Publicidade
SANEAMENTO

Cristalina vê oportunidades em leilões municipais

Cristalina vê oportunidades em leilões municipais

A diretoria da empresa já se prepara para concorrer aos leilões de Erechim e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul

Fundada por Paulo Uebel, a Cristalina Saneamento ainda está no papel, mas pretende concorrer em leilões municipais de saneamento. A diretoria da empresa já se prepara para concorrer aos leilões de Erechim e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, além das licitações para a elaboração de estudos, no modelo de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Um processo em estudo pelo grupo é o da prefeitura de Brusque (SC).

“O mercado de concessões municipais tem um potencial gigantesco, muito maior que o das empresas estaduais. Mapeamos 64 projetos em curso, muitos anteriores ao novo marco legal do saneamento. Com a nova lei, certamente esse número vai mais do que dobrar nos próximos anos. São muitas oportunidades para novos entrantes”, afirma Uebel, vice-presidente da empresa. Para fundar a companhia, ele se uniu a Yves Besse, executivo que já passou por Veolia, Suez e CAB Ambiental e já foi presidente da Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto). A outra fundadora é Daniela Pinho, que foi diretora financeira da CAB Ambiental.

A Cristalina Saneamento vê como trunfo o histórico de seus fundadores, afirma Besse, que é presidente da companhia. “Uma empresa, quando começa, vai enfrentar grandes desafios para buscar seu espaço. Temos conseguido conversar com fundos, atrair pessoas, pela legitimidade e pela bagagem dos nossos acionistas”, afirma Besse. Uma das grandes barreiras é a exigência de atestações técnicas para disputar licitações, o que a Cristalina não tem. A expectativa é formar parcerias em consórcios com outras empresas. “Já temos parcerias sendo estabelecidas, que serão locais. Não vemos grande dificuldade para firmar esses acordos”, diz Besse.

A Cristalina estuda participar de leilões por meio de fundos, com recursos levantados para projetos específicos, explica Uebel. Atualmente, esta opção não está disponível, mas há a necessidade de buscar alternativas de financiamento no mercado de capitais, que deverá ser ainda maior no caso de projetos municipais, por causa do novo marco do saneamento, que determinou que a prioridade de destinação de recursos públicos federais - incluindo Caixa e BNDES - serão as concessões regionais. “Com uma boa modelagem, até pequenos municípios podem ser viáveis. Mesmo sem Caixa e BNDES, há muitos recursos privados disponíveis para bons projetos. O conceito do novo marco legal de estimular a regionalização é válido, mas não inviabiliza as concessões menores. Os modelos podem coexistir”, afirma Uebel.

Artigos Relacionados

Saneamento Ambiental Logo
SANEAMENTO
Participação do setor privado deve chegar a 7%

Segundo levantamento da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), a aprovação do marco regulatório do saneamento pode ampliar a participação de empresas privadas no mercado dos atuais 5,2% para 6,9% já em 2020. O que pode contribuir para isso acontecer são as 12 licitações com editais já publicados. A expansão poderá ser ainda maior caso saiam do papel projetos de companhias como a Cedae, no Rio de Janeiro, e outras concessões estatais, por exemplo, no Amapá, Acre e Rio Grande do Sul. Estes editais ainda não foram lançados. A participação das companhias privadas no setor tem se mantido estável, na casa dos 6%, desde 2015, pelo menos. A queda para os atuais 5,2% aconteceu devido a uma mudança metodológica que excluiu do indicador os municípios que recebiam apenas assistência técnica das empresas privadas. O diretor-executivo da Abcon, Percy Soares Neto, diz que o crescimento no número de projetos já é um debate do novo marco do saneamento. Em 2019, foram firmados 23 contratos com grupos privados, montante que supera a soma de acordos dos três anos anteriores – 2016 (9), 2017 (3) e 2018 (7). Entretanto, dos 23 projetos, 15 são de municípios com menos de dez mil habitantes e nenhum envolve uma cidade com mais de 100 mil habitantes. A expectativa com o novo marco do saneamento é que sejam lançados novos projetos e em cidades de maior porte. Um dos avanços do novo marco para as companhas privadas é a formação de blocos regionais que possibilitarão concessões de maior escala, além da expectativa de que municípios atendidos de forma irregular por estatais abram concorrências. Atualmente, cidades atendidas por companhias estatais estão com contratos vencidos ou apresentam alguma irregularidade. No caso do abastecimento de água a informalidade é de 26%, enquanto que no esgotamento sanitário alcança 57%.

10 de agosto, 2020
Saneamento Ambiental Logo
SANEAMENTO AMBIENTAL
Cidades sem plano ficam à mingua em 2016

Luiz Roberto Gravina Pladevall, Presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs) comenta que a maioria dos municípios brasileiros ainda não elaborou seu Plano de Saneamento Básico, que poderia contribuir para diagnosticar as necessidades locais e estabelecer prioridades. “Ele (o plano) também pode cooperar para reduzir a crise hídrica, prevendo o melhor reaproveitamento dos recursos hídricos”, analisa. Com a elaboração de seu Plano de Saneamento, cada município pode estabelecer prioridades para investimentos e ações no curto, médio e longo prazo. “Apenas as cidades que tiverem planos elaborados poderão ter acesso a recursos federais a partir de 2016”, alerta Pladevall. “O plano pode contemplar, por exemplo, sistemas de reuso de água. Mas se os municípios não elaborarem o documento, vão ficar sem recursos e sem condições de enfrentar eventuais crises hídricas”, aponta o dirigente. Walter Penninck Caetano, Diretor da Conam – Consultoria em Administração Municipal, sugere que o processo de criação do PMSB atenda à sua realidade local e que comece com os gestores públicos estimando quanto a execução de todas as obras necessárias para sua implantação deverá custar aos cofres da prefeitura. “A partir daí, deve-se avaliar se os recursos próprios para a sua realização serão suficientes ou se será preciso recorrer ao Governo Federal em busca de transferências voluntárias específicas para esse objetivo ou obtenção de financiamento”, explica Caetano. Pladevall lembra que 18% da população ainda não tem acesso à água tratada e 52% não têm coleta de esgoto. Segundo ele, os motivos de tanto atraso são muitos, mas entre eles está o despreparo das cidades para elaborar o plano. “A maior parte dos cinco mil municípios brasileiros não tem condições técnicas para oferecer soluções de saneamento e mais de 80% delas sequer contam com um profissional de engenharia para qualquer tipo de orientação. Sem apoio dos governos estaduais e federal, não será viável concluir o plano até dezembro de 2015”, explica.

20 de abril, 2015