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SANEAMENTO

Ferramenta de Inteligência Geográfica

Apesar das chuvas ocorridas em 2016, a crise hídrica – somada à crise financeira – está longe de ser resolvida no País. Ou seja, a máxima do “fazer mais com menos” continua em voga, especialmente no setor de saneamento. Para auxiliar nessa árdua tarefa, a Imagem, empresa de destaque no setor de Sistemas de Informações Geográficas e distribuidora oficial da Esri no Brasil, coloca à disposição das companhias de água e esgoto a geotecnologia, ferramenta que permite visão completa dos ativos de saneamento, monitora o comportamento de cada local durante os ciclos de faturamento e integra informações de diferentes fontes, como área financeira, equipes de manutenção, diretoria e consumidores. Em sua carteira de clientes estão empresas como a Sabesp (SP), SeMAE (São José dos Campos), o Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a Caesb (DF), Compesa (PE) e Saned, em Diadema (SP). Um dos contratos mais recentes foi assinado com o DMAE – Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (RS), que adotou a Solução de Inteligência Geográfica da Imagem para uma revisão completa da situação dos consumidores, “melhorando assim o entendimento sobre a condição financeira dos moradores da capital gaúcha e o número de pagantes da tarifa social de água e esgoto, destinada às famílias de baixa renda”, ressalta Leandro Moreira, gerente da área de Saneamento da Imagem. Quando a solução começou a ser implantada em Porto Alegre, quase um quarto da população pagava a tarifa social, mesmo sendo o beneficio destinado a usuários residentes em prédios de até 40m², habitações coletivas construídas através da Cohab e do Demhab e instituições culturais, assistenciais ou de educação extraescolar. “O DMAE sabia da necessidade de fazer a revisão desse benefício, mas considerava que para executar o procedimento teria que entrar em todos os lotes e medir as edificações”, conta Moreira. Foi aí que o Departamento fez a opção pelo uso da Inteligência Geográfica, que possibilitou o cruzamento entre as informações comerciais dos consumidores e dados da base cartográfica, com imagens de satélite e fotos aéreas, o que dispensou a necessidade de visita aos imóveis. O resultado da análise permitiu, de forma ágil e assertiva, identificar que entre 72 mil clientes, 47 mil não se enquadravam na categoria determinada por lei para pagamento da tarifa social. Outro fator aprimorado com a Inteligência Geográfica foi o entendimento sobre a localização e o tipo de rede de esgoto e água do município de 42 mil clientes. Destes, a tarifa foi alterada em 50%, pois constavam como ligação executada (isto é, provisória) e a outra metade foi encaminhada para vistorias técnicas ou para avaliação de ligação dos prédios onde moram ou na rede. “Após a vistoria, observou-se que 90% dos ramais já estavam ligados, comprovando a eficiência do projeto e melhoria de processo de cadastro, migrando a base de mapas para o geoprocessamento”, informa Moreira. A satisfação do DMAE quanto às funcionalidades da ferramenta se traduz em ações efetivas aos gestores da companhia e também em prol da população. “Com a solução, conseguimos melhorar nosso atendimento ao cliente e identificar pontos com maiores déficits de atendimento. Hoje temos condições de gerir de forma mais assertiva o planejamento da cidade, controlar parte das obras e planejar a substituição das redes de água e esgoto, além de fazer uma revisão do cadastro comercial e da recuperação de receita por meio do controle de perdas físicas e financeiras”, testemunha Fernando Neuwald, engenheiro Civil no DMAE.

Apesar das chuvas ocorridas em 2016, a crise hídrica – somada à crise financeira – está longe de ser resolvida no País. Ou seja, a máxima do “fazer mais com menos” continua em voga, especialmente no setor de saneamento. Para auxiliar nessa árdua tarefa, a Imagem, empresa de destaque no setor de Sistemas de Informações Geográficas e distribuidora oficial da Esri no Brasil, coloca à disposição das companhias de água e esgoto a geotecnologia, ferramenta que permite visão completa dos ativos de saneamento, monitora o comportamento de cada local durante os ciclos de faturamento e integra informações de diferentes fontes, como área financeira, equipes de manutenção, diretoria e consumidores.

Em sua carteira de clientes estão empresas como a Sabesp (SP), SeMAE (São José dos Campos), o Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a Caesb (DF), Compesa (PE) e Saned, em Diadema (SP). Um dos contratos mais recentes foi assinado com o DMAE – Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (RS), que adotou a Solução de Inteligência Geográfica da Imagem para uma revisão completa da situação dos consumidores, “melhorando assim o entendimento sobre a condição financeira dos moradores da capital gaúcha e o número de pagantes da tarifa social de água e esgoto, destinada às famílias de baixa renda”, ressalta Leandro Moreira, gerente da área de Saneamento da Imagem.

Quando a solução começou a ser implantada em Porto Alegre, quase um quarto da população pagava a tarifa social, mesmo sendo o beneficio destinado a usuários residentes em prédios de até 40m², habitações coletivas construídas através da Cohab e do Demhab e instituições culturais, assistenciais ou de educação extraescolar.

“O DMAE sabia da necessidade de fazer a revisão desse benefício, mas considerava que para executar o procedimento teria que entrar em todos os lotes e medir as edificações”, conta Moreira. Foi aí que o Departamento fez a opção pelo uso da Inteligência Geográfica, que possibilitou o cruzamento entre as informações comerciais dos consumidores e dados da base cartográfica, com imagens de satélite e fotos aéreas, o que dispensou a necessidade de visita aos imóveis. O resultado da análise permitiu, de forma ágil e assertiva, identificar que entre 72 mil clientes, 47 mil não se enquadravam na categoria determinada por lei para pagamento da tarifa social.

Outro fator aprimorado com a Inteligência Geográfica foi o entendimento sobre a localização e o tipo de rede de esgoto e água do município de 42 mil clientes. Destes, a tarifa foi alterada em 50%, pois constavam como ligação executada (isto é, provisória) e a outra metade foi encaminhada para vistorias técnicas ou para avaliação de ligação dos prédios onde moram ou na rede. “Após a vistoria, observou-se que 90% dos ramais já estavam ligados, comprovando a eficiência do projeto e melhoria de processo de cadastro, migrando a base de mapas para o geoprocessamento”, informa Moreira.

A satisfação do DMAE quanto às funcionalidades da ferramenta se traduz em ações efetivas aos gestores da companhia e também em prol da população. “Com a solução, conseguimos melhorar nosso atendimento ao cliente e identificar pontos com maiores déficits de atendimento. Hoje temos condições de gerir de forma mais assertiva o planejamento da cidade, controlar parte das obras e planejar a substituição das redes de água e esgoto, além de fazer uma revisão do cadastro comercial e da recuperação de receita por meio do controle de perdas físicas e financeiras”, testemunha Fernando Neuwald, engenheiro Civil no DMAE.

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A crise hídrica deveria ser um problema do passado
ARTIGO
A crise hídrica deveria ser um problema do passado

Por Giovanino Di Niro * O Brasil enfrenta há vários anos problemas graves em relação aos níveis de água nos reservatórios e, consequentemente, no abastecimento à população desse bem que é vital não só para a saúde das pessoas como também para a economia. Muitos se lembram do período de racionamento de água com que a região Sudeste teve que lidar em 2015. Desde então, pouco se fez em relação a investimentos no setor para melhorar a gestão desse recurso natural, e o país enfrenta agora, apenas seis anos depois, o que é considerada a pior crise hídrica de sua história. Essa situação é ainda mais inaceitável se pensarmos que o Brasil detém a maior reserva de água superficial do mundo, além de grandes reservatórios de água subterrânea, com destaque para o Aquífero Guarani. É verdade que as mudanças climáticas têm impacto na queda dos volumes destinados à população nos últimos anos, mas o problema principal é a grande quantidade de água desperdiçada durante a sua distribuição. Segundo dados do Instituto Trata Brasil publicados recentemente, tendo 2019 como ano base para o estudo, o país atingiu 39,2% de perdas de água na distribuição, volume que corresponde a 7,5 mil piscinas olímpicas de água tratada que é desperdiçada diariamente. Esse total equivale ainda a sete vezes o volume do Sistema Cantareira, o maior conjunto de reservatórios para abastecimento do Estado de São Paulo, e quantidade suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros durante um ano. Ainda de acordo com o Instituto, o índice de perdas de água na distribuição no país era de 36,9% em 2012, ou seja, de lá pra cá o sistema, que já era precário, piorou ainda mais. Para reverter esse quadro, o Brasil tem um enorme desafio para os próximos anos, já que tem como meta garantir água potável para 99% da população, segundo foi estabelecido no Novo Marco do Saneamento Básico aprovado no ano passado. Atualmente, esse índice está em 83,6%, o que resulta em quase 35 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço básico, segundo o Trata Brasil. É por isso que será inevitável o investimento na digitalização do sistema hídrico para que haja uma gestão inteligente visando à redução de perdas de água. Motivos não faltam para a implementação de novas tecnologias e soluções que já estão disponíveis no mercado brasileiro. Ao digitalizar o sistema de distribuição com a instalação de medidores ao longo das tubulações, o gerenciamento passa a ser realizado por meio de dados em nuvem. Dessa forma, além de otimizar a gestão por meio de plataformas de inteligência operacional, todo o monitoramento de uma região ou cidade passa a ser feito em uma única sala de controle, onde estarão disponíveis todas as informações em relação ao fluxo de distribuição da água. A partir dessa análise de dados, fica fácil detectar locais de rompimento da tubulação para que medidas sejam tomadas em relação à redistribuição da água até que o reparo do problema seja realizado. Entre as tecnologias disponibilizadas pela Siemens por meio do portfólio SIWA, por exemplo, há uma voltada para detecção do local de rompimento da tubulação, com precisão que varia de 20 a 50 metros. A partir dos dados em nuvem, há soluções também que auxiliam as empresas a atuarem de maneira preditiva a partir da detecção de locais propícios para a ocorrência do rompimento de uma tubulação, evitando assim perdas de água, e reduzindo custos com manutenções desnecessárias do sistema. Para o grande desafio que o Brasil tem pela frente na área de saneamento, o uso de novas tecnologias será fundamental para se reduzir os grandes volumes de água que são desperdiçados. No país que tem a maior reserva de água doce do mundo e com as soluções disponíveis hoje no mercado, problemas no fornecimento desse bem à população deveriam ser coisa do passado. Mas sem a digitalização do sistema de distribuição de água, as crises hídricas como a que estamos passando mais uma vez neste ano continuarão sendo corriqueiras. * Giovanino Di Niro é Gerente Executivo de Saneamento e Digitalização da Siemens

25 de junho, 2021
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AEGEA
Redução de perdas em Campo Grande

A Aegea conseguiu reduzir, desde 2010, o índice de perdas de água de 57% para 19% em Campo Grande (MS). O resultado foi conquistado após investimentos em diversas tecnologias que promovem a redução de desperdícios e destinação correta da água e esgoto e, consequentemente, o aumento da eficiência e da sustentabilidade, garantido a continuação do ciclo da água. Outro trabalho importante da companhia é o de garantir que comunidades de pequenos e grandes centros, principalmente a população mais vulnerável, tenha água em suas torneiras. Para isso, a Aegea irá realizar adaptações operacionais, respeitando as características de cada região. Um exemplo da aplicação desta eficiência operacional em regiões com dificuldades de acesso é o trabalho realizado pela companhia nas regiões alagadas de Manaus (AM). Para garantir o atendimento nestas comunidades, que são compostas por residências sobre palafitas e que sofrem com as alterações dos níveis das águas do Rio Negro, a empresa desenvolveu soluções inovadoras de abastecimento para garantir a qualidade e distribuição da água. O sistema desenvolvido garante a distribuição em redes aéreas de abastecimento para as comunidades sem que haja a contaminação pela poluição dos igarapés. Estas iniciativas são realizadas em paralelo com outras ações sociais na cidade, com o objetivo de atender a população mais vulnerável e aproximar as comunidades locais. O programa Vem com a Gente mapeia e localiza as oportunidades de expansão de rede de abastecimento em regiões que não contam com abastecimento regular, como becos, palafitas e rip-rap espalhados pela cidade. Mais de 1,2 milhão de pessoas já foram atendidas pelo programa e mais de 80 mil metros de redes de água tratada foram implantadas em 38 bairros da cidade. A Aegea desenvolve soluções inovadoras e eficientes a depender das particularidades geográficas e sociais das cidades de seu portfólio de atendimento, com populações de três mil a 2,22 milhões de habitantes.

29 de março, 2021
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ARTIGO
Saneamento Básico: gestão de processos para concessionárias

Por Marco Lima * O Brasil enfrenta uma escassez no serviço de esgoto sanitário, fornecimento de água potável, gerenciamento de resíduos sólidos e drenagem das águas pluviais. A infraestrutura precária aumenta o custo Brasil e impede o crescimento da produtividade da economia. Índices do Sistema de Informação de Saneamento (SNIS 2017) mostram que o abastecimento de água na região Sudeste é de 91,25%, e é a região que mais atende a população com água potável. Comparando com outras regiões mais precárias que é o Norte, atende 57,49%, pouco mais da metade da população. A distribuição de água canalizada atende 83,5% do total de brasileiros e 93% da população urbana. No entanto, apenas 46% da população urbana tem acesso a serviços de coleta e tratamento de esgoto, enquanto 12% usam sistemas individuais, 18% têm o esgoto coletado sem tratamento e 24% não têm serviço de esgoto sanitário. O novo marco regulatório do saneamento básico (Projeto de Lei n.º 4.162/2019), que foi aprovado pelo Senado recentemente, acende uma luz para a melhora nos serviços. A lei objetiva a universalização do saneamento, com a ampliação da coleta de esgoto para 90% da população e o fornecimento de água potável para 99% da população até o fim de 2033, favorecendo também a participação da empresa privada na prestação do serviço, que hoje é majoritariamente realizado por empresas públicas estaduais. Nesta perspectiva, o controle dos serviços públicos pelas empresas privadas torna-se essencial para a sociedade. Este cenário sinaliza oportunidades para empresas concessionárias que pretendem dar início às operações ou as já consolidadas no mercado adotarem soluções de gestão com capacidade para aperfeiçoarem a qualidade na prestação de serviços de infraestrutura, como aeroportos, portos, rodovias, energia, água e gás. Na prática, isso quer dizer que as empresas vão precisar de soluções que atendam todas as regularizações das diversas exigências legais de uma concessão privada. Dentro desse panorama, para que todos esses serviços de infraestrutura do sistema público funcionem corretamente e facilitar os processos burocráticos, existem serviços e soluções em tecnologia da informação que oferecem uma plataforma de automatização de todas as fases de planejamento e implementação de soluções para empresas concessionárias, considerando obrigações municipais, estaduais e federais, com garantia de atualizações evolutivas e legais. Os benefícios são empresas com gerenciamento de cobrança e receita automatizadas e centralizadas, interação em tempo real com os consumidores/clientes, transparência e cobrança correta dos serviços, diminuição de erros de processos, além de evitar fraudes. Por meio de big data, os dados são estruturados e cruzados de várias fontes e georreferenciados, melhorando a análise e planejamento, promovendo melhora nas questões ambientais, sustentáveis, da saúde, segurança e políticas urbanas voltadas às necessidades da população. As mudanças no mercado aceleram o consumo de metodologias com ampla capacidade para coleta, análise e integração dos dados, definindo arquiteturas em vários sistemas legados e exigem equipes estruturadas, com capacidade para atender os clientes. Ter uma empresa que possa suportar todos os processos de uma concessão privada de infraestrutura ou de Utilities, bem como as mais diversas complexidades dos sistemas de Billing da indústria, oferece melhor qualidade aos serviços. * Marco Lima é Sócio-diretor da unidade Seidor Billing & Utilities

23 de outubro, 2020
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ARTIGO
Redução de perdas de água passa pela digitalização

Por Giovanino Di Niro * O Brasil tem pela frente um imenso desafio para conseguir atender as metas incluídas no Novo Marco do Saneamento Básico, que prevê garantir o atendimento de 99% da população com água potável até 2033. Atualmente, esse índice está em 83,6%, o que resulta em quase 35 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço básico, segundo dados do Instituto Trata Brasil. Mas para obter sucesso dentro das melhorias previstas no texto sancionado recentemente, o país terá que resolver um dos grandes problemas do setor, que é o grande volume de perdas de água. Devido à infraestrutura atrasada do saneamento no Brasil, muito devido à falta de grandes investimentos e introdução de equipamentos modernos nos sistemas de transporte e distribuição da água, o país atingiu 38,5% de perdas reais e 37,1% em perdas comerciais ao longo de 2018, segundo dados de estudo divulgado este ano pelo Trata Brasil em parceria com a organização americana Water.org. Para se ter uma ideia da importância desperdiçada, todos os dias foram perdidos o equivalente a 7,1 mil piscinas olímpicas, volume que gerou prejuízo de mais de R$ 12 bilhões no ano base do levantamento. Para reduzir essa quantidade de perdas no transporte e na distribuição de água e dar um passo importante para atingir as metas impostas pelo Novo Marco do Saneamento Básico, é crucial que o sistema seja digitalizado. Medições em relação ao fluxo e pressão da água têm que ser realizadas em vários pontos da rede, por longas distâncias, pois só assim é possível detectar onde há variações que remetem a um problema no transporte e na distribuição. Hoje, por exemplo, a grande maioria das identificações só é feita quando uma pessoa percebe um vazamento e avisa a empresa responsável. Ou, na pior das hipóteses, quando se tem vazamentos pequenos que vão prejudicando o lençol freático até abrir uma cratera no local. Com a digitalização por meio da instalação de medidores ao longo das tubulações, o gerenciamento de todo o sistema passa a ser realizado por meio de dados em nuvem e essa modernização está dentro das novas diretrizes para o setor de saneamento no país. Dessa forma, além de otimizar a gestão por meio de plataformas de inteligência operacional onde os dados são transformados em informações que estão disponíveis em dashboards que ajudam a gerar insights para a adequação do fluxo de distribuição da água, todo o sistema - de uma cidade ou região - passa a ser monitorado em uma única sala de controle. Podemos usar como exemplo o sistema de controle que é realizado hoje nas principais rodovias do país. A partir da instalação de câmeras é feito todo um monitoramento das vias para saber que medidas serão tomadas caso ocorra imprevistos como acidentes, congestionamentos, neblina ou fumaça na pista. Ao detectar algum problema, são avaliadas possíveis medidas para desviar o fluxo de veículos visando evitar possíveis acidentes e maiores congestionamentos. Da mesma maneira, quando se tem uma análise de dados do sistema de distribuição de água, é fácil detectar locais de rompimento da tubulação e tomar medidas para a redistribuição da água para evitar perdas até o reparo do problema. Recentemente, por exemplo, a Siemens trouxe para o mercado brasileiro o portfólio SIWA (Siemens Water) voltado para o saneamento. Entre as tecnologias há uma voltada para detecção do local de rompimento da tubulação, com precisão que varia de 20 a 50 metros. A partir dos dados em nuvem, as soluções também auxiliam as empresas a atuarem de maneira preditiva a partir da detecção de locais propícios para a ocorrência do rompimento de uma tubulação, evitando assim perdas de água, e reduzindo custos com manutenções desnecessárias do sistema. Para se ter uma ideia dos benefícios de introduzir soluções inteligentes no setor, uma cidade europeia onde a Siemens atua conseguiu reduzir os danos nas tubulações em 48% ao longo do sistema de 1.500 quilômetros de tubulação. Como resultado, os vazamentos foram reduzidos em 85% e gerou um aumento do faturamento de água em 7%. Para atingir as metas impostas pelo Novo Marco do Saneamento Básico, o Brasil terá não apenas que expandir a distribuição de água tratada para quase 20% da população brasileira como também modernizar todo o sistema que hoje já está ultrapassado quando comparado a outros países. Com esse grande desafio pela frente, será essencial a redução do grande volume de perdas de água que temos atualmente e isso só será alcançado com a introdução de novas tecnologias que já estão disponíveis ao mercado. * Giovanino Di Niro é Gerente Executivo Digitalização e Saneamento da Siemens.

30 de setembro, 2020
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ÁGUA
Siemens apresenta soluções digitais

A Siemens promoveu, em junho, o webinar ‘Como a digitalização soluciona os desafios da indústria da água e saneamento?’ para apresentar as soluções da companhia para gerenciamento de água que proporcionam maior transparência e ajudam a identificar o potencial de otimização e economia para aumentar a segurança do fornecimento de água. Pablo Fernández, Desenvolvedor de Negócios / Especialista de Vendas da Siemens no Brasil, comentou que os principais desafios na indústria da água e saneamento estão relacionados ao uso sustentável do insumo, e como a digitalização pode auxiliar ao máximo que ativos sejam mais eficientes e tenham redução de custos. “Com o aumento crescente da urbanização e uma demanda latente por serviços públicos de qualidade, a urgência de um processo de otimização da gestão de águas e resíduos torna-se cada vez mais imperativa”, diz Fernández. Segundo o executivo, o portfólio de soluções digitais Siemens visa atender a essa necessidade no mercado ao garantir a confiabilidade no fornecimento desses serviços, além de aumentar a sua disponibilidade de todo o sistema, comenta Fernández. O portfólio disponível no Brasil inclui um conjunto de soluções que podem ser combinadas e personalizadas de acordo com a necessidade de cada cliente. Entre os benefícios do novo portfólio, estão: controle e gestão otimizada da qualidade e quantidade de água fornecida, consumida e desperdiçada: maior controle da rede de fornecimento e distribuição; e detecção de problemas na rede com previsibilidade, o que se traduz em uma utilização mais eficiente de recursos. Na lista de soluções para o setor de água e saneamento estão a Siwa Optim, que controla de forma inteligente e otimizada o consumo de energia de bombas e válvulas, com base nos dados mais recentes do sistema e previsões de demanda, bem como nos preços diários atualizados de energia. A solução permite ainda que os operadores reduzam o consumo de energia em até 15% e garantam a segurança do fornecimento de água. Já o Siwa Leak é um sistema para detectar vazamentos maiores e crescentes em tubulações de transporte de água. Fornece continuamente à operação informações sobre o status da rede de transporte de água, o que - no caso de um vazamento - fornece um ponto de partida preciso para a tomada de decisões e ações corretas. O Siwa LeakPlus é desenvolvido pela BuntPlanet - empresa parceira da Siemens – e é uma solução de detecção de vazamentos em redes de distribuição de água. Com o suporte da computação em nuvem, inteligência artificial e simulações hidráulicas, os vazamentos podem ser detectados de maneira fácil e totalmente automática e corrigidos logo no início. Os benefícios da digitalização de soluções de água e saneamento com a linha Siwa já foram implementadas em outros países e atingiram redução de perdas de água de até 85% na rede, diminuição de rompimento de tubulações em 20% e economia de energia de 15% na operação de bombas, além de auxiliar com informações precisas a tomada de decisão e o desenvolvimento de novos negócios dos clientes. Outro produto da linha é o Siwa Burst, que analisa flutuações de alta frequência com a utilização de algoritmos inteligentes. As anomalias de pressão identificadas são classificadas para localizar rompimentos de tubulações em tempo real. Áreas danificadas podem ser detectadas e localizadas com uma precisão de 20 a 50 metros. Já o Siwa Sewer é uma solução para controle da rede de esgoto e calcula a necessidade de intervenções de controle em sistemas de drenagem usando algoritmos de otimização. Desta forma, o SIWA Sewer garante a performance ideal da rede de esgotos, assegurando a correta destinação das águas residuais. Além disso, a solução otimiza o desempenho do tratamento de água, estabilizando a entrada na estação de tratamento para que o operador possa operar a planta com mais eficiência, além de atuar de forma inteligente em situações de enchentes. O Siwa Cockpit é solução para criação de dashboards para transformar dados em informações. Ela utiliza resultados analíticos para dar suporte à decisão da empresa visando melhor escalabilidade e desempenho. O Siwa Cockpit possui funções analíticas integradas e capacidade de conexão com vários softwares analíticos de terceiros, se adaptando a diferentes níveis de estrutura da planta.

20 de julho, 2020
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PERDA DE ÁGUA
Suez mostra cases de combate na Fenasan

Durante a Fenasan 2017, a Suez apresentou resultados de contratos de performance para combater o desperdício de água tratada em São Paulo e Pernambuco. De acordo com o engenheiro Flávio Lemos, diretor de Serviços da Suez Brasil, a prestação de serviços de controle de perdas de água potável para companhias estaduais tem se mostrado um negócio extremamente vantajoso, pois tem permitido às operadoras atender melhor a demanda de seus usuários sem precisar expandir sua produção. “Há 10 anos estamos atuando com a Sabesp e vimos aperfeiçoando juntos esse tipo de contrato”, informou. “Nosso desempenho vem melhorando paulatinamente, prorrogando a vida útil dos ativos, reduzindo os custos de energia e aumentando a eficiência do abastecimento da população. A expectativa é que essa evolução também ocorra na relação com a Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) no trabalho de redução de perdas em Olinda.” Lemos afirmou que as soluções tecnológicas exclusivas da Suez oferecidas a clientes, como gerenciamento dos sistemas de abastecimento de água em tempo real, com consumo de energia otimizado e monitoramento digital de todos os processos, está ajudando as cidades a se prepararem para se tornar inteligentes: "Em 2050, 66% da população mundial viverá nas cidades," diz o diretor de Serviços da Suez Brasil. "Os centros urbanos vão competir cada vez mais para atrair visitantes, moradores, empresas e investimentos. E só as cidades que atenderem às expectativas de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos é que se serão bem sucedidas".

10 de outubro, 2017
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RESULTADOS
Aegea comemora números de 2016

Sem dúvida, 2016 foi um bom ano para a Aegea Saneamento, que possui 18% do mercado privado de saneamento básico do Brasil. A receita líquida do Grupo cresceu 24,8%, alcançando R$ 992,4 milhões e manteve a cadência de crescimento planejada; o EBITDA aumentou 14,9%, atingindo R$ 462,5 milhões; e o prazo médio de endividamento da empresa foi ampliado de 5 para 5,9 anos. Os números macros comprovam o desempenho, mas o item que merece destaque, segundo Hamilton Amadeo, CEO da Aegea foi o fortalecimento da estrutura de capital conseguido no último ano, quando os minoritários confirmaram a confiança na administração da empresa ampliando sua participação, o que significou um aporte de R$ 125 milhões. “Esse é um dado muito importante para nós, pois mostra que o projeto apresentado a eles em 2012 foi aprovado o que reforça nossa capacidade de fazer frente a qualquer desafio em termos de necessidade de capital. Hoje, a soma da participação deles se aproxima de 30%, numa evolução constante”. Para explicar a performance, Amadeo ressaltou a atuação da Aegea em “clusters”, regiões onde as concessionárias do Grupo se ajudam, com administração compartilhada e integrada. Como exemplo citou as novas atuações no Espírito Santo, em Vila Velha e Serra (ambas PPPs de esgoto) e a consolidação da atuação em Rondônia, com a concessão plena de Ariquemes, a quarta no Estado, onde atende a uma população de 105 mil habitantes. Especificamente no Espírito Santo, Amadeo salientou a escala favorável da participação privada no Estado e o atendimento de quase 1 milhão de habitantes na Grande Vitória. As novas oportunidades locais surgem a partir de abril, nas cidades de Cariacica e Viana. A mesma janela de oportunidades se abre em Rondônia, onde a companhia de saneamento estadual está listada no PPI para ser privatizada: “É um Estado que tem uma população muito parecida em termos socioeconômicos com o Mato Grosso, índices de inadimplência baixos, crescimento acelerado e as tarifas da concessionária estadual são altas, o que nos dá uma folga para operar até com valores menores”, diz Amadeo, indicando que essas ilhas de crescimento é que puxarão o desenvolvimento futuro da Aegea, “um player diferenciado com presença local. Isso faz parte da estratégia de longo prazo da companhia”. Ainda na lista de conquistas e avanços conseguidos em 2016, Amadeo destacou a criação do Centro de Controle e Operação de Gestão de Perdas, que passou a centralizar as ações das concessões; a universalização de água tratada em Timon (MA) para 100% da população da área urbana, com frequência contínua; a evolução dos índices de tratamento de esgoto (cobertura e tratamento) em Piracicaba (SP), de 36% para 100% num período de quatro anos; e, por fim, o fato de a Aegea se tornar signatária do Pacto Global da ONU, como empresa inclusiva em saneamento no Brasil e referência na redução de perdas de água de 56% para 19% em Campo Grande (MS). “É importante citar que nossas metas de perdas consideram o nível ótimo para cada concessão, dentro de uma escala socioeconômica”, explica o CEO da Aegea. Principais resultados Flávio Crivellari, CFO da Aegea, ressaltou o excepcional desempenho da Aegea em 2016, mesmo num cenário de economia desafiadora: “Nosso crescimento se deu através de aquisições, aportes, licitações e vegetativo, por meio de Capex – aumento de rede nas operações existentes. Outras ações procuraram estabilizar o pico de inadimplência por razões de queda da renda per capita devido ao desemprego”. O volume de economias cresceu 8,8% no ano passado, acompanhando e o volume faturado de água e esgoto aumentou 9,5%. Os custos também cresceram no último ano em 35%, sendo que as despesas com pessoal e energia elétrica se mantiveram dentro do previsto. A economia total versus o número de colaboradores demonstrou aparente perda de produtividade, mas na verdade considera a incorporação dos colaboradores das novas concessões, que trarão resultados mais à frente. Em termos de energia, Crivellari destacou que houve crescimento de volume, mas estabilidade no custo das concessões existentes graças aos investimentos em automação realizados pelo Grupo. Perspectivas otimistas Ao falar sobre o que Aegea espera para 2017, Hamilton Amadeo fez primeiro uma análise do cenário externo, ressaltando a manutenção da crise fiscal em Estados e municípios e a consequente restrição de investimentos, o que poderá gerar oportunidades de novos investimentos privados no setor de saneamento. “A Aegea se coloca no mercado como uma empresa complementar do sistema e não como substituta do serviço. Faz mais sentido prestar serviço ao cidadão dentro de um modelo integrado. Essa é a nossa posição e as companhias estaduais já estão entendendo e aceitando essa nova opção”. Ou seja, a Aegea está se posicionando para tirar proveito da capacidade que tem de se integrar aos prestadores já existentes ou operar de forma plena onde for necessário. É uma demanda que se mostra decorrente da falta de capacidade de investimento dos Estados. A companhia também vem acompanhando o esforço de PPI do Governo Federal, através do BNDES e da Caixa, de criar uma “inteligência de saneamento”, pois não existem experiências perenes de cultura de saneamento ainda no país e a base que está sendo criada interessa à companhia, que aguarda a evolução do processo. Quanto ao cenário interno, a parte de EHS (Environment, health and safety) sempre foi uma preocupação da Aegea e hoje, atuando em quase 50 municípios, novos modelos serão implantados nos próximos dois anos para dotar a companhia de padrões internacionais. Outra ação que terá continuidade é a Academia Aegea para formação de profissionais para o setor de saneamento. Quanto às novas opções de mercado, Amadeo avisa que a companhia continuará aproveitando as oportunidades de crescimento, desde que subordinadas à estrutura de capital: “Não vamos dar o passo maior que a perna. Podemos até perder oportunidades, mas jamais iremos colocar em risco nossos indicadores de saúde financeira”.

7 de março, 2017
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SANEAMENTO
Investimento Social de Alto Impacto

“Poucas matérias conseguem reunir ao mesmo tempo o desafio tanto da área social, quanto econômica. Na área social, a cobertura do saneamento apresenta um dos piores indicadores, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, mas ainda há muito por fazer. Na área econômica, sobretudo diante da recessão que o país atravessa, precisamos do fomento de investimento público ou via parceria com o setor privado”, disse José Roberto Afonso, economista e professor da FGV, ao abrir os trabalhos da mesa-redonda “Saneamento – Investimento Social de Alto impacto”, realizada no início de maio, no Rio de Janeiro. A iniciativa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), teve como patrocinadores as empresas Aegea e Suez, e apoio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Primeira parte do encontro tratou de oferta, regulação, financiamento e políticas públicas. Na ocasião, o Secretário Nacional Substituto de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Johnny Ferreira, reforçou que o saneamento avançou bastante nas últimas décadas no Brasil, mas que ainda há um grande déficit no setor, tanto em termos de oferta quanto da qualidade do serviço ofertado. De acordo com Ferreira, “quando se fala de políticas públicas é preciso ter em mente que falar do Brasil é falar em um continente: somos o quinto país do mundo em termos de extensão territorial e de população, com disparidades regionais muito grandes. O processo de urbanização foi extremo – em 1960, 45% da população brasileira viviam em área urbana; em 1970 esse número pulou para 56% e o último censo, realizado em 2010, mostra que chegamos a 84% das pessoas vivendo nas cidades. No caso do saneamento, a questão se torna mais complexa: a titularidade do serviço é municipal, há uma concentração de companhias estaduais como prestadores do serviço de água e esgoto e a relação entre os entes federados também é complexa, diferentemente de outras áreas da infraestrutura onde a participação do Governo Federal é mais firme e consolidada. O setor carece de mecanismos de cooperação entre os entes federados”. Na última década o avanço se deu na constituição de uma base legal (marco regulatório), de forma a oferecer um ambiente de investimentos e de relações entre os setores público e privado e entre o próprio setor público. Outro destaque foi a elaboração do Plano Nacional de Saneamento Básico – Plansab, aprovado em 2013, que traça metas para universalização dos serviços por um horizonte de 20 anos. Outro avanço foi a retomada de investimentos. Entre 1999 e 2002 os empréstimos para o setor ficaram travados em função de crise fiscal, uma vez que a prestação dos serviços de saneamento está muito concentrada no setor público. A partir da melhora do quadro macroeconômico, por volta de 2003, iniciou-se o processo de retomada dos investimentos, consolidada em 2007 com o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, que em suas duas etapas selecionaram R$ 95,4 bilhões para o setor, sendo a maior fatia para obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Deste total, R$ 92,2 bilhões foram contratados, sendo R$ 45,6 bilhões de recursos a fundo perdido do Orçamento Geral da União (OGU), já que diversas empresas de muitos estados não tinham condições de se endividar. Nos últimos 10 anos o número de ligações de água cresceu 45% - uma média de 1,6 milhão de novas ligações por ano. Ferreira explica que a ampliação da cobertura não cresceu tanto no período devido à dispersão da população no território brasileiro – “enquanto a população urbana cresceu 45% de 2001 a 2010, o número de domicílios urbanos cresceu 81,2%”. Isso tende a se estabilizar nos próximos anos, o que facilitará o processo de ampliação da cobertura. De 1970 a 2010 o incremento na rede de distribuição de água foi de 127,7 milhões de pessoas. Ainda assim, 13,8 milhões de pessoas que residem em áreas urbanas ainda não contam com rede de distribuição de água. Já a evolução no esgotamento sanitário mostra que nos últimos 10 anos o número de ligações de esgoto cresceu 77% - uma média de 1,2 milhão de novas ligações por ano. Ainda assim, 60,9 milhões de pessoas da área urbana não são atendidas com rede coletora de esgoto. Com isso, 15,6 bilhões de litros de esgoto doméstico são lançados todos os dias no solo e nos corpos hídricos sem qualquer tipo de tratamento. Hoje o Brasil trata 71% do esgoto coletado, mas em termos de volume estimado gerado esse percentual passa a 41% e a atual capacidade instalada permite um tratamento superior a isso. Muitas ETEs estão com capacidade ociosa, pois dependem da instalação de coletores-tronco. Quanto ao futuro, Ferreira salientou que o Plansab – Plano Nacional de Saneamento Básico prevê universalizar o abastecimento de água em áreas urbanas até 2023 e tratar 86% de todo o esgoto gerado no país em 2033. Para tanto, serão necessários investimentos de R$ 508,4 bilhões envolvendo todas as fontes: recursos federais, estaduais, municipais e da iniciativa privada. Em 2014, foram investidos R$ 12,2 bilhões em água e esgoto, segundo mostra o SNIS. Em termos de mecanismos e alternativas de financiamento, o secretário substituto da SNSA cita como fontes as tarifas, operações de crédito interno (recursos FGTS e BNDES) e participação acionária, entre outras, e lembra os problemas que o setor tem de acessar linhas de crédito – “das 26 companhias estaduais de água e esgoto, que operam em 80% dos municípios e atendem 70% da população, somente 13 conseguiram acessar recursos do BNDES ou da CEF nos últimos 10 anos”. 55% de todo o crédito disponibilizado ao setor ficaram com apenas três empresas nesse período. Em suas considerações finais, Ferreira lembrou aos presentes os avanços do setor nos últimos anos, mas pontuou que problemas de gestão e governança impactam negativamente as dimensões operacionais, financeiras, empresariais e ambientais das companhias de saneamento. Também ressaltou que o atual ciclo de planejamento e implementação dos empreendimentos é muito longo e que o setor apresenta grande potencial para ganhos de eficiência. Como condições para a universalização dos serviços, o secretário substituto listou a efetiva implementação da Lei nº 11.445; maior cooperação entre os entes federados (União, Estados, Municípios e Distrito Federal); melhoria do ambiente de investimentos no setor; e a participação da iniciativa privada. Participaram ainda do primeiro painel Marcela Altale, advogada representante do Grupo de Estudos de Economia da Infraestrutura e Comercial com Soluções Ambientais; Luiz Firmino, do Grupo Executivo de Gestão Metropolitana do Rio de Janeiro; Irene Altafin, Consultora Especialista Sênior em Água e Saneamento do CERI – Centro de Estudos de Regulação e Infraestrutura da FGV; além de Carlos André Lima Rodrigues, da Gerência Nacional de Crédito Saneamento e Infraestrutura da CEF. A segunda parte do encontro contou com a mediação de Marcelo Neri, ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e Diretor da FGV Social, que ressaltou os grandes problemas coletivos do Brasil, sendo o saneamento o “maior exemplo em termos de serviços públicos, que impõe soluções não triviais”. Na sequência, Édison Carlos, presidente Instituto Trata Brasil, reforçou que o saneamento básico no Brasil não condiz com a posição do país no ranking econômico mundial. Os indicadores do SNIS mostram que ainda 35 milhões de brasileiros não tem acesso à água tratada e 6 milhões de pessoas sequer possuem um banheiro, sendo que no semiárido brasileiro, um trabalho realizado pelo ITB, em parceria com a Unicef e a Unilever , mostra que 450 mil crianças não tem banheiro na escola. O despejo diário de esgotos na natureza corresponde a aproximadamente o volume de 5 mil piscinas olímpicas; em 2013, 407 mil pessoas foram internadas por diarreia e doenças da falta de saneamento e 53% dos casos eram crianças de 0 a 5 anos. Isso demonstra um brutal impacto no futuro do país, especialmente nas áreas de saúde, educação e produtividade. Nas cidades com maior proporção da população com acesso a rede de esgoto, as internações por doenças infecciosas são menores; a renda média das pessoas é maior, assim como o valor médio dos imóveis, isso sem citar maiores ganhos com o turismo. Para o ITB, a sociedade precisa fazer a sua parte e é necessário integrar o cidadão nessa discussão, mas “não basta acreditar que apenas recursos resolveram o problema do saneamento, sem antes resolver a deficiência da gestão em muitas companhias de saneamento”. Gustavo Pimentel, diretor de Research & Analysis da Sitawi, explicou que um dos objetivos dos investidores ou de instituições financeiras é desenvolver mecanismos para alavancar capital de forma a obter um impacto socioambiental positivo. Em alguns eventos internacionais e na linha do “não falta dinheiro”, é possível notar a emergência de mecanismos que tragam visibilidade a ativos com externalidades socioambientais positivas. No bojo das finanças climáticas, estão surgindo os “green bonds”ou “climate bonds”, que utilizam títulos de dívidas que já existem no mercado de capitais, mas de forma a instituir um “selo” para que sejam mais facilmente descoberto pelos investidores – e a emissão desses títulos já vem sendo utilizada por muitas companhias de água e saneamento. O desafio está em criar mecanismos mais ajustados para remunerar a performance e atrair investidores. Hamilton Amadeo, CEO da Aegea, uma das empresas patrocinadoras da mesa-redonda, trouxe uma visão mais tática da questão saneamento. O grupo atua no setor em quatro referências: tecnologia, parcerias – “uma das maneiras de enxergar a ‘solução’ para o problema”, bancabilidade – “não é uma solução, mas sim o começo de tudo – se os investimentos não forem implantados, não há negócio”, e o relacionamento com o usuário. Segundo Amadeo, as empresas privadas de saneamento não estão aqui para tomar o lugar de ninguém e sim para complementar os serviços. A Aegea atende atualmente 4 mil

16 de maio, 2016
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SANEAMENTO
Aegea, Sanepar e Sanasa recebem premiação

Aconteceu ontem (05/08), nas dependências do Centro Britânico, em São Paulo, a cerimônia de entrega do prêmio “ Empresas do Ano no Saneamento Ambiental ”. Neste ano, as ganhadoras foram: Aegea, na categoria Empresa Privada, Sanepar , na categoria Empresa Estadual e Sanasa , na categoria Empresa Municipal. A novidade desta premiação foi a palestra feita pelo economista Eduardo Gianetti da Fonseca, que falou ao seleto grupo de convidados sobre as perspectivas da economia brasileira. Saudando as vencedoras na ocasião, o diretor Editorial da revista Saneamento Ambiental lembrou que o prêmio foi instituído há 15 anos pela publicação com o intuito de reconhecer as empresas que se destacam numa área bastante crítica no país, que é o saneamento. Para a indicação das empresas concorrentes, o corpo editorial da revista leva em conta critérios como: investimentos realizados em relação à receita operacional líquida anual; índice de tratamento de esgoto; níveis de perda de água; e receita gerada por funcionário próprio, sendo que os itens operacionais têm peso diferenciado. De acordo com o jornalista, o tratamento de esgotos ainda é o “calcanhar de Aquiles do setor de saneamento” e que a média inferior a 50% é incompatível numa nação que figura entre as 10 maiores economias do mundo – “sob esse ponto de vista, ainda somos um país muito pobre. Quase miserável”. Quanto à perda de água, Francisco Alves salientou que o problema adquire maior gravidade neste momento de crise hídrica – “é inadmissível que se gaste esforços e recursos financeiros para captar água, tratá-la e depois deixar que ela se perca sem utilização”. As empresas premiadas em 2015 já foram escolhidas como as melhores pelos leitores da revista Saneamento Ambiental em outras ocasiões: a Sanepar foi eleita pela segunda vez, a Sanasa pela quarta, assim como a Aegea, que já recebeu o prêmio como Grupo por duas vezes e de forma individual através de suas concessões Prolagos e Águas Guariroba. Outro aspecto ressaltado por Alves em seu discurso foi o crescimento da iniciativa privada no setor ao longo dos 15 anos que a premiação ocorre: “no começo, as empresas privadas atendiam a um número muito pequeno de comunidades. Hoje elas estão em 304 municípios, atendendo a uma população de mais de 32 milhões de pessoas. E a tendência é que essa participação aumente ainda mais, tendo em vista o que ainda precisa ser feito e a baixa capacidade de investimento por parte do setor público”. O jornalista encerrou seu discurso dando boas vindas a todos que desejarem investir em saneamento “em concordância com as regras”, como forma de ajudar o setor a sair do atual “quadro de miséria”. A cerimônia de premiação contou com a presença do diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Sanasa, Pedro Cláudio da Silva, que recebeu a placa das mãos de Everton de Oliveira, Conselheiro da revista. Na sequência, Eugenio Singer, também Conselheiro da publicação, entregou a distinção à Sanepar, representada por seu diretor Administrativo, Francisco Cesar Farah. Por fim, o diretor da revista Saneamento Ambiental, Sergio de Oliveira, entregou o prêmio ao diretor Presidente da Aegea, Hamilton Amadeo. Farah disse que apesar de a Sanepar não ter sido construída para ganhar prêmios, esses reconhecimentos são bem-vindos, pois atestam a eficiência do trabalho prestado, lembrando ainda que a companhia trata, no Paraná, 100% do esgoto que coleta, condição determinada por uma lei estadual. Mostrando-se bastante honrado com a premiação, Hamilton Amadeo enalteceu a iniciativa da revista Saneamento Ambiental, “uma referência do setor”, em sua opinião, e reforçou os esforços do Grupo Aegea para estender o saneamento ao maior número possível de pessoas. A palestra apresentada pelo economista Eduardo Gianetti da Fonseca foi sem dúvida o ponto alto do evento. Em sua fala, lembrou do desafio da universalização da cobertura dos serviços de saneamento, “segmento ainda bastante crítico no Brasil”. Quanto às perspectivas para a economia brasileira, Gianetti dividiu sua apresentação em três etapas: “onde estamos, como chegamos aqui e para onde vamos”. Em sua concepção, o Brasil vive um momento de reversão de expectativas – há pouco tempo era a “estrela do mundo emergente” e hoje se encontra no outro extremo do pêndulo, chamado pelo economista de “fundo do poço”. Três aspectos levam a essa definição: o atual cenário de recessão com a expectativa de PIB negativo de -2,5% para 2015 (o quadro deve se manter negativo em 2016, “apesar de menos grave que agora”, aponta o economista); a inflação verificada de 9,5% a 10% em 2015 que é reflexo dos preços “segurados artificialmente” pelo poder público nos últimos anos e somente em 2017 deve voltar a convergir para o centro da meta; e o desequilíbrio externo. Entre as condições que levaram o país a essa situação Gianetti lista a mudança do ambiente externo, aliada a fatores estruturais e conjunturais – “o mundo que trabalhava a favor do Brasil deixou de fazê-lo”, destaca o economista, acrescentando ainda que outros mercados emergentes também sofreram o impacto do ambiente externo, entretanto em menor escala e que já mostram sinais de recuperação. Ele não foi muito otimista sobre as perspectivas para a economia brasileira, tendo em vista o agravamento do atual quadro político e econômico. E disse que dificilmente o País voltará a crescer antes de 2017. Quanto ao saneamento, Gianetti afirmou que a carência em serviços de coleta e tratamento de esgotos é o principal desafio civilizatório brasileiro. “É um desafio hoje, numa visão de sustentabilidade, com a questão da gestão integrada dos recursos hídricos, a saúde pública, o capital humano e o desenvolvimento do País e da própria dignidade das pessoas”, ressaltou o economista.

6 de agosto, 2015