MANANCIAIS

Indústrias precisam adotar práticas que assegurem o tratamento eficiente das águas e efluentes

Indústrias precisam adotar práticas que assegurem o tratamento eficiente das águas e efluentes

A contaminação de rios, oceanos, lagos e lençois subterrâneos por microplásticos, produtos químicos e efluentes industriais compromete ecossistemas, afeta a biodiversidade e representa riscos diretos à saúde humana.

Segundo dados do Instituto Trata Brasil, em janeiro de 2025, um volume de 162 mil piscinas olímpicas de esgoto não tratado foi despejado no meio ambiente, o que representa 405 milhões de m³ de água, revelando a urgência de ações contínuas de monitoramento, investimento em saneamento e preservação dos recursos hídricos. A contaminação de rios, oceanos, lagos e lençois subterrâneos por microplásticos, produtos químicos e efluentes industriais compromete ecossistemas, afeta a biodiversidade e representa riscos diretos à saúde humana.

Um estudo de pesquisadores brasileiros classificou o Rio dos Bugres, localizado no sistema estuarino entre Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo, como o segundo mais poluído por microplásticos do mundo. Diante desse cenário, torna-se essencial discutir o papel das indústrias na mitigação da poluição hídrica. Afinal, em suas atividades, elas geram uma grande quantidade de efluentes com cargas orgânicas elevadas. “A correta gestão dos resíduos líquidos gerados por empresas dos setores urbanos e industriais é fundamental para a preservação ambiental”, ressalta Paulo Paschoal, diretor de Operações da Opersan, especialista em soluções ambientais. De acordo com ele, as empresas têm uma grande responsabilidade no sentido de contribuir para a qualidade da água devolvida à natureza após o uso nos processos produtivos.

Para Paschoal, as indústrias precisam adotar práticas que assegurem o tratamento eficiente das águas e efluentes gerados em seus processos, de forma a contribuir para a proteção dos mananciais e a segurança no abastecimento humano. “Tecnologias avançadas, como os sistemas de membranas, incluindo ultrafiltração e osmose reversa, não apenas garantem a remoção eficiente de poluentes, como também possibilitam o reúso seguro da água, contribuindo para a conservação dos recursos hídricos e para a sustentabilidade ambiental”, afirma o especialista. “Esse tipo de solução é cada vez mais necessário diante da realidade dos mananciais brasileiros que, embora representem a maior reserva de água doce do planeta, já apresentam níveis preocupantes de poluição e contaminantes que não são eliminados por processos convencionais de tratamento”, explica.

Uma pesquisa realizada pela Bain, em parceria com a EcoVadis, indica que empresas que focam em práticas consistentes nas áreas ambiental, social e de governança possuem maior lucratividade. Esses dados evidenciam que investir em ESG, além de ser uma obrigação ética e social, tornou-se uma estratégia de negócios essencial para quem busca longevidade, reputação positiva e retorno financeiro no mercado atual. Na Semana do Meio Ambiente, as alarmantes constatações da poluição de mananciais, como o Rio dos Bugres, servem como um lembrete da urgência de ações cada vez mais efetivas. “Mais do que atender a exigências legais, investir no tratamento adequado de efluentes e incentivar o reúso da água são medidas essenciais para proteger os recursos hídricos, preservar a saúde pública e a construção de um futuro ambientalmente mais sustentável”, finaliza o diretor da Opersan.

Artigos Relacionados

Sistema Cantareira entra estação seca com nível mais baixo em 10 anos
ARTIGO
Sistema Cantareira entra estação seca com nível mais baixo em 10 anos

O Sistema Cantareira encerrar o verão no nível mais baixo em uma década não é um evento isolado, mas é mais um sinal consistente de um padrão que já se desenha há anos.

23 de março, 2026
Da lei à realidade: desafios do saneamento básico no Brasil
ARTIGO
Da lei à realidade: desafios do saneamento básico no Brasil

É possível constatar que equilibrar a universalização do saneamento básico com o crescimento populacional e a realidade brasileira segue sendo uma tarefa complexa.

19 de março, 2026
Estudo levanta preocupações quanto ao uso de biofertilizante
LODO BIOLÓGICO
Estudo levanta preocupações quanto ao uso de biofertilizante

O uso de FSBs levanta preocupações quanto à segurança sanitária, já que o contato com o líquido pode abrir vias de exposição a doenças transmitidas pela água.

28 de janeiro, 2026
Ambipar promove palestra sobre gestão sustentável da água no Açu
IFAT
Ambipar promove palestra sobre gestão sustentável da água no Açu

Com um estande interativo de 100 m², a Ambipar apresentará tecnologias de ponta voltadas ao reúso de água, tratamento de efluentes, desmineralização e recuperação de áreas contaminadas.

24 de junho, 2025
Cerca de 80% da água usada pela indústria tem destino inadequado
MEIO AMBIENTE
Cerca de 80% da água usada pela indústria tem destino inadequado

Segundo número da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), 60% da água utilizada pela indústria brasileira é descartada sem passar por nenhum tipo de tratamento.

22 de maio, 2025
Reúso de água contribui para a redução dos custos
OPERSAN
Reúso de água contribui para a redução dos custos

Além de reduzir os custos com água e contribuir para a sustentabilidade e a preservação ambiental, o reúso, mediante a aplicação de tecnologias avançadas, pode proporcionar o fornecimento de um recurso hídrico de excelente qualidade.

30 de janeiro, 2025
Para ONU, metade dos países têm corpos hídricos degradados
ÁGUA
Para ONU, metade dos países têm corpos hídricos degradados

Os documentos constataram que na metade dos países do mundo, um ou mais tipos de ecossistemas de água doce estão degradados, o que inclui rios, lagos e aquíferos

31 de agosto, 2024
Saneamento Ambiental Logo
GS INIMA
Compra de operações da BRK Ambiental

13 de maio, 2019