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EFLUENTES

Sabesp investe R$ 1 bilhão na implantação de novas tecnologias para tratamento em ETEs
A Sabesp moderniza a ETE Parque Novo Mundo com novas tecnologias, ampliando sua capacidade de tratamento de esgoto em 148% sem expansão física.
12 de junho, 2026
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A iniciativa visa substituir sistemas antigos de esgotamento sanitário por tecnologias eficientes de tratamento unifamiliar, com o objetivo de contribuir para a preservação dos recursos naturais e para a melhoria da qualidade da água, especialmente do Rio do Peixe.

A contaminação de rios, oceanos, lagos e lençois subterrâneos por microplásticos, produtos químicos e efluentes industriais compromete ecossistemas, afeta a biodiversidade e representa riscos diretos à saúde humana.

Sistema é usado no tratamento de efluentes, tratando águas residuais industriais e domésticas para reduzir poluentes e possibilitar o reuso ou descarte seguro no meio ambiente

O projeto prevê a construção, operação e manutenção de estação elevatória de reversão de esgoto bruto.O prazo da concessão é de 30 anos

A medida conserva as redes coletoras e garante bom funcionamento do sistema

As pesquisas tem como objetivo de avaliar a influência da atividade minerária na qualidade e quantidade de água disponível e no escoamento da água sobre o solo

A pesquisadora diz que a ausência de diretrizes contribui para o descontrole dessa fonte de resíduo líquido, que pode gerar impactos graves ao meio ambiente e à saúde pública

Além dos quase 28 km da rede coletora que serão trocados, o serviço prevê ainda a substituição e implantação de 2.706 unidades de ligações domiciliares.

A ação ajuizada contra a Copasa ocorreu em razão de ter sido apurado o descarte ilícito de efluentes não tratados diretamente no ambiente.

Artigo por Monique Zorzim * Em várias regiões do Brasil, onde há bastante disponibilidade de áreas próximas aos centros urbanos, o tratamento dos esgotos sanitários é realizado por sistemas de lagoas de estabilização – de menor custo operacional, porém ocupando grandes extensões de terra em sua implantação. Para concepção e projeto desses sistemas, considera-se o crescimento populacional e consequente aumento da geração de esgotos para um certo período, a depender de diversos fatores de engenharia. Em alguns desses casos, o período de fim de projeto já se exauriu, e essas plantas começam a chegar ao seu limite da capacidade de tratamento. Em outras situações, que vieram a acontecer principalmente com a recente crise hídrica, as metas de eficiência de remoção de poluentes ficaram ainda mais restritivas. Uma ferramenta para postergar o limite da vida útil desses sistemas e garantir a eficiência na remoção dos contaminantes, devolvendo sempre uma água de qualidade para o meio ambiente, é a prática da bioaumentação, em que microrganismos específicos de alta capacidade de degradação dos poluentes são inseridos no sistema, aumentando a capacidade de assimilação e degradação dos compostos presentes nos esgotos. Em exemplo recente dessa prática, a Superbac, em parceria com o SIMAE (Serviço Intermunicipal de Água e Esgoto) realizou um projeto de bioaumentação em uma estação de tratamento de esgoto na ETE, que trata o efluente dos municípios de Joaçaba e Herval d’Oeste, no estado de Santa Catarina. O sistema é constituído por três lagoas em série, sendo que, já visando o aumento de carga recebido na planta, foi realizado investimento com a instalação de aeradores nas duas primeiras lagoas. Porém, as metas de qualidade do efluente final ficaram ainda mais limitadas, sendo estabelecidos novos valores para os horizontes de 2022 e 2023. Em agosto de 2021, iniciou-se o projeto, visando atender às metas propostas para 2022. Entretanto, analisando-se os primeiros resultados, foi alinhado manter o foco para atender às metas de 2023. Além de atingir previamente a meta proposta para 2023, a tendência dos resultados segue uma decrescente inclinação bastante interessante. Dado o tempo de detenção hidráulica do sistema, a expectativa é que essa tendência se mantenha até alcançar um patamar de estabilização – certamente dentro dos limites propostos para alcançar a qualidade do efluente final. Além disso, a prática da bioaumentação promove uma maior robustez ao sistema. Isso significa que na ocorrência de situações adversas e atípicas, como variações de carga por eventos pluviométricos, por exemplo, as lagoas de estabilização serão capazes de absorver melhor os impactos, mantendo a qualidade do efluente final e recuperação mais rápida em casos de eventos extremos. A ampliação da capacidade de tratamento de esgotos vem se tornando cada vez mais comum e necessária, principalmente com o novo marco do saneamento, onde os players assumem diversas plantas de uma região que necessitam de investimento em CAPEX. A bioaumentação pode prorrogar e até mesmo substituir esses altos investimentos, possibilitando que o fluxo de caixa seja direcionado sempre para a opção mais rentável e ainda assim garantindo o atendimento às metas, legislações, e ao direito de todos de um ambiente ecologicamente equilibrado. * Monique Zorzim é gerente técnica e de pós-vendas da Superbac.

Módulo permitirá o salto de tratamento de efluentes domésticos do município dos atuais 83% para 95%.

Em Caraguatatuba, a Sabesp anunciou o início da licitação para contratação de obras de coleta e tratamento de esgoto com investimentos de R$ 66,4 milhões.

A ETE Flores ajudará o município a aumentar a cobertura de esgotamento sanitário dos atuais 3% para 33%.

A primeira ação atenderá, em caráter piloto, dez escolas rurais, beneficiadas também pela Iniciativa Água nas Escolas.

O diclofenaco (DCF) e o ibuprofeno (IBU) estão incluídos entre os micropoluentes emergentes e recalcitrantes em reatores biológicos em ETE.

As cidades de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Fortaleza registraram aumento das cargas virais em seus esgotos.

Empresa de serviços ambientais especializada em tratamento de efluentes e lodos industriais, a Okena recebeu aporte de R$ 7 milhões da gestora Rise Ventures em uma rodada de follow on para investir em P&D, infraestrutura e reforço em sua área comercial. A partir do investimento recebeido, a Okena prevê um crescimento entre 30% e 45% anual para os próximos cinco anos. Segundo Francisco Teixeira de Goeye, CEO da Okena, 50% do resultado no quinto ano será dos novos serviços que serão lançados com o aporte. A Okena faz parte do portfólio de empresas investidas da Rise desde 2019, uma parceria baseada no compartilhamento de valores e na convicção de que negócios devem promover impacto socioambiental positivo. “Desde o início, nossa busca por um investidor externo precisava estar alinhada com nossas crenças. Buscamos um fundo ou investidor que acreditasse em três elementos que, para nós, são inegociáveis: o potencial das empresas de transformação e geração de impacto positivo; a interdependência entre humanos e meio ambiente; e a capacidade de evolução das pessoas”, diz o CEO. Os R$ 7 milhões investidos pela Rise na Okena serão diversificados tanto para uma maior penetração no mercado de tratamento de efluentes industriais quanto para permitir a expansão da atuação para novas áreas. O montante será destinado P&D com o objetivo de encontrar novas formas de transformar resíduos em produtos que possam ser usados para diferentes finalidades. Um dos projetos que deve ganhar recursos é a pesquisa que visa à fabricação de um novo produto a partir de fraldas usadas descartadas, em parceria com a Boomera. A área, chamada Okena Labs, também trabalha no projeto de fabricação de produtos químicos e industriais a partir de resíduos da indústria Metalúrgica e Papel & Celulose e da indústria de Tintas e Resinas. Outra parcela do aporte será destinada à infraestrutura, para modernizar o processo de tratamento e aumentar a capacidade de recebimento, armazenamento e tratamento dos efluentes industriais. O terceiro pilar irá fortalecer a estrutura comercial, com a modernização dos processos e fluxos da área. “Planejamos também lançar novos serviços para atender as indústrias do estado de São Paulo, auxiliando-as com passivos ambientais e limpezas técnicas”, conta Goeye. O principal impacto positivo direto da Okena está relacionado à água limpa e à preservação do ecossistema: o Brasil tem 12% de toda a água doce da superfície do mundo, e efluentes industriais têm potencial de poluir até 1000 vezes mais do que o esgoto doméstico. A Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (ABETRE) informa que são gerados cerca de cinco mil metros cúbicos diários de efluentes industriais, dos quais 60% são despejados de modo irregular em rede de esgotos e corpos d'água – o que equivale a 500 caminhões-tanque por dia, dos quais 300 iriam parar na natureza. A Okena trata cerca de 6.000 caminhões-tanque de efluentes industriais de diversos clientes por ano — garantindo que a água retorne para natureza de maneira segura e limpa.

Pesquisador desenvolveu a Fossa Alta Comunitária (FAC), uma tecnologia adaptada especificamente para áreas alagáveis da região.

Artigo por Diogo Taranto Por Diogo Taranto * O cenário de emissões de efluentes no País é turvo. Não temos um atlas completo, no âmbito privado, sobre o quanto empresas, indústrias, condomínios e centros comerciais descartam todos os dias, de forma irregular, milhões de litros dos mais diversos tipos de líquidos que causam impacto extremamente nocivo a rios, lagos, ao solo e aos lençóis freáticos. Não conhecer o tamanho e a geografia desse imenso problema é um alerta que aponta para o complexo desafio que temos pela frente: enfrentarmos a gestão da água como prioridade. Há, sim, alguns estudos que trazem sinais claros sobre pontos relacionados ao problema do saneamento e do acesso à água no país. O Instituto Trata Brasil realiza um trabalho sério e que contribui na definição de políticas públicas e tomadas de decisões sobre, por exemplo, quais os locais mais carentes de investimentos. Um dado relevante publicado pela ANA – Agência Nacional das Águas – estima que o consumo das indústrias corresponda a 7% do volume de água consumida no Brasil. A grande maioria dos estudos que temos disponíveis tratam de acesso e de disponibilidade hídrica. Ainda de acordo com o Trata Brasil, em um estudo divulgado esse ano, 35 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e cerca de 100 milhões não têm serviço de coleta de esgoto no país. Tendo uma ideia de onde não há acesso a saneamento, têm-se referências sobre os locais mais propensos a ocorrer irregularidades. Mas os dados parecem ficar sem outras respostas fundamentais. Quais são as maiores indústrias poluidoras que descartam efluentes contaminados? Onde elas estão? Quais os principais setores industriais? Quais são os mais novos e nocivos componentes químicos, misturados à água, que são descartados? Qual a real característica da água captada dos mananciais? Por fim, por que as instituições de fiscalização não coíbem com eficácia este que é um crime ambiental? São respostas complexas mas que precisam ser buscadas. Sabe-se, por exemplo, que a indústria automotiva é umas das grandes consumidoras, mas as montadoras - todas com padrões globais - investem muito em tratamento de efluentes e reúso de água. O que já não ocorre tanto com as indústrias periféricas do setor, na qual encontramos ainda muitas irregulares. A indústria têxtil também necessita de muita água em seus processos. Grandes players precisam seguir rígidos padrões internacionais. Mas e os médios e pequenos negócios que utilizam de componentes tóxicos na tinturaria de tecidos? Não temos essa foto! Onde há abundância de recursos hídricos, como na região norte, nos arredores de Manaus (AM) e Belém (PA), e na região sul no estado de Santa Catarina, por exemplo, o reúso de água na indústria é quase inexistente, assim como são poucos os cases de tratamento legal de efluentes. Há uma triste razão muito clara que explica essa cultura tóxica da gestão de água no Brasil: é mais barato não tratar o efluente e descartá-lo de forma irregular! Lavam as mãos e viram de costas para a natureza e para os valores de ESG, cada vez mais latentes na sociedade atual. E fazem isso pois sabem que correm pouco risco de serem multados ou processados pelas autoridades. O efluente não tratado quase não deixa rastro, pois acaba se misturando com as águas do corpo receptor onde são lançados. É diferente do resíduo sólido, que é muito mais complicado de escondê-lo. É preciso que toda a sociedade esteja mobilizada para denunciar quem está irregular, e motivar o cumprimento das leis ambientais. O Brasil e as empresas de tratamento de águas e efluentes aqui instaladas têm acesso às mais modernas tecnologias que existem no mundo. Tecnologias de ponta, que são práticas confiáveis e que entregam qualidades muito superiores às requeridas pela legislação nacional, que, vale destacar, é considerada uma das mais restritas e exigentes do mundo. Um empreendimento que trata seus efluentes e atende às regulamentações não está somente cumprindo sua obrigação legal, mas estará contribuindo com a melhoria dos mananciais, a sustentabilidade e subsistências das gerações futuras. A pressão social tem que partir não apenas das autoridades, mas de sociedades de classes e de associações setoriais. É urgente o mapeamento do problema para que ele seja combatido de forma coesa e efetiva. De posse de um retrato real sobre os desafios gerados pela emissão de efluentes líquidos, é possível criar campanhas que incentivem quem está irregular a entrar no caminho correto para que não sofram possíveis punições. Vivemos um momento de crise hídrica que não será temporária, mesmo sendo otimista e imaginando que nos próximos anos os reservatórios irão recuperar parte de seu volume, a certeza é que haverá outros ciclos de escassez. O Novo Marco do Saneamento já começa a impulsionar melhorias e na medida em que os organismos públicos começam a investir pesado para se adequarem às exigências necessárias, o setor privado precisa caminhar junto. Mas não há tempo para aguardarmos um ajuste natural do mercado. É preciso entender o tamanho do desafio que temos pela frente no que tange o descarte ilegal de efluentes. Necessitamos de uma transparência límpida como a de águas cristalinas, que coloque no holofote aqueles que estão devolvendo para a natureza um imenso problema. Ignoram, com ingratidão, que foi ela que lhes deu o precioso insumo que garante a subsistência de seus negócios. Mas sempre é tempo de adotarmos a sustentabilidade como filosofia de vida. * Diogo Taranto é Diretor de Desenvolvimento de Negócios no Grupo Opersan, especializado em soluções ambientais para o tratamento de águas e efluentes.

A Aegea prevê investir $ 250 milhões durante os 35 anos de contrato e beneficiar 133 mil pessoas.

Objetivo da consulta é promover a participação social na execução do Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem.

O presidente da Cagece, Neuri Freitas, disse que o projeto é grandioso e irá transformar o saneamento básico no Ceará.

“Nos próximos dez anos, nosso estado terá orgulho de ser o primeiro a ter 100% de coleta e tratamento do esgoto sanitário"

As obras estão inseridas no programa de expansão da cobertura de saneamento básico da cidade

Atualmente, a empresa está implantando mais 4.5 km de rede. Ao final, a capacidade total de coleta será de 82 litros de esgoto por segundo.

Artigo por Andreas Göhringer Por Andreas Göhringer * Muito se fala nos critérios ESG atualmente, mas como ir além do discurso e passar à prática numa perspectiva de longo prazo? Atender às necessidades e expectativas dos stakeholders nas três áreas – ambiental, social e governança – exige coragem para realizar um diagnóstico aprofundado de todas as operações e, na sequência, passar para um plano de ação que sane os possíveis gargalos da empresa. Claramente, é preciso investir para obter um raio-x realista de sua própria atividade. Gostaria de abordar uma área em que se faz necessária a aplicação de tais critérios com urgência no Brasil: o saneamento. Sabemos que o tratamento da água no Brasil e a adequação de efluentes industriais é uma emergência, e a crise hídrica apenas intensifica isso. Se pensarmos que a média de água potável perdida no Brasil em 2018 foi de 38,45% do total (de acordo com o Trata Brasil e Water.org), fica clara a necessidade de investimentos na infraestrutura do serviço de fornecimento de água. Destaco ainda a importância da manutenção de todo o sistema, pois medidores mais modernos e precisos podem estancar vazamentos e alertar para deficiência do processo. Os dados obtidos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico revelam que o ganho financeiro que o país teria com a redução de perda desse volume de água poderia chegar a R$ 30 bilhões até 2033. Como a sua empresa se encontra nesse quesito? Seja na atuação com o tratamento de água potável ou na recuperação de seus efluentes, necessário em indústrias de todo ramo, podemos dizer que a perda desse precioso recurso hoje é inadmissível, e equipamentos atualizados e modernos podem ser uma ótima ferramenta evitar o desperdício. O quesito ambiental, quando se fala em saneamento, é óbvio, mas o social também se faz presente. Afinal, 16% da população brasileira ainda vive sem água tratada, e 47%, ou seja, quase a metade, sem acesso à rede de esgoto. Como sua empresa se relaciona com o entorno de suas unidades fabris? Esse é um ponto que já foi abordado por muito tempo dentro de um viés assistencialista, mas que hoje exige medidas realistas e estruturais. A gestão das indústrias, ou sua governança interna e externa, também pode trazer insights de melhoria no tratamento da água e efluentes. Se pensarmos no transporte de fluidos, por exemplo, é crucial que ele seja realizado sem vazamentos, sem a corrosão dos equipamentos condutores e riscos de explosão. É preciso ter domínio de técnicas, é claro, mas também equipamentos próprios e calibrados, com manutenção em dia. As empresas que tiverem coragem de investir e mudar suas práticas em prol do planeta terão como recompensa a consciência limpa e a manutenção de sua competitividade. * Andreas Göhringer é Conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-PR) e CEO da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle no Brasil.

Em 1992, quando do lançamento do projeto, o índice de coleta de esgoto era de 70%, e atualmente está em 92%.

Artigo por André Salcedo Por André Salcedo * O esgoto é o mais emblemático rejeito da cultura humana. Ironicamente, as letras que iniciam o termo concentram os pilares ESG - Environmental, Social and Governance. Uma coincidência adequada à importância do esgotamento sanitário para transformações econômicas, ambientais e sociais. Com apenas 54% da população brasileira com acesso à coleta de esgoto, abraçar a agenda do saneamento significaria reduzir danos ambientais e desigualdades sociais. Para isso são necessários investimentos e capacidade de execução além do que o Estado tem sido capaz de fornecer com a urgência que a situação pede. As perspectivas são positivas: novos projetos vêm se multiplicando, em especial pelo envolvimento do BNDES e da Caixa Econômica Federal na sua estruturação. E há um aumento relevante da participação e interesse de operadores privados e investidores após a aprovação do Novo Marco do Saneamento. O déficit do saneamento revela uma oportunidade de investimento no segmento de infraestrutura que mais reúne Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da ONU. Dos 17 ODS, o setor é diretamente representado no objetivo 6 (Água potável e Saneamento), além de contribuir com outros onze temas ligados à saúde, educação, desenvolvimento socioeconômico sustentável e consumo consciente. A agenda ESG tem capital abundante disponível pelo mundo. Rumo à universalização, o setor demonstra o seu potencial transformador na redução do impacto ambiental decorrente da presença humana, no fortalecimento de padrões de governança e transparência, e gerando benefícios sociais. É inegável seu papel no combate às desigualdades e na promoção da dignidade. O saneamento reduz riscos de desenvolvimento das doenças de veiculação hídrica, responsáveis por 230 mil internações no Sistema Único de Saúde em 2018, segundo o DATASUS. Há ainda efeitos no desenvolvimento educacional e na renda da população. Estudos do Instituto Trata Brasil apontam que pessoas sem acesso à coleta de esgoto e água tratada têm renda 52,4% menor e impacto de 25% na escolaridade. Neste sentido, concessões como a do Rio de Janeiro, que trazem compromissos de universalizar o saneamento, conjugados com investimentos relevantes na recuperação ambiental e em áreas irregulares, contribuem em diversos sentidos para a redução de passivos ambientais históricos e de desigualdades sociais crônicas. O Novo Marco pavimenta o caminho para que o setor amplie sua transparência e a governança regulatória. Com o papel da Agência Nacional de Águas reformulado, espera-se maior uniformidade de critérios e segurança jurídica. Os últimos leilões demonstram alta capacidade de atração de capital de qualidade para o setor, que, por sua vez, trazem consigo políticas rígidas de conduta, conformidade, ética e transparência. O pilar ambiental está no cerne do saneamento. É sua função primeira garantir a qualidade da água, o tratamento adequado dos resíduos devolvidos à natureza e o uso eficiente dos recursos hídricos. Voltando ao Rio de Janeiro, a despoluição do sistema lagunar da Barra da Tijuca será uma das contribuições mais significativas que o setor pode garantir à capital carioca. Interromper o despejo de esgoto não tratado e atuar na recuperação do passivo ambiental é fundamental para a regeneração desses ecossistemas. Os investimentos no saneamento impulsionam as alavancas da preservação ambiental e do desenvolvimento socioeconômico. Potencial que deve atrair recursos na ordem de R$ 750 bilhões para viabilizar a universalização até 2033, segundo levantamento da Abcon, associação do setor. É um dos maiores investimentos ESG em escala global e caracteriza a força do setor na transformação do País. * André Salcedo é Diretor executivo de Transformação da Iguá Saneamento

A Amanco Wavin instalará fossas sépticas biodigestoras para os moradores das propriedades rurais participantes do programa.

A ferramenta tem o intuito de dar mais visibilidade à precariedade dos serviços de saneamento no país.

Por Mateus Souza * Neste mês do meio ambiente, considero lamentável que grande parcela da população brasileira ainda não tenha acesso a água potável e encanamento sanitário. Sabemos que esse fato está diretamente associado aos indicadores de saúde e qualidade de vida. Mas o Brasil integra estatísticas divulgadas pela ONU dando conta de que, em todo o mundo, 2,4 bilhões de pessoas não possuem instalações sanitárias adequadas. E 46,3% dos brasileiros não contam com esgoto tratado, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Você poderia perguntar o que um engenheiro especialista em tecnologias de automação tem a ver com isso. Tudo, eu diria! O caminho para a modernização das instalações brasileiras passa, obviamente, pela legislação. E nesse quesito temos o Novo Marco do Saneamento, que, apesar das contestações judiciais por parte de empresas estatais, é a base para possibilitar novos investimentos onde hoje o poder público não chega. Mas a ampliação do acesso a água encanada e esgoto tratado também passa pela tecnologia, e essa está disponível no Brasil, felizmente. O uso de válvulas que impedem vazamentos e duram mais é uma das principais recomendações que eu daria a qualquer empreiteiro que pretenda investir em redes de água e esgoto hoje. Isso porque elas compensam ao exigir menos manutenção, e já vêm revestidas com materiais próprios contra a corrosão de químicos ou outros agentes agressores desses fluidos. “Modernidade” no esgoto? Sim, você leu bem. São necessários níveis de estanqueidade, ou seja, zero vazamentos, e baixíssimo nível de manutenção para que o investimento compense. E isso se consegue com técnicas e equipamentos adequados. O acionamento dessas válvulas pode ser feito de maneira remota e automatizada, sem precisar deslocar-se rio abaixo, por exemplo: essa é uma das possibilidades trazidas pela tecnologia num cenário de comunidades afastadas. Com essas facilidades à disposição, vejo muitas empresas crescendo, e dobrando as expectativas de faturamento dentro desse contexto: bons equipamentos, com preço justo, instalados onde há maior demanda. Vejo também ampliações em plantas já existentes de tratamento de água. Estamos num momento tenso em que os grandes investimentos planejados dentro do contexto do Novo Marco Regulatório do Saneamento são colocados em xeque. Mesmo assim, até 2033, o objetivo é provocar a maior entrada de investimento privado nos serviços de saneamento brasileiros. Com vontade política e equipamento adequado, podemos ver essa meta tornar-se realidade – e mudar a vida de muita gente. * Mateus Souza é Gerente geral de vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle para a área de Energia e Indústria.

O contrato firmado com a Prefeitura de Mogi das Cruzes tem valor inicial de R$ 32,6 milhões E prazo de execução de 36 meses.

Sistema de exaustão suga o ar contaminado e direciona-o a uma torre de lavagem de gases.

O modelo, muito usado na Europa, utiliza materiais básicos, como areia e brita, além de plantas para o tratamento de efluentes.

A destinação irregular de resíduos industriais no Brasil gera perdas da ordem de R$ 600 milhões ao ano aos cofres municipais.


