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SANEAMENTO

LIDE debate regulação, investimento e futuro sustentável

LIDE debate regulação, investimento e futuro sustentável

Lideranças apontam crescimento expressivo das concessões e o papel das parcerias público-privadas na universalização.

O Seminário LIDE Infraestrutura e Saneamento ocorreu no dia 1º de agosto, em formato híbrido, reunindo autoridades, especialistas e lideranças do setor na Casa LIDE, em São Paulo. O encontro teve como foco a nova fase de investimentos em infraestrutura e os avanços conquistados com o Novo Marco Legal do Saneamento. Estiveram presentes representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Tribunal de Contas da União (TCU), da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), além de executivos de grupos privados, refletindo a relevância do debate para o futuro do setor.

O primeiro painel abordou “A nova fase de investimentos no Brasil e as concessões e PPPs de infraestrutura”. André de Angelo, CEO da Acciona, destacou que mais de nove milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta de esgoto, enfatizando a urgência da parceria entre os setores público e privado para avançar na universalização do serviço. Ele observou que, em 2019, apenas 160 municípios contavam com a operação privada, número que cresceu para 1.600 em 2024. Segundo ele, é essencial deixar de olhar para o passado e focar nas soluções imediatas e futuras, consolidando investimentos estruturantes.

No mesmo painel, Carlos Piani, CEO da Sabesp, ressaltou que a companhia, recentemente privatizada, exige aportes significativos para alcançar seus objetivos, lembrando que já atende mais de 60% do Estado de São Paulo. Em complemento, ele reforçou que o caminho para o desenvolvimento do saneamento passa por três pontos fundamentais: primeiro, garantir a universalização; segundo, avaliar o impacto tarifário; e terceiro, fortalecer a participação do mercado brasileiro na operação e expansão dos serviços.

Venilton Tadini, presidente da ABDIB, também trouxe contribuições ao destacar a importância de parcerias de investimentos com condições estruturadas e seguras. Segundo ele, o BNDES está preparado para fomentar projetos, contando inclusive com recursos externos, como os administrados pelo Eco Invest, para capacitar e sustentar novos empreendimentos. Tadini apresentou dados de crescimento expressivos, apontando um aumento de 20% e a perspectiva de movimentação de R$ 300 bilhões em investimentos no setor, evidenciando o vigor atual do mercado de infraestrutura e saneamento no país.

O segundo painel, “Cinco anos do Novo Marco do Saneamento: o que avançou na rota da universalização”, trouxe reflexões sobre os impactos da legislação e os desafios de implementação. Ester Feche, diretora de Serviços de Água e Esgoto do Governo do Estado de São Paulo, apresentou os planos para regionalização do serviço, destacando os desafios enfrentados em um estado com dimensões e demandas tão diversas. Ela pontuou que, embora avanços significativos tenham sido registrados, ainda há necessidade de estratégias mais eficazes para acelerar a inclusão de regiões historicamente carentes.

Verônica Sanchez, presidente da ANA, afirmou nas discussões enfatizando a necessidade de maior clareza regulatória e efetividade na implementação de políticas públicas. Ela observou que não basta campanhas de conscientização se a população não tiver acesso à água em suas casas. Para ela, é fundamental avançar na regulação, medição, arbitragem e definição de parâmetros claros, alinhados com os projetos financiados pelo BNDES. A dirigente ressaltou que somente com uma governança sólida e com indicadores incorporados às políticas de investimento será possível consolidar a transformação do setor e cumprir as metas de universalização do saneamento no Brasil.

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Novo Marco Regulatório sem consenso

Para debater sobre as propostas do Novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, o Departamento de Infraestrutura da Divisão de Saneamento Básico da Fiesp reuniu em sua sede, no dia 13 de junho, representantes das principais entidades do setor, como Roberto Tavares, presidente da Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento Básico), Giuliano Dragone, diretor do Sindcon (Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), Carlos Fernandes, presidente da Abetre (Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes), e Luiz Antônio de Oliveira Júnior, especialista em Regulação e Fiscalização de Serviços Públicos da ABAR (Associação Brasileira das Agências de Regulação). Abrindo os trabalhos, João Jorge, diretor da Divisão de Saneamento Básico da Fiesp, lembrou que o Marco Regulatório do Saneamento, através de Lei Federal 11.445/07, juntamente com a Lei das Concessões, propiciou grandes avanços na infraestrutura de saneamento do País e que após 11 anos de sua promulgação alguns ajustes se fazem necessários especialmente para atingir a universalização dos serviços, prevista inicialmente para um prazo de 20 anos – “mas, antes de 2053, isso não será possível. Teremos que repensar esse planejamento num horizonte razoável, que acredito ser ao redor de mais 20 anos”. Quantos aos desafios, João Jorge listou, além do capital necessário para fazer essa ampliação, a própria execução das obras, referindo-se especificamente à implantação de cerca de 200 mil quilômetros de redes de esgoto e que “hoje não temos fornecedores para esse porte de fornecimento no prazo previsto”. Considerando o tamanho do desafio e o quanto custa para a sociedade não ter os serviços de saneamento, João Jorge insistiu que “mais do que nunca se faz necessária a atuação conjunta de todos os atores – os serviços municipais, estaduais e os concessionários privados”. Roberto Tavares, presidente da Aesbe, salientou que o saneamento sempre foi um serviço relegado “a 5º plano no Brasil” e que o processo de construção do novo marco regulatório não foi “participativo e transparente”. Em sua análise, o primeiro ponto a se discutir é qual o papel da nova minuta: “se abrir mercado ou universalizar os serviços”. E, sob essa ótica, Tavares acredita que o maior desafio é realmente a universalização num país de dimensões continentais com realidades distintas, colocando de fato o serviço disponível para quem ainda não o tem, o que dependerá da “união dos setores público e privado”. Giuliano Dragone concorda que o setor deve estar unido para resolver o problema e destacou como papel do Órgão Federal o cumprimento das políticas públicas, o incentivo à eficiência na prestação dos serviços, além da garantia de estabilidade e equilíbrio entre Poder Concedente / Prestador de Serviço / Usuário. Entretanto, o setor ainda enfrenta problemas relacionados ao número elevado de agências reguladoras, estruturas precárias, insuficiência de recursos e falta de capacitação de pessoal, “fatos que resultam em uma regulação deficiente e grande insegurança jurídica, que impedem a maior entrada do capital privado no setor”. Para Dragone, a Agência Nacional de Águas (ANA) deveria assumir o papel de responsável pela instituição de normas de referências nacionais para a regulação no setor, o que traria como benefício a segurança jurídica com a padronização dos procedimentos regulatórios e diminuiria a interferência do Estado na autonomia das Agências Reguladoras. Na opinião de Carlos Fernandes, presidente da Abetre, os resíduos sólidos foram colocados “de carona” na Lei 11.445/07 e destacou que o setor não tem “o problema do privado versus o público que se verifica nas áreas de água e esgoto”, ressaltando ainda “que as características específicas do setor são diferentes daquelas do saneamento: no caso dos resíduos sólidos essas garantias não existem, uma vez que o cidadão não paga pela destinação do lixo. A decisão de implantação de um aterro é sempre do empresário e quase sempre não há nenhuma garantia e nem contrato com as prefeituras”. Hoje na RMSP existem sete aterros privados que atendem a todos os municípios e na RM de Campinas um único aterro privado recebe resíduos de quase 70 municípios. Fernandes finalizou sua apresentação reforçando que a PNRS é uma lei moderna, que demanda soluções mais sustentáveis, ambientalmente mais adequadas, “mas que não especifica quem vai pagar por essa evolução”. Outra área pouco explorada na proposta de alteração do marco regulatório foi a da drenagem. E, segundo Wladimir Ribeiro, advogado especialista no setor, o serviço de manejo das águas pluviais urbanas carece de melhor estruturação, desafio ao qual se soma a autossustentabilidade do negócio. Fechando o debate, Luiz Antônio de Oliveira Júnior, representando a ABAR, disse que hoje uma das prioridades do órgão é a defesa institucional das agências reguladoras, que necessitam de autonomia e independência financeira para melhor exercer suas funções. Focando na questão do saneamento, o modelo regulatório prevê diversos formatos de agências reguladoras – como municipais, de consórcio e estaduais. Dentro desse modelo de diversidades, a ABAR desenvolveu Câmaras Técnicas, como a CTSan (Câmara Técnica de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde), que idealizou o Projeto Acertar com o objetivo de melhorar a qualidade das informações sobre saneamento básico e aperfeiçoar, qualificar e certificar o SNIS. O projeto é financiado pelo Banco Mundial – Interáguas (Governo Federal). No momento, todas as agências reguladoras passam por essa capacitação. Quanto à proposta de revisão do marco regulatório do saneamento, Oliveira Júnior abordou as vertentes de maior participação da iniciativa privada e do estímulo à universalização. Considerando que a regulação não pode ser um problema e sim uma solução, o representante da ABAR sustenta que a lei deve atenuar as incertezas dos investidores e incentivar a entrada de capital público e privado, além de valorizar a competitividade e a eficiência. E completou que “desde que foi criada, a ABAR vem exercendo o papel de editar normas de referência / balizamento para as agências reguladoras” e que caberia à ANA a definição de normas de referência, apesar de demonstrar preocupação quanto ao “nível de detalhamento ao qual chegarão essas normas e suas aplicabilidades”.

15 de junho, 2018
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Brasil apresenta condições de investimentos

O diretor presidente da Acciona no Brasil, André Clark Juliano, comentou, durante o evento “As Soluções para o Saneamento Básico e os Recursos Hídricos no Brasil”, realizado pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), em São Paulo, que o Brasil apresenta diversas oportunidades de investimentos, com novos projetos greenfield e um grande mercado para expansão. Segundo ele, há muito capital internacional disponível, o que pode acelerar essa interação entre o setor público e privado, no contexto das Leis das Estatais e do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). Entretanto, o executivo citou pontos como a governança heterogênea e fragmentada da gestão da água, a falta de planejamento e de transparência, a estrutura tarifária, a regulação difusa, a ineficiência do setor, a falta de projetos básicos e de definição das prioridades e respectivos prazos, além da falta de garantia de prazo para liberação dos recursos (Caixa Econômica, BNDES) e a própria estrutura dos editais como entraves para aportes no setor. “No Brasil, as perdas na gestão da água chegam a R$ 10 bilhões/ ano, enquanto a média de investimento é cerca de R$ 8,5 bilhões”, disse Clark. Na visão de Clark, uma tarefa primordial do BNDES é estruturar as transações para o setor de saneamento de forma que contemplem mais municípios em cada projeto, como forma de atrair investimentos de maior porte. “Para investir, precisamos de clareza nas responsabilidades e na regulação do setor, projetos mais estruturados, mais garantias e um melhor entendimento entre os setores público e privado. Os investidores estrangeiros deste setor se interessam por ativos maiores do que apenas disputar uma única concessão”, ressaltou o diretor presidente da Acciona no Brasil. “A lei das Estatais melhora as parcerias, mas muitas chamadas para as empresas participarem dão apenas dois meses para se avaliar o investimento, quando este deve ser muito bem analisado, por se tratarem de projetos de 40 anos”, exemplificou. Entre as prioridades mencionadas pelo diretor presidente da Acciona estão a necessidade de planejamento estratégico das bacias, de se olhar a questão do esgotamento sanitário como matéria-prima, a necessidade de melhoria da eficiência na distribuição da água, com controle de perdas e exploração de novos mananciais; a importância de diversificação da matriz para solucionar a crise hídrica a partir de uma visão de médio e longo prazo; os projetos waste to energy, bem como a possibilidade de se investir em tecnologia, cuja aplicação ainda é limitada no País.

21 de março, 2017