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Comunidades tradicionais adotam saneamento que protege natureza e pessoas

Comunidades tradicionais adotam saneamento que protege natureza e pessoas

Pesquisa da Fiocruz mostra que sistemas sustentáveis reduzem riscos à saúde e fortalecem a autonomia de comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras.

A Fiocruz estreitou sua parceria com distintas comunidades tradicionais do estado do Rio de Janeiro — incluindo povos indígenas, quilombolas e caiçaras — para avaliar a eficiência de sistemas de saneamento ecológico implantados em seus territórios. A iniciativa faz parte das ações do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), coordenado pela Fiocruz em cooperação com o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e a Funasa, que desde 2014 tem promovido experiências de tecnologias sociais como fossas verdes e tanques de evapotranspiração.

A pesquisa consistiu na sistematização de indicadores de desempenho — tanto sanitários quanto ambientais — desses sistemas, bem como na observação da sua integração com os modos de vida locais. Tais tecnologias, construídas com participação comunitária e insumos de baixo custo, pretendem reaproveitar nutrientes e águas residuais de forma ecológica, promovendo autonomia e justiça ambiental.

Os primeiros resultados indicam impactos positivos sobre a saúde coletiva, reduzindo o risco de contaminação hídrica e promovendo também benefícios ambientais, tais como a melhoria da qualidade do solo, a produção local de alimentos e o fortalecimento da resiliência territorial. Além disso, a experiência tem sido destacada como modelo replicável para ações integradas de saneamento em áreas rurais e comunidades periféricas.

Ao acompanhar essa avaliação, pesquisadores da Fiocruz ressaltaram a importância de se investir em políticas públicas que valorizem as tecnologias sociais em contextos de vulnerabilidade sanitária. Segundo especialistas, esses sistemas oferecem alternativas viáveis às soluções convencionais — geralmente centralizadas e dependentes de insumos externos — e podem contribuir significativamente para alcançar metas de universalização do saneamento e equidade em saúde no Brasil.

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Biofossa pode ser solução no campo

Uma bacia de evotranspiração (processo conjunto da evaporação do solo com a transpiração das plantas) ou biofossa pode ser a solução para as águas resultantes do uso de vasos sanitários em área rurais isoladas, chamadas de águas negras, e as originárias de pias, chuveiros, tanques e limpeza, conhecidas como as águas cinzas. Por não contar com sistema de coleta e tratamento de esgoto, a água suja dessas regiões pode acabar indo parar nos rios mais próximos. “O objetivo principal é proteger os mananciais de áreas rurais, mas a biofossa propicia muito mais do que isso”, pontua Ismael Soares Filho, analista do projeto Conexão Mata Atlântica (C 2 - São Paulo). Para ele, a biofossa tem como pontos positivos o fato de reutilizar materiais de entulho, como pneus, que iriam ser descartados na natureza; ser uma obra simples, realizada em mutirões, além de disseminar a educação ambiental envolvida nessa opção. “Ao envolver vizinhos, pessoas da comunidade, da escola, dos bairros, automaticamente você consegue disseminar conhecimento de baixo custo e excelência no que diz respeito ao tratamento de água de uma forma simples”. A própria captação de entulho já envolve um movimento da comunidade, conta o analista do projeto. “Em geral, as pessoas se mobilizam para fazer um convênio com a prefeitura do município para captar o que seria descartado em áreas públicas, procuram borracharias e oficinas para pneus velhos”, destaca. “As bacias de evotranspiração e biofossas, assim, transformam material descartado em plantação”. Ismael acredita que a riqueza do projeto Conexão Mata Atlântica é a confluência entre prover informação e meios para realizar mudanças positivas. “A união entre a questão ambiental e a produção agrícola se dá de modo que elas se tornam uma só: inseparáveis”. A ferramenta para isso, diz ele, é mais ampla do que a implantação da biofossa: é a informação. Ao mostrar que o saneamento rural não precisa ser caro ou complicado, apresentando alternativas simples e modelos econômicos, o projeto coloca nas mãos dos proprietários todo um sistema de conservação produtiva. Segundo o analista, a protagonista do sistema é uma planta que todo mundo que vive no campo conhece: a bananeira. Em relação à mão-de-obra, Ismael destaca a local. “Através da articulação dos territórios nos municípios paulistas de Natividade da Serra e São Luiz do Paraitinga, toda a comunidade é estimulada a se envolver”. “Unir a comunidade em prol de uma benfeitoria é o grande ganho colateral do projeto”, comemora.

23 de outubro, 2020
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SANEAMENTO
Fossa séptica biodigestora ajuda 57 mil pessoas

Segundo levantamento realizado pela Embrapa Instrumentação (SP), a adoção de 11 mil unidades de fossas sépticas biodigestoras em mais de 250 municípios brasileiros trouxe benefícios para 57 mil pessoas. A fossa séptica biodigestora pode ser integrada a outras tecnologias de saneamento também de fácil instalação, como o clorador Embrapa e o jardim filtrante. Este segundo é voltado para o tratamento de águas de pias e ralos e do efluente tratado pela própria fossa séptica. Ao substituir as fossas negras, essas tecnologias de saneamento protegem a saúde dos moradores do campo geralmente não atendidos por redes de esgoto, além de promover a proteção ambiental ao evitar que dejetos contaminem solo e corpos d'água. De acordo com o coordenador do levantamento, o engenheiro civil da Embrapa Instrumentação Carlos Renato Marmo, as 11.502 Fossas Sépticas Biodigestoras instaladas beneficiaram uma população aproximada de 57.500 habitantes em todo o Brasil. O engenheiro destaca que a população beneficiada é muito maior, pois o saneamento básico apresenta impactos não só no campo como também nas cidades, já que as fontes de água e os mananciais estão na zona rural. Baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2014, Marmo esclarece que na área rural do País vivem cerca de 30,5 milhões de habitantes, sendo que menos de 50% dessa população tem acesso a sistemas de coleta ou tratamento de esgoto adequados. "Esse trabalho realizado pela Embrapa é muito importante para amenizar a situação", disse o Presidente do Instituto Brasil, Édison Carlos, mas argumenta que ainda é pouco para a enorme necessidade do Brasil. O pesquisador da Embrapa Wilson Tadeu Lopes da Silva acredita que o modelo da Fossa Séptica Biodigestora é o ideal para substituir a tradicional fossa negra, muito comum na área rural e responsável pela contaminação das águas subterrâneas. "Esse sistema biológico necessita de poucos insumos externos para que se obtenham resultados adequados, é simples, de baixo custo e de eficiência comprovada na biodigestão dos excrementos humanos, com eliminação dos agentes patogênicos", afirma. A Fossa Séptica Biodigestora foi desenvolvida pelo médico-veterinário Antonio Pereira de Novaes, falecido em 2011, e segue os princípios dos biodigestores asiáticos e das câmaras de fermentação de ruminantes, como os bovinos. Assim como no estômago multicavitário do animal, a tecnologia também é composta de vários tanques de fermentação, onde o esgoto doméstico − fezes e urina − passa pelo tratamento anaeróbio, tornando-o apto para uso como fertilizante agrícola a ser aplicado no solo.

20 de julho, 2016