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MANGANÊS

Planta pode combater contaminação do rio Doce

Planta pode combater contaminação do rio Doce

O rio Doce foi drasticamente atingido pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015.

Queiroz (Esalq/USP) e publicado no Journal of Cleaner Production, a espécie de planta aquática Taboa (Typha domingensis) – encontrada na região do estuário do rio Doce – aumenta o potencial de fitorremediação do manganês em até 2000%. O rio Doce foi drasticamente atingido pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015.

A autora do estudo, a engenheira agrônoma Amanda Duim Ferreira, diz que as novas informações podem direcionar políticas públicas na região. “A planta já está crescendo espontaneamente sobre os rejeitos lá no estuário e os dados desse artigo mostram esse potencial natural. O que podemos fazer para aumentar esse potencial é aplicar técnicas de manejo, como as já utilizadas em plantas comerciais (adubação, densidade de plantio, época de colheita) para aumentar a produção de biomassa, o que potencializará o processo de remediação”.

O manganês é um elemento abundante na natureza e, muitas vezes, não é percebido como tóxico, mesmo quando encontrado em elevadas concentrações no solo e na água. Os pesquisadores comentam que não existem valores limites de manganês para solos, apesar de pesquisas apontarem efeitos tóxicos em plantas, animais e seres humanos. Em seres humanos as elevadas concentrações de manganês são associadas a doenças como o Alzheimer, além de outros distúrbios neurodegenerativos e do sistema nervoso central.

Outro estudo da Esalq publicado em 2021 e denominado ‘Manganês: o contaminante negligenciado no maior colapso da barragem de rejeitos de mina do mundo’ mostra que as altas concentrações de manganês em água se refletiram em altos teores de manganês em duas espécies de peixes, o bagre amarelo (Cathoropus spixii) e o peixe-gato marinho (Genidens genidens), ambos consumidas pela população local, o que representa um risco crônico para a saúde das comunidades ali presentes.

Além de Amanda, o estudo conta com outros pesquisadores envolvidos no desenvolvimento do projeto. O Grupo de Estudo e Pesquisa em Geoquímica de Solos da Esalq, que tem coordenação de Tiago Osório Ferreira, professor do Departamento de Ciência do Solo. A pesquisa tem financiamento da FAPESP, FAPES, CAPES e CNPq, além da colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal Fluminense e da Universidade de Santiago Compostela, da Espanha. O estudo completo pode ser acessado no https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0959652622024064?via%3Dihub.

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RIO DOCE
Estuário corre risco de eutrofização

Um estudo que integra o doutorado do pesquisador Hermano Melo Queiroz, do programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) constatou que dois anos após o desastre da barragem do Fundão, em Mariana (MG), os níveis de fósforo dissolvido em água ultrapassaram em cinco vezes os permitidos pela Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). O acidente de rompimento da barragem ocorreu em novembro de 2015 e é considerado um dos piores desastres ambientais ocorridos no Brasil. O estudo teve a orientação do professor Tiago Osório Ferreira, do departamento de Ciência do Solo e foi publicado na revista Journal of Environmental Management. Os rejeitos de mineração ricos em óxidos de ferro percorreram aproximadamente 600 km até alcançar o estuário do Rio Doce na cidade de Regência (ES). "O material do rejeito é rico em óxidos de Fe, minerais que têm alta afinidade com fósforo, ou seja, os óxidos de Fe presentes no rejeito carregaram grandes quantidades de fósforo para o estuário", comenta Hermano Queiroz. Após dois anos da chegada dos rejeitos, os pesquisadores observaram que as condições biogeoquímicas do estuário favorecem a dissolução dos óxidos de ferro, levando a uma liberação de fósforo na água do estuário. "Nossos resultados indicam que os óxidos de ferro estão funcionando como uma fonte contínua de fósforo no ecossistema estuarino, levando a um potencial risco de eutrofização". A eutrofização é o processo que desencadeia a produção em excesso de algas, o que pode acarretar diminuição da concentração de oxigênio na água e ocasionar a morte de diversos outros organismos, como peixes O estudo contou com financiamento da FAPESP, FAPES, CAPES e CNPq além da colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal Fluminense e da Universidade de Santigado Compostela da Espanha e pode ser acessado na íntegra em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301479720315000 .

7 de dezembro, 2020
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EXPEDIÇÃO PARAOPEBA
Presença de metais pesados na água

A Fundação SOS Mata Atlântica elaborou relatório sobre a expedição realizada no rio Paraopeba que percorreu dois mil km por estradas, passando por 21 cidades, para analisar a qualidade da água em 305 km do rio afetado pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG). “Esperamos, com este relatório, contribuir para o aprimoramento de políticas públicas no sentido de evitar que eventos trágicos como esse se repitam, tendo como base o fortalecimento do arcabouço legal e institucional brasileiro, com participação da sociedade na tomada de decisões. A legislação ambiental brasileira deve ser valorizada e fortalecida por meio de órgãos técnicos e ambientais bem estruturados, instrumentos de gestão eficientes, participativos, modernos e livres de ingerência política“, afirma Malu Ribeiro, especialista em Recursos Hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica. Segundo o relatório, os indicadores de qualidade da água aferidos não revelaram água em condições de uso e vida aquática. Dos 22 pontos analisados, dez registraram qualidade ruim e 12, péssima. A equipe que trabalhou na expedição constatou também a presença de metais pesados no Paraopeba, como manganês, cobre e cromo – muito acima do limite máximo permitido por legislação. A ONG citou ainda que 112 hectares de florestas nativas foram devastados, dos quais 55 hectares eram áreas bem preservadas. “Os metais presentes na água nessas quantidades são nocivos ao ambiente, à saúde humana, à fauna, aos peixes e aos organismos vivos. Eles são reconhecidamente poluentes severos e podem causar diversos danos aos organismos, desde interferências no metabolismo e doenças, até efeitos mutagênicos e morte“, afirma Marta Marcondes, professora e coordenadora do Laboratório de Análise Ambiental do Projeto Índice de Poluentes Hídricos (IPH), Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). As concentrações máximas de cobre na água para rios como o Paraopeba (classe 2) é de 0,009 mg/L, segundo Resolução 357, do Conama. A expedição da SOS mata Atlântica encontrou resultado superior a 4 mg/L. Já o manganês, cujo o limite é de 0,1 mg/L, chegou a até 3 mg/L em alguns locais. A concentração elevada de ferro e manganês na água podem ser os responsáveis pela coloração avermelhada do rio. Em diversos pontos, o ferro esteve acima de 6 mg/L. “O rio Paraopeba perdeu a condição de importante manancial de abastecimento público e usos múltiplos da água. O dano ambiental tornou aquelas águas impróprias e indisponíveis para qualquer uso, pelo menos por onde passamos“, destaca Malu. Os pesquisadores afirmam que é necessário monitoramento sistemático, permanente e por longo prazo no rio para acompanhar a recuperação ambiental e a qualidade da água. A SOS Mata Atlântica utilizou duas metodologias para verificar o impacto dos rejeitos nas águas do Paraopeba - uma delas nas amostras de superfície, com medições realizadas a 30 centímetros da lâmina d’água, onde as concentrações de oxigênio dissolvido registraram maiores valores, por conta da movimentação natural do rio e das trocas com o ar. E a segunda medição ocorreu na coluna d’água, a partir de 2 metros de profundidade, em virtude dos rejeitos provenientes do rompimento da barragem da Vale decantarem rapidamente. As amostras coletadas às margens do rio apresentaram maior concentração de poluentes e de turbidez. Já na superfície, a qualidade da água foi afetada de maneira lenta e gradativa, porém, de forma intensa logo após as chuvas que atingiram a região. O relatório aponta elevadas taxas de turbidez, metais pesados, bactérias e baixa oxigenação da água na maioria dos pontos analisados. Apenas cinco pontos no rio, entre os municípios de Pompéu e Curvelo, os índices de oxigênio dissolvido apresentaram condição de manutenção da vida aquática, entretanto as concentrações de metais pesados registradas nesses mesmos pontos, os mantêm fora dos limites legais para rios de classe 2 como o Paraopeba. A recuperação da qualidade da água e segurança hídrica deve ser lenta e difícil, além da adoção de medidas efetivas de remediação dos danos ambientais. A restauração florestal com espécies nativas para revitalização da bacia hidrográfica é um fator preponderante para restabelecer a capacidade de regeneração do rio e de seus ecossistemas, somada à ampliação dos serviços de saneamento básico e ambiental nos municípios afetados direta e indiretamente. “Não podemos esquecer do ressarcimento das comunidades, das famílias, que tiveram suas vidas e atividades econômicas afetadas. Por tudo isso, é fundamental que a legislação brasileira, sobretudo o Licenciamento Ambiental, não seja flexibilizada para atender a pressões setoriais. É primordial que os responsáveis por essa tragédia sejam punidos“, afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

7 de março, 2019
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ACIDENTE
UFES entrega relatórios de lama da Samarco

A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) entregou ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) os relatórios consolidados de estudos feitos sobre os impactos causados às zonas estuarina e marinha da costa capixaba e do sul da Bahia pelos rejeitos de mineração da Samarco, após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), no final de 2015. Coordenados pelo professor Alex Cardoso Bastos, os estudos foram elaborados a partir de análise laboratorial de materiais coletados durante oito expedições realizadas entre novembro de 2015, quando a lama atingiu a foz do Rio Doce, e dezembro de 2016. O ICMBio apoiou três das oito expedições e cedeu o navio de pesquisa Soloncy Moura, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sul e Sudeste (Cepsul). Denominado ‘Monitoramento da Influência da Pluma do Rio Doce Após o Rompimento da Barragem de Rejeitos em Mariana/MG – Novembro de 2015: Processamento, Interpretação e Consolidação de Dados, o relatório engloba dados sobre a qualidade da água, a presença de metais pesados, a contaminação de organismos marinhos, como fictoplânctons e zooplânctons, e a presença de rejeitos depositados no fundo do oceano. No estudo, entre a primeira e última expedição, pode-se verificar que a lama se espalhou rapidamente no oceano, na direção norte do litoral. Foram atingidas mais fortemente as regiões de Barra Nova e Costa das Algas, onde o ICMBio mantém uma área de proteção ambiental (APA). No banco de Abrolhos, houve o registro de micropartículas de ferro e ainda há a preocupação de que os sedimentos, alojados no fundo do mar possam estar sendo levados, lentamente, para a região pelo movimento das correntes marinhas. O ICMBio coordena a Câmara Técnica de Biodiversidade no âmbito do comitê interfederativo (CIF) criado na época do acidente e vai repassar os relatórios para os demais membros do CIF (Ibama, órgão coordenador; ANA e estados de Minas Gerais e Espírito Santo)de MG e ES), além de Anvisa, com o objetivo de definir as próximas ações de monitoramento e de recuperação da região contaminada pelos rejeitos.

24 de julho, 2017
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MARIANA
SOS Mata Atlântica divulga laudo após expedição

Uma equipe da SOS Mata Atlântica realizou, entre os dias 06 e 12 de dezembro de 2015, expedição pelos municípios afetados pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, no município de Mariana, Minas Gerais. Foram coletados sedimentos para análises laboratoriais, além de feita análise da qualidade da água do rio Doce e afluentes impactados pela lama e rejeitos de minérios. Ao todo, a SOS Mata Atlântica analisou 18 pontos em campo, percorridos 29 municípios e coletados 29 amostras de lama e água para análise em laboratório. Do total, 16 apresentaram o Índice de Qualidade da Água (IQA) péssimo e dois obtiveram índice regular. “Em todo o trecho percorrido e analisado por nossa equipe a água está imprópria para o consumo humano e de animais”, observa Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica. Para Malu, a expedição só confirmou que a condição ambiental do rio Doce é péssima em 650 km de rios. A turbidez e o total de sólidos em suspensão estão em concentrações bem acima das estabelecidas pela legislação. Ela variou de 5.150 NTU ( Nephelometric Turbidity Unit , unidade matemática utilizada na medição da turbidez) na região de Bento Rodrigues e Barra Longa, a 1.220 NTU em Ipatinga (MG), aumentando gradativamente na região da foz, em Regência (ES). “O máximo aceitável deveria ser de 40 NTU”, diz Malu. “Infelizmente, as chuvas acabam por arrastar mais lama para o leito do rio e a situação tende a ficar ainda mais complicada. A lama e os metais pesados não mascararam ou diminuíram as concentrações de poluentes provenientes de esgoto sem tratamento e de insumos agrícolas”, afirma. A expedição contou ainda com a Ypê – Química Amparo, Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), ProMinent Brasil e outros grupos de especialistas voluntários, como o GIAIA (Grupo Independente de Avaliação de Impacto Ambiental), além do eco esportista Dan Robson, que navegou trechos com um caiaque especialmente equipado para realizar análises da qualidade da água e da profundidade do leito dos rios e dos reservatórios ao longo do percurso. Além disso, parte dos testes foi realizada em campo com equipamentos especiais para a medição de metais, sondas de medição e espectrofotômetro. A qualidade da água foi verificada de acordo com os parâmetros de referência estabelecidos na legislação vigente brasileira, a Resolução Conama nº357/5, que estabelece a classificação das águas e aponta o IQA. A equipe da Fundação SOS Mata Atlântica utilizou um kit desenvolvido pelo programa Rede das Águas, empregado no projeto Observando os Rios. O kit segue metodologia para avaliação do IQA a partir de um total de 16 parâmetros, que incluem níveis de oxigênio, demanda bioquímica de oxigênio, nitrato, coliformes, fosfato, pH, temperatura, turbidez, odor cor e presença de peixes, larvas brancas e vermelhas. A classificação da qualidade das águas é feita em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos). De acordo com as coletas e análises físico-químicas de bactérias e metais pesados realizadas, que obedeceram às normas estabelecidas pelo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, todos os pontos avaliados estão em desacordo com o que é preconizado na legislação vigente. Entre os metais foram encontrados magnésio, cálcio, cobre, ferro, alumínio e manganês. O estudo completo pode ser conferido através do link http://bit.ly/RioDoceSOS .

27 de janeiro, 2016
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ACIDENTE
Tecnologia da Omega ajuda a recuperar rio Doce

Desde 2010 o programa Olhos D’Água, do Instituto Terra, já recuperou cerca de 1,2 mil nascentes na região do rio Doce por meio do reflorestamento com vegetação nativa do Vale do Rio Doce, que hoje tem mais de 3,8 milhões de habitantes em Minas Gerais e Espírito Santo. Em setembro do ano passado – antes do acidente com a barragem de rejeitos de Fundão da Samarco – a Omega Engineering disponibilizou uma série de equipamentos com objetivo de apoiar o reconhecido trabalho ambiental do Instituto Terra. Os dispositivos ajudam a ONG a avaliar a água (turbidez e vazão), as sementes (peso) e o solo (umidade e condutividade), bem como para automatizar a irrigação do viveiro de mudas. “Com isso, podemos ter mais sucesso na produção de mudas, no reflorestamento e na recuperação das nascentes, bem como para acompanhar a qualidade da água”, explica a bióloga e assistente de Meio Ambiente do Instituto Terra, Elisangela Ferreira da Silva. Elisangela explica que o reflorestamento começa por espécies chamadas pioneiras (ingá ou aroeira, por exemplo), que têm um desenvolvimento mais rápido e preparam o ambiente para outros tipos de plantas. Na seqüência, mudas de espécies secundárias (como jatobá, por exemplo) podem ser plantadas, pois encontram condições mais favoráveis para desenvolvimento. Com o acidente ambiental em Mariana, o desafio do Instituto Terra é ainda maior. O Programa Olhos D´Água visa recuperar todas as 375 mil nascentes do Vale nos próximos 20 anos. A ONG conta com a parceria de produtores rurais, empresas como a Omega Engineering e órgãos públicos, mas espera que as pessoas se mobilizem mais após a tragédia. Os profundos danos ambientais e sociais podem levar anos para serem superados, mas o caminho começa com a recuperação da mata nativa e das nascentes em todo o Vale do Rio Doce. A tragédia ambiental, além das mortes de espécies e seres humanos, afetou drasticamente a cadeia alimentar em 690 Km do total de 810 Km do Rio Doce. A lama bloqueou o sol e matou o fitoplâncton, base da cadeia alimentar, além de haver afetado a pesca, o abastecimento, a agricultura e o turismo e assim por diante, até chegar ao mar.

27 de janeiro, 2016