ENERGIA

Setor enfrenta incertezas com geopolítica atual

Setor enfrenta incertezas com geopolítica atual

Este índice atingiu níveis sem precedentes nos últimos meses, mas, neste período de mudanças, ainda existem algumas tendências importantes que podem ser identificadas com certa segurança.

Segundo o estudo ‘Índice Mundial de Incerteza’, elaborado por economistas do FMI e da Universidade Stanford, o setor energético, assim como muitos outros, está enfrentando uma avalanche de incertezas devido às reviravoltas geopolíticas acabam prejudicando o trabalho de formuladores de políticas, líderes empresariais e investidores. Este índice atingiu níveis sem precedentes nos últimos meses, mas, neste período de mudanças, ainda existem algumas tendências importantes que podem ser identificadas com certa segurança.

Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA) cita sete fatores que podem ajudar o setor a manter o rumo : a entrada na era da eletricidade que cresce duas vezes mais rápido que a demanda energética total. “Ela é a principal fonte de energia para os setores mais dinâmicos da economia global – como inteligência artificial, data centers e manufatura de alta tecnologia – e está aumentando sua participação em setores importantes como transporte rodoviário e aquecimento, por meio de tecnologias como veículos elétricos e bombas de calor. Atualmente, mais da metade do investimento anual no setor energético global é destinada à eletricidade”; As energias renováveis que continuam a registrar alta na demanda. A energia solar está na vanguarda, visto que países que impulsionam cada vez mais a demanda por energia, como a Índia, possuem recursos solares de altíssima qualidade, mas outras tecnologias também estão em jogo, incluindo novas tecnologias emergentes, como a energia geotérmica de próxima geração.

Outro ponto é o retorno da energia nuclear que está novamente em ascensão, gerando mais eletricidade do que nunca no ano passado. Hoje, mais de 70 GW de nova capacidade nuclear estão em construção, um dos níveis mais altos dos últimos 30 anos. A crescente demanda por eletricidade de data centers significa que as empresas de tecnologia também estão recorrendo à energia nuclear, atraídas pela promessa de fornecimento de energia ininterrupto e com baixas emissões ; Os riscos tradicionais que afetam a segurança do fornecimento de petróleo e gás agora são acompanhados por vulnerabilidades em outras áreas, incluindo a segurança da eletricidade, como evidenciado pelos recentes apagões de grandes proporções no Chile e na Espanha, e a de minerais críticos. Um único país, a China, é o principal refinador de 19 dos 20 minerais estratégicos relacionados à energia, com uma participação média de mercado de cerca de 70%. Mais da metade desses minerais estratégicos está sujeita a algum tipo de controle de exportação. Os crescentes riscos à segurança energética decorrentes das mudanças climáticas também são uma certeza, intensificando a necessidade de tornar os sistemas de energia mais resilientes a eventos climáticos extremos, bem como a ataques cibernéticos e outras atividades maliciosas direcionadas à infraestrutura crítica.

O quinto ponto é que os governos tem assumido o controle à medida que a energia se torna uma questão de segurança econômica e nacional. Isso é visível nas cadeias de suprimento de tecnologia energética, especialmente para minerais críticos, uma vez que os países buscam neutralizar os riscos associados à alta participação de mercado da China. O comércio de petróleo e gás também está cada vez mais sujeito a considerações políticas e negociações entre governos – ou a sanções. O sexto fator é a transição para um “mercado de compradores” para combustíveis e tecnologias essenciais - os preços do petróleo já estão sob pressão devido à oferta relativamente abundante, e o mesmo ocorrerá em breve nos mercados de gás natural, com o início das operações da nova onda de projetos de exportação de GNL. Há também ampla capacidade de produção de baterias, painéis solares e outras tecnologias. Essas tendências podem beneficiar os importadores de combustíveis e tecnologia, mas eles não devem se acomodar: esse período de fartura e preços potencialmente mais baixos pode levar à redução dos investimentos em energia, com implicações para os anos subsequentes.

Por último, Birol menciona Novos intervenientes que estão a impulsionar cada vez mais as tendências globais de energia. “O centro de gravidade dos mercados mundiais de energia está mudando à medida que um grupo de economias emergentes, liderado pela Índia e pelo Sudeste Asiático, e acompanhado por países do Oriente Médio, da América Latina e da África, molda cada vez mais a dinâmica do mercado de energia. Elas estão assumindo o protagonismo da China, que foi responsável por mais da metade do crescimento da demanda global por petróleo, gás e eletricidade desde 2010. Dito isso, nenhum outro país, sozinho, chegará perto de replicar a extraordinária trajetória energética da China nas últimas décadas”. Em meio à turbulência atual, focar apenas nas incertezas pode levar à indecisão e à paralisia. Uma postura de cautela em relação à energia por parte de governos, empresas e investidores corre o risco de gerar problemas futuros, dada a demanda mundial por energia e a necessidade contínua de investimentos. Ainda existem algumas certezas nas quais os tomadores de decisão podem confiar: não as percamos de vista ao planejarmos o futuro”.

Artigos Relacionados

Investimentos em tecnologias atraem US$ 2,3 trilhões
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Investimentos em tecnologias atraem US$ 2,3 trilhões

O avanço dos veículos elétricos e da infraestrutura de recarga confirma que a eletrificação é hoje o principal vetor da transição energética.

12 de março, 2026
Demanda mundial deve crescer até 3,6% até 2030
ENERGIA
Demanda mundial deve crescer até 3,6% até 2030

Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a expectativa de crescimento médio anual é de 3,3% no consumo de eletricidade no Brasil até 2035.

9 de março, 2026
Davos 2026: a urgência da transição energética e o papel estratégico do Brasil
ARTIGO
Davos 2026: a urgência da transição energética e o papel estratégico do Brasil

A eletrificação, o uso de biocombustíveis, investimentos em matrizes elétricas limpas, da mobilidade à indústria, foram reiteradas como um caminho inevitável e acelerado.

13 de fevereiro, 2026
Fapesp lança chamada de propostas para apoiar redes de pesquisa
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Fapesp lança chamada de propostas para apoiar redes de pesquisa

O PFTE vai promover soluções sustentáveis e inovadoras que acelerem a diversificação da matriz energética e que fortaleça, de um lado, a competitividade e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono no Estado de São Paulo e no Brasil.

8 de janeiro, 2026
Ex-ministra Izabela Teixeira vê agenda climática como problema do presente
EVENTOS
Ex-ministra Izabela Teixeira vê agenda climática como problema do presente

Para ela, a COP30 (conferência da ONU sobre mudança climática) representa um marco para a diplomacia ambiental, ao consolidar uma etapa voltada à implementação de compromissos climáticos.

31 de outubro, 2025
EUA cortam US$ 9 bi de programas de energias renováveis
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
EUA cortam US$ 9 bi de programas de energias renováveis

As tarifas já prejudicarão o setor de energias renováveis dos Estados Unidos, e os cortes de gastos federais só negarão ainda mais aos americanos o acesso à energia mais barata, limpa e confiável.

8 de abril, 2025
Consórcio vai implantar usina flutuante no reservatório de Itaipu
ENERGIA SOLAR
Consórcio vai implantar usina flutuante no reservatório de Itaipu

A usina solar flutuante no reservatório da usina hidrelétrica de Itaipu, em caráter experimental, terá capacidade de 1 MWp (Megawatt-pico.

9 de fevereiro, 2025
Uso de biocombustíveis por emergentes pode ajudar a reduzir emissões
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Uso de biocombustíveis por emergentes pode ajudar a reduzir emissões

Brasil e em mais outros dez países emergentes – incluindo China, Índia e África do Sul – pode evitar a emissão de 300 a 400 milhões de toneladas de CO2 até 2030.

5 de novembro, 2024