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ÁGUAS INDUSTRIAIS

IFAT 2022 enfatiza reciclagem total

IFAT 2022 enfatiza reciclagem total

Feira apresentará os processos industriais com descarga mínima ou mesmo nula de líquido para o futuro.

A Feira mundial de negócios para gestão de água, esgoto, resíduos e matérias-primas IFAT Munich acontece entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2022 e apresentará os processos industriais com descarga mínima ou mesmo nula de líquido para o futuro, em um mundo onde a escassez hídrica é cada mais constante.

Por mais de três décadas, o consumo de água pela indústria alemã tem caído. Enquanto o setor mineral e de manufatura totalizaram cerca de 5,8 bilhões de m³ em 2016, o número de 2019 foi de apenas 4,7 bilhões de m³. Continuar essa tendência no futuro é correto e importante, pois mesmo em algumas regiões da Alemanha, geralmente ricas em água, o “ouro azul” pode se tornar uma mercadoria escassa devido a períodos de seca cada vez mais frequentes. “Dados os crescentes conflitos de uso que surgirão no futuro, o próprio setor tem interesse em pensar ainda mais intensamente sobre o uso adequado da água”, enfatiza Uli Paetzel. Segundo o presidente da Associação Alemã de Água, Águas Residuais e Resíduos (DWA), as empresas poderiam, por exemplo, fazer uso ainda mais consistente de tecnologias de conservação de água,

O objetivo da indústria é alcançar uma produção totalmente livre de efluentes, o que, em termos de tecnologia, não é mais uma visão do futuro. Em 2016, por exemplo, uma fábrica da Audi em San José Chiapa/México, já entrou em operação reivindicando essa conquista. A montadora afirmou que 100% das águas residuais produzidas na unidade são tratadas e depois utilizadas como água de processo, na produção e para regar as áreas verdes das instalações da fábrica. Novos campos de aplicação para Descarga Líquida Zero (ZLD) estão em constante desenvolvimento, além de muitas outras soluções já implementadas em diversos setores. Por exemplo, um consórcio que inclui a Universidade Técnica de Dresden está atualmente trabalhando no projeto “Med-zeroSolvent”, financiado pelo Ministério Federal Alemão de Educação e Pesquisa para desenvolver soluções inovadoras.

Elmar Billenkamp, chefe de design e vendas da EnviroChemie GmbH, comenta que a instalação de uma solução ZLD só é economicamente viável a depender das circunstâncias. A empresa de Rossdorf (Alemanha) é um fornecedor internacional de sistemas operacionais para tratamento e purificação de água industrial. Segundo o especialista, a escassez de água é uma das forças motivadoras das empresas. “Onde a água é barata e prontamente disponível, o ZLD geralmente não é um fator. Por outro lado, em regiões onde a água é escassa, muitas vezes pode valer a pena fechar o ciclo da água”, diz Billenkamp. Como exemplo, ele cita um fabricante de painéis solares no Catar, onde as águas residuais salinas são tratadas para que possam ser reintroduzidas no ciclo de produção. Problemas com a conexão de esgoto local - seja devido a restrições oficiais de descarga ou porque a infraestrutura correspondente no local de produção é inadequada ou completamente inexistente - são outra razão para o tratamento interno de águas residuais caro. “A ZLD também é uma oportunidade de se tornar independente das decisões administrativas. Por exemplo, um fabricante de automóveis em sua fábrica de motores no Cazaquistão optou por uma solução ZLD para suas águas residuais oleosas porque queria manter os custos do tratamento de águas residuais sob controle”, relata Elmar Billenkamp.

Além disso, há uma tendência de empresas especialmente grandes estabelecerem cada vez mais suas próprias metas ambientais, as quais visam alcançar como parte de estratégias de sustentabilidade. Neste contexto, a ZLD pode desempenhar um papel importante. “Os fabricantes automotivos alemães estão entre os pioneiros aqui, muitas vezes impondo requisitos muito rígidos sobre os volumes de descarte de suas águas residuais industriais”, descreve Thomas Dotterweich, engenheiro de projetos sênior de vendas da H2O GmbH com sede em Steinen/Alemanha, especializada no tratamento de águas residuais industriais.

Dependendo dos constituintes do fluxo de águas residuais tratadas, os processos ZLD também podem produzir sólidos concentrados, lodos e líquidos que podem não apenas ser descartados com segurança, mas também usados ou comercializados com ganho econômico. “Por exemplo, no caso de plantas de endurecimento por banho de sal, é possível reincorporar o concentrado de uma planta de destilação a vácuo no processo de produção, economizando matérias-primas valiosas”, descreve Dotterweich. Outro conceito econômico foi implementado por um fornecedor automotivo no México: os concentrados contendo muito óleo resultantes do processo ZLD podem ser queimados para gerar energia, de modo que a empresa pode até ganhar dinheiro vendendo os concentrados.

A IFAT Munique acontecerá no centro de exposições de Munique de 30 de maio a 3 de junho de 2022, e contará com diversos estandes da empresa, extenso programa de palestras e discussões. A circulação de água nos processos de produção industrial – até Descarga Líquida Zero – estará entre os temas centrais.

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