentes multiplicadores de práticas sustentáveis entre suas famílias e comunidades, ampliando a consciência ambiental de cada um”, explica Ricardo Bastos, Presidente da Fundação Toyota do Brasil. No fim de 2015, a Fundação Toyota do Brasil pela segunda vez consecutiva conquistou o Prêmio Top Car TV, premiação da televisão nacional voltada ao setor automotivo, na categoria “Melhor Ação de Responsabilidade Social”. Dessa vez por meio dos resultados positivos do projeto Ambientação.

30 de junho, 2016
Saneamento Ambiental Logo
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Programa Água Brasil lança vídeo de consumo responsável

O Programa Água Brasil acaba de lançar animação que explica como podemos fazer escolhas mais corretas que gerem menos impactos ao meio ambiente. Atualmente, a população mundial é de mais de 7 bilhões de pessoas e cada decisão individual pode impactar diretamente o meio ambiente, desde o ato de usar a água de casa, o meio de transporte escolhido no dia a dia, a compra de um produto ou serviço. “Muitas vezes, não sabemos o impacto que nossas escolhas causam nos recursos naturais do planeta. Por isso, queremos que esse vídeo ajude na conscientização da sociedade para que, juntos, possamos repensar nossos hábitos, reduzir a nossa pegada ecológica e garantir então uma maior harmonia entre o ser humano e a natureza” explica Cristiano Cegana, coordenador do Programa Água Brasil pelo WWF-Brasil. Hoje em dia, para manter o estilo de vida dos brasileiros, precisamos de 1,5 planeta, ou seja, estamos consumindo mais de 50% do que a Terra é capaz de produzir. E isso é nada mais do que o reflexo da forma que vivemos e consumimos, que causa das transformações e impactos ambientais graves no meio ambiente. “Para nos tornarmos uma sociedade mais sustentável, é imprescindível incentivar a sociedade para o consumo responsável, e as instituições financeiras podem ter uma importante participação nessa mudança comportamental, viabilizando uma melhor qualidade de vida e conservação ambiental” explica Asclepius Ramatiz Lopes Soares, Gerente Geral da Unidade Negócios Sociais e Desenvolvimento Sustentável do Banco do Brasil. O Água Brasil trabalha em cinco cidades com ações de educação ambiental envolvendo o conceito da pegada ecológica, atividades de fortalecimento da cadeia produtiva de reciclagem com o apoio aos técnicos do poder público e aos catadores nas localidades. O vídeo está disponível no canal do Programa Água Brasil no Youtube. Clique e assista: ( https://goo.gl/rsOVgZ )

12 de agosto, 2015
Saneamento Ambiental Logo
DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE
Pequenas ações para preservar o todo

Por Antonio Luis Francisco (PJ)* “Sete bilhões de sonhos. Um planeta. Consuma com cuidado”. Mais do que um tema, a frase escolhida para as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente deste 2015 é um desafio. E dos grandes. Na verdade, a cada ano – e a cada novo assunto –, temos a certeza do quão importante é a participação e a conscientização de cada cidadão na reconstrução de um mundo não apenas habitável, mas sustentável. Celebrada todos os anos em 5 de junho, a data simbólica tem como objetivo maior ampliar cada vez mais o debate em torno desta temática. Para que todos sonhem e ambicionem uma vida melhor, desvinculada do consumo perceptível, este ano o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) propõe que todos estejam cientes de como os hábitos de consumo individuais diários podem ter um enorme impacto negativo sobre o planeta. O tema é, de fato, dos mais pertinentes ao “pedir” ao mundo que avalie comportamentos como comprar, comer e viajar. Vamos imaginar que, com a expectativa de que 3 bilhões de consumidores da classe média sejam integrados à economia global até 2030 e que a população mundial chegue a 9 bilhões até 2050, tais desafios serão ainda maiores se os padrões de consumo permanecerem da forma como estão. Justamente por isso é que a capacidade de fazer a mudança acontecer está sendo colocada nas mãos do povo. A versão brasileira do relatório “Estado do Mundo 2013: A Sustentabilidade Ainda é Possível?”, organizado pelo Worldwatch Institute (WWI) em parceria com o Instituto Akatu, nos ajuda com uma visão mais aproximada, por meio de números, desta realidade. O estudo revela que em apenas duas décadas acrescentamos mais 1,6 bilhão de novos habitantes/consumidores e mais 50 trilhões de dólares em PIB (Produto Interno Bruto) ao planeta. Como civilização, continuamos a crescer a um ritmo acelerado de 80 milhões de novos habitantes por ano, pressionando – sem dó – os sistemas naturais para alimentar o sistema econômico. Assim, se em 2050 o consumo e a produção atuais permanecerem nos mesmos padrões e com a população em crescimento, precisaremos de três planetas para sustentar nosso modo de vida. De acordo com o PNUMA, viver bem dentro dos limites planetários é a estratégia mais promissora para garantir um futuro saudável. Porém, muitos ecossistemas da Terra estão se aproximando do esgotamento e, nesse contexto, é mais do que necessária a mobilização de toda a sociedade global. É premente que cada cidadão entenda seu papel nesse processo. O bem-estar da humanidade, o bom funcionamento da economia e a segurança planetária, em última análise, dependem da gestão responsável dos recursos naturais. Temos de trazer isso para a rotina de cada um de nós e contar sempre com as tecnologias disponíveis no mercado – cada vez mais avançadas. Entre as soluções existentes estão modernos equipamentos para limpeza, que permitem lavar e desinfetar, com economia de água, de produtos químicos e de tempo, alcançando excelentes resultados. É apenas uma parte, mas já é um começo e vale nossa reflexão. * Antonio Luis Francisco (PJ) é Diretor Geral da JactoClean, referência nacional em equipamentos para serviços de limpeza.

3 de junho, 2015
Saneamento Ambiental Logo
RESÍDUOS SÓLIDOS
Sociedade de consumo: como vão nossos resíduos?

por Marco Túlio Bertolino* e Renato Binoto** Vivemos em uma sociedade de consumo. Se isso é bom ou ruim, podemos alongar bastante a discussão. Digamos que a resposta esteja na diferença entre o remédio e o veneno, pois depende da dose. O consumismo exacerbado pode ser a marca doentia de uma sociedade onde se consome o que não se precisa, e até o que não se quer, por influência de uma cultura desenfreada de compras. Mas na medida certa, consumir é sim um dos confortos conquistados pela sociedade moderna, seja em eletrodomésticos que tornam o dia a dia mais prático, nos alimentos variados e com embalagens criativas e úteis, num carro confortável ou em objetos variados para uso diário. Logicamente, esse consumo gera resíduos: mais dinheiro, mais consumo, maior a geração de resíduos. Um brasileiro gera em média 1 kg de resíduos por dia; um paulista 1,5 kg; entre os americanos, esse volume chega a 2,25 kg. A grande pergunta é o que fazer com estes resíduos gerados. O que sabemos é que o que não se pode fazer é o que se vem fazendo em muitos municípios do Brasil, depositando nos chamados lixões, onde se formam o chorume que percola o solo e chega aos lençóis freáticos, podendo contaminar ecossistemas inteiros, causando a morte da biota existente e até de pessoas, além de servir de local para abrigo e proliferação de pragas que podem ser vetores de doenças. Neste cenário, foi aprovada no Senado, depois de tramitar por cerca de duas décadas, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que é considerada um avanço no Brasil, País no qual as cidades produzem em média 150 mil toneladas de lixo por dia, dos quais 59% são destinados justamente a estes lixões. A PNRS tem como princípio base a responsabilidade compartilhada: “O poder público, o setor empresarial e a coletividade são responsáveis pela efetividade das ações voltadas para assegurar a observância da Política Nacional de Resíduos Sólidos”. Contudo, apesar da responsabilidade geral não ser exclusiva de ente específico, é atribuída ao poder público Municipal o trabalho de coleta de lixo, limpeza urbana e destinação final dos resíduos. E como ações que devem ser tomadas por este, está a erradicação de lixões abertos até 2014, até quando devem ser criados aterros que estejam adequados às normas ambientais, estabelecer coleta seletiva em residências, além da compostagem de resíduos orgânicos (transformar em adubos), evitando a sobrecarga nos aterros. O que na prática facilmente se vê, é que não vem acontecendo como se esperava com a adoção da lei. Estamos em 2015 e tem muito lixão Brasil afora. Com poucos investimentos as prefeituras poderiam montar sistemáticas de coleta seletiva, separação e venda de recicláveis, gerando receita que sustentaria a própria estrutura para este trabalho, gerando empregos que transformariam os catadores de lixões em profissionais da reciclagem com carteira assinada e usando medidas para prevenir doenças. Além, claro, de manter as cidades mais organizadas. No Brasil, falta vontade política e secretários de meio ambiente com algum conhecimento técnico. Apesar da responsabilidade de coleta e destinação dos resíduos ser atribuído ao poder público, pelo PNRS, o gerenciamento destes é de responsabilidade das empresas, exceto para os resíduos domiciliares e de limpeza urbana. Lembrando que quando o tema volta para empresa, na verdade volta é para o consumidor, pois qualquer custo no final vai acabar sendo incorporado no preço do produto. Assim, a responsabilidade sobre os resíduos provenientes de atividades industriais, comerciais e serviços privados passa a ser do próprio gerador, caracterizando o sistema com uma logística reversa, que são obrigados a implementar o sistema de gerenciamento de resíduos de forma independente do poder público os importadores, comerciantes, transportadores e fabricantes de produtos. É neste ponto que surgem grandes desafios, digo, proporcionais ao tamanho do Brasil. Somos um país de dimensões continentais, então, evidentemente, ao pé da letra, trazer de volta os resíduos para o gerador não é uma ideia ambientalmente muito inteligente, pois dobraria o transporte, o custo dos produtos e a geração de gases pela queima de diesel. Soluções criativas estão sendo buscadas entre a indústria, setor público e ONGs. Por exemplo, ajudar uma associação de catadores num polo consumidor dos produtos pode ser melhor que levar os resíduos de volta para depois ser tratado e destinado na origem. Neste cenário, um profissional com conhecimento sobre o tema “logística reversa”, que possa ajudar as empresas a encontrar soluções criativas que sejam tanto boas para o meio ambiente quanto para economia e a lucratividade, pode ser um ator de destaque. Cabe a este profissional equalizar custos que considerem distâncias e rotas percorridas pelos resíduos, tipos possíveis de transporte, formas armazenamento, possíveis destinações priorizando o reuso, reciclagem ou destinação em aterros regularizados, e, ao final, encontrar o melhor custo benefício. Ideias criativas podem surgir também na origem, a partir da ACV – Análise de Ciclo de Vida que olhe e entenda produtos do berço ao túmulo, considerando produtos com menos embalagens, priorizando materiais recicláveis em detrimento de outros, embalagens menores. Assim, o fluxo reverso começa no evitar e repensar. Portanto, a logística reversa sendo pensada na origem do produto, terá um grande diferencial no término da vida útil do produto, afinal essa idealização inicial, permite um fácil desmonte e destinação para canais de reciclagem e ou reuso, agregando valor ao ciclo e criando um produto dentro de uma rotina de economia circular. Outra situação de fluxo reverso que fará parte do cotidiano da indústria e, propriamente, do profissional da área, está relacionada com problemas de lotes e fabricação, onde esses produtos terão por obrigação do código de defesa do consumidor, retorno para manutenção ou troca, e retorno ao cliente, considerando o atendimento do canal de fluxo reverso de pós-venda. Toda essa operação demandará um conhecimento logístico para minimização de tempo e custo. *Marco Túlio Bertolino Professor e coordenador do “MBA Gestão da Qualidade e Engenharia da Produção” do Instituto de Pós Graduação e Graduação (IPOG), www.ipog.edu.br **Renato Binoto Professor do IPOG nos cursos “MBA Executivo em Logística de Distribuição e Produção” e “MBA Gestão da Qualidade e Engenharia da Produção”, www.ipog.edu.br

25 de maio, 2015