SANEAMENTO

Desigualdade no Saneamento Básico expõe divisões regionais no Brasil

Desigualdade no Saneamento Básico expõe divisões regionais no Brasil

Ranking nacional revela cidades com cobertura total de esgoto enquanto outras ainda convivem com a ausência absoluta de serviços essenciais.

Um levantamento do Ranking das Cidades elaborado pela Gazeta do Povo revela a persistente desigualdade nos serviços de saneamento básico entre os municípios brasileiros, com destaque para a ausência de coleta e tratamento de esgoto em dezenas de localidades e o contraste com cidades que alcançam cobertura universal.

No extremo inferior da lista, cidades pequenas e interioranas — sobretudo nas regiões Norte e Nordeste do País — enfrentam condições precárias de infraestrutura. É o caso de Morro Cabeça no Tempo (PI), município com cerca de 4,5 mil habitantes que não possui rede de esgoto, forçando a população a recorrer a soluções rudimentares como fossas sépticas.

O ranking mostra que dos mais de 5.500 municípios brasileiros pelo menos 25 não têm sequer 1% dos domicílios ligados à rede de esgoto, e muitos deles recebem nota zero em indicadores de saneamento básico. A maior parte desses casos está concentrada no Piauí e no Maranhão, estados que somam uma fatia expressiva das cidades com os piores índices. Municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins e Rondônia também figuram na parte de baixo da classificação.

Esse quadro preocupa especialistas, pois a ausência de saneamento adequado está ligada ao aumento de doenças infectocontagiosas, comprometendo a saúde pública, a educação e a produtividade das comunidades afetadas.

No lado oposto da tabela, São Caetano do Sul (SP) se destaca como exemplo de universalização dos serviços: todos os domicílios do município estão conectados à rede de coleta e tratamento de esgoto, cenário raro no Brasil.

Esse tipo de desempenho ressalta o papel que o saneamento básico desempenha como um termômetro da qualidade de vida urbana. Cidades com saneamento eficiente tendem a apresentar melhores indicadores de saúde e maior bem-estar social, reflexo de investimentos planejados em infraestrutura e gestão eficiente.

O Ranking das Cidades considera uma série de indicadores extraídos de fontes oficiais, como o Censo do IBGE, para avaliar aspectos variados da infraestrutura urbana — entre eles, a porcentagem de domicílios com esgotamento sanitário, coleta de lixo e pavimentação. Esse conjunto de dados busca traduzir, de forma ampla, o desempenho dos municípios em oferecer serviços essenciais à população.

Embora alguns municípios tenham alcançado elevada cobertura de serviços, a realidade nacional ainda revela lacunas profundas, sobretudo em áreas com baixa densidade populacional ou com fragilidades econômicas. A universalização do saneamento básico segue sendo um dos grandes desafios de políticas públicas no Brasil, e seu avanço depende de recursos, planejamento e governança nos níveis municipal, estadual e federal.

O ranking publicado pela Gazeta do Povo serve não apenas como retrato das diferenças regionais, mas também como um alerta para que saneamento básico deixe de ser tratado como um mero aspecto técnico e passe a ser prioridade central na agenda de desenvolvimento das cidades brasileiras.

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