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Tecnologia para extrair metais nobres e tóxicos

Tecnologia para extrair metais nobres e tóxicos

O invento utiliza a sericina, um dos componentes presentes na formação dos casulos do bicho-da-seda para essa extração

Pesquisadoras da Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (FEQ Unicamp) em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveram uma tecnologia em que, do material residual proveniente do casulo de bicho-de-seda, é possível realizar um processo de extração de metais nobres e tóxicos, presentes no processo industrial da indústria têxtil. O invento utiliza a sericina, um dos componentes presentes na formação dos casulos para essa extração.

A partir do desenvolvimento de blendas, uma mistura de moléculas, a partícula pode ser utilizada para a remoção de metais tóxicos na água ou de metais nobres, como paládio, ouro e prata. A tecnologia é considerada barata e sustentável na comparação com o carvão ativado, despoluente utilizado pela indústria para o reaproveitamento destes metais. A sericina também pode ser empregada na remoção de metais a partir de fontes secundárias, como equipamentos e joias em desuso.
As blendas da sericina são consideradas como uma tecnologia verde ou com impactos positivos ao meio ambiente, conforme explica a professora da FEQ Unicamp e uma das coordenadoras do projeto, Melissa Gurgel Adeodato Vieira. “Os adsorventes que desenvolvemos com as blendas têm uma alta afinidade que ajuda na extração dos metais nas fontes secundárias, o que ajuda a fechar um ciclo de economia circular : a gente não faz a recuperação dos equipamentos em desuso, mas dos metais que estão ali dentro, o que também contribui para a retomada desses produtos para o ciclo produtivo”, detalha Melissa. A tecnologia das blendas de sericina também provoca impacto social ao abrir oportunidades de negócio para produtores de sericicultura. (criação do bicho-da-seda). A atividade econômica é muito associada à agricultura familiar, além de ser considerada limpa, já que não utiliza agrotóxicos.

A tecnologia desenvolvida e a demanda por sericina pode também ajudar a ligar as redes de produção familiares a novas pontas da cadeia produtiva, caso tenha o licenciamento de uma instituição ou empresa que atue no setor para levar a tecnologia para sociedade. “O Brasil é um dos países que mais produzem artefatos a partir de sericicultura, mas a indústria têxtil é muito exigente quanto a extração dos fios, há um modo correto de abrir os casulos pelos produtores que, depois da retirada do que interessa para a indústria, necessitam descartar os resíduos gerados. Então se você consegue reaproveitar a sericina a partir desses resíduos, também ajuda a valorizar toda uma cadeia que é fortemente familiar no País”, conclui uma das coordenadoras da Unicamp do projeto, Meuris Gurgel Carlos da Silva, professora da FEQ.

Atualmente, a patente faz parte de um conjunto de inventos que exploram a aplicação das blendas para diversos setores, desde a extração de metais nobres, como a criação de materiais para extrair ou incorporar componentes que beneficiam a indústria cosmética e a indústria farmacêutica. O invento desenvolvido fez a Inova Unicamp solicitar proteção da propriedade intelectual junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que concedeu a patente. Hoje, a tecnologia verde integra o portfólio de tecnologias da Unicamp e está disponível para licenciamento.

Empresas e instituições públicas ou privadas interessadas na transferência da tecnologia para promover a inovação de seus produtos ou processos podem entrar em contato diretamente com a Inova Unicamp pelo formulário de conexão pesquisa-mercado disponível no site da Agência. Além do acesso a tecnologias de ponta, a transferência de tecnologia reduz riscos associados ao desenvolvimento de novos produtos e processos e colabora para o desenvolvimento socioeconômico baseado no conhecimento científico.

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