HIDROGÊNIO VERDE

Novo marco legal vai acelerar investimentos

Novo marco legal vai acelerar investimentos

Um novo marco legal para o hidrogênio verde no Brasil visa atrair investimentos ao definir diretrizes de fomento e governança para a transição de baixo carbono.

As empresas brasileiras aguardam a sanção do marco legal que regulamenta a produção e a certificação do hidrogênio verde (H2V) e altera a matriz de risco para investidores de infraestrutura e energias renováveis. O novo decreto federal estabelece as diretrizes de fomento e a governança para a transição de baixo carbono e resolve a assimetria jurídica que historicamente afastava o capital investidor do setor.

Com o novo marco, o mercado passa a incorporar projetos que assumiram o risco tecnológico antes mesmo da chancela do governo. Apresentado ao mundo no fim de 2025, durante a COP30, em Belém (PA), o JAQ H1 é um projeto do Grupo Náutica em parceria com a GWM Hydrogen e foi desenvolvido como uma plataforma de testes e demonstração de tecnologias voltadas à descarbonização da navegação, com aplicações que vão além da propulsão convencional. A embarcação tem 36 metros de comprimento, abriga em seu interior um auditório com capacidade para 50 pessoas, e opera como um laboratório e fórum flutuante. Desde o início de suas operações tem recebido uma série de palestras voltadas à educação, promoção de pesquisas ambientais e análises profundas sobre o impacto da chamada "economia azul" na matriz econômica.

Nos meses subsequentes à COP30, o barco com toda a sua hotelaria movida a hidrogênio, foi submetido a uma rigorosa bateria de testes operacionais. O principal atestado de sua maturidade técnica ocorreu em uma travessia inédita do Norte do país até o litoral de Santa Catarina. Atualmente, o projeto passa pelo processo de comissionamento do sistema de hidrogênio, uma operação de precisão milimétrica que tem mobilizado uma força-tarefa multidisciplinar composta por engenheiros de ponta, analistas de dados e operários especializados para os seus motores MAN dual-fuel de alta performance que permite diminuir a emissão de CO2 em 80%. Para Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e idealizador do projeto, a sanção do novo decreto representa o despertar do mercado para a urgência do tema. "Nós viabilizamos esse projeto real com investimento privado, sem depender de incentivos ou aportes de instituições de fomento tradicionais ao longo de todo o processo de desenvolvimento. Contamos com a coragem e a visão de parceiros fundamentais, como a GWM. Meu objetivo com essa embarcação sempre foi deixar um legado tangível. Agora, com essa evolução regulatória trazida pelo decreto, entendo que há um caminho pavimentado para que empresas e as próprias instituições do Estado passem a olhar com a devida gravidade e ação para a emergência climática, que já não é mais uma ameaça futura, mas a nossa realidade presente”, destaca. Para o executivo, sem o marco legal, a precificação do hidrogênio verde e a rentabilidade de projetos que adotam essa tecnologia esbarravam na falta de taxonomia e em riscos fiscais. Com a segurança jurídica recém-instaurada, o mercado financeiro projeta uma injeção de capital na cadeia de suprimentos renováveis.

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