SANEAMENTO

Censo revela mais de 11 milhões vivendo em Unidades de Conservação

Censo revela mais de 11 milhões vivendo em Unidades de Conservação

Falta de água, esgoto e coleta de lixo afeta 40% dos moradores de áreas ambientalmente protegidas no país.

Dados inéditos do Censo Demográfico 2022 do IBGE mostram que aproximadamente 11,8 milhões de brasileiros residem em áreas de conservação ambiental — quase 6% da população nacional — e enfrentam condições de saneamento mais precárias que a média do restante do país.

O levantamento aponta que 40,34% desses moradores vivem em domicílios com pelo menos um problema relacionado a abastecimento de água, coleta de lixo ou esgotamento sanitário — percentual superior aos 27,3% observados no Brasil como um todo.

Além disso, cerca de 856 mil pessoas vivem em residências afetadas por todas essas deficiências simultaneamente, correspondendo a 7,3% da população dessas unidades — comparado a 3% da população nacional.

Outro dado alarmante: mais de 46 mil domicílios nessas áreas não possuem banheiro, ou sanitário — um índice de 1,16% desses lares, quase o dobro dos 0,59% observados na população em gera. Em unidades de conservação de proteção integral, onde o uso humano é restrito, esse número atinge 4,87%, totalizando quase 2.000 residências sem sanitário.

A vulnerabilidade se agrava entre populações tradicionais: mais de 85% dos domicílios quilombolas e quase 60% das famílias indígenas enfrentam algum tipo de precariedade nos serviços básicos. Esse cenário reflete desigualdades estruturais, que se aprofundam nas zonas rurais. Por exemplo, na área rural das unidades de conservação, 86,8% das moradias enfrentam algum tipo de precariedade no saneamento, enquanto nas zonas urbanas esse índice cai para 28%.

As unidades de conservação mais populosas estão localizadas no Estado de São Paulo, Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. No DF, 39,2% da população total vive nessas áreas. A composição étnica revela que 51,1% dos moradores se declaram pardos, 35,8% brancos, 11,9% pretos, além de 282 mil quilombolas (2,4%) e 133 mil (1,1%) indígenas.

Esses dados aumentam a urgência por políticas integradas que considerem saneamento, conservação ambiental, reconhecimento territorial e direitos básicos dessas comunidades.

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