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Projeto pretende regenerar pastagens degradadas no Vale do Araguaia

Projeto pretende regenerar pastagens degradadas no Vale do Araguaia

Com início em até 80 mil hectares e potencial de expansão para 100 mil, esta é uma das maiores iniciativas do tipo no setor, que conecta sustentabilidade, ciência, inovação e parcerias estratégicas.

A OCP Brasil em parceria com a Ambipar, Liga do Araguaia e Instituto Agroambiental do Vale do Araguaia (IAVA) acabam de lançar o projeto ALM Carbono Verde do Araguaia que tem como objetivo a regeneração de pastagens degradadas no Vale do Araguaia, no Centro-Oeste do Brasil, por meio de práticas agrícolas sustentáveis e da geração de créditos de carbono certificados. Com início em até 80 mil hectares e potencial de expansão para 100 mil, esta é uma das maiores iniciativas do tipo no setor, que conecta sustentabilidade, ciência, inovação e parcerias estratégicas para promover impactos reais no solo, na produtividade e no clima. Esse é mais um passo concreto da OCP Brasil em direção ao compromisso global do Grupo OCP com a neutralidade de carbono até 2040 e reafirma a visão de que é possível transformar a agropecuária em uma força regenerativa e alinhada aos desafios do nosso tempo.

O projeto tem duração prevista de 50 anos terá como foco inicial a reabilitação de 80 mil hectares em aproximadamente 60 fazendas nos primeiros três anos, antes de expandir para a meta total de 100 mil hectares. A primeira emissão de créditos de carbono está prevista para ocorrer dentro de três a cinco anos. Localizado no bioma Cerrado — um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do planeta — o Vale do Araguaia é estratégico tanto para a biodiversidade quanto para a segurança alimentar global. A iniciativa visa revitalizar essa região crucial, promovendo práticas de Gestão de Terras Agrícolas (GAT) que aumentam o sequestro de carbono, melhoram a saúde do solo e reduzem as emissões de gases de efeito estufa. Vice-presidente sênior de Descarbonização e Ação Climática do OCP Group, Naoufal Mahdar comentou que o alinhamento do projeto com a missão da empresa: “Esta iniciativa está intimamente alinhada ao compromisso do OCP com a saúde do solo e sistemas alimentares sustentáveis. Ao restaurar terras degradadas, ajudamos a garantir a segurança alimentar global e, ao mesmo tempo, revertemos os efeitos das mudanças climáticas”. O projeto adota uma abordagem estruturada e baseada na ciência, que inclui o engajamento de pecuaristas locais, a conscientização sobre agricultura sustentável, o treinamento em mitigação de gases de efeito estufa e o monitoramento dos níveis de carbono do solo. A ênfase também será colocada na aplicação de ferramentas de agricultura de precisão e no uso eficiente de fertilizantes, com base na estratégia dos 4Rs — nutriente certo, quantidade certa, hora certa e lugar certo.

Para Soraya Pires, Head Global de Soluções de Carbono da Ambipar, a companhia está construindo uma cadeia produtiva rastreável que gera valor social, econômico e climático. “Esta iniciativa mostra como conservação e desenvolvimento podem andar de mãos dadas”, afirma. A Liga do Araguaia e o IAVA são atores da região e transmitem uma dimensão orgânica e comunitária à iniciativa. Braz Peres Neto, presidente da Liga do Araguaia, descreveu o projeto como um "esforço conjunto para acelerar a adoção de novas práticas de produção e modelos de negócios", enquanto Leonardo de Oliveira Gomes, presidente do IAVA, compartilhou esse sentimento, destacando o histórico de degradação das pastagens na região devido à pecuária extensiva. “O projeto Carbono Verde da ALM será fundamental para reverter essa tendência, disseminando práticas de manejo regenerativo e apoiando o desenvolvimento sustentável do Vale do Araguaia”, afirmou.

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