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BIODIVERSIDADE

Natureza é destruída por subsídios que somam US$ 1,8 tri/ano

Natureza é destruída por subsídios que somam US$ 1,8 tri/ano

O estudo é o primeiro em mais de uma década a fornecer uma estimativa do valor total dos subsídios prejudiciais ao meio ambiente.

A pesquisa “Protegendo a Natureza pela Reforma de Subsídios Nocivos ao Meio Ambiente: O Papel dos Negócios”, liderada pelos especialistas em subsídios Doug Koplow e Ronald Steenlik e co-financiado por The B Team e Business for Nature mostra que o mundo está gastando US$ 1,8 trilhão anualmente – ou 2% do PIB mundial – em subsídios que impulsionam cada vez mais a destruição de ecossistemas e extinção das espécies.

O estudo é o primeiro em mais de uma década a fornecer uma estimativa do valor total dos subsídios prejudiciais ao meio ambiente (Eliminate Harmful Subsidies, EHS) em setores-chave. Ele revela que as indústrias de combustíveis fósseis, agricultura e água recebem mais de 80% de todos os subsídios prejudiciais ao meio ambiente por ano, esgotando os recursos naturais, degradando os ecossistemas globais e perpetuando níveis insustentáveis de produção e consumo, além de exacerbar as desigualdades globais.

O relatório aponta que seriam necessários US$ 711 bilhões a cada ano para interromper e reverter a perda da natureza até 2030,, bem como o custo de atingir zero emissões líquidas. "A natureza está diminuindo a um ritmo alarmante e nunca vivemos em um planeta com tão pouca biodiversidade. US$ 1,8 trilhão está financiando a destruição da natureza e mudando nosso clima, criando enormes riscos para as próprias empresas que estão recebendo os subsídios. Enquanto isso, ainda não cumprimos a meta de financiamento climático de US$ 100 bilhões por ano do Acordo de Paris. Subsídios prejudiciais devem ser redirecionados para proteger o clima e a natureza, em vez de financiar nossa própria extinção”, disse Christiana Figueres, ex-secretária executiva da UNFCCC e membro da equipe B. O levantamento também detalha o EHS em toda a economia, incluindo agricultura, construção, silvicultura, combustíveis fósseis, pesca marinha, transporte e água - setores responsáveis pela maioria das emissões globais de gases de efeito estufa.

Já Elizabeth Mrema, Secretária Executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica, afirma que o documento é extremamente importante e oportuno, pois ajudará a gerar o impulso político necessário e contribuir para o marco global de biodiversidade. “O levantamento observa que o valor total do EHS provavelmente será maior do que as estimativas publicadas, devido à falta de transparência e divulgação dos fluxos de subsídios entre governos e beneficiários. Por exemplo, não há estimativa publicada de subsídios para mineração de rocha dura, mas 80% da atividade da indústria ocorre em cinco dos seis biomas mais ecologicamente diversos.

A presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, disse: “O CEBDS representa no Brasil na Business for Nature. O setor empresarial está preparado para alavancar uma agenda de soluções baseadas na natureza, que direcione os recursos para ações que valorizem a biodiversidade. Afinal, elas são cruciais para que o Acordo de Paris possa acontecer, para que avancemos no combate às mudanças climáticas. Biodiversidade e clima são questões entrelaçadas. Esse estudo mostra um apoio concreto do setor empresarial para que as metas sejam cumpridas”.

Roberto Marques, CEO do Grupo Natura &Co e Eva Zabey, Diretora Executiva, Business for Nature comentaram sobre a pesquisa realizada entre as duas instituições. Marques disse que a humanidade depende dos ecossistemas da natureza, mas isso não se reflete atualmente. “Como empresas, temos um papel importante a desempenhar na catalisação da mudança do sistema para oferecer uma economia equitativa, líquida zero e positiva para a natureza. Juntos, devemos trabalhar para realinhar incentivos perversos para agregar valor adequado à natureza”.

As organizações da coalizão Business for Nature e The B Team lançaram um resumo em resposta à pesquisa, incluindo um conjunto de recomendações para governos e empresas sobre a reforma dos subsídios. Eles estão pedindo aos governos que adotem uma meta ambiciosa dentro do Marco Global de Biodiversidade (Global Biodiversity Framework, GBF), com o compromisso de reformar, redirecionar ou eliminar todos os EHS até 2030. Eva afirmou que a Conferência de Biodiversidade da ONU (13 a 29 de março, em Genebra, na Suíça) é “a nossa melhor chance de virar a maré da perda da natureza. Um resultado ambicioso na COP15 sobre subsídios prejudiciais ao meio ambiente tem o potencial de redefinir as regras de nossos sistemas econômicos e financeiros e incentivaria as empresas a buscarem resultados positivos para a natureza”.

As duas instituições que elaboraram o estudo esperam que o setor privado peça aos governos que reformem os subsídios e colaborem entre os setores para aumentar a conscientização sobre as vantagens da divulgação de subsídios. O resumo pede que as empresas apoiem o desenvolvimento de padrões, estruturas e orientações internacionais para divulgação obrigatória de ESG, que inclui subsídios. Qualquer reforma de subsídio deve considerar os impactos sociais e ambientais para evitar impactar negativamente as famílias mais pobres e as comunidades mais vulneráveis em todo o mundo, aconselha o briefing da The B Team e Business for Nature. Isso pode incluir apoio direcionado, particularmente em países com baixa capacidade de administrar pagamentos de assistência social.

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SUSTENTABILIDADE
Acordo para “Neutralidade Climática”

O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e CEO’s de aproximadamente 30 empresas assinaram documento com metas climáticas denominado "Neutralidade Climática: Uma grande oportunidade", que defende uma meta mais ambiciosa de neutralidade climática para 2050. "Economicamente falando, o CEBDS crê que um total de até US$ 17 bilhões possam ser gerados no País a partir de negócios com base na natureza até 2030. O setor já está engajado, buscando as escolhas certas agora e direcionando os investimentos para enfrentamento e recuperação da economia brasileira em um modelo de economia circular, de baixo carbono e inclusiva, em que os benefícios entre produzir e preservar são claros e representam ganhos para o Brasil" disse a presidente do CEBDS, Marina Grossi. O acordo pode gerar diversos ganhos ao Brasil, como economia, com a geração de empregos verdes e investimentos crescentes em soluções de baixo carbono; comerciais, com poder de negociação mais sólido frente a seus principais competidores; ambientais, com incentivo à redução dos gases de efeito estufa (GEE); e reputacionais. O CEBDS lidera o setor empresarial brasileiro devido à urgência para mitigar riscos decorrentes das mudanças climáticas. "São muitos desafios, mas estamos convictos que metas mais ambiciosas trarão mais oportunidades para o desenvolvimento de negócios, resultando em mais investimentos, de recolhimento de tributos e de geração de renda ao setor privado, à sociedade brasileira e, consequentemente, ao País”, comenta Marina. Faltando pouco tempo para a COP-26, prevista para acontecer em novembro, em Glasgow, o Brasil, que possui 20% da biodiversidade mundial, precisa assumir o papel de protagonista na agenda climática. Os oceanos e a atmosfera esquentam mais ano a ano por causa das massivas emissões de gases. Em 2015, o Brasil ratificou o Acordo de Paris para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, as principais metas da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada, na sigla em inglês), é conseguir reduzir as emissões de gás carbônico em 37% em relação às emissões de 2005. A data limite para isso é 2025, com indicativo de reduzir 43% das emissões até 2030. "Estamos em um ano decisivo para a questão climática, comparável ao que foi em 2015 em relação ao Acordo de Paris. O Brasil -- tanto no Leaders Summit on Climate, com o presidente Biden, nos dias 22 e 23 de abril, quanto em Glasgow, em novembro -- tem grande oportunidade para consolidar seu protagonismo nessa agenda e atrair capital internacional, protegendo sua floresta e gerando valor com a biodiversidade que temos”, diz a presidente do CEBDS. Entre as empresas que assinaram o documento estão Bayer, Braskem, Bradesco, BRF, CBA, DSM, Ecolab, Eneva, EQUINOR, Icare, Ipiranga, Itaú, JBS, Lojas Renner, Lwart Soluções Ambientais, Marfrig, Michelin, Microsoft Brasil, Natura, Schneider Electric, Shell, Siemens Energy, Suzano, Ticket Log, Tozzini, Vedacit, Votorantim Cimentos, Way Carbon. A iniciativa conta com apoio institucional: Amcham Brasil, ABAG - Associação Brasileira do Agronegócio, CEBRI - Centro Brasileiro de Relações Internacionais, Coalizão Brasil Clima - Florestas e Agricultura e ICC - Câmara de Comércio Internacional.

19 de abril, 2021
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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
CEBDS lança Visão 2050

Em 2012, durante a conferência Rio+20, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em conjunto com empresas associadas, desenvolveu o estudo Visão Brasil 2050 - a nova agenda para as empresas com o objetivo de apresentar a visão de um futuro sustentável e de como seria possível alcançá-lo. Em 2021, o CEBDS lançou o estudo estratégico Visão 2050 para debater questões que começaram em 2012. O novo documento é resultado de um ano de trabalho com contribuições de empresas, academia e a sociedade civil, abrangendo mais de quatro mil pessoas. O objetivo de Visão 2050 é avaliar se as empresas estavam no caminho certo, se as tendências se verificaram, além de incluir novos assuntos que atualmente estão na agenda sustentável. Para isso, foram definidos oito temas prioritários: Pessoas, Cidades, Economia Circular, Água e Saneamento, Biodiversidade, Alimentos, Energia e Finanças. "Questionamos o que nos trouxe até as múltiplas crises que enfrentamos, com o objetivo de apontar nossa bússola para um futuro mais sustentável e regenerativo. A pandemia antecipou situações que já estavam colocadas nos cenários como as consequências da mudança climática, do uso indiscriminado da biodiversidade e provocou uma reviravolta na nossa forma de ver o planeta, evidenciando as relações de interdependência", afirma Marina Grossi, presidente do CEBDS. O Visão 2050 aponta para um futuro em que os elementos geradores de vida ocuparão lugar central na economia (água, terra, ar, alimentos, etc), além de mostrar o cenário atual e como tudo estará em 2030 e o que precisa ser feito até 2050. "Já vemos sementes deste futuro no presente, como a ascensão da integração de aspectos Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) aos negócios, o capitalismo de stakeholders. Mas que para ser atingido exige ação concreta, sobretudo nesta década de implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável", completa Marina Grossi.

29 de março, 2021
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ARTIGO
A precificação de carbono como ferramenta para o combate às mudanças climáticas

Por Gabriel Estevam Domingos* e Bianca Ayres ** A precificação do carbono é um assunto que vem sendo discutido no mundo nas últimas duas décadas. Cerca de 40 países, principalmente na Europa, já possuem uma legislação específica que determina a taxação de atividades empresariais por emissão de CO2. O intuito é gerenciar a crise climática e alavancar negócios de baixo carbono, haja vista preocupação com o aquecimento global. De acordo com o estudo de 2016 realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) junto com o We Mean Business e Carbon Disclosure Project (CDP), naquela época, 64 jurisdições internacionais já trabalhavam com precificação do carbono ou operavam sistemas de comércio de emissões, correspondendo a 13% dos gases de efeito estufa emitidos no mundo. No Brasil, apesar de o tema ser discutido desde 2011, ainda não existe uma legislação vigente específica para tributar as emissões de carbono. O Ministério da Fazenda e Banco Mundial se juntaram a diversas instituições para elaborar o projeto PMR. O objetivo é estudar formas de precificação de carbono, seja por meio do mercado de carbono ou imposto. O estudo foi iniciado em 2016 e finalizado em dezembro de 2020. O modelo apresenta um levantamento dos setores que seriam precificados e uma análise da estrutura produtiva, perfil de emissões, riscos de competitividade e alinhamento dos instrumentos econômicos que já existem para traçar formas de tributação. A fase inicial pretende trabalhar com taxações menores e aumentos progressivos. O mercado de carbono voluntário As grandes companhias fazem parte do mercado de carbono de forma voluntária. Existem multinacionais que realizam ações de redução ou remoção de emissões que geram um crédito de carbono dentro do mercado, como se fosse uma bolsa de valores. Essa unidade de crédito fica disponível nas certificadoras internacionais para que outras empresas, que não conseguiram reduzir, possam comprar. Os créditos de carbono gerados dependem das ações de redução ou remoção realizadas pelas companhias. Quando o crédito é advindo de remoção de CO2, o valor da tonelada de carbono é maior, enquanto que, em caso de redução de emissões, o valor do crédito tende a ser menor. Essa valorização é contrabalanceada em relação ao impacto socioambiental e quantidade disponível no mercado. O fato é que, de qualquer forma, outras empresas podem comprar, a fim de cumprir seus planos de zerar as emissões, com mediação das certificadoras de unidades de carbono. O mercado de carbono no setor público No setor público, também existem ações para implementar a taxação. Através da resolução Nº3 de 22, de julho de 2020, aprovada pela Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) alterou seu posicionamento e passou a reconhecer a contribuição do mercado voluntário de carbono para a redução de emissões e contenção das mudanças climáticas. O Programa Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais Floresta+ do Ministério do Meio Ambiente remunera pessoas físicas ou jurídicas para conservar, recuperar e proteger a vegetação nativa. De acordo com o ministério, um dos benefícios mais importantes do programa é a geração de crédito de carbono advinda da preservação florestal. O potencial do Brasil no mercado Tendo em vista esse cenário, há como afirmar que o Brasil possui muito potencial no mercado de carbono graças à tropicalidade territorial. A riqueza de terras e biodiversidade facilitam ações em prol da redução de mudanças climáticas. Plantações de longa vida, reflorestamentos e preservação do que já temos, incentivando o crescimento de bioma contribuem positivamente para atingir o objetivo de conter as emissões de CO2. Com todo esse potencial que o Brasil tem, diferenciado de muitos países desenvolvidos, é um alvo de investimento internacional ao incentivo dessas ações. O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) afirma que 15% a 20% da biodiversidade do planeta está no Brasil. Segundo a instituição, a Mata Atlântica e Amazônia têm uma diversidade tão grande que em um hectare de floresta encontram-se mais espécies de árvore do que em toda a Europa. O MMA estima que há 560 milhões de hectares de área com vegetação nativa, ou seja, 66% do território total. Por isso, é considerado um país com grande potencial para gerar créditos de carbono, com base em ações de reflorestamento e contenção da degradação ambiental. Diante de toda a riqueza e potencial para o mercado de carbono voluntário no Brasil, é preciso pensar de que forma instituir uma legislação para taxação, a fim de evitar consequências sociais. A precificação do carbono possui vários benefícios. É uma medida efetiva para reduzir as emissões, já que a tendência é a diminuição do consumo de produtos que causam altas taxas de emissão na atmosfera, consequentemente, as indústrias passam a fabricar aqueles que são mais ecológicos. Por outro lado, a taxação causa aumento de preço nas produções de forma direta ou indireta. Automaticamente, isso é repassado ao consumidor final. O valor das mercadorias sobe e essa situação pode ser um problema em um país de vulnerabilidade social, em que não há estrutura e muitas pessoas têm baixa renda. O Brasil ainda sofre com esse problema. Segundo dados do IBGE de 2020, a pobreza extrema atingiu 13,7 milhões de brasileiros no ano anterior em 2019. Os dados do ano passado ainda não foram divulgados pelo instituto. O estudo do CEBDS indica que a taxação de carbono afeta o consumidor final por conta do aumento de preços. A partir das legislações, as indústrias passam a produzir com custos mais elevados, precisam investir em sustentabilidade e isso encarece os produtos. Portanto, seria necessário um desenvolvimento do Brasil, visando a diminuição do índice de pobreza e miséria, para que o aumento de preços não prejudique a sociedade brasileira. Contudo, os resultados obtidos através dos cenários de simulação da precificação do carbono no PMR, realizados pelo instituto ClimaTempo, indicam que, mesmo com o aumento no índice de preços, houve redução da pobreza, com evolução real da renda média e disponível dos 20% mais pobres, além de um crescimento econômico, sendo 2,3% em 2030, menor taxa de desemprego e aumento de investimentos. Segundo o Banco Mundial, a receita gerada através de precificação de carbono atingiu US$66.6 bilhão em 2018, com iniciativas representando 20% das emissões globais. O FMI acredita que a receita decorrente de precificação de carbono pode ser equivalente a 1% do PIB brasileiro em 2030. O mercado de carbono será o assunto do momento Nos próximos anos, a tendência é a discussão em relação à taxação do carbono e as consequências dessa ação para a economia e sociedade. As grandes empresas já estão agindo de forma voluntária e diversas instituições e órgãos, como Banco Mundial, ONU e Ministério do Meio Ambiente já discutem o assunto há tempos. Enquanto isso, o mundo acompanha o mercado de carbono e as próximas decisões a serem tomadas acerca do tema. A contribuição positiva da eleição de Biden influencia, a nível mundial, o audacioso e necessário objetivo do Acordo de Paris em limitar as emissões mundiais a 500 bilhões de toneladas de carbono. O retorno das políticas norte americanas ao compromisso de redução de 4,4% ao ano, assumido por Obama e excluído dos planos de Trump, agora retornam a uma velocidade de redução de 5,4% das emissões, com Biden. Uma corrida que custará caro aos processos industriais, mas extremamente significativa para todo o mundo alcançar o delta de 1.5ºC de aquecimento global em 2050, preservando vidas neste planeta. * Gabriel Estevam Domingos é Diretor de P&D da Ambipar ** Bianca Ayres, gerente de P&D da Ambipar

8 de março, 2021
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MEIO AMBIENTE
Brasil pode ter perdas anuais de US$ 14 bi

O relatório ‘Global Futures’ da WWF calculou o custo econômico do declínio da natureza em 140 países e confirmou que os Estados Unidos terão as maiores perdas do PIB anual em termos absolutos, com um prejuízo de US$ 83 bilhões anuais até 2050. O resultado se deve aos danos esperados em suas infraestruturas costeiras e terras agrícolas, além do aumento das inundações e erosão como resultado das perdas de defesas costeiras naturais, como recifes de coral e manguezais. O estudo aponta que o Brasil – o 6º no ranking - terá perdas de US$ 15 bilhões por ano até 2050. A destruição na Zona Costeira irá gerar perdas anuais de US$ 12,382 bilhões, seguida por produção florestal (US$ 1,326 bilhão), polinização (US$ 1,013 bilhão), água doce (US$ 0,69 bilhão) e produção pesqueira (US$ 0,108 bilhão). A Zona Costeira brasileira abriga 60% da população do País, e possui alta vulnerabilidade frente às mudanças climáticas. O aumento do nível do mar e das erosões costeiras, as frequentes e intensas perdas de bens e pessoas são os aspectos mais visíveis que impactam nas perdas econômicas. A produção florestal tem perda de produtividade causada pelas mudanças climáticas alteradas pelo desmatamento e uso do solo. Em 2019, o Brasil registrou desmatamento de 9.762 km² e as emissões por uso de solo responderam por 44% de toda a emissão do País. Em relação à polinização no Brasil, aproximadamente 32 alimentos dependem exclusivamente de polinizadores (BPBES/REPPIB), que estão cada vez mais comprometidos com as alterações climáticas. Outros elementos como água doce e produção pesqueira também serão afetados à medida que a mudança e intensidade de chuvas alteram o ciclo hidrológico do sistema, impactando na segurança para as comunidades costeiras, na mudança de seu habitat e na reprodução dos peixes, além de contar com grandes períodos de estiagem. As commodities agrícolas têm perdas anuais previstas na cultura da cana de US$ 8 milhões e na pecuária, de US$ 51 milhões caso o atual modelo intensivo em carbono persista. Por outro lado, a mudança para modelos mais limpos e sustentáveis permitiria ganhos anuais de US$ 87 milhões para a cana, e US$ 4 milhões para a pecuária. A perda na indústria alimentícia é de US$ 460 milhões em um ambiente que desconsidera os serviços ecossistêmicos como atualmente, enquanto a indústria em geral perderia US$ 2,2 bilhões. África Oriental e Ocidental, Ásia Central e partes da América do Sul são outras regiões que serão afetadas. De acordo com o relatório, Madagascar, Togo e Vietnã são os países que mais devem perder PIB em termos percentuais até 2050, com quedas de 4,2%, 3,4% e 2,8% ao ano, respectivamente. O estudo prevê ainda perdas globais anuais, até 2050, de US$ 327 bilhões em proteções danificadas contra inundações, tempestades e erosão devido a mudanças na vegetação ao longo da costa e aumento do nível do mar; US$ 128 bilhões com a perda de armazenamento de carbono que protege contra as mudanças climáticas; US$ 15 bilhões em habitats perdidos para abelhas e outros insetos polinizadores; US$ 19 bilhões provenientes da redução da disponibilidade de água para a agricultura e US$ 7,5 bilhões de florestas perdidas e serviços de ecossistemas florestais. Além disso, o levantamento prevê aumentos nos preços globais das principais commodities nos próximos 30 anos, já que a agricultura será a área mais atingida pela queda dos serviços ecossistêmicos da natureza, como escassez de água e a diminuição de abelhas e outros insetos polinizadores. Em última análise, isso poderá levar a um aumento dos preços dos alimentos para os consumidores em todo o mundo, com implicações para a segurança alimentar em muitas regiões. Entre os reajustes previstos até 2030, estão madeira (8%), algodão (6%), sementes oleaginosas (4%) e frutas e verduras (3%). “Este estudo inovador mostra como a natureza perdida não apenas terá um enorme impacto na vida e nos meios de subsistência humanos, mas também será catastrófica para nossa prosperidade futura. Pessoas de todo o mundo já estão sentindo o impacto do aumento dos preços dos alimentos, secas, escassez de mercadorias, inundações extremas e erosão costeira. No entanto, para a próxima geração, as coisas serão muito piores, com trilhões varridos das economias mundiais até 2050”, disse Marco Lambertini, diretor geral da WWF Internacional. Alexandre Prado, diretor de Economia Verde do WWF-Brasil afirma que “o estudo aponta que os serviços ecossistêmicos não são somente a garantia de nossa sobrevivência em nosso planeta, mas também da geração de oportunidades econômicas e da qualidade de vida para as sociedades humanas”. Prado comenta ainda que outras perdas serão muito desiguais. "Os países-ilha, por exemplo, serão varridos do mapa. Só vamos conseguir manter o crescimento econômico e a prosperidade global em um cenário de conservação". O estudo ‘Global Futures’ usou uma nova modelagem econômica e ambiental para avaliar qual seria o impacto macroeconômico se o mundo persistisse no business as usual, incluindo mudanças generalizadas e não direcionadas no uso da terra, aumento contínuo nas emissões de gases de efeito estufa e perda adicional de recursos naturais. Em um cenário onde o uso da terra seja gerenciado para evitar novas perdas de áreas importantes para a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, que o estudo chama de cenário de 'Conservação Global', os resultados econômicos seriam dramaticamente melhores. O PIB global aumentaria 0,02% ao ano, gerando um ganho líquido de US$ 490 bilhões por ano acima do cálculo da economia, como sempre. Esse método pioneiro de análise foi criado por meio de uma parceria entre o WWF, o Projeto Global de Análise de Comércio da Universidade de Purdue e o Projeto Capital Natural, co-fundador pela Universidade de Minnesota. O relatório Global Futures completo pode ser encontrado neste link: https://www.wwf.org.uk/globalfutures

3 de março, 2020
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Maior agilidade no combate às emissões

Após dois anos da adoção do Acordo de Paris, ratificado em 12 de dezembro de 2015, a Natura e as outras 54 empresas signatárias querem chamar atenção, principalmente, dos vinte países mais industrializados do mundo, que representam 74% das emissões globais. As empresas querem ainda que o G20 seja um fórum de elaboração de medidas concretas de longo prazo para acelerar a descarbonização global, ao mesmo tempo em que convida outros países a unir esforços. Na declaração conjunta da Natura e das demais empresas há medidas a serem adotadas como a eliminação progressiva dos subsídios para os combustíveis fósseis até 2025, preço adequado para o carbono e clareza sobre os riscos financeiros relacionados ao clima. A aliança argumenta que um desenvolvimento com baixo teor de carbono assegurará empregos e prosperidade, iniciando uma nova onda de inovação e empreendedorismo. “A Natura reforça o seu compromisso com o clima e trabalha por meio de práticas sustentáveis em sua cadeia produtiva para diminuir o efeito das mudanças climáticas. Há mais de dez anos, a Natura é uma empresa carbono neutro, com redução de um terço das suas emissões entre 2007 e 2013, e compromisso de redução em mais um terço até 2020”, afirma João Paulo Ferreira, presidente da Natura. Ainda em cumprimento ao Acordo de Paris, a Natura firmou compromisso com a Powering Past Coal, que reúne governos, empresas e organizações para acelerar o crescimento limpo e a proteção do clima por meio da rápida eliminação da energia baseada em carvão.

19 de janeiro, 2018
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SUSTENTABILIDADE
Negócios podem gerar US$ 12 trilhões até 2030

Segundo os mais de 35 CEO’s e líderes da sociedade civil da Business & Sustainable Development Commission (Comissão de Desenvolvimento Sustentável e Empresarial) modelos de negócios sustentáveis poderiam gerar oportunidades de no mínimo US$ 12 trilhões e gerar até 380 milhões de empregos por ano até 2030. Os CEO’s afirmaram ainda que colocar as Metas de Desenvolvimento Sustentável como estratégia mundial poderia mudar o cenário de crescimento e produtividade, com um ‘boom’ de investimentos em infraestrutura sustentável. Entretanto, para que isto ocorra é necessária uma mudança significativa na comunidade empresarial e de investimento, com o setor privado tornando-se realmente parceiro no trabalho com governos e com a sociedade civil para consertar a economia. Em seu principal relatório, Better Business, Better World, a comissão reconhece que, embora nas últimas décadas centenas de milhões de pessoas tenham sido retiradas da pobreza, houve também um crescimento desigual, mais insegurança no campo do emprego e um endividamento cada vez maior. "Este relatório é um apelo à ação para líderes empresariais. Nós estamos no limite e não mudar resultará em mais oposição política e em uma economia que simplesmente não funciona para um número suficiente de pessoas. Temos que mudar para um modelo de negócio que funcione para um novo tipo de crescimento inclusivo", afirma Mark Malloch-Brown, presidente da Business & Sustainable Development Commission. "O Better Business, Better World mostra que existe um incentivo convincente para que o mundo não seja apenas bom para o meio ambiente e para a sociedade, mas que ele faça sentido em termos de negócios também", complementa. O relatório revela que 60 grandes oportunidades em mercados sustentáveis e inclusivos em apenas quatro áreas econômicas importantes poderiam gerar pelo menos US$ 12 trilhões, valor acima de 10% do PIB atual. A discriminação das quatro áreas e seus valores potenciais são: energia, com US$ 4,3 trilhões; cidades: com US$ 3,7 trilhões; alimentos e agricultura, com US$ 2,3 trilhões; e saúde e bem-estar, com US$ 1,8 trilhão. Além dos US$ 12 trilhões estimados diretamente, a análise conservadora mostra potencial para mais US$ 8 trilhões de criação de valor em toda a economia se as empresas incorporarem os Objetivos Globais a suas estratégias. "Como gestores de capital de longo prazo, a indústria de investimentos e seus clientes podem apoiar a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, criando métricas de sustentabilidade simples e padronizadas, integrantes do processo de investimento", explica Hendrik du Toit, CEO da Investec Asset Management e membro da Comissão. "Também precisamos de novas parcerias otimizadas com governos e comunidades que possam reduzir os riscos para todos e trazer mais investimento privado a um custo mais baixo para o desenvolvimento de infraestrutura sustentável", complementa o CEO. Ao mesmo tempo, a Comissão acredita que um "novo contrato social" entre empresas, governo e sociedade é essencial para definir o papel das empresas em uma nova economia mais justa. O Edelman Trust Barometer 2017, recentemente lançado, reforça esta ideia. Mostra que, embora a credibilidade do CEO esteja em forte queda, 75% dos entrevistados da população em geral concordam que "uma empresa pode adotar ações específicas que aumentam os lucros e melhoram as condições econômicas e sociais na comunidade onde ela opera". Elas podem fazer isso de formas que se alinham com as recomendações e ações descritas no Better Business, Better World: reconquistar a confiança criando empregos dignos, recompensando os trabalhadores de forma justa, investindo na comunidade local e pagando uma parcela justa de impostos. Ao longo de 2017, a Comissão focará seus esforços em trabalhar com as empresas para reforçar o alinhamento delas com os Objetivos Globais, incluindo: orientar a próxima geração de líderes de desenvolvimento sustentável; criar roteiros setoriais e tabelas que classifiquem o desempenho corporativo em relação aos Objetivos Globais; e apoiar medidas para a liberação de financiamentos que viabilizem investimentos em infraestruturas sustentáveis. "Precisamos mostrar que essas ideias funcionam não apenas em um relatório, mas na linha de frente dos negócios", ressalta a Dra. Amy Jadesimi, CEO da LADOL, uma empresa nigeriana de desenvolvimento de infraestrutura e logística, e membra da Comissão.

23 de janeiro, 2017