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RESÍDUOS PLÁSTICOS

Aliança contra descarte em oceanos

Cerca de 30 empresas mundiais dos setores de plástico e bens de consumo lançaram a AEPW - Alliance to End Plastic Waste (Aliança para o Fim dos Resíduos Plásticos) com o objetivo de desenvolver e implementar soluções avançadas para a eliminação do descarte de material plástico no meio ambiente, especialmente nos oceanos. Inicialmente formada por quase 30 companhias, a Aliança destinará mais de US$ 1 bilhão para eliminar o descarte de resíduos plásticos em oceanos, com plano de investir US$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos. A Aliança possui entre seus integrantes empresas localizadas nas Américas, Europa, Ásia, África e Oriente Médio. "Todos concordam que o lugar dos resíduos plásticos não é nos oceanos ou em qualquer lugar do meio ambiente. Este é um desafio global sério e complexo que exige ações rápidas e forte liderança. Esta nova aliança é o esforço mais abrangente já feito para dar fim ao descarte de plásticos no meio ambiente", afirma David Taylor, Presidente e CEO da Procter & Gamble, e presidente da AEPW. "Eu convoco todas as empresas, grandes ou pequenas e de todas as regiões e setores, a se juntarem a nós", complementou. A Aliança é uma organização sem fins lucrativos e inclui toda a cadeia de valor dos plásticos: empresas que produzem, utilizam, vendem, processam, coletam e reciclam plásticos, o que inclui fabricantes de químicos e plásticos, companhias de bens de consumo, revendedores e empresas que trabalham com gestão de resíduos. A Aliança tem como parceiro estratégico o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. Entre o conjunto inicial de projetos da AEPW estão parcerias com prefeituras, em especial com aquelas onde há rios que transportam vastas quantias de resíduos plásticos do continente para o oceano. O trabalho inclui o engajamento de governos e formadores de opinião locais em prol da geração de modelos economicamente sustentáveis que possam ser replicados em múltiplas cidades e regiões. A Aliança também irá colaborar com outros programas que trabalhem com prefeituras, como o Projeto STOP; Custear a rede de incubadoras da Circulate Capital para desenvolver e promover tecnologias, modelos de negócios e empreendedores que trabalham pela prevenção de plásticos no oceano e pela gestão de resíduos e reciclagem, visando criar um calendário de projetos a serem investidos; Desenvolver um banco de dados global, aberto e científico, para dar suporte a projetos de gestão de resíduos globalmente, com coleta de dados, métricas, padrões e metodologias confiáveis, ajudando governos, empresas e investidores a acelerarem ações que evitem a entrada de resíduos plásticos no meio ambiente; Colaborar com organizações intergovernamentais, como as Nações Unidas, em prol da capacitação de oficiais de governo e líderes comunitários, por meio workshops e treinamentos, auxiliando-os a identificar as soluções de maior eficácia local para áreas prioritárias; Dar suporte à iniciativa Renew Oceans. O programa tem o objetivo de capturar os resíduos plásticos antes que eles cheguem ao oceano nos 10 rios que transportam a maior parte destes resíduos. O trabalho inicial dará suporte ao projeto Renew Ganga, que também recebe auxílio da National Geographic Society. A AEPW também desenvolverá projetos de infraestrutura, inovação, educação e engajamento e limpeza nas áreas de concentração dos resíduos. "O sucesso irá exigir a colaboração e esforços coordenados de muitos setores – com diferentes potenciais de resultado, seja no curto ou longo prazo. Abordar o tema do plástico no meio ambiente e desenvolver uma economia circular para o plástico requer a participação de toda a cadeia de valor e comprometimento de longo prazo de empresas, governos e comunidades. Ninguém pode resolver isso sozinho", afirma Antoine Frérot, CEO da Veolia e vice-presidente da AEPW. As empresas membros fundadores da Aliança são a brasileira Braskem, BASF, Berry Global, Chevron Phillips Chemical Company LLC, Clariant, Covestro, CP Group, Dow, DSM, ExxonMobil, Formosa Plastics Corporation USA, Henkel, LyondellBasell, Mitsubishi Chemical Holdings, Mitsui Chemicals, Nova Chemicals, OxyChem, PolyOne, Procter & Gamble, Reliance Industries, SABIC, Sasol, Suez, Shell Chemical, SCG Chemicals, Sumitomo Chemical, Total, Veolia e Versalis (Eni).

Cerca de 30 empresas mundiais dos setores de plástico e bens de consumo lançaram a AEPW - Alliance to End Plastic Waste (Aliança para o Fim dos Resíduos Plásticos) com o objetivo de desenvolver e implementar soluções avançadas para a eliminação do descarte de material plástico no meio ambiente, especialmente nos oceanos. Inicialmente formada por quase 30 companhias, a Aliança destinará mais de US$ 1 bilhão para eliminar o descarte de resíduos plásticos em oceanos, com plano de investir US$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos. A Aliança possui entre seus integrantes empresas localizadas nas Américas, Europa, Ásia, África e Oriente Médio.
 
"Todos concordam que o lugar dos resíduos plásticos não é nos oceanos ou em qualquer lugar do meio ambiente. Este é um desafio global sério e complexo que exige ações rápidas e forte liderança. Esta nova aliança é o esforço mais abrangente já feito para dar fim ao descarte de plásticos no meio ambiente", afirma David Taylor, Presidente e CEO da Procter & Gamble, e presidente da AEPW. "Eu convoco todas as empresas, grandes ou pequenas e de todas as regiões e setores, a se juntarem a nós", complementou. A Aliança é uma organização sem fins lucrativos e inclui toda a cadeia de valor dos plásticos: empresas que produzem, utilizam, vendem, processam, coletam e reciclam plásticos, o que inclui fabricantes de químicos e plásticos, companhias de bens de consumo, revendedores e empresas que trabalham com gestão de resíduos. A Aliança tem como parceiro estratégico o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável.
 
Entre o conjunto inicial de projetos da AEPW estão parcerias com prefeituras, em especial com aquelas onde há rios que transportam vastas quantias de resíduos plásticos do continente para o oceano. O trabalho inclui o engajamento de governos e formadores de opinião locais em prol da geração de modelos economicamente sustentáveis que possam ser replicados em múltiplas cidades e regiões. A Aliança também irá colaborar com outros programas que trabalhem com prefeituras, como o Projeto STOP; Custear a rede de incubadoras da Circulate Capital para desenvolver e promover tecnologias, modelos de negócios e empreendedores que trabalham pela prevenção de plásticos no oceano e pela gestão de resíduos e reciclagem, visando criar um calendário de projetos a serem investidos; Desenvolver um banco de dados global, aberto e científico, para dar suporte a projetos de gestão de resíduos globalmente, com coleta de dados, métricas, padrões e metodologias confiáveis, ajudando governos, empresas e investidores a acelerarem ações que evitem a entrada de resíduos plásticos no meio ambiente; Colaborar com organizações intergovernamentais, como as Nações Unidas, em prol da capacitação de oficiais de governo e líderes comunitários, por meio workshops e treinamentos, auxiliando-os a identificar as soluções de maior eficácia local para áreas prioritárias; Dar suporte à iniciativa Renew Oceans. O programa tem o objetivo de capturar os resíduos plásticos antes que eles cheguem ao oceano nos 10 rios que transportam a maior parte destes resíduos. O trabalho inicial dará suporte ao projeto Renew Ganga, que também recebe auxílio da National Geographic Society.
 
A AEPW também desenvolverá projetos de infraestrutura, inovação, educação e engajamento e limpeza nas áreas de concentração dos resíduos. "O sucesso irá exigir a colaboração e esforços coordenados de muitos setores – com diferentes potenciais de resultado, seja no curto ou longo prazo. Abordar o tema do plástico no meio ambiente e desenvolver uma economia circular para o plástico requer a participação de toda a cadeia de valor e comprometimento de longo prazo de empresas, governos e comunidades. Ninguém pode resolver isso sozinho", afirma Antoine Frérot, CEO da Veolia e vice-presidente da AEPW.
 
As empresas membros fundadores da Aliança são a brasileira Braskem, BASF, Berry Global, Chevron Phillips Chemical Company LLC, Clariant, Covestro, CP Group, Dow, DSM, ExxonMobil, Formosa Plastics Corporation USA, Henkel, LyondellBasell, Mitsubishi Chemical Holdings, Mitsui Chemicals, Nova Chemicals, OxyChem, PolyOne, Procter & Gamble, Reliance Industries, SABIC, Sasol, Suez, Shell Chemical, SCG Chemicals, Sumitomo Chemical, Total, Veolia e Versalis (Eni).

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ARTIGO
Como tornar o plástico mais circular?

Artigo por Amanda Baldochi Por Amanda Baldochi * Uma publicação da Ellen MacArthur de 2016 denominada "A Nova Economia do Plástico - Repensando o Futuro do Plástico" previu que, se nada fosse feito para impedir a entrada de plástico nos oceanos, até 2050 haveria mais plástico do que peixe em nossos mares. Com o maior consumo desse material desencadeado pela pandemia COVID-19 associado à sua disposição inadequada, novos estudos vêm confirmando esse dado alarmante. Com o apoio de diversas organizações, entre elas a Universidade de Oxford e a Fundação Ellen MacArthur, o estudo denominado "Breaking the plastic Wave" (quebrando a onda do plástico, tradução livre), aponta que, se continuarmos na trajetória atual, em 2040 o fluxo de plástico que chega aos oceanos irá triplicar, chegando a 29 milhões de toneladas por ano. Chama atenção a informação de que todos os compromissos já acordados entre governos e empresas deverão causar uma redução de apenas 7%, muito aquém do necessário. Mais do que confirmar o tamanho do problema, uma das principais conclusões do estudo é que é possível reverter cerca de 80% desse volume se diversas soluções forem implementadas em conjunto e se agirmos para colocá-las em prática o quanto antes. Algumas medidas já são bastante conhecidas e debatidas, como a eliminação de todos os plásticos desnecessários. O vídeo em que pesquisadores retiram um canudo de plástico do nariz de uma tartaruga é de fazer qualquer um chorar e nunca mais usar um canudinho, mas isso está muito longe de resolver o problema. Faz-se necessário eliminar todo tipo de plástico que não for imprescindível. Os demais precisam ser projetados para serem reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis. Há aqui um desafio grande no qual a indústria precisa atuar com muita inovação, seja para substituir uma série de materiais que não se enquadram nessas categorias, seja para desenvolver novos modelos de negócio e novas tecnologias de reciclagem, como a reciclagem química - processo pelo qual o plástico volta a apresentar sua composição primária. Não é possível, entretanto, eliminar ou substituir todo o plástico. Assim, garantir que esse material tenha uma destinação adequada e que sempre que possível seja reincorporado aos processos produtivos, permite que esse material tão versátil continue sendo usado sem impactar o meio ambiente. Para que isso aconteça, é preciso que haja infraestrutura para coleta seletiva, unidades de triagem e fábricas de reciclagem em todos os países, ou seja, que haja infraestrutura suficiente para garantir a coleta e circularidade desse material. Sobre esse ponto, o estudo Breaking the plastic Wave indica a necessidade de se expandir as taxas de coleta de material reciclável nos países em desenvolvimento em 90% nas áreas urbanas e em 50% nas áreas rurais, com apoio e investimento na cadeia informal da reciclagem, além de dobrar a capacidade de reciclagem mecânica no mundo, escalando-a até atingir a marca de 86 milhões de toneladas por ano até 2040. A perspectiva sobre o estudo "Breaking the plastic Wave" - A solução da Economia Circular para a poluição por plásticos publicada pela Ellen MacArthur indica que para isso acontecer, faz-se necessário "financiamento anual contínuo de cerca de US﹩30 bilhões, no melhor cenário". Neste sentido, nasceu o reciChain, uma rede de empresas que, organizadas em consórcios de cadeias de valor inteiras, busca escalar soluções de economia circular por meio de uma plataforma colaborativa, baseada na tecnologia blockchain. Por meio dessa tecnologia, a plataforma permitirá rastrear o volume de investimentos feitos pelas empresas de bens de consumo para atendimento às metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos e a utilização desse recurso em iniciativas que garantam o aumento da capacidade instalada de reciclagem de resíduos. Um dos objetivos principais da iniciativa é, portanto, garantir adicionalidade, ou seja, que se gere um aumento nas taxas de reciclagem, quando se comparado a um cenário inicial (baseline). Além disso, por se tratar de uma tecnologia descentralizada e imutável, o blockchain garante o aumento e a credibilidade de programas de logística reversa, assegurando a transparência entre todos os elos que fazem parte da cadeia de reciclagem, ao mesmo tempo em que ajuda a gerar empregos mais justos para quem atua no setor de reciclagem. A geração de empregos justos será garantida pelos programas estruturantes, entidades que criam unidades de triagem com base no investimento feito, e que também assessoram e auditam as unidades de triagem e conseguem verificar se essas instalações estão cumprindo com as obrigatoriedades e requisitos legais, além das boas práticas e critérios mínimos estabelecidos pela iniciativa. Outro diferencial do reciChain é que ele tornará possível o investimento de outros elos da cadeia, como fornecedores, que poderão investir em créditos de logística reversa e repassar esses créditos a seus clientes, promovendo a cooperação entre os diferentes elos da cadeia para firmar compromissos efetivos em economia circular. Ao todo, oito empresas já estão participando da fase piloto do projeto: BASF, Natura, Henkel, Braskem, Bomix, Triciclos, Wise e Recicleiros, com apoio da Fundação Espaço ECO. além da questão da poluição plástica nos oceanos, que por si só já traz uma obrigação de todos os setores envolvidos na resolução desse problema, a circularidade do plástico pode trazer ganhos financeiros substanciais às empresas e aos governos. A indústria pode se beneficiar de várias maneiras, seja por garantir seu compliance legal, já que a legislação ambiental em diversos países do mundo vem se tornando cada vez mais restritiva, seja pela maior eficiência operacional, redução do consumo de matéria-prima fóssil, além de diversos outros benefícios intangíveis, como aumento da reputação da marca e fidelização de consumidores mais sensíveis à pauta ambiental e social. Os governos também podem ter retornos econômicos significativos, já que coleta seletiva e destinação adequada dos resíduos sólidos urbanos consomem parcela expressiva da verba das prefeituras, principalmente dos municípios menores. Ainda de acordo com o estudo, se começarmos e avançarmos no desenvolvimento dessa agenda positiva de forma sistêmica, além de controlarmos a poluição plástica nos oceanos, haverá ganhos econômicos da ordem de US$ 70 bilhões para os governos, US﹩ 1,3 trilhão para os negócios, além da geração de mais de 700.000 novos empregos, quando comparado ao cenário Business as Usual. O que estamos esperando? * Amanda Baldochi é Analista de Sustentabilidade Aplicada da Fundação Espaço ECO

2 de agosto, 2021
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ECONOMIA CIRCULAR
BVRio e Iniciativa 3R buscam plástico zero

A BVRio e a Iniciativa 3R, uma coalizão dedicada a alcançar zero resíduos de plástico, lançou recentemente uma nova iniciativa de gestão de plásticos que estabelecerá procedimentos e ferramenta para que as empresas ao redor do mundo possam gerir e reduzir resíduos de plástico de uma forma transparente e robusta. Mais de mil empresas comprometeram-se a agir para criar uma ‘Nova Economia de Plástico’. Entretanto, até o momento poucas medidas práticas claras e críveis foram adotadas para alcançar e relatar os compromissos de redução dos resíduos plásticos. "A BVRio orgulha-se de estar envolvida na criação desta importante iniciativa. Nós vemos a iniciativa como uma peça importante do ecossistema da economia circular, ajudando a aumentar a robustez ambiental e o impacto das atividades deste sector nascente, abrindo caminho para mais investimento e atividade neste espaço", disse Mauricio Moura Costa, diretor da BVRio. A iniciativa inclui Diretrizes para a Gestão Corporativa de Plásticos (Guidelines for Corporate Plastic Stewardship) e um Standard para Projetos de Redução de Resíduos Plásticos (Plastic Waste Reduction Standard). As Diretrizes para a Gestão Corporativa de Plásticos, desenvolvidas pela Iniciativa 3R, South Pole, Quantis e EA, fornecem as melhores práticas para as empresas quantificarem e relatarem de forma crível e transparente as suas pegadas de plástico, assim como seus compromissos para reduzir os resíduos plásticos. O Standard de Plástico, desenvolvido e gerido pela Verra ajuda as empresas que já tentam reduzir a pegada plástica das suas operações a investir em projetos de coleta e reciclagem de resíduos plásticos. As empresas podem fazê-lo comprando créditos de plástico criados por projetos que se adequem ao Standard de Plástico. "Precisamos enfrentar uma crise de poluição plástica sem precedentes", disse David Antonioli, Diretor Executivo da \/erra. "Se apenas 10 dos maiores produtores de plástico do mundo adoptassem as recomendações desta nova iniciativa, mais de 1 milhão de toneladas de resíduos de plástico vazados para o ambiente todos os anos seria removido". O Standard de Plástico foi testado por 24 projetos em 18 países, com a ajuda da BVRio. Na Indonésia, onde 165 milhões de pessoas não têm acesso à gestão de resíduos, a Nestlé e a Danone contribuíram para dois projetos-piloto utilizando o Standard de Plástico para prestar contas e verificar independentemente os benefícios sociais, econômicos e ambientais destes projetos. A Nestlé associou-se ao Projeto STOP para construir um sistema circular de gestão de resíduos na Indonésia, trabalhando em parceria com o governo e a comunidade local. "O uso do Standard de Plástico ajudará a melhorar a transparência na medição do impacto e nos relatórios, ao mesmo tempo em que apoiará projetos que melhorarão as taxas de coleta e reciclagem em todo o mundo", disse Hanna Jager, gerente global de Compras Responsáveis da Nestlé. Em outro projeto-piloto na Indonésia, a Danone investiu em um centro de triagem de reciclagem que desviou 1.400 toneladas de plástico dos aterros em 2020 e deverá desviar 4.400 toneladas de plástico este ano. "Esta iniciativa ajudará as empresas a comunicarem os impactos de suas operações de maneira consistente e comparável, aumentando a transparência e a responsabilidade corporativa para avançar e acelerar uma economia mais circular", disse Alexander Cramwinckel, gerente global de Economia Circular da Danone. Além da BVRio, os membros da Iniciativa 3R incluem Nestlé, Danone, Tetra Pak, Verra e as principais organizações ambientais e do mercado de carbono.

19 de fevereiro, 2021
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ARTIGO
Contraprova do plástico

Por Yuri Kabe * Em tempos de banimento de itens de plástico, como acontece no Reino Unido, em países da União Europeia, como França, e em cidades brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo, é fundamental analisar de forma mais crítica e sensata se encarar o produto como vilão do meio ambiente é a melhor solução para problemas ambientais que precisamos solucionar. É preciso considerar que os plásticos podem ser úteis para auxiliar a sociedade e as empresas em soluções para as mudanças climáticas, por exemplo, que são consideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) a principal ameaça para a vida marinha e terrestre. Nesse sentido, a luta contra a poluição plástica não pode se tornar uma guerra conta os plásticos em si. Na construção civil, a invenção do cimento e do concreto revolucionou a forma como construímos nossas edificações. Sua resistência é indispensável para o mundo moderno, tendo se tornado a segunda substância mais consumida, atrás apenas da água. Entretanto, as tecnologias atuais de produção de cimento são grandes emissoras de gases do efeito estufa e a substituição do concreto por outros materiais, principalmente o plástico, nas áreas não estruturais, além de reduzir custos, podem reduzir o impacto ambiental das edificações. No setor automobilístico, o uso do plástico deixa o automóvel mais leve, reduzindo o uso de combustível e diminuindo a queima de gases. No segmento de embalagens, vimos uma revolução com a chegada dos plásticos, que diminuíram o desperdício de alimentos e a relação entre volume de produto e de embalagem de 70% x 30% para 97% x 3%, respectivamente. Outra vantagem são os benefícios para a área da saúde. A matéria-prima tem sido fundamental para evitar contaminação, sendo utilizada na fabricação de bolsas de sangue e das máscaras recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a transmissão de doenças. Mas, como garantir um futuro com plástico e o equilíbrio ambiental? A desinformação é um grande problema. As famosas "ilhas de plástico no meio do Oceano Pacífico ou no mar do Caribe", por exemplo, sempre apresentadas como ilustração do que é despejado diariamente nos mares, são, na sua maior parte, resultados de grandes fenômenos naturais que arrastaram lixo para os mares, como o furacão Katrina, que varreu o litoral sul dos Estados Unidos em 2005 e os tsunamis que atingiram o sudeste asiático em 2004 e a costa leste do Japão em 2011. Obviamente a presença de resíduos plásticos no meio ambiente é reflexo de uma ineficiência na gestão de resíduos, um dos principais desafios da atualidade, mas a origem do problema é muito mais complexa, com particularidades em cada um dos quatro cantos do mundo. O Haiti é um país com quase nenhuma infraestrutura de coleta de lixo e localizado na rota de furacões que, junto com a chuva, levam resíduos para o oceano. Lagos, a maior cidade da Nigéria, tem mais de 20 milhões de habitantes e não conta com água encanada e, por esse motivo, o consumo de água em garrafa PET é exorbitante. A Indonésia, um país formado por quase 20 mil ilhas, tem o desafio de pensar em gestão de resíduos para regiões geográficas muito distintas. O Chile vive o problema durante o degelo, acentuado pelas mudanças climáticas, que arrasta os resíduos para o Oceano Pacífico. Na Europa, a indústria turística é um dos setores que mais geram resíduos plásticos. Em terra firme, vemos necessidade de investir mais em pesquisa e criar ciência em torno destas informações para um diagnóstico mais preciso, sem discrepância de dados. Precisamos saber o tamanho real do nosso desafio, assim como a eficácia das medidas mitigatórias para que seja possível pensar em políticas públicas e não endossar uma luta contra o que nos é favorável. Esse processo pode levar um tempo, assim como levamos décadas para chegar à conclusão de que o aumento da concentração de CO2 na atmosfera tem potencial para causar o aumento da temperatura média do planeta. Ainda assim, não é preciso esperar que isso aconteça. Além de adotar práticas de economia circular, a indústria mundial do plástico está se movimentando para gerar estatísticas, relatórios e guias para criadores de políticas públicas. A adesão ao Operation Clean Sweep, uma iniciativa internacional para reduzir a perda de partículas de plástico (pellets) para o meio ambiente, tem contribuído para minimizar impactos ambientais. O Plastic Leak Project, capitaneado pela Quantis, uma consultoria ambiental europeia focada na gestão do ciclo de vida do plástico, é uma das iniciativas mais recentes, com o objetivo de reunir um grupo de multistakeholders para criação de uma metodologia de quantificação que possa ser utilizada em níveis municipal e nacional por setores privado e público. A intenção é identificar a perda de plástico em setores da indústria e desenvolver ações mitigatórias. A ação já analisa dados dos setores de embalagem, têxtil e de fabricação de pneus. Como estudo de caso, uma empresa europeia com atuação no segmento de laticínios identificou que a venda de leite em pó para a Nigéria, China e Bangladesh é responsável pela perda de 4% do volume total de plásticos utilizados e está definindo um novo tipo de embalagem. Definir ações como esta só é possível a partir de uma metodologia consensual. Nem sempre o plástico será a melhor alternativa, mas precisamos reconhecer que para muitos casos o plástico é a solução mais viável do ponto de vista ambiental. Não é possível pensar em um futuro sustentável sem o plástico. * Yuri Kabe é Especialista em Avaliação de Ciclo de Vida na Braskem

27 de julho, 2020
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RECICLAGEM
Sistemas para embalagens plásticas

A Nestlé e a Veolia assinaram parceria no trabalho de coleta, classificação e reciclagem de materiais plásticos, com ênfase especial em embalagens plásticas flexíveis. O projeto será desenvolvido em onze países na Ásia, África, América Latina e Europa. O projeto também desenvolverá tecnologias para estabelecer modelos viáveis de reciclagem em diferentes países, o que inclui tecnologias de reciclagem química, como a pirólise, capaz de produzir plástico virgem. Com a medida, a Nestlé espera aumentar o conteúdo reciclado de suas embalagens de água engarrafada para 35%, e das embalagens totais de seus produtos para 15% até 2025. "O desperdício de plástico é um desafio que exige um ecossistema de soluções que trabalhem simultaneamente. Essa parceria é outra etapa específica da agilização de nossos esforços para tratar dos resíduos plásticos, que consideramos uma questão crítica. Aproveitando a tecnologia e a experiência da Veolia, começaremos com projetos-pilotos em vários países, que deverão ser posteriormente aplicados em escala global", explica Magdi Batato, vice-presidente executiva e chefe de Operações da Nestlé. A Veolia está satisfeita com a parceria, que pode proporcionar uma economia mais circular dos plásticos. “Nossa experiência em recuperação e reciclagem de recursos nos posicionou para lidar com o problema junto a marcas globais e outros agentes da cadeia de valor em todos os continentes. Acreditamos que é hora de avançarmos para uma reciclagem mais significativa dos materiais e ficaremos felizes em ajudar nossos clientes a serem cada vez mais criativos para que possam continuar melhorando a qualidade de vida, enquanto protegem nosso planeta e seus recursos", comenta Laurent Auguste, vice-presidente executivo sênior de Desenvolvimento, Inovação e Mercados da Veolia. A Nestlé indica que a parceria com a Veolia poderá acelerar as ações de combate ao lixo plástico, além de ajudar a companhia a atingir a meta de 100% de suas embalagens recicláveis ou reutilizáveis até 2025. Em janeiro de 2019, a Nestlé começou a eliminar todos os canudos plásticos de seus produtos, utilizando materiais alternativos, como papel, bem como projetos inovadores de redução de resíduos. Em dezembro do ultimo ano houve o lançamento do Nestlé Institute of Packaging Sciences, voltado para a análise, estudo e desenvolvimento de materiais de embalagem sustentáveis e colaborar com parceiros industriais para desenvolver novos materiais e soluções de embalagem. O Instituto está explorando novos materiais à base de papel e polímeros biodegradáveis/compostáveis que também são recicláveis, entre outras alternativas. Entre 2020 e 2025, a Nestlé eliminará gradualmente todos os plásticos que não são recicláveis ou difíceis de reciclar para todos os seus produtos em todo o mundo. Ao fazê-lo, a Nestlé está lançando materiais de embalagem alternativos em todo o seu portfólio global de produtos e estabelecendo parcerias com especialistas em embalagens de ponta.

28 de março, 2019
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OCEANOS
Acordo para proteção até 2021

O CEO do Grupo Suez, Jean-Louis Chaussade, e Vladimir Ryabinin, secretário executivo da Comissão Oceanográfica Intergovernamental e diretor da Unesco, assinaram acordo que visa a proteção dos oceanos até 2021. A participação da Suez em áreas de inovação e pesquisa com acadêmicos sobre temas como a acidificação e a oxigenação dos oceanos alimentará inovações e soluções, políticas e ações nacionais, além de educar sobre a poluição oceânica. Principal regulador climático, o oceano atualmente é ameaçado por uma poluição originária 80% na terra. Calcula-se que entre 8 e 12 milhões de toneladas de plásticos sejam despejadas nos oceanos anualmente. A produção global de plástico chega a 300 milhões de toneladas por ano, dos quais apenas 25% são reciclados. Desde o lançamento da campanha #suez4ocean, em junho de 2017, mais de 48 coletas de resíduos sólidos foram organizadas em 15 países, engajando cerca de 1.650 guardiões do oceano, que têm evitado que 15,5 toneladas de resíduos cheguem aos oceanos. “Em alguns anos, o alarme desencadeado pelo estado dos oceanos tornou-se uma saudável urgência de agir,” diz Jean-Louis Chaussade, CEO do Grupo Suez. “O aquecimento global, a poluição, a urbanização galopante das orlas geram uma degradação sem precedentes da qualidade dos oceanos que ocupam 70% da superfície terrestre. As ações necessárias ainda são muito numerosas”. Segundo as duas partes, o novo acordo permitirá um conhecimento maior dos oceanos e das ações que precisam ser implementadas para sua proteção.

14 de setembro, 2018
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RECICLAGEM
P&G quer eliminar resíduos até 2020

A Procter&Gamble (P&G) anunciou investimentos adicionais em reciclagem e reutilização que eliminarão todos os resíduos de fabricação de sua rede global de mais de 100 unidades de produção até 2020. Desde que a P&G começou a qualificar suas plantas como zero manufacturing waste to landfill ou zero resíduo de fabricação para aterros sanitários, 56% de suas fábricas em nível global conseguiram atingir a meta. A empresa quer completar a meta com instalações pendentes nos próximos quatro anos. Isso significa eliminar ou reutilizar cerca de 650 mil toneladas métricas de resíduos, o equivalente ao peso de cerca de 350 mil carros de tamanho médio que normalmente iriam para o aterro sanitário. "Estamos acelerando o processo em direção à nossa visão e obrigando a nós mesmos a fazer mais - com menos desperdício", disse Shailesh Jejurikar, Sponsor Executivo de Sustentabilidade e Presidente Global de Cuidado com a Roupa. "Desde 2010, temos trabalhado em direção a nossa visão de enviar zero resíduo de fabricação e de consumo a aterros sanitários. Este anúncio marca outro passo em nosso caminho”. A P&G alcançará suas metas de desperdício zero, garantindo que todos os materiais utilizados: tornem-se produtos acabados; sejam reciclados internamente ou externamente; sejam reutilizados de formas alternativas através de parcerias. Em Lima, no Peru, os resíduos líquidos da P&G de produtos como Tide e Gain tornam-se fontes alternativas de combustível para veículos. Com os materiais laminados de plástico não reciclável de nossas plantas em Mandideep e Baddi, na Índia, são feitas tiras e painéis prensados de baixo custo para construções. Com estas medidas, a empresa não só está reutilizando e reciclando para suas próprias necessidades, mas investindo em comunidades locais por meio da conversão de resíduos em matéria-prima para outras empresas. Em 19 países (Alemanha, Reino Unido, Polônia, Japão, México, Espanha, Egito, Bélgica, Irlanda, Vietnã, Hungria, Indonésia, República Tcheca, Romênia, Singapura, Coreia, Tailândia, Turquia e Paquistão), todas as instalações de produção cumpriram a classificação zero resíduo, e a P&G está próxima de 100% das unidades de produção em outros países, incluindo China e Índia. "Nossos funcionários estão usando as mesmas habilidades de inovação e mentalidade zero perdas que utilizam na fabricação de nossos produtos para a valorização de resíduos", disse Yannis Skoufalos, Presidente Global de Logística. "Por exemplo, os surfactantes residuais de Head & Shoulders na China têm uma nova finalidade para lavagem de carro, enquanto o excedente de nossa fábrica de Tampax no Canadá é usado para fazer produtos de contenção de vazamentos de emergência. Estas parcerias externas inovadoras permitem que nossas fábricas vejam os resíduos não como lixo, mas como algo com valor potencial para outra pessoa".

23 de janeiro, 2017