TECNOLOGIA

Flutuador solar gera energia

O mercado de saneamento não será mais o mesmo depois de conhecer as vantagens do flutuador com placas fotovoltaicas, tecnologia que a Sunlution, jovem empresa brasileira de geração distribuída (solar e hibrida) e geração em usinas solares de médio e grande porte, traz ao mercado brasileiro após uma joint-venture firmada com a fabricante francesa Cielet Terre International.

A novidade promete ampliar, mesmo em tempos de escassez de água e baixo nível dos reservatórios, a capacidade de oferta hídrica das companhias de saneamento no Brasil. Orestes Gonçalves, sócio diretor da Sunlution, explica que o sistema já vem sendo empregado com êxito em outros países do mundo para cobrir parte dos espelhos d’água de reservatórios de companhias de saneamento: “a tecnologia reduz em até 70% o nível de evaporação da água nos locais onde o flutuador fica instalado, o que permite maior oferta hídrica e, ao mesmo tempo, utilização da energia gerada para abastecer a operação da companhia”.  

A proposta de gerar energia em reservatórios aproveitando a infraestrutura já existente nas instalações vem atraindo o interesse de companhias brasileiras de saneamento e as conversações com duas delas já estão bem adiantadas, garante o executivo.

O sistema de energia solar flutuante, plataforma batizada por Hydrello, permite a instalação dos painéis fotovoltaicos em reservatórios de água potável, lagos de minas e pedreiras, canais de irrigação ou bacias de decantação e remediação. Com montagem rápida e fácil, o sistema se adapta a qualquer configuração elétrica. Fabricados em HDPE através de moldagem por sopro, os flutuadores possuem vida útil superior a 20 anos e são resistentes à corrosão e raios UV. Painéis secundários permitem fácil acesso para manutenção e limpeza das placas.

Ciente da eficácia do equipamento, Gonçalves estima encerrar o ano de 2015 com 15 a 20 megawatts (MW) de projetos de energia solar contratados, para serem instalados ao longo de 2016: “como a estrutura está toda pronta, não há necessidade de se investir em transmissão ou em subestação, como acontece em muitos projetos eólicos, por exemplo”.

Para otimizar ainda mais o sistema, Gonçalves destaca ainda a parceria firmada com a TechSub, fabricante francesa de aeradores de água solar sustentáveis, para explorar o mercado de tratamento e recuperação de rios e lagos no Brasil. A proposta é integrar o flutuador com placas solares da Sunlution aos aeradores da TechSub e oferecer um modelo sustentável nos projetos de melhoria da qualidade da água no Brasil. Na prática, as placas fotovoltaicas serão responsáveis pelo fornecimento da energia para o equipamento de oxigenação de água da fabricante francesa.

“A tecnologiaSunlution-TechSub (aerador + flutuador solar) custa no Brasil R$ 98 mil por equipamento. Cada aerador solar é instalado para cobrir uma área de 5 hectares. Na lagoa Rodrigo de Freitas (RJ), por exemplo, o projeto para elevar a qualidade da água está orçado em torno de R$ 12 milhões e o tempo de resposta para atingir os níveis desejados é de um ano”, ilustra o executivo.

Aterros sanitários podem utilizar a mesma tecnologia

Outro nicho de mercado que vem sendo trabalhado pela Sunlution são os aterros sanitários e os lixões. A ideia, segundo Gonçalves, é cobrir esse  locais com os mesmos flutuadores solares utilizados nos reservatórios, para gerar energia limpa e, ao mesmo tempo, garantir tratamento adequado às áreas impactadas.

A expectativa da empresa nessa área é obter um volume de negócios da ordem de R$ 35 milhões com a entrada de cinco megawatts no primeiro ano de projeto. “O flutuador solar é indicado para cobrir este tipo de terreno, já que possui um sistema flexível de fixação capaz de compensar o movimento e as oscilações de uma área de lixão”, esclarece Gonçalves.

Já para o setor agrícola, outro potencial cliente da empresa, a Sunlution pretende instalar os flutuadores em lagos e represas de propriedades rurais e, desta forma, garantir o abastecimento energético para a produção. Estudos mostram que o flutuador reduz em até 70% o nível de evaporação da água, o que permite ao agricultor aumentar em 30% a sua produção.

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