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AMAZÔNIA

FAS alerta sobre possível estiagem severa na região em 2024

FAS alerta sobre possível estiagem severa na região em 2024

No último ano, a região viveu uma seca histórica com efeitos devastadores

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) criou, em 2023, a Aliança Amazônia Clima, movimento que conta com o apoio de 80 organizações socioambientais e representantes de centros de pesquisa na região amazônica para o combate aos efeitos da crise climática. No último ano, a região viveu uma seca histórica com efeitos devastadores para o meio ambiente, especialmente para os povos que habitam e cuidam do bioma na região. Devido à estiagem severa, populações ribeirinhas e povos indígenas tiveram acesso limitado à água potável e alimentos, efeitos sentidos pelas comunidades no entorno da capital amazonense. Na região do Baixo Rio Negro, polos vibrantes do turismo de base comunitária na região enfrentaram dificuldade de acesso a itens básicos, como alimentos e água potável. Além disso, tiveram que interromper suas atividades durante o segundo semestre, por conta da seca dos rios, meios de acesso dos turistas para os territórios.

Em uma de suas frentes, a Aliança Amazônia Clima mobiliza doações de itens de primeira necessidade, como água potável, cestas básicas e medicamentos, para as comunidades mais afetadas pela seca. A iniciativa atendeu mais de 12 mil pessoas em 17 territórios como Unidades de Conservação e Terras Indígenas no ano passado. Paralelamente, a Aliança Amazônia Clima agrega pesquisadores que monitoram as flutuações do pulso de inundação de bacias hidrográficas e fatores climáticos para identificar tendências para fornecer recomendações no combate a eventos extremos e para ações de adaptação climática.

Por conta da persistência do El Niño, que se prorrogou até esse ano, a Amazônia deve enfrentar uma nova seca extrema. A Defesa Civil do Amazonas publicou relatório alertando para a possibilidade de repetição da situação. Segundo os dados, os rios das bacias da região estão atualmente com níveis de água abaixo do esperado para a cota de cheia normal, indicando que acontecerá um evento de seca extrema neste ano. “Nós temos vários indicadores nesse ano de 2024 sobre a séria ameaça de uma seca de grandes proporções, como tivemos no ano passado aqui na Amazônia. As projeções científicas apontam para um aquecimento global mais acelerado do que anteriormente previsto. Quanto mais longa e intensa é a estação seca, mais frequentes e grandes ficam as queimadas. Isso contribui para o aquecimento global e regional, criando um efeito dominó que tende a tornar esse problema cada vez mais grave”, afirma Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS.

Da mesma forma, a grande enchente que atingiu o Rio Grande do Sul está relacionada à extrema seca que afetou a Amazônia em 2023. A catástrofe é causada pela combinação de umidade trazida por rios voadores (um grande corredor de umidade que desce até o Sul todos os anos), uma onda de calor no Sudeste e Centro-Oeste, e ventos intensos no estado, resultando em chuvas contínuas e inundações em várias bacias hidrográficas. Não apenas o clima, mas também as ações humanas estão relacionadas a essas alterações. A mudança do clima é impulsionada pela emissão de milhões de toneladas de gases de efeito estufa, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, responsável por mais de 85% dessas emissões, segundo relatório publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA), realizado pelas consultorias KPMG e Kearney e a Universidade Heriot-Watt.

Além disso, o desmatamento acelerado de biomas brasileiros, como a Amazônia e o Pampa Gaúcho, também contribui significativamente para esse problema. O desmatamento da Amazônia representa cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. “O enfrentamento às mudanças climáticas representa o principal desafio de hoje para o futuro da humanidade. É essencial a mobilização das organizações da sociedade civil, das empresas, das instituições de pesquisa e dos governos nas diferentes esferas para lidar com esse gigantesco desafio que temos pela frente”, considera Virgilio Viana. “É essencial pensar não apenas em ações emergenciais, mas em ações preventivas de adaptação climática, isso requer um pensar muito abrangente em relação a áreas que precisam ser deslocadas, residências, que são vulneráveis à inundação ou, em caso de seca, pensar em estratégias de comunicação, transporte e logística e de abastecimento de água de longo prazo. Nós temos uma série de experiências aqui no Amazonas, desenvolvidas pela FAS e por instituições financeiras, que permitem compreender quais são os caminhos, qual o custo, como fazer soluções práticas”.

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Seca pode agravar situação do Acre

Segundo o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a seca que atinge a região da Amazônia, em especial o estado do Acre, deve agravar-se nos próximos meses. O rio Acre atingiu, no último dia 28 de julho, um de seus índices mais críticos da história. Foi verificado volume entre 1,20 m e 1,30 m, o que pode prejudicar a navegação e o abastecimento de comunidades ribeirinhas da região. O levantamento é válido para os meses de agosto, setembro e outubro deste ano. Desde março, o volume de chuvas é deficitário na região, em parte por conta do El Niño, que começou no outono do ano passado. O fenômeno está associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando os ventos em boa parte do planeta e o regime de chuvas. Na região Norte, leva à seca. A partir de junho, o La Niña, fenômeno oposto, começou a se desenvolver de forma fraca. "Esta estiagem é fruto de uma interação de vários fenômenos, notadamente o El Niño e a La Niña. Ela já se estende há quase seis meses, e não temos uma noção exata de quando vai normalizar. Estamos acompanhando a situação mensalmente para avaliar como ela se comporta", afirmou o chefe da Divisão de Pesquisas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo. O documento alerta ainda para o alto risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente na área central do Brasil e no sul e no leste da Amazônia. O número de focos de incêndio pode atingir máximas históricas. A estiagem constatada também deve afetar o Nordeste. De acordo com o grupo de previsão climática do MCTIC, tradicionalmente agosto é o último mês da estação chuvosa na parte leste da região, mas tem chovido pouco desde abril, início do período de precipitações na região. Com a baixa incidência de chuvas nos últimos anos, a tendência é que a situação se repita na zona da mata, que já apresenta valores abaixo da média para a época do ano. "O panorama de poucas chuvas nessa área vem se arrastando desde 2012, e os níveis dos reservatórios e dos rios estão muito baixos, mesmo na zona da mata. E isso gera problemas para a população, porque pode haver desabastecimento", destacou José Marengo. O GTPCS é formado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

18 de agosto, 2016