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SANEAMENTO

Litoral paulista tem 38 praias inadequadas e surto de viroses

Litoral paulista tem 38 praias inadequadas e surto de viroses

A deficiência no saneamento básico impacta negativamente o turismo, um dos setores mais importantes para as economias litorâneas

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) divulgou relatório sobre as 175 praias monitoradas no litoral paulista, das quais 38 estão impróprias para banho. As cidades com maior número de praias comprometidas incluem Santos e São Sebastião, cada uma com sete impróprias, e Praia Grande, com seis praias inadequadas. Praias impróprias para banho afetam diretamente a saúde dos turistas e moradores e contribuem para a propagação de doenças relacionadas à falta de saneamento. Sem coleta e tratamento de esgoto, o despejo irregular polui as águas, afetando sua qualidade e tornando-as inadequadas para atividades de lazer.

Além disso, a ausência de saneamento básico impacta negativamente o turismo, um dos setores mais importantes para as economias litorâneas. Um estudo do Instituto Trata Brasil revela que a universalização do saneamento poderia gerar ganhos de R$ 80 bilhões para o turismo entre 2021 e 2040, resultado da melhoria na qualidade das águas e na redução de doenças de veiculação hídrica. Para isso é fundamental a melhoria da qualidade das águas e da infraestrutura básica nas praias para o desenvolvimento da atividade turística. “Investir em saneamento básico é, portanto, indispensável para garantir a saúde da população e o crescimento econômico local”.

Para Liliane Frosini, docente da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, os casos de viroses registrados no litoral brasileiro, especialmente nas praias paulistas, têm entre os fatores considerados mais relevantes a contaminação da água do mar e de alimentos, especialmente frutos do mar expostos a essa água contaminada. “O cenário é agravado pelo aumento significativo do turismo durante o período de férias escolares e pelas festividades de final de ano, que resultam em uma expressiva elevação da população nas regiões litorâneas, criando condições favoráveis para a disseminação dessas enfermidades”.

A Baixada Santista é composta por nove municípios, incluindo Santos, Guarujá e Praia Grande, e abriga uma população de 1,8 milhão de habitantes. Contudo, durante as férias de final de ano, a região costuma receber entre 4 e 5 milhões de turistas, segundo dados das prefeituras locais. “Esse aumento significativo pressiona intensamente a infraestrutura municipal, como a rede coletora de esgoto”. Atualmente, as cidades da Baixada Santista ainda não dispõem de 100% de cobertura para coleta e tratamento de esgoto. Isso significa que alguns domicílios permanecem sem atendimento adequado, sendo obrigados a adotar soluções individualizadas para o esgotamento sanitário, como tanques sépticos e filtros anaeróbios. Entretanto, essas estruturas, mesmo quando corretamente instaladas, exigem manutenções periódicas que, na maioria dos casos, são negligenciadas ou realizadas de forma inadequada, resultando em pontos de extravasamento.

Os córregos e a rede de drenagem das áreas litorâneas recebem o esgoto dos pontos de extravasamento, que frequentemente desembocam no mar, transportando consigo uma carga orgânica que acaba contaminando as águas. “Essa carga contém, além de matéria orgânica, organismos patogênicos, como vírus e bactérias responsáveis por diversas doenças, incluindo viroses gastrointestinais. Nas últimas semanas, esses casos têm sido registrados com elevada frequência na região. Os banhistas, ao entrarem em contato com a água contaminada, acabam adoecendo e, por sua vez, se tornam vetores de contaminação. Esse ciclo contribui para o aumento exponencial de pessoas infectadas, levando a níveis alarmantes de casos, causando transtornos significativos e sobrecarregando o sistema de saúde local”.

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ÁGUAS LITORÂNEAS
Obras melhoram balneabilidade no litoral paulista

Segundo Relatório de Qualidade das Águas Litorâneas 2014, feito pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), foi constatada melhora em 28 praias dos quatro municípios do litoral norte. As praias próprias para uso o ano todo passaram de 22% para 28%. Em 2014, houve redução de 20% para 7% nas praias consideradas ruins e queda de 5% para 2%, nas praias de balneabilidade péssima. Nos últimos anos, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) investiu cerca de R$ 572 milhões em obras nos quatro municípios do litoral norte, com a entrega de sete Estações de Tratamento de Esgotos, mais de 400 km de redes coletoras e 30 mil ligações domiciliares. Os investimentos também incluem as obras do Programa Onda Limpa Litoral Norte, com a entrega da ETE Porto Novo, execução de redes coletoras, estações elevatórias e estações de tratamento nas quatro cidades da região, bem como em sistemas de abastecimento de água. Os empreendimentos garantem água de qualidade à população e preservação ambiental para os 320 mil moradores e para os cerca de 1 milhão de turistas que visitam o local durante a temporada de verão. Na Baixada Santista, 34 praias, em oito municípios da região, melhoraram. Entre as praias consideradas ótimas ou boas, o índice saltou de 3% para 11%. Já aquelas avaliadas como péssimas diminuíram de 30% para 10%. Já o Relatório de Qualidade das Águas Superficiais 2014 mostra que o rio Cubatão registrou melhora na qualidade de suas águas no ano passado. Em razão das obras de saneamento, o rio usado para o abastecimento de cidades como Cubatão, Santos, São Vicente e parte de Guarujá e Praia Grande, corresponde a 50% da água tratada de toda a Baixada Santista. No ponto analisado, o Índice de Qualidade de Água (IQA) do rio subiu de 63 em 2009 para 72 no ano passado, mantendo a classificação boa. Entre 2007 e 2012, o rio Cubatão recebeu nova Estação de Tratamento de Esgoto e a implantação de um novo sistema de tratamento na estação já existente na cidade. Como resultado, espécies de peixes – como a tainha - retornaram ao rio, que voltou a ser atrativo turístico, procurado por pescadores da Baixada, Capital e do Grande ABC. A Sabesp desenvolve na Baixada o Programa Onda Limpa desde 2007, em que já foram investidos cerca de R$ 1,5 bilhão na primeira etapa do programa, com a execução de aproximadamente 1 mil km de tubulações para a coleta e afastamento dos esgotos, 89 estações de bombeamento, 7 estações de tratamento, 2 estações de precondicionamento e 79.356 ligações domiciliares. Além disso, a Sabesp desenvolve trabalho para acompanhar o crescimento populacional na região. Com base em estimativas do IBGE, o crescimento populacional é superior ou igual a 10% em todo litoral de São Paulo. Os maiores aumentos na Baixada foram nos municípios de Bertioga (32%) e Praia Grande (24%). “No período entre 2013 e 2014, a quantidade de novas ligações domiciliares aumentou em 1,4% em toda a Baixada, enquanto a estimativa do IBGE indicou aumento de 0,92% no número de habitantes”, explica o superintendente da Sabesp na Baixada, João Cesar Queiroz Prado. No documento, a Cetesb cita como fatores para prejudicar a qualidade das águas as áreas irregulares e ligações clandestinas em rios e encostas. Para incentivar a conexão dos imóveis à rede coletora, a Sabesp e o Governo do Estado de São Paulo também possuem o Se Liga na Rede. O programa beneficia famílias de baixa renda, custeando as ligações de esgoto internas dos imóveis. Já os demais moradores que ainda não se ligaram à rede coletora que passa na porta do imóvel precisa se conectar, ou seus esgotos vão continuar poluindo as praias. De acordo com o relatório da Cetesb, as melhores praias em termos de qualidade da areia são: Indaiá, Prumirim em Ubatuba, Grande em Ilhabela, Sonho em Itanhaém, Vila Mirim em Praia Grande, Barequeçaba e Maresias em São Sebastião, Sino em Ilhabela, Boqueirão e Gonzaguinha em São Vicente. Em relação aos animais domésticos, a Cetesb lembra que as fezes dos cães e felinos possuem carga poluidora de coliformes muito superior às fezes humanas. Por isso, a Sabesp orienta que as fezes dos animais sejam recolhidas e descartadas na rede pública de esgoto, que desta forma receberá o devido tratamento.

16 de junho, 2015