Publicidade
BIOMETANO

Deputado diz que Brasil é “maduro” para o desenvolvimento

Deputado diz que Brasil é “maduro” para o desenvolvimento

Das seis plantas estruturadas para fornecer biometano, o setor de gestão de resíduos quatro delas já garantem a produção de 400 mil m³/dia

O deputado estadual Arnaldo Jardim afirmou que o Brasil vem atingindo a maturidade, no desenvolvimento do biometano, na abertura do Painel Abrema-Abiogás - Frente Parlamentar da Economia Verde., durante a IFAT Brasil, Feira Internacional para Água, Esgoto, Drenagem e Soluções em Recuperação de Resíduos, que ocorre no São Paulo Expo. “O País assumiu o compromisso de reduzir a emissão do gás metano e, apesar de o Brasil se apresentar como um algoz na gestão ambiental, com a matéria energética que temos, poderemos atingir a vanguarda da economia verde”, destacou Jardim no painel promovido pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA) e Associação Brasileira do Biogás (ABIOGÁS).

Das seis plantas estruturadas para fornecer biometano, o setor de gestão de resíduos quatro delas já garantem a produção de 400 mil m³/dia. Milton Pilão, da Orizon, ressaltou a importância de valorizar o lixo, com a biomassa sendo reutilizada o máximo possível. Para Diego Nicoletti, da Solvi, o biometano configura-se como o combustível do futuro.

Artigos Relacionados

Aumenta a demanda por biocombustíveis no mundo
ARTIGO
Aumenta a demanda por biocombustíveis no mundo

Artigo por Monique Zorzim Por Monique Zorzim * Em diversos países, inclusive no Brasil, o biogás e o biometano estão se firmando cada vez mais como uma das alternativas mais sustentáveis do mercado. Um novo relatório sobre o mercado e tendências em gases renováveis, publicado pela Gas Climate, grupo que reúne dez empresas líderes no transporte de gás e duas associações da indústria de gás renovável, mostra que o biometano, um combustível sustentável produzido pelo biogás (derivado de matéria orgânica), está em plena expansão e cada vez mais adotado pelas empresas europeias. Decisões como a total descarbonização da economia europeia até 2050, anunciada pela União Europeia, com redução de até 55% da emissão de gases do efeito estufa (Acordo Verde de 2019), impulsionam a cooperação dos setores de eletricidade e de gás para atingir essas metas. Para isso, são fatores essenciais o uso de fontes alternativas de energia - e entre elas se destacam o biogás e o biometano. No Brasil, a Biogasmap, ferramenta online e interativa alimentada por diversas instituições, também acompanha a evolução da demanda e produção dos biodigestores e as diferentes aplicações do biogás. E mostra que, em 2020, houve um aumento de 22% no número de plantas de produção, totalizando 675 no País e uma produção de 2.2 bilhões de m3 de biogás. O levantamento cobre o ano de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, usando sites de notícias e bases de dados públicos das Agências Reguladoras dos setores de energia elétrica (ANEEL) e biocombustíveis (ANP). Desse total, 638 encontram-se em operação para fins energéticos no Brasil e 78% são de pequeno porte - produzem até 1 mi Nm3 por ano. Os sistemas de biodigestão para produção do biogás tem como alimento principal os resíduos da agropecuária (caso de 79% das plantas, que produzem 11% do volume total do País), indústria, aterro sanitário e ETCs - Estações de Tratamento de Esgoto. Já plantas que processam resíduos sólidos urbanos ou efluentes de estações de tratamento de esgoto representam 9% das que operam e são responsáveis por 73% do biogás. A exemplo de 2019, em 2020 a aplicação mais representativa dessas plantas foi a geração de energia elétrica. O volume de biogás purificado para produção de biometano no país avançou sua participação de 3% em 2019 para 19% em 2020. A forma mais comum de produzir biogás é pelo método de digestão anaeróbica. A atuação de bactérias em uma câmara fechada (biodigestor), sem ar, alimentada com resíduos orgânicos (como esterco, restos de alimentos, vinhaça, cama de frango, entre outros), misturadas com água, transforma esses detritos em biogás, que podem ser convertidos em energia elétrica. A purificação do biogás, por processos que incluem a separação por membrana, por sua vez, produz o biometano. Ambos os produtos são usados como combustível, e o biometano tem sido considerado uma tendência: 17% do transporte rodoviário na União Européia, por exemplo, já é movido a biometano e o comércio transfronteiriço de gás vem aumentando. No Brasil, especialistas consideram que o biometano tem potencial de substituir até 70% da demanda por diesel, com grandes ganhos para o meio ambiente. Ao tratar águas residuais mais difíceis, com uma alta carga de nutrientes, o resultado é um efluente mais limpo, que resolve problemas de descarte, reduzindo as contas das concessionárias de tratamento de águas residuais e até mesmo permitindo o descarte ambiental. O biossólido digerido orgânico que permanece após o processo é importante para a correção do solo na agricultura e o nitrogênio pode ser recuperado durante a digestão anaeróbica para fazer fertilizante concentrado. A digestão anaeróbia envolve processos metabólicos complexos que ocorrem em quatro etapas sequenciais - hidrólise, acidogênese, acetogênese e metanogênese - e dependem da atividade dos grupos fisiológicos de microrganismos. Para dar suporte à expansão das plantas e à capacidade de aumento da produção do biogás, já existem, inclusive no Brasil, produtos biotecnológicos que podem ser aplicados em quatro dos tipos mais frequentes de biodigestores - BLC, UASB, CSTR e o chamado Fase Sólida. Esses produtos agem na fase de hidrólise, aumentando a capacidade de degradação dos materiais orgânicos, melhorando a eficiência e segurança operacional de todo o sistema. É a revolução ambiental ganhando novos atores, tornando-se mais versátil e confirmando que as bandeiras de ESG e dos avanços de tecnologias verdes é uma maré, felizmente, incontrolável. * Monique Zorzim é Gerente Técnica da Área Ambiental da SuperBAC.

2 de agosto, 2021
Saneamento Ambiental Logo
BIOGÁS
Reunião debate participação na matriz energética

No dia 8 de junho executivos da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás) se reuniram na Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) para tratar da participação cada vez maior do biogás na matriz energética brasileira. Na reunião também foi debatida a possibilidade de mapear as principais fontes potenciais, suas localidades e distâncias das redes de energia elétrica e gás natural. Para o conselheiro da ABiogás, Marcelo Cupolo, a ABiogás e a EPE iniciaram uma agenda positiva para o setor, o que deve trazer maior visibilidade do biogás e do biometano para outros órgãos governamentais e investidores interessados no setor. “O biogás atende perfeitamente a essa condição, pois tem flexibilidade operacional com capacidade de armazenagem e pode ser gerado em praticamente todo território nacional”, disse Cupolo. O executivo lembrou ainda que, na questão dos combustíveis, o biometano é uma alternativa viável para substituir o diesel, podendo suprir 44% do produto consumido no País e parte da demanda de gás natural requerida pelas distribuidoras. “A indústria do biogás e do biometano só tende a se beneficiar com isso, pois está consolidada no Brasil, possui pegada negativa de carbono, tem estrutura de preço estável, não sofre com oscilações cambiais e variação do preço internacional, tem competitividade frente ao diesel, viabiliza a cadeia de tratamento de resíduos e tem um futuro mercado promissor na área de geração distribuída”, finaliza.

20 de junho, 2017