AMAZÔNIA

Fogo em área desmatada cresce 9% em 2019

Segundo dados que fazem parte de uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o fogo em áreas recém-desmatadas na Amazônia passou de 15% nos anos 2016 e 2017 para 25%, em 2018, e alcançou os 34% no último ano. O fogo em terrenos após a derrubada da floresta é o último estágio do desmatamento, seguido da conversão da terra em pasto ou plantação. Os focos de calor capturados por satélites somaram 87 mil em 2019 na Amazônia. 

O fogo para manejo agropecuário respondeu por 36% dos focos de calor de 2019. Os incêndios florestais, quando o fogo entra em uma área de vegetação nativa, responderam por 30%. "Somando os incêndios florestais e o fogo de desmatamento, podemos ver claramente o risco que as florestas sofrem atualmente. Não é fogo de capim que cria aquelas nuvens de fumaça que intoxicam a Amazônia e viajam até Sudeste, é árvore queimando, derrubada ou em pé", diz a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, principal autora do estudo.

Os pontos de fogo de desmatamento foram uniformes em 2019, principalmente entre assentamentos (26% dos focos de calor desse tipo), imóveis rurais (25%) e florestas não-destinadas (23%) – essa última um sinal de grilagem, a ocupação ilegal de terras públicas, já detectada em análises de distribuição fundiária do desmatamento na Amazônia. "Uma moratória pode ajudar a controlar o fogo e evitar que a fumaça ameace a saúde da população na região, o que é recomendado em tempo de COVID-19. Mas é um remédio para tratar o sintoma, não a causa principal. Enquanto o desmatamento não for contido, o problema vai persistir", diz Ane. 

A nota do IPAM também analisa o primeiro semestre de 2020. O número absoluto de focos de calor é mais baixo do que o do primeiro semestre do ano passado, mas eles mascaram o problema real. O pico de fogo de Roraima, que normalmente acontece entre janeiro e março, foi incomum em 2019 e desviou os números para cima. Já em 2020, os estados com mais desmatamento (Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia) tiveram aumento de queimada no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2019 - e o pico de fogo nessas localidades acontece entre julho e outubro. Com exceção de Roraima, o IPAM diz que é necessário agir para evitar uma temporada como a de 2019. "Os estados têm um papel relevante ao fiscalizar o cumprimento da moratória do fogo decretada pelo governo federal", diz Ane. "Abandonar a prática da queimada e trocar por tecnologia agrícola, investir no bom uso das áreas já abertas, combater a ilegalidade, proteger as florestas. Nada disso é ciência avançada. É preciso querer fazer”.

Artigos Relacionados

Acordo beneficia mais de 20 mil pessoas na Resex Chico Mendes
COMUNIDADES TRADICIONAIS
Acordo beneficia mais de 20 mil pessoas na Resex Chico Mendes

O MPF pedia a demarcação georreferenciada de todas as "colocações" da reserva — áreas usadas por famílias tradicionais para sua sobrevivência —, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

13 de março, 2026
Temperatura da superfície na Amazônia cresce 3% na estação seca
DESMATAMENTO
Temperatura da superfície na Amazônia cresce 3% na estação seca

A perda da vegetação leva ao aumento da temperatura da superfície, à diminuição da evapotranspiração, além da redução da precipitação na estação seca e do número de dias de chuva.

21 de janeiro, 2026
Suíça dá mais R$ 33 milhões para conservação do bioma
FUNDO AMAZÔNIA
Suíça dá mais R$ 33 milhões para conservação do bioma

Com o aporte, o país europeu dobra o valor total de suas contribuições, que agora ultrapassa R$ 60 milhões, além de reforçar a cooperação com o Brasil na agenda de conservação da floresta e de transição ecológica global.

10 de novembro, 2025
Desmatamento diminui, mas florestas ainda convivem sob pressão
MEIO AMBIENTE
Desmatamento diminui, mas florestas ainda convivem sob pressão

De acordo com o FRA 2025, as florestas cobrem atualmente 4,14 bilhões de hectares, o que representa cerca de um terço da superfície terrestre do planeta, o equivalente a 0,5 hectare por pessoa.

29 de outubro, 2025
Amazônia perde uma Belo Horizonte em um ano
DESMATAMENTO
Amazônia perde uma Belo Horizonte em um ano

O Greenpeace Brasil lembra que a expansão da agropecuária na Amazônia tem sido o motor principal do desmatamento no bioma há décadas, e que a pastagem é responsável por mais de 90% do desmatamento.

12 de maio, 2025
Fundo Amazônia destina R$ 45 milhões para estrutura em MT
QUEIMADAS
Fundo Amazônia destina R$ 45 milhões para estrutura em MT

O projeto compreende aquisição de um helicóptero e acessórios, capacitação de agentes públicos, sensibilização de comunidades locais e formação de brigadas.

1 de fevereiro, 2025
São Paulo sugere uso de máscaras, por má qualidade do ar
SAÚDE PÚBLICA
São Paulo sugere uso de máscaras, por má qualidade do ar

A principal recomendação é para que as pessoas evitem atividades físicas ao ar livre e aumentem a ingestão de água e líquidos

14 de setembro, 2024
Focos de calor aumentam 105% em agosto nos biomas e TI
QUEIMADAS
Focos de calor aumentam 105% em agosto nos biomas e TI

O Greenpeace Brasil vê como alarmante a situação em todos os biomas, mas ressalta a situação no Pantanal, onde o crescimento dos focos de calor entre 2023 e 2024 cresceu 3.509%

31 de agosto, 2024