RECICLAGEM

Instalada unidade do Conexão Cidadã em BH para ajudar catadores

Instalada unidade do Conexão Cidadã em BH para ajudar catadores

A unidade é uma espécie de escritório móvel que apoia gratuitamente catadores e catadoras que trabalham nas ruas da capital mineira.

A Fundação Banco do Brasil em parceria com a Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT) e apoio da Secretaria-Geral da Presidência da República instalou em Belo Horizonte a terceira unidade do Conexão Cidadã. A unidade é uma espécie de escritório móvel que apoia gratuitamente catadores e catadoras que trabalham nas ruas da capital mineira, facilitando a confecção de documentos, cadastros a programas sociais, acesso a políticas públicas de saúde e serviços de entidades de fomento ao empreendedor. “Já estivemos em Recife, em Aracaju e, agora, em Belo Horizonte, que para mim, que sou daqui, é um momento muito especial”, disse a diretora executiva de Desenvolvimento Social da Fundação BB, Luciana Bagno. O evento de inauguração contou ainda com o prefeito de Belo Horizonte em exercício, Álvaro Damião, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, além de representantes do Sebrae, de entidades ligadas aos trabalhadores, como a Rede Sol e a própria ANCAT.

Luciana Bagno disso ainda que o projeto representa muito à Fundação BB por estar diretamente ligado ao propósito de promover coletivamente caminhos para a transformação social e a relação sustentável com a natureza. A diretora ressaltou que o Conexão Cidadã leva dignidade aos trabalhadores da coleta de materiais recicláveis, que exercem uma função importante e, segundo ela, nem sempre é valorizada. “Eles prestam um grande serviço ao meio ambiente, à economia circular e à sustentabilidade do planeta”, disse. O projeto atenderá ainda no primeiro semestre de 2025 as cidades de Brasília, Belém e Curitiba em caráter piloto. “Com as unidades, serão entregues suporte jurídico, de assistência à saúde, apoio psicossocial, regularização de documentos e, muito importante, darão a catadores e catadoras autônomos a possibilidade de formalização, de trazê-los para um órgão associativo, o que promove uma melhora na qualidade de vida e os fortalece como categoria”.

Para Márcio Macedo, projeto Conexão Cidadã é uma ideia do presidente Lula que queria cuidar dos catadores e catadoras, para recuperar essa cadeia produtiva que, nos anos anteriores, no governo passado, havia sido dizimada. “Estes trabalhadores foram renegados a brasileiros de segunda categoria, algo que precisa ser reparado, corrigido com políticas públicas e com o nosso compromisso com esses irmãos e irmãs, gente que ajuda o Brasil a se desenvolver de forma sustentável”. A unidade de Belo Horizonte contribuirá com outras iniciativas da prefeitura voltadas às associações de classe do segmento, muitas conduzidas pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). “Os catadores, que costumam sofrer preconceito por estarem nas ruas, estão trabalhando para a cidade”, disse o prefeito Damião, que aproveitou a solenidade para entregar à cidade seis caminhões que serão usados na coleta seletiva porta a porta. “O projeto levará a essas pessoas, que nos ajudam a limpar Belo Horizonte, os serviços de regularização que elas tanto precisam”.

A escolha da capital mineira como parte da expansão do Conexão Cidadã faz justiça à história de luta dos trabalhadores da coleta de recicláveis. “É um patrimônio histórico, eu vinha para cá para aprender com o pessoal da Asmare”, disse Roberto Laureano da Rocha, presidente da ANCAT, citando a Associação dos Catadores de Papelão e Material Reaproveitável (ASMARE), uma das primeiras entidades civis do país neste setor. “Belo Horizonte é um berço que formou profissionais, é uma história muito bonita, grandiosa, e voltamos hoje para cumprir o compromisso de nunca deixarmos os irmãos das ruas sozinhos”. Laureano da Rocha lembrou a luta empenhada, não só pela ASMARE, mas também por outras entidades de Belo Horizonte, como a Cooperativa de Reciclagem dos Catadores da Rede de Economia Solidária (Cataunidos) e a RedeSol. “Há muitos anos a gente anseia por esse momento. Lá em 2004, iniciamos o nosso trabalho de união debaixo de uma árvore, quando pensávamos ser impossível termos forças para assinarmos um contrato com a prefeitura. Hoje, nosso trabalho é reconhecido e agradeço a todos os trabalhadores que resistiram”, disse Ivaneide Souza, diretora-presidente da RedeSol.

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