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Saneamento básico e reciclagem: o caminho para o desenvolvimento econômico sustentável

Saneamento básico e reciclagem: o caminho para o desenvolvimento econômico sustentável

Por Leonardo Marino, diretor industrial da Lar Plásticos

Como sabemos, o saneamento básico é um direito de todo cidadão brasileiro e garantido pela Constituição Federal, através da Lei nº 11.445/2007. O conjunto de serviços envolve uma série de ações como o abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e a limpeza urbana. De forma sistêmica, o saneamento básico contribui não apenas com a promoção da saúde pública ao prevenir diversas doenças de veiculação hídrica e diminuir a mortalidade, por exemplo, mas também com o acesso à educação e a preservação do meio ambiente, tendo efeitos pontuais nos indicadores de desenvolvimento socioeconômico.

Entretanto, o Brasil ainda enfrenta desafios para sua implantação em todo o território nacional. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2020), cerca de 45% da população do país não tem acesso à coleta de esgoto, totalizando quase 100 milhões de brasileiros carentes do recurso.

Já quando falamos da limpeza pública, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada pela Lei 12.035/2010, é quem gere o sistema. A PNRS estabelece que deve haver uma gestão integrada para o tratamento de todos os resíduos, através da coleta e destinação à reciclagem ou aos aterros sanitários. Apesar disso, o país ainda recicla apenas 4% de todo o resíduo sólido que poderia ser destinado ao reaproveitamento, segundo a Associação Brasileira de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Mesmo sendo a reciclagem um processo altamente lucrativo para a sociedade, possibilitando a geração de emprego e renda, ela é também essencial para o desenvolvimento da economia circular como modelo de negócio. Ilustrando esse argumento, dados do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) indicam que o Brasil deixa de gerar R$ 5,7 bilhões ao não reciclar o plástico. E, expandindo esse valor ao considerar outros materiais, é possível afirmar que o país perde dinheiro ao não incentivar mais fortemente a reciclagem e a circularidade dos resíduos produzidos e coletados através de limpeza pública.
Desta forma, podemos estabelecer um paralelo entre o retorno financeiro que a reciclagem gera ao país, que pode ser revertido em investimentos na ampliação dos serviços de saneamento básico. É neste sentido que a Lar Plásticos atua, para o progresso do setor para que toda a sociedade seja beneficiada direta ou indiretamente.

A plataforma de economia circular utiliza o resíduo plástico como matéria-prima em quase 95% de sua linha produtiva, reaproveitando assim o material pós-consumo. Através desse sistema, a empresa gera centenas de empregos diretos e indiretos e ajuda a desenvolver a rentabilidade de toda as regiões onde possui filiais ou uma unidade fabril, contribuindo ainda com a captação de tributos que podem ser destinados ao saneamento básico, fechando todo o ciclo do desenvolvimento sustentável.

*Por Leonardo Marino, diretor industrial da Lar Plásticos

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